domingo, 11 de maio de 2008

Momento de poesia

Deitando um cavalo à margem

Vai, mísero cavalo lazarento,
pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
de magros cães faminto ajuntamento.
Esta sela, teu único ornamento,
para sinal de minha dor veemente,
de torto prego ficará pendente,
despojo inútil do inconstante vento.

Morre em paz; que em havendo algum dinheiro
hei-de mandar, em honra do teu nome,
abrir em negra pedra este letreiro:
«Aqui, piedoso entulho os ossos come
do mais fiel, mais rápido sendeiro,
que fora eterno a não morrer de fome»

Nicoulau Tolentino

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Maquilhagem ou justiça

Parece mais que óbvio que o "ordenamento" jurídico desportivo português, bem como as instâncias que o têm de colocar em prática, necessitam de uma varridela de cima a baixo. Em matéria de justiça desportiva, são claras as incongruências da lei e a inocuidade das instâncias jurídicas que a têm de aplicar. Nesse sentido, e independentemente do modo como vier a evoluir toda a situação que hoje foi despoletada pelas punições decretadas pela Comissão Disciplinar da Liga, o futuro pode apesar de tudo vir a ser diferente.
Duas coisas parecem certas no meio de todo este bruá. Por um lado, houve mesmo casos factuais de ilícitos. Mas, por outro lado, os regulamentos parecem conter alçapões por onde os factos podem vir a "desaparecer", ou, pelo menos, podem permitir que as medidas punitivas correspondentes aos ilícitos provados venham a ser amortecidas.
Se a lição for aproveitada e se houver de facto vontade de mudar o panorama actual, no futuro, a ilícitos provados corresponderão, inequivocamente, as medidas sancionatórias adequadas, aplicadas em tempo útil, sem apelo nem agravo. A bem do desporto e do futebol em particular.
Sem esta reforma profunda o que hoje foi anunciado arrisca-se a não passar de maquilhagem, nada que um bom desmaquilhante não trate...

Unidade e geração

Tenho lido algumas posições nos blogs directa ou indirectamente relacionadas com a questão da unidade Sportinguista. Recentemente JG no Rugido Leonino e Verde CDV no Sangue Leonino abordaram o tema. Estou de acordo: a unidade dos Sportinguistas é sagrada! Já tive a oportunidade de escrever aqui no KL, por diversas ocasiões, sobre este tema, analisando-o de diversas formas.
O tema da unidade não parece ser problemático para a maioria dos Sportinguistas. Somos um Clube, o clube chama-se Sporting, somos Sportinguistas, portanto, somos um. Acabou-se!
Vai-se a ver e a coisa não é assim. É muito mais complicado, como de resto tudo na vida. E o tema até é bastante discutido, embora de forma transviada. É que associada à questão da unidade está implícita a questão do divisionismo. A unidade não se discute, não se coloca em perigo, divisionistas são todos aqueles que ousam exprimir uma ideia que contradiga a paz podre em que vive no Sporting. Falar em divisionismo é pois uma forma (fácil) de exprimir ideias sobre a unidade. Raciocínio perigoso e inaceitável este que remete para os contestatários o peso de atentarem contra a unidade dos Sportinguistas.
Mas, eu pergunto ao Verde CDV, ao JG e a todos os outros: quem são os causadores do atentado? Somos nós que colocamos em voz alta as nossas objecções, ou são aqueles que atentam por todos os modos contra a nossa independência, imaginando que um reparo significa vontade de poder? Somo nós que exprimimos os nossos pontos de vista porque nos preocupamos com o Sporting, ou os indiferentes? Somos nós que contribuímos com as nossas sugestões e críticas ou aqueles que ameaçam, caluniam, silenciam ou boicotam a democracia leonina?
A unidade não é um conceito abstracto. A unidade é um conceito concreto que se forja no dia a dia do Clube, por todos: pelos dirigentes e pelos associados que lá os colocaram. A primeira obrigação de um dirigente é cultivar a unidade, não afrontar os associados. Não há associados "uníveis" e associados "tresmalhados". Como não há associados de charuto e associados de beata. O discurso da direcção é manifestamente um discurso que não apazigua, que estremece e não raro afronta e provoca, dando a entender que, para ela, o Sportinguismo é uma qualidade que vem do berço e que dirigir o Sporting é um desígnio atribuído por direito divino.
Felizmente há blogs... Há um administrador da SAD que exprimiu em tempos sobre os bloguistas uma opinião que talvez lhe venha a cair um dia em cima. Errou por dois motivos. Caluniou, esquecendo que os bloguistas do Sporting estão na razão directa do défice democrático do Sporting. Fossem os dirigentes do Sporting correctos na sua actuação e os bloguistas não teriam talvez razão de existir. E caluniou, errando segunda vez, porque a nova geração de Sportinguistas, onde se inclui a grande maioria dos bloguistas, sabe muito bem o que quer, tem espírito crítico e exige participação. Não se contenta com este estatuto de apêndice incómodo do Sporting que é a forma como os actuais dirigentes encaram os adeptos e, sobretudo, os sócios. Esta nova geração de Sportinguistas, os sócios que serão os nºs 20s e 30s daqui a 50 anos, aquela que vai conduzir o Clube no futuro, a geração dos 500 €, que não tem dinheiro para ir à bola, não se limita a abanar a cabeça como aqueles cãezinhos que se vêem nas traseiras de alguns carros. Olhem para as iniciativas que neste momento animam o associativismo verde e branco e tomem atenção aos seus mentores...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Movimento Leão de Verdade precisa de voluntários

