domingo, 8 de janeiro de 2006

Estou farto!!!!!!

A expectativa era grande no início, em Agosto. Depois de uma época recheada de emoções positivas e negativas, de orgulho e frustração e de grandes vitórias, mas também de derrotas marcantes, o facto de não se ter aberto mão de um grande número de jogadores e de se ter apostado em alguns reforços que na minha modesta opinião, considerava fulcrais (a questão do lateral-esquerdo!!!), pensava que com tranquilidade poderíamos todos, desde o presidente ao comum adepto, aprender com os erros passados e melhorar os pontos menos positivos.

Não tinha ainda o jogo entre o Sp. Braga e o nosso Sporting começado e já me encontrava a fervilhar de raiva, tentando consolar-me junto do facto de "nunca se estar contra o nosso clube." As sucessivas situações em que o Sporting se coloca e a que se dispõe envergonham-me cada vez mais e "apequenam" este enorme clube.

Já muito se tem escrito e o facto de eu estar no estrangeiro faz com que o meu conhecimento de causa seja extremamente diminuto em relação a um sem-número de pormenores nos últimos anos. No entanto, estou mais interessado nas conjunturas e tendências que nos factos pontuais. Porque razão temos ainda uma direcção não eleita que resulta do esgotamento de um modelo (ou falta dele) de outra direcção também iniciada sem acto eleitoral? Lembre-se que também Dias da Cunha e seus pares foram igualmente co-optados... O que faz realmente Filipe Soares Franco na direcção? Porque falhamos constantemente na relação com os jogadores? Porque razão acontecem os casos de Polga e Deivid, tal como aconteceram outros no passado? Porque razão ao mesmo tempo sentimos falta de jogadores como estes mencionados?

Em todo o caso parece ser certo que o modelo seguido se esgotou. Foram sucessivos os maus anos do ponto de vista financeiro, quando parecia que esta gestão permitiria ao Sporting equilibrar as contas e tornar-se mais competitivo no mercado de transferências e, naturalmente, nas competições desportivas em que se inseria. Nada mais falso! De outra forma conseguiríamos por certo montar uma estrutura competitiva no plano desportivo. Desportivamente, os maus anos foram interrompidos por 2 títulos que escapam da conjuntura de dominação do F.C. Porto: O de 1999/2000 e o de 2001/2002. Por muito que estes me tenham enchido de orgulho, é certo que não resultam do trabalho continuado dos dirigentes. São sim obra da fortuna. Falhámos e falhamos porque, em primeiro lugar, nunca soubemos criar as condições para que o sector da formação pudesse desenvolver-se. Em segundo lugar, a integração dos nossos jovens talentosos na equipa principal tem sido feita de forma deficitária e insuficiente, embora esta tendência possa estar a esbater-se um pouco com as inclusões de João Moutinho, Nani, etc. No entanto, ainda não me esqueci de como no mesmo ano, depois de se garantir que Quaresma e Ronaldo não sairiam ao mesmo tempo, tal não se verificou. Em terceiro lugar, a política de contratações tem sido mal concebida, mal elaborada e mal sucedida. Do ponto de vista estritamente técnico-táctico é errado contratar jogadores com o propósito de os adaptar. Tal foi visível, mais do que nunca, durante esta paragem de Natal. Esta política revela-se caricata e aterrorizadora e o resultado esteve à vista em Braga...

Porque foi Rogério embora? Porque joga Miguel Garcia (defesa-central) à direita e como pode um jogador que treme de ter a bola nos pés receber a braçadeira de capitão???

Porque foi Edson emprestado (defesa-esquerdo de raiz) e fica Tello (um médio-atacante centro adaptado)?

Porque são vendidos e emprestados 3 avançados e para a preparação de uma importantíssima deslocação contamos com apenas UM de raiz (não considero Douala um avançado de raiz)?

Naturalmente que para o fim fica a situação de Polga e Deivid, para a resolução da qual o "nosso" presidente sugere jogos na altura do Natal para isto se tornar uma "festa da família". Só pode realmente estar a gozar alarvemente com a nossa cara!

A manta de retalhos continua infelizmente, mas não vou alongar-me. Creio que é por demais evidente o que se passa em ano de Centenário. O que me choca é a enorme acomodação dos Sportinguistas face a esta situação! Andaremos todos a dormir? O que se vai fazer para combater esta inércia????

ELEIÇÕES JÁ!

ESTOU FARTO!!!

A regra

Confesso que neste momento cada derrota do Sporting é como se me dessem um murro! Sublinho neste momento porque noutras ocasiões e noutros tempos uma derrota do Sporting era uma situação conjuntural, a causa de um momentâneo acesso de raiva, logo passado, uma derrota era ditada por um momento de pouca inspiração, por um erro de tática ou estratégia, por uma qualquer argolada de um árbitro (chamemos-lhe "argolada" para não sermos mais cáusticos...). Tinha um efeito de duração limitada.
Hoje, pelo contrário, qualquer vitória do Sporting parece-me um feito conjuntural, uma feliz coincidência, um momento de inspiração, uma execpção!
Porque a derrota configura a regra. E cada derrota vive muito para além do seu período natural de validade. Cada derrota parece um daqueles rastilhos de acção lenta. Cada derrota suscita um turbilhão de pensamentos que vão muito para além de saber quem é titular, quem fica no banco, quem não foi convocado, ou quem jogou em que lugar. Já chegámos ao cúmulo de termos de perguntar, depois de um golo de um adversário, porque é que o autor desse golo foi dispensado na semana anterior, depois de uma passagem efémera e apagada pela equipa. E enquanto ainda estamos a pensar em tudo isto o mesmo autor bisa a gracinha...
Não, isto tudo é mau demais para que fique assim! Demasiadamente confuso, bizarro e de difícil digestão para que fique assim...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Estoril closed!

Várias vezes este assunto foi referido aqui no KL. Agora foi o Estoril a acabar com o futebol profissional em resultado dos seus problemas financeiros. Não sei, no meio disto tudo, qual o facto mais espantoso: o quadro verdadeiramente inacreditável e confrangedor em que tudo isto acontece; vermos mais uma equipa a desaparecer num espaço relativamente curto de tempo; ou não se terem ainda feito soar as sirenes e nada disto ter, em consequência, conduzido ainda à adopção de medidas urgentes de curto e de longo prazo.
Perante este panorama ouve-se (eu pelo menos ouço-o aqui distintamente!) um enorme coro de gente a assobiar para o lado...
A Liga de Honra perdeu uma equipa, com todo o extenso rol de consequências que isso acarreta. A crise está agora definitivamente instalada, mesmo à porta da 1ª Liga.
A situação é grave e não pode deixar de preocupar quem gosta de futebol. Quanto tempo mais irá passar até que ela se agrave para além do ponto do não retorno?
As contratações de inverno continuam...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Caneira: uma falsa questão

Tenho visto da parte dos companheiros "bloguistas" que intervêm neste e noutros blogs, uma sanha contra o Caneira que me parece merecer alguma reflexão. Apelei aqui há tempos para que quem soubesse nos esclarecesse sobre o que se teria passado de facto com os jogadores do Paulo Barbosa e o Sporting. Pelo que percebo ninguém sabe ao certo. A única coisa que me parece certa é que Caneira era apontado como eventual candidato a preencher o papel que depois veio a ser preenchido pelo Beto, i.e., um jogador da casa, com as qualidades desportivas, de personalidade e de carácter que lhe permitissem vir a exercer o papel de referência que qualquer equipa precisa, quiça um capitão.
Caneira "fugiu" como fugiram tantos outros. Por culpas próprias, por falta das qualidades apontadas (qualidades desportivas ou de carácter que lhe permitissem representar o Sporting), por manobras de bastidores ou por falta de uma política sensata de gestão. (*)
A reacção actual parece-me perigosa. Primeiro, porque o problema do Caneira... não é do Caneira. É (e será sempre!) totalmente das sucessivas direcções do SCP. Não querer ver isto é apontar os canhões na direcção errada. Segundo, porque vamos ter um jogador a colaborar com o plantel em risco permanente de lhe cair a guilhotina em cima. Já vimos o resultado dessas atitudes sobre os jogadores e já vimos quem beneficia objectivamente desses comportamentos. Embora eu seja ferozmente crítico do que se passa no clube hoje, não quero que o Sporting perca, nunca! Finalmente, porque no caso de Caneira não estou de todo certo que as críticas sejam sequer justas.
Não estarão os críticos a queimar cartuchos?