Uma apelo do Movimento Leão de Verdade para quem queira ajudar num último esforço de recolha de assinaturas. O Movimento estará presente no domingo dia 11 de Maio a partir das 17,00 horas no centro Alvaláxia junto ao Rocódromo.
Quem quiser ajudar pode contactar o Movimento através do endereço info@leaodeverdade.org

terça-feira, 6 de maio de 2008

A AAS convida

A Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS), fundada no dia 9 de Abril, irá realizar o seu evento de lançamento denominado: Fórum Sporting: Tradição e Evolução, no próximo dia 24 de Maio.
Este Fórum será de entrada gratuita e exclusivo a sócios e adeptos sportinguistas. Pelo que convidamos a equipa e os leitores do King Lizards a marcarem presença e a participarem neste encontro verde e branco. Poderá, caso pretenda (não é obrigatório), pré-inscrever-se através do email geral.aas@gmail.com, indicando o seu nome completo.
Os desenvolvimentos e notícias sobre o Fórum Sporting: Tradição e Evolução serão noticiadas num espaço que foi criado apenas para esse efeito que é:
http://vinteequatrodemaio.blogspot.com/
Responda a esta Chamada.
Até dia 24 de Maio.

AAS-GABINETE DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM

A ler...

A ler absolutamente esta posta do Blog da Bola, com o espírito crítico e os cuidados necessários...
Mas vamos exigir o esclarecimento e a prova total de tudo isto!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Gente feliz e nós com lágrimas...



Hoje diversos jornais trazem fotos do momento em que Veloso e Djaló celebravam o golo marcado ao Paços fazendo caretas um para o outro. Olhar aquelas fotografias fez-me, de repente, lembrar a realidade. São putos, estão contentes da vida!
No meio desta nossa paixão clubística esquecemo-nos (eu certamente, mea culpa!) disto. São putos! Dão a cara pelo Sporting, mas são putos! Têm por vezes uma carga, se calhar, imerecida sobre os ombros.
O blog Floresta do Sul tem um post com o título genial "Filipe Soares Franco quase campeão". Resume-se aqui o drama do Sporting: putos felizes com um calmeirão abúlico a tomar conta deles! Imagino o que seria se os grandalhões que mandam nestes putos tivessem outra mentalidade e fossem de outra têmpera. Onde poderia chegar esta malta!
Assim, vão chegar longe, mas longe do Sporting.

domingo, 4 de maio de 2008

Momento de poesia

AS PALAVRAS

São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

sábado, 3 de maio de 2008

Momento bíblico...

O Êxodo bíblico fala do maná. Os jornais e os seus sites falam este fim de semana da renegociação da dívida do SCP à banca como se de um novo maná se tratasse. Agora é que vem aí um tempo de fartura e tudo vai sorrir. Como no milagre bíblico, de repente, os problemas do Sporting, asseguram-nos, vão desaparecer e o futuro será de mel e bolos...
Não se iludam: o Sporting nunca terá futuro enquanto a agulha "magnética" estiver a apontar para o pólo bancário.
Não acredito! Não acredito que os bancos se tenham de repente transformado em protectores do Sporting, não acredito que esteja a ser dado um ponto sem o respectivo nó, não acredito que o facto de praticamente todos os jornais falarem de toda esta operação em coro, neste momento e depois de todas as outras manobras a que temos vindo a assistir, se fique a dever ao milagre do povo eleito. Não acredito que matéria de negociação que é tida como "secreta" venha afinal escarrapachada nos jornais, sem problema, inocentemente. Náááá!! Aqui há gato...
E não acredito num Sporting feito da banca para baixo. Acredito, isso sim, num Sporting feito dos Sportinguistas para cima! Acredito que sem o momentum dado por uma ampla, esclarecida e entusiástica participação de todos os que partilham o ideal Sportinguista, o Sporting ir-se-á afundando com mais ou menos trombetas. E também acredito que alguns irão beneficiar do deslizamento inexorável...
Pergunta inocente: o que esperam os fariseus do 'projéquette fáinance' dos Sportinguistas? Confiam assim tanto que estaremos lá sempre a abrir, nós!, os cordões à bolsa? Os Sportinguistas não riscam para os desígnios dos magos da finança? O ovo estará assim tão claramente no cu da galinha que nem vale a pena introduzir a "freguesia" na equação?
Por tudo isto, acho que mais uma vez --e lamento dizê-lo porque tomara eu que o Sporting fosse um clube a sério...-- o povo Sportinguista está a ser conduzido para o deserto. E Soares Franco não é Moisés! Não tem estofo, falta-lhe a faísca para pegar fogo à sarça e não é de raça capaz de separar as águas.
Um Sporting governável não é um Sporting com um passivo de 150 milhões: um Sporting governável é um Sporting sem esta gente! Acreditem: nunca como hoje foi tão necessário mostrar as "tábuas da lei" à Hidra! Talvez mesmo dar-lhes com elas na(s) cabeça(s)...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dados pessoais sobre Sportinguistas na praça pública