(*) Aqui, já agora, uma pequena nota: convém lembrar que fugiram (ou "trairam" na terminologia de alguns) uns quantos jogadores, mas outros vieram também. Talvez muitos dos críticos actuais do Caneira tenham sido daqueles que aplaudiram freneticamente o "grande artista" quando este chegou ao Sporting, não?

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Falta de pulso

O comentário do Presidente do Sporting (feito hoje durante a apresentação de Caneira), a propósito do Polga e do Deivid é no mínimo, lamentável!
Ainda não percebi muito bem que tipo de linguagem entendem os jogadores que não cumprem as suas obrigações contratuais dentro e fora de campo. Embora não esteja a ver o Sporting a enviar uns jagunços ao Brasil para lhes darem uns tabefes, de facto, já estou a vê-los, por exemplo, a ser alvo de um enxovalho do tipo "trabalho comunitário", apoio à cozinha do restaurante do estádio durante uma temporada, lavagem dos balneários... Ora aqui estão alguns tipos de castigo que estes "atletas" talvez entendessem melhor!
Multas, perdas de titularidade, etc, são punições sem qualquer significado. A posição expressa pelo Presidente do Sporting ilustra mais uma vez o tipo de material humano que compõe a Direcção: é frouxa, fora de tempo, errada sob o ponto de vista de gestão, não tem qualquer valor pedagógico e não previne futuras situações semelhantes que possam vir a ocorrer.
Mais!: certamente em momento de perda momentânea de consciência, disse o Presidente que se o campeonato português seguisse o exemplo do inglês (e não houvesse paragem durante a época natalícia) já nada disto teria acontecido ao Sporting! Não estou a gozar! Disse isto mesmo e com ar sério! Pela minha saude.

BOM ANO

Estamos em ano de centenário, pelo que esperamos que as coisas nos corram pelo melhor. É verdade que ao nível futebolístico não podemos esperar grandes coisas após a triste lista de reforços, mas esta continua a ser reflexo de uma política de gestão que nos tem atirado o clube para caminhos que considero muito duvidosos.

Salva-se a pequena emenda aos erros de casting em Braga e o benefício da dúvida em relação a quem não se adaptou no México, quanto ao resto…. Parece que tínhamos uma grande equipa e não precisávamos de mais!
Mas o que faz o Caneiro do Sporting? É para poder repetir a cena?

Não aprendemos nada com o caso Liedson. Então depois de por ordem na hierarquia do grupo contratamos quem tão alarvemente pôs em causa o clube? Para quê?

Grande oferta

Grande oferta que o Sporting nos fez !!!! Uma carteira cheia de desconto na Precision, com validade até ao final do ano….. passado. Recebida mesmo a tempo, vinte e tal de Dezembro….

São ou não nossos amigos estes dirigentes que ninguém elegeu?

A novela brasileira

Polga e Deivid hoje, Liedson, Jardel (e tantos outros que já nem me lembro), ontem, a novela brasileira já não se aguenta. O que leio sobre estes casos (incluindo a cena gaga do assédio a Deivid por parte de clubes brasileiros) é verdadeiramente inaceitável. Digo inaceitável na medida em que nunca se viu reacção decidida em relação aos casos anteriores (antes pelo contrário: acho que fomos mesmo bem comidos em todas as ocasiões!) e, neste momento, relativamente aos casos presentes, não se adivinha reacção capaz da parte duma direcção como esta. E, no entanto, este é o tipo de serviços mínimos que se deve exigir a uma direcção interina com esta que faz a gestão corrente do Sporting actualmente.
O mais certo é que Polga e Deivid saiam disto tudo a rir.