Aqui há tempos manifestei neste espaço o meu apoio à iniciativa de convocação da Assembleia Geral Extarordinária do Sporting do Movimento Leão de Verdade. Não sou procurador dos sócios que tomaram esta inciativa. E não tenho qualquer ligação a nenhum deles, para além do facto de sermos todos sócios do mesmo Clube.
O meu apoio decorre tão somente do facto de pensar que a iniciativa foi até agora a única que me parece ser verdadeiramente acutilante, ao mesmo tempo que está totalmente escorada numa irrepreensível legitimadade estatutária. É isto que precisamos: largar a retórica, mas agir dentro das regras que nos governam. Simplesmente.
Parece que a iniciativa é mesmo acutilante... Querem ver porquê?
Já por diversas vezes se notou alguma agitação e algum desconforto da parte da direcção com esta iniciativa. A reacção intempestiva do presidente da Mesa da AG, por exemplo, veio provar que por aquelas bandas corre algum nervosismo.
Hoje o jornal Record (que eu chamei em post anterior de folheca sanitária, penso que com redobrada e justificada razão) publica um texto de autoria de Luís Óscar que não pode deixar de chocar qualquer Sportinguista.
Não está (de todo) em causa a matéria substantiva que o texto aborda, aliás prontamente esclarecida pelo Leão de Verdade. Nem está em causa o combate democrático, a que a direcção tem direito, como qualquer associado, desde que travado no quadro das regras estatutárias. O que está em causa aqui --e penso que será motivo de preocupação séria para qualquer Sportinguista-- é a divulgação pública de dados sobre sócios, com enorme soma de detalhes, por um jornalista que só os poderá ter obtido do próprio Sporting. A não ser que as bases de dados do Clube tenham passado para o domínio público...
Esta direcção e os colaboradores que a rodeiam já deram noutras ocasiões sinal de que pelas bandas do Edifício Visconde de Alvalade vale tudo, mas agora penso que a linha foi definitivamente ultrapassada.
Há uma coisa a que os cidadãos, Sportinguistas também, têm direito: bom nome e privacidade. Eu não quero, como certamente nenhum Sportinguista com bom senso, ver escarrapachados num jornal os dados sobre a minha filiação clubística e tenho todo o direito a isso! A publicação destes dados constitui claramente, em minha opinião, violação de garantias constituicionais e é matéria para uma intervenção da Comissão Nacional de Protecção de Dados. (Ainda) não vale tudo...
A quem poderão os serviços e os responsáveis do Sporting estar a passar os nossos dados pessoais sem a gente saber?
Este caso só pode suscitar a todos os Sportinguistas as maiores preocupações. Trata-se de um procedimento que merece o nosso mais vivo repúdio. No mínimo, a direcção deverá desde já abrir um processo interno de averiguações e esclarecer cabalmente os Sportinguistas sobre toda esta embrulhada. É necessário apurar como e em que circunstâncias estes dados foram tornados públicos e quem os facultou ao jornalista.
No que respeita ao Record este frete à Hidra (mais um e a pretexto de quê...?) só merece uma classificação: um nojo!
Quanto à direcção do Sporting, fica a pergunta: o que receiam afinal? Porque razão um simples pedido de esclarecimento, dinamizado por sócios que nem pagam as quotas, poderá estar a suscitar tanta agitação e nervosismo...?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Smash!


A direcção comemorou dois anos de mandato. Não faltaram as habituais barrigas de aluguer para redigir panegíricos sobre o trabalho realizado e sobre as maravilhas que aí vêm. Para o ano é que é, rapaziada! A satisfação é tanta que, segundo consta, há uma maioria que quer FSF outra vez, imaginem! Vem mesmo a propósito, parece até de encomenda...
Mas, a verdade é que a direcção manteve em dois anos este Sporting no seu pior patamar. Ninguém pode estar satisfeito com o que se passa no Clube. A insatisfação é de facto tão clara que nunca se viu uma oposição tão activa e tão presente. Nunca se viu tanto mal estar, tanta organização e tanta iniciativa para tentar esclarecer ou simpesmente manifestar o descontentamento dos Sportinguistas. A agitação é tal que até a própria direcção se encavaliotu numa iniciativa, implicitamente crítica, de Sportinguistas, tomando-a como sua, para aparecer quiçá (isto eu já acredito em tudo!) como uma direcção de... oposição. Mas, é também esta celebrativa direcção que vai mesmo ter de enfrentar uma inusitada Assembleia Geral Extraordinária para esclarecer alguns aspectos que carecem de explicação.
Em nome do Fim do Défice (FD) o Sporting foi alvo de curas violentas de emagrecimento. Mas, não só não se avista fim ao FD, como a cura de emagrecimento, ao contrário do que seria de esperar, não visou os gordos! Visou os magros. São sempre os magros que acabam FD, vítimas das curas de emagrecimento. Os gordos continuam gordos, que isto de princípios é para aplicar... em princípio! Se alguém tem de ser vítima de FD que sejam os magros que até já estão habituados.
O Sporting não passa hoje, feitas as contas, de uma meia FD!
E nada melhor do que comemorar o bom trabalho executado. Sugiro um jantar. Só gente de fato e gravata. Rigorosamente. Só mesmo a elite, la crème de la crème! Nada de mulheres que isto de Women tem dias... O jantar pode ser no estádio, que por enquanto ainda se chama de Alvalade. Que o champagne corra generosamente pela pista para comemorar estes dois anos magníficos de FD. Sugiro pratos leves, saborosos e deliciosamente perfumados para lembrar tão auspicioso momento.
E aproveito então o espírito comemorativo --espero que ainda vá a tempo-- para enviar à excelentíssima direcção... a sobremesa!