O novo aeroporto

O pai do Master Lizard, do alto dos seus 88 anos, observou, depois de ter tomado conhecimento daquela caldeirada que se passou ontem no aeroporto da Portela, que está explicado o motivo da mudança do aeroporto para a Ota!! Lá longe, de facto, esta tristeza teria certamente tido menos publiciadade.
Alguém poderá agora pôr em dúvida a viabilidade do novo aeroporto?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Uma entrada e uma saída

Wender vai sair e Caneira vai entrar. Quanto ao primeiro, não está em causa a sua saída. Está em causa a sua entrada. Tendo em conta o dramatismo que envolveu a sua contratação, choca-nos o papel apagado que acabou por desempenhar enquanto integrou o plantel do Sporting. Há uma peça de Shakespeare intitulada "Tanto barulho por nada". Estaria o dramaturgo a antecipar a contratação de Wender...?
Quanto a Caneira, é mais um excelente jogador formado no Sporting. Nunca se perceberam muito bem as razões que o levaram a abandonar o clube (se alguém as souber de facto, diga-me!). Muito menos se percebe agora porque razão não deveria voltar.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Recado a Romagnoli

Caro Leandro:
Não quero deixar de assinalar a tua chegada ao Sporting Clube de Portugal. O entusiasmo e a expectativa com que aguardamos a tua vinda são enormes. Esperamos, naturalmente, grandes coisas de ti.
Vais encontrar um leão ferido que enfrenta no momento enormes dificuldades. Por culpa própria e por culpa daquilo que se convencionou chamar a conjuntura.
Estas feridas e dificuldades, que mais tarde ou mais cedo se revelarão, certamente, perante ti, poderão talvez dar-te uma ideia deturpada do clube. Chegado de fresco, todo este clima poderá transmitir-te a ideia de um clube frouxo e criar na tua mente dúvidas sobre o que é ser Sporting. Não te iludas: apesar desta expectativa quase infantil em que ficamos com a tua chegada, se alguma vez a dúvida te assaltar e produzir hesitações fatais, podes ter a certeza que te lembraremos --a ti, ou a qualquer dos teus companheiros, funcionários ou membros da direcção a quem suceda o mesmo-- o que dá o tal peso à camisola que agora vais começar a envergar. A consciência colectiva do clube que somos todos nós, os seus sócios e simpatizantes, já demonstrou de forma inequívoca e eloquente que sabe refrescar a memória, implacavelmente, de quem esquece a sua condição de Sportinguista. Acredita que sabemos curar toda a espécie de amnésias.
Por agora, deixa-me dizer-te com toda a simplicidade e sinceridade: os teus sucessos serão os nossos sucessos e a tua satisfação será a nossa satisfação.
De ambos te desejo doses fartas.
Joga por nós!

Jornal Sporting

O jornal Sporting é um orgão de informação do clube que cumpre uma função, hoje em dia complementada e até ultrapassada em parte pela existência de um site na internet. Neste momento o jornal atravessa um momento problemático. A notícia de que iria acabar suscitou desde logo reacções negativas enérgicas e foi prontamente desmentida pela direcção. A publicação do jornal iria ser suspensa para que se procedesse à sua restruturação, esclareceu a direcção.
Subitamente, durante o jantar do Núcleo da Parede que ontem decorreu, o Presidente do SCP fez saber que o jornal é deficitário e o clube não tem meios para o sustentar. E fez um apelo aos sportinguistas: façam-se assinantes! Ou seja: afinal não parece que vá haver restruturação. Afinal o senhor Presidente não revelou qual o valor estratégico que esta direcção entende que o jornal tem para o clube. Afinal, não anunciou a que tipo de alterações o Sporting Jornal iria ser sujeito. Nem tão pouco que novos condimentos passaria a ter 1) para cumprir o seu papel no âmbito da estrutura de comunicação do clube, e 2) para atrair novos leitores, uma vez que os actuais 5.000 assinates se revelam manifestamente insuficientes. Nao! O senhor Presidente apelou aos sportinguistas para se fazerem assinantes. Ou seja, o produto vai continuar igual ao que sempre foi e se não houver novos assinantes o jornal acaba mesmo. Mas, a culpa... será dos sportinguistas que não entenderam o apelo! Estão a topar?