Conduta

Decidi não falar mais da equipa até ao final da temporada, mas nada me impede de falar do treinador, sobretudo quando o motivo da conversa nada tem a ver com futebol. O Paulo Bento, volta não volta, surpreende-nos com mais uma fuga do pé para a chinela. O modo como falou do treinador do Guimarães ter-vos-á escapado, leitores do KL, mas a mim não me passou e, confesso, chocou-me. Estou certo que o visado não terá ficado lá muito contente. A comparação feita sobre o número de anos que ambos os treinadores levaram para treinar um "grande" é absolutamente chocante e revela bem em que patamar se situa afinal o treinador do Sporting.
No fim de contas, o que Cajuda fez foi apenas lembrar que o Sporting (juntamente com aquele tal outro bando de cujo nome eu nunca me lembro) deveria estar a lutar pelo primeiro lugar e está a lutar, ombro a ombro com o Guimarães, pelo segundo...
Nada de extraordinário teve este desabafo do treinador do Guimarães. É verdade!
Terá sido isto que deixou PB irado?
Seja como for, é por tudo isto, mais até que pelo resto, que eu não gosto do PB.
A impunidade de que ele goza só encontra paralelo na sorte que teve em ter encontrado os Sportinguistas distraídos este ano, talvez com o que se passa com o Clube. Em ano normal, em ano de mais atenção ao que ocorre na vertente desportiva, a coisa ter-se-ia passado de outra forma...
O que o Paulo Bento precisa mesmo é de mandar calafetar as condutas de comportamento que exibe e, manda a prudência, aguentar-se, refrear-se e descer à terra. Caramba homem, está quase a acabar!

domingo, 27 de abril de 2008

Momento de Poesia

Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insónia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão


Florbela Espanca

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Poeira para os olhos?

Ultimamente temos vindo a assistir a um conjunto de "aquisições" para os quadros do SCP que me (nos) deviam deixar satisfeito(s), mas que, ao contrário, me suscitam algumas interrogações e me deixam inexplicavelmente inquieto...
Aqui há algum tempo foi anunciada a colaboração de Tomás Morais, o seleccionador nacional de râguebi. Ontem surgiu o nome de Sá Pinto. Significativamente, a vinda destes nomes para o universo Sportinguista faz logo, com toda a facilidade, capa dos jornais.
Não estando em causa o estatuto destas figuras, nem o seu valor técnico e desportivo, quer-me parecer que a política de contratações e a estratégia de "profissionalização" do Sporting (ainda ontem referida pelo presidente do Sporting numa notavelmente esclarecedora entrevista à RTP 2) visa mais fingir que se está a atacar os problemas do que resolvê-los de facto. O que podem fazer, por si sós, Tomás Morais ou Sá Pinto se quem manda, quem assina os cheques ao fim do mês, não tem rumo?
Fosse eu mauzinho e diria que estas, como outras figuras que venham porventura a surgir, parecem mais instrumentos de uma manobra de lançamento de poeira nos olhos dos Sportinguistas, do que de um plano coerente de "profissionalização" das estruturas de trabalho...
A sua notoriedade não substituirá nunca uma visão estratégica que, no caso do Sporting, é (sublinhado!) totalmente inexistente. Não se pode fazer omoletes sem ovos e não são estes nomes que vão trazer os ovos que o Sporting necessita. Quer-me, pois, parecer que à falta de uma política coerente para o Clube, os dirigentes actuais enveredaram por uma estratégia tipo "caras-notícias", na esperança de que uns quantos nomes mais notórios (nalguns casos com ressonância fácil nos corações Sportinguistas) mascarem as suas próprias limitações e uma administração à bolina.
Quem virá a seguir? A Madonna...?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nação leonina está a desmobilizar