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Silva rescindiu

Mais um nome a acrescentar à bizarra lista de saídas do Sporting, em época de abertura do mercado de inverno. Silva é mais um daqueles casos que devíamos esclarecer junto do bruxo. Parece aquele número do "casa-descasa" de uma série antiga do Jô Soares.
Porque foi contratado? Porque foi dispensado? Porque foi readmitido? Porque foi agora dispensado novamente? Porque foi contratado...?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Que futuro?

Chegámos ao fim da primeira volta do Campeonato 2005-2006 e estamos às portas do novo ano. Aproximam-se inevitáveis tempos de mudança e é talvez o momento de fazer um pré-balanço e uma pequena perspectiva de futuro.
Devo confessar que estou pessimista quanto ao futuro global do futebol no nosso país e extremamente descrente da capacidade do Sporting, em particular, para dar a volta ao texto.
Como referi em post anterior, esta minha opinião radica em dois factos, o tal problema duplo como lhe chamei. Por um lado, o SCP não emite sinais de saúde e não se adivinham soluções credíveis para alterar este estado de coisas. Por outro lado, o futebol português bateu no fundo e todos o os seus agentes e actores estão, na minha opinião, em verdadeiro perigo de extinção.
Tenho algum receio de estar a cair numa visão demasiado catastrofista, mas a verdade é que o não vejo grandes saídas, nem ninguém me conseguiu ainda provar o contrário de forma insofismável.
Desde logo porque a situação do país não é de molde a permitir a recuperação de uma área que parece só funcionar bem com a ajuda de balões externos de oxigénio. Há de facto coisas bem mais importantes na nossa agenda colectiva. Ou não?!
Por outro lado, o futebol é um espectáculo caro que não parece ter neste momento mercado que o sustente. Por outro lado ainda, os clubes estão, creio que de uma forma generalizada, a atravessar uma crise dramática. Finalmente, o futebol sofreu transformações mais ou menos recentes no nosso país que, se não me engano, lhe inflingiram feridas fatais.
Quanto à situação do país não parece haver grandes dúvidas. O grande problema não radica, creio, na ausência de mecanismos e recursos para enfrentar as dificuldades, mas na lentidão da resposta dos portugueses ao desafio de pegar este touro pelos cornos, nas suas hesitações, preconceitos e mal-formações congénitas. O futebol poderia ter neste contexto um valor estratégico interessante. Esta era a visão de José Roquette e de outros (raros) dirigentes que passaram pelo Sporting nestes últimos tempos de modo fugaz. Mas, infelizmente, esta ideia foi desenvolvida num contexto errado ou desadequado: emanou de um clube --o Sporting--, sem um esforço coerente de procura de uma convergência estratégica com os outros clubes e com as estruturas de coordenação da economia e do desporto nacional.
Entretanto, o futebol consumiu, tal como os ursos em período de hibernação, as suas gorduras. Depois de despertar do seu turpor e enfrentando a dificuldade de ter de encontrar alimento, o futebol português não parece ter capacidade para reagir e mudar o curso deste declínio contínuo em que mergulhou desde há anos. Não é preciso grandes análises: os clubes estão falidos, o fenómeno dos ordenados em atraso e as consequentes ameaças de rescisão colectiva, tornaram-se quase moda, o fim do futebol profissional foi a solução em muitos casos para a crise, as ameaças de execuções fiscais cairam sobre os clubes de uma forma que os deixa sem qualquer margem de manobra. Nada disto é ficção. São situações que têm sido amplamente retratadas, reais, acontecem aqui e agora, como se costuma dizer.