Sob o título "nação leonina está a desmobilizar", noticia hoje o Record que o Sporting perdeu este ano 126.000 espectadores no seu estádio, em relação à época passada.
Este é mais um reflexo do que aqui temos vindo a denunciar quanto ao comportamento dos dirigentes face aos adeptos. Filipe Soares Franco e a sua direcção têm andado a dilapidar o principal património do clube, que são os seus adeptos.
É também mais uma razão para a importância que reveste a criação da Associação de Adeptos Sportinguistas. O post que refere a constituição da AAS não é claro quanto a se, como e quando se poderão inscrever os associados que o queiram fazer. Por outro lado precisamos de conhecer os estatutos e saber das intenções da AAS com mais precisão.
De facto, até agora a coisa foi feita quase em segredo, sem uma tentativa prévia de agregar outros interessados que não os seus promotores, o pessoal da Visão Leonina. O que torna a tarefa de agregação de todos os outros adeptos que acham necessária uma associação deste tipo desde logo mais difícil. É pena que assim tenha sido, pois prefiro instituições que surjem no decurso de processos mais agregadores à partida, como o que levou à criação da União de Blogues Sportinguistas, por exemplo.
Mas isto, sendo uma limitação que o processo tem à partida, não é razão para que não se apoie a iniciativa, sempre na esperança de que a mesma se mostre aberta à participação dos adeptos, real e democraticamente e não apenas na manifestação inicial de intenções.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Não há "clientes" Sporting

A nova Associação de Adeptos Sportinguistas é uma iniciativa importante que me mereceu (e merece!) aplauso incondicional. Merece também alguma reflexão adicional.
Esta Associação não vai, naturalmente, contar com a minha filiação, embora a recomende e o vá continuar a fazer. Não por qualquer divergência de fundo com os propósitos conhecidos, expressos nos seus princípios fundadores (*), mas porque misturar sócios e adeptos do Sporting nesta organização pode ser contraproducente, pode desvirtuar o seu desiderato e afectar a sua capacidade de intervenção.
Os adeptos do Sporting constituem seguramente a maioria do universo Sportinguista. O seu relacionamento com o Clube e o relacionamento do Clube com eles tem especificidades próprias e suscita problemas exclusivos que merecem e carecem de tratamento particular.
O surgimento desta Associação constitui assim uma excelente forma de lhes dar resposta.
O tratamento das especificidades do estatuto de adepto (há que lutar pela criação do estatuto do adepto!) encontra aqui o seu instrumento privilegiado.
Outra coisa é o estatuto de sócio, definido claramente no Estatutos do Clube. Concordo que sócios e adeptos se terão de juntar para resolver alguns dos problemas que os afectam. Mas institucional e formalmente estes estatutos são diferentes, têm consequências diferentes e precisam de ferramentas específicas para lidar com os seus problemas próprios.
Não está de todo em causa o grau de Sportinguismo dos adeptos e dos sócios do Sporting. Conheço muitos adeptos cujo Sportinguismo não hesito nem por um momento em classificar como exemplar, assim como conheço sócios cujo "sportinguismo" os devia levar às galeras, sem apelo nem agravo... Em certa medida, o papel do adepto é até mais ingrato do que o do sócio. Se a direcção nem aos sócios dá crédito, quanto mais aos adeptos!
Mas, antevejo com o aparecimento desta Associação uma nova era para o Sporting, porque existe agora um interlocutor forte que terá por trás de si a força de um grupo de gente que os responsáveis leoninos conhecem bem, que usam quando lhes convém, mas em relação ao qual se estão efectivamente marimbando. Pagam e nem sequer bufam porque não têm (tinham!) local para o fazer.
Por este lado, portanto, os AAS estão de parabéns.
O que não podemos admitir neste universo constituído por adeptos e sócios é o conceito peregrino do "cliente Sporting" que já vi por aí recentemente. Se algum dia o Sporting ficar reduzido à "clientela" esse será o dia em que o Clube morrerá defintivamente.
Todos nós temos de conviver no estádio com os adeptos dos outros clubes que nos visitam e temos de os suportar. Mas, digo-vos que prefiro mil vezes um adepto ferrenho de outro clube sentado ao meu lado, a um "cliente" de ocasião do meu Clube, amorfo e volúvel, que não espera mais do que ser "bem servido". Mal de nós, Sportinguistas, se algum dia tivermos de gritar "A Deco não manda aqui!"