Finalmente, o futebol hoje o que é? Onde estão os valores que inspiram os clubes? Quem veste a camisola (no sentido literal e metafórico do termo...)? Quem são os donos dos clubes? Os sócios, os accionistas das Sad’s, as direcções? Por que razão os adeptos e sócios pagam fortunas para assistir a um espetáculo decadente em estádios às moscas? Quem são os destinatários das receitas geradas pelo espetáculo do futebol? Que destino é dado às receitas dos contratos de televisão, do merchandising, da publicidade, do aluguer dos nomes dos estádios, das portas, dos centros de estágio? Não estaremos nós a suportar custos que nada têm a ver com os protagonistas principais (jogadores, técnicos de um lado e adeptos dos outro) da cadeia que compõe na essência o fenómeno futebolístico? Por outras palavras, não estaremos nós a pagar afinal a um grupo de intermediários que nos custam um balúrdio e só servem, na realidade, para encarecer este produto que todos gostaríamos de consumir, mas que cada vez parece de menor qualidade e mais inacessível (um fenómeno comercial bizarro)? Que mais-valia palpável trazem estes intermediários ao produto, que permita nomeadamente reagir à crise instalada? Não seria mais sensato, por exemplo, termos um modelo de estruturas futebolísticas do qual desaparecessem os intermediários, que baixasse os custos de exploração para valores que permitissem a venda do produto a valores mais realistas? Porque decresce a procura? Clubes de jogadores e técnicos, em vez de clubes de dirigentes, por exemplo, cooperativas de sócios, jogadores e técnicos, poderia ser a solução... Quem não gostaria de pertencer a um clube gerido e protagonizado pelos ídolos da bola?
Como não vislumbro a possibilidade de grandes alterações deste status quo, como não vejo vontade, nem capacidade para mudar radicalmente uma situação que necessita de modificações radicais e inovadoras, presumo que as coisas se irão deteriorar até a um ponto de não retorno... Há pouco tempo li, não me recordo exactamente onde (peço desculpa pela omissão da autoria) um post onde se recordava que o futebol de alta competição na Suiça ou na Hungria (países com tradição futebolística) passou por dificuldades semelhantes às que nós vimos experimentando até praticamente se extinguir. Em Portugal também me parece estar eminente uma situação deste tipo, a não ser que sejam dados, de forma muito determinada, os passos certos. Coisa que ninguém parece estar interessado em fazer...
O Sporting teria tudo para constituir um farol no meio de todo este caos. Digo-o com absoluta convicção. Já ouvi gente ligada ao Sporting colocar o dedo exactamente na ferida. Atenção: não nos outros clubes. No Sporting...!
Não o será nunca contudo com esta direcção, nem com protagonistas oriundos da sua área de influência. Viu-se já que quaisquer alterações profundas passam pelo seu afastamento, embora também não se vislumbrem para já alternativas. Por outro lado, as novas soluções estratégicas têm de envolver inevitavelmente e de forma coerente toda a estrutura do futebol português e o Estado (esta questão tem falhado de forma estrondosa, como disse). Liderar portanto este processo implica visão estratégica, sentido de independência, autoridade inequívoca e, sobretudo, uma grande coragem para que à mínima dificuldade não ocorra o que tem acontecido: retirada prematura antes de os resultados estarem consolidados.
Não se avizinham, pois, na minha opinião tempos muito risonhos para o futebol portugês (a Selecção acaba por ser uma excepção coerente com esta lógica que descrevi), nem, consequentemente, para o Sporting. O futuro não me parece brilhante...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

As "cores" do Pai Natal

O blog King Lizards é um espaço de liberdade. Mas também é um espaço de rigor. Por isso decidi comentar aqui nesta coluna o teor do post anterior. Aquela não é pois a "nossa versão do Santa", mas sim a versão do companheiro Verde Caeiro.
Pai Natal não rima, na minha humilde opinião, nem com política, nem com refrigerantes. Quanto aos lampiões, a verdade é que nos habituámos a um Pai Natal vermelho. Não há volta a dar-lhe. Um "pai natal" verde é um personagem de reacção. Ao Sporting cabe, ainda na minha opinião, identificar-se com, ou rever-se em personagens originais e não personagens mais ou menos facilmente travestidos.

Companheiros, para quem está farto do pai natal do costume (que é uma mistura entre um comuna, um lampião e um coca-cólico) aqui fica a nossa versão oficial do que o Santa devia ser.
A História ensina-nos que o Bem triunfa sempre e é isso que nos mantém optimistas quanto ao futuro do Sporting.
Bom Natal a todos e que a Força esteja convosco.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Boa sorte Rogério

Um Sporting tremendamente eficaz e personalizado que lá vai seguindo paulatinamente o seu caminho. Não sofreu golos e marcou três tentos pela primeira vez neste campeonato. Uma boa atitude no geral (um Sá Pinto sacrificado, um Liedson renascido, um Tonel eficiente). Paulo Bento continua de parabens.
No dia em que Rogério termina a sua passagem pelas fileiras do Sporting.
Rogério foi um jogador importante. Na minha opinião, a equipa foi seriamente afectada durante as suas ausências ocasionais e, ou muito me engano, ou a sua falta vai-se fazer sentir de forma notória nos tempos mais próximos. Haverá certamente razões fortes para esta saída (era importante que o clube se preocupasse em manter os sócios e adeptos mais informados --da forma mais adequada em cada momento-- sobre as alterações que se vão operando), mas Rogério é um jogador cuja saida lamento profundamente.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

E agora?

Há uma agremiação ali à beira da 2ª Circular, frente ao Centro Comercial Colombo (o nome agora não me occorre), cuja equipa de futebol é dirigida tecnicamente por uma senhor holandês que fala espanhol. Aqui há cerca de um mês e tal, a propósito de um golo (mal) validado ao Sporting no jogo com a União de Leiria, a criatura veio a terreiro tecer considerações de forma intempestiva sobre a arbitragem em Portugal. Estava apoplético! Parecia que os diques tinham rebentado!
Escrevi aqui que o homem tinha de aprender a estar caladinho porque às vezes estes comentários têm tendência para cair em cima de quem as profere. Era fatal: estou agora à espera do comentário igualmente veemente do cavalheiro sobre o golo inacreditável que no sábado puniu de forma injusta o Nacional da Madeira...

domingo, 18 de dezembro de 2005

Retificaçao

Ainda relativamente ao jogo com a Naval, em post anterior referi o João Moutinho e chamei a atenção para a arbitragem de Paulo Paraty e da sua equipa. Depois de rever imagens do jogo e de ler alguns comentários que foram sendo feitos a propósito do Moutinho gostaria de retificar, acrescentar ou precisar melhor, o comentário que fiz. Com efeito, independentemente do inegável espírito de luta que o nosso jogador sem dúvida revela, parece claro que nos lances violentos em que esteve envolvido há da parte dos adversários uma atitude, dir-se-ia, de premeditação criminosa. Há até quem, certamente de modo malévolo, pergunte quem será o próximo caneleiro de serviço, ou quem suspeite que esta atitude visa impedi-lo de envergar a camisola nacional nos próximos compromissos das selecções, impedindo-o de caminho de dar o contributo à sua equipa... Seja como for, o que classifiquei de actuação miserável da equipa de arbitragem, chamaria agora, com mais rigor, de vergonhosa cumplicidade porque a verdade é que ficaram por mostrar vários cartões vermelhos!
Deixo então a necessária retificação, e, sobre este assunto, fico-me para já, por aqui...