(*) Concordo em particular com a ideia de proporcionar um elo de ligação ao Clube e com o propósito adicional de, ao fazê-lo, poder trazer para esta interacção antigos sócios que já não frequentam o universo Sportinguista. É um assunto ao qual, como sabem, eu sou particularmente sensível e que já abordei neste espaço por diversas vezes e é uma ideia importantíssima.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Recolha de assinaturas para a AG Extraordinária

O Leão de Verdade - Movimento de Cidadania Sportinguista informa que vai estar presente para recolha de assinaturas, pela última vez, no dia 27/4, no Alvaláxia junto ao Rocódromo, a partir das 18.30h. Uma derradeira oportunidade para quem não assinou ainda o pedido de convocação da AG Extarordinária.
Junte o seu voto aos nossos.

Nova associação Sportinguista

Nasceu a Associação de Adeptos Sportinguistas. Leiam aqui pormenores sobre este novo centro de reflexão Sportinguista ao qual eu, pessoalmente, desejo o maior sucesso.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Marquemos a diferença

Turbillhões vários têm afectado o clima dos clubes portugueses nestes últimos tempos. Os factores que determinam esta conjuntura climatérico-desportiva não surgiram ontem, mas agudizam-se e provocam neste momento um fenómeno que podemos designar por aquecimento clubístico global.
As diferentes figuras e figurinhas que conduziram, justamente, os clubes à situação presente --tirando todos eles o cavalinho da chuva ácida que corrói a paisagem clubística-- acham que só há uma única solução para resolver o problema e gritam: mais poder às SADs!
São todos iguais, de todos os quadrantes só se ouve a mesma conversa.
Em duas palavras, o que estes cavalheiros pretendem é retirar o controlo das SAD's pelos clubes. Prescindindo desse controlo o capital das SAD's pode-se abrir a outros investidores. Mas, esses investidores vão ter que rentabilizar os seus investimentos com base nas receitas que provêm , directa ou indirectamente, dos bolsos dos únicos que as podem gerar: os adeptos. Ora, se são os adeptos que originam sempre as receitas porque é que a solução "SAD" é melhor que a solução "clube"?
Aqui entra o sofisma... Clubes são estruturas amadoras, sem capacidade para se governarem a si próprias. No discurso destes cavalheiros, ouve-se falar de profissionalismo e de estrutura profissional como equivalente a SAD. Há portanto que "profissionalizar". Mas, as SAD's não conquistam nenhum mercado, nem há verdadeiramente risco nenhum: os clubes cedem os sócios e adeptos que têm e garantem o mercado a estes "profissionais". Os investidores "investem" em vinha vindimada. Os sócios prescindem, através de autorizações dadas em AG, dos seus direitos como sócios e remetem-se à condição de clientes. Através da "empresarialização" as receitas provenientes dos sócios e adeptos, que não chegavam para garantir a vida do clube, já vão ser suficientes para garantir a vida da empresa. É estranho, mas é verdade.
O "milagre" fica-se então a dever à "profissionalização", eufemismo para mais uns tachos para uns gulosos. Ora, o que os arautos da cedência da maioria do capital das SAD's não explicam é o que é que impede um clube de ser uma estrutura profissional... com sócios? O que é que impede que um clube desportivo seja gerido de forma profissional e rigorosa? Serão estas exigências contraditórias?

Pelo que consigo observar aqui da minha janela, há muita gente crédula que ainda não percebeu o que está em jogo. Por isso, antevejo num futuro não muito distante crises profundas nalguns clubes, que irão inevitavelmente ditar, nuns casos, o seu desaparecimento, e, noutros casos, a sua descaracterização total. Este fim de semana tivemos já, pelo menos, dois casos que ilustram o que estou a dizer, que dizem o que é a fragilidade e a demência que domina este meio. Outros clubes se lhes seguirão estou certo. Mas, entre a falência de uns e o travesti de outros há outras vias. Entre fechar a porta e entregar a portaria a gulosos haverá certamente outras escolhas. No Sporting, quero acreditar que somos diferentes, mais atentos e mais fiéis aos nossos princípios. Quero acreditar que saberemos honrar essa diferença.

"Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes? Quem sois? Visões misérrimas e atrozes?" perguntava Antero no poema que reproduzi no último "Momento de Poesia"...
No Sporting, precisamos apenas de saber indentificar os cantos de sereia que zunem aos nossos ouvidos e ter a coragem de lhes calar o pio! É a única forma de impedir a implosão do nosso Clube.

AG ou Congresso? Não! AG e Congresso!

É muito claro o que é proposto por Leão de Verdade ao encetar o processo de realização de uma Assembleia-Geral extraordinária, pois tal vem expresso na OT proposta:
1) Deliberação sobre a realização de auditoria externa e independente ao Sporting Clube de Portugal e a todas as sociedades do Grupo Sporting com apresentação de contas consolidadas;
2) Discussão dos termos de pagamento do passivo bancário do Sporting Clube de Portugal e das sociedades do Grupo Sporting e de medidas tendentes à sua renegociação;
3) Discussão dos termos do negócio de venda dos terrenos do antigo Estádio José Alvalade (UOP 30) e dos direitos de superfície do Interface do Campo Grande e de medidas tendentes à sua renegociação;
4) Discussão dos termos do negócio imobiliário da venda do património não desportivo e avaliação dos respectivos resultados.

Mais afirmam os promotores que não querem “destituir esta direcção”, a qual “deverá manter-se em funções até ao final do seu mandato”; o que aliás seria impossível dado que “a destituição de direcções do SCP não é possível numa AG que não tenha esse ponto na ordem de trabalhos”, como é o caso.
Postas as coisas assim, não hesito em aderir, pois acho o processo correctíssimo. Também eu não estou nada interessado em que o objectivo imediato seja a demissão desta direcção. Neste aspecto táctico estou em desacordo com Master Lizard; eu quero, sim, que esta direcção seja corrida, mas em eleições e havendo uma alternativa, de programa e de lista, a ela.
O cenário contrário levaria a um período de direcção em gestão corrente, sem garantias de que surgisse uma alternativa melhor (e todos sabemos, porque o sofremos na carne durante anos e vimos outros sofrer ainda pior, o que é o arrivismo e o oportunismo na sociedade portuguesa em geral e no futebol em particular). Corríamos o risco de saltar da frigideira para o lume. Nisso não estou interessado; a haver mudança, que à partida fiquemos convencidos de que vamos para melhor.

Mas também se prenuncia um Congresso do Sporting e muitos sportinguistas hesitam sobre se devem ou não participar, se devem ou não opor-se à sua realização. Isto porque a ideia do Congresso veio dos corpos dirigentes do Sporting.
Dada a prática anterior desta direcção, dá para desconfiar de que se tenham de repente convertido à democracia e queiram saber as opiniões dos associados. E acredito que, face à contestação que sabem existir, expressa por todo o lado, nomeadamente nos blogues, eles queiram obter uma legitimação adicional e procurem controlar o processo de molde a que as vozes discordantes sejam abafadas.
Cabe-nos a nós, que temos vindo a fazer oposição e a procurar formas de organização que nos permitam intervir, fazer com que não seja assim. Porque, não tenhamos dúvidas: se nos demitirmos e não participarmos, então é que eles se apresentarão como ganhadores, pois não terão uma oposição a sério.
A AG extraordinária pode, e deve, servir como um abanão na prosápia dos dirigentes, e um sinal de que precisam de contar connosco; além de que nela poderemos obter informação preciosa para a preparação do Congresso.
Mas é fundamental participarmos em força e o mais possível organizados no Congresso.
Assembleia-Geral? Sim!
Congresso? Sim!
Não permitamos que o Congresso se transforme num reforço da situação!
Mobilizemo-nos!