terça-feira, 5 de setembro de 2006

Palmadas nas costas, almoçaradas e camarotes VIP


Enquanto os actores do fenómeno futebol (jogadores e treinadores) situam o País (em termos do sector futebol) em 2.º da Europa e 4.º do mundo, os dirigentes(?) provocam e/ou consentem e não são capazes de resolver as questões que surgem.
No caso Mateus, é o que se tem visto: ninguém se entende e perfilam-se catástrofes.
No caso "apito dourado", as coisas arrastam-se e alguns processos são arquivados, como se vê na amostra junta, que tanscrevo do Record (eles não se vão chatear com certeza).
Mas o cúmulo veio do medíocre comportamento dos dirigentes convidados do programa "Prós e Contras" em que todos conseguiram estar mais de duas horas sem dizer nada que tenha contribuído para a melhor informação do grande público; quem estava confuso, mais confuso ficou, no meio daqueles doutores e majores todos.
Alguma coisa, no entanto, se clarificou para nós que julgávamos que havia dissenções entre eles porque a Liga não queria implementar os ditames da Federação (o que até a FIFA sabe, porque o escarrapachou num comunicado): ficámos a saber que tudo se resolve aos abraços e em almoçaradas, ou camarotes VIP dos estádios. Neste particular a patética intervenção telefónica de Luís Filipe Vieira contribuiu para compreendermos melhor a corja.
No decorrer do programa Valentim disse que LFV foi o primeiro presidente a sugerir-lhe que se candidatasse a Presidente da AG da Liga. Para "repor alguma verdade nas palavras do major" LFV fez questão de telefonar para o programa para confirmar que pediu a Valentim para, "face à situação do futebol português, não abandonar a Liga". Acrescentou, no entanto, que "a condição para o Benfica o apoiar era os membros [da Comissão de Arbitragem (CA) da Liga] não serem escolhidos em AG, mas fosse a APAF a escolher". E lanço uma pergunta [à qual, diga-se de passagem, ninguém lhe respondeu]: "houve algum clube que interferisse na CA?" Noutro camarote VIP LFV, ciente do poder que tem em pôr e dispor, disse a Valentim: "deixe a Liga; se eu me envolver numa situação dessas, o senhor poderá ser o futuro presidente da mesa da AG". Uns tempos depois "o senhor major ligou para minha casa e disse-me: ‘Luís Filipe, já não me candidato à liderança; apoia-me para a AG?'"
Se dúvidas tivéssemos elas teriam sido dissipadas: tudo o que se passa no futebol é cozinhado entre dirigentes -- cargo para aqui, benesse para acolá -- mesmo entre aqueles que aparecem na opinião pública como inimigos figadais: o mesmo dirigente que afirma que "a Liga é um polvo", é quem anda a arranjar lugares de dirigente para a cabeça desse polvo.
Podemos acreditar na sinceridade deles? Podemos acreditar neles?
Claro que não! O que ninguém consegue é arranjar maneira de nos vermos livres deles.

domingo, 3 de setembro de 2006

Caos? Qual caos?!

A propósito de um comentário colocado no post anterior (já agora leiam-no, pf) de autoria do nosso habitual e atento leitor FD, permitam-me dizer-vos, com toda a sinceridade, o que me vai na alma com tudo isto que se está a passar...
Estou de acordo com o leitor que toda a organização (doméstica e internacional) do futebol tem de ser revista. E estou de acordo que o poder da FIFA é uma coisa que só sobrevive porque, afinal, existem resquícios de totalitarismo por trás das fachadas mais democráticas. A FIFA é, de facto, um mundo sinistro.
Mas, a questão que está, neste momento e neste caso, em discussão não é essa.
Neste momento, o debate em Portugal deveria ser seguinte: pode o futebol português continuar a ser este sub-mundo, dentro do mundo à parte que é o futebol a nível mundial? Por quanto tempo mais teremos nós, como pergunta o Raul apropriadamente no post anterior, de continuar a aturar tudo isto? Teremos nós capacidade e desejo de continuar a manter o tal caos? Porque diabo se fala tanto em caos, mas se não vêem obras?
E pergunto ainda: que alternativas estão os meus amigos a ver? Quem está disposto a passar das palavras aos actos? E que organizações ou entidades existem com querer e força suficiente para alterar tudo isto? Quanto tempo mais vamos andar a dizer mal da bola, mostrando-nos indignados com as tiradas do "majores", dos Fiúzas, dos Vieiras, ou com o poder dos Oliveiras, mas pactuando implicitamente com todo este sistema porque o alimentamos na raíz?
Então, digo eu, que venha o Gil Vicente, de facto, acender este rastilho! E que a bomba expluda com grande estrondo!!
Quem estiver a ver outra maneira de apear toda esta cambada que domina o futebol português, de quem nós nos comprazemos a dizer mal sempre que surje uma oportunidade, que se chegue à frente e implemente a sua solução...
Ou, em alternativa, cale-se!

sábado, 2 de setembro de 2006

Caos no futebol português

Há uma data de coisas que me incomodam neste caso do caos no futebol.
Para começar, que o que se passou dentro das quatro linhas venha a ser subvertido por decisões de tipo jurídico-formal. Neste caso, o Belenenses (clube muito ligado à minha formação enquanto pessoa – morei muitos anos ao pé do Estádio do Restelo e fui atleta do clube – pelo que com ele tenho uma forte ligação afectiva) perdeu dentro de campo, mas ganhou na secretaria, o que me é antipático sob o ponto de vista ético. Deste ponto de vista, o "culpado" disto tudo é um tal Marcos António, jogador do Gil Vicente (GV) que marcou o golo que deu a vitória sobre o Belenenses na última jornada do campeonato, como escreve Santos Neves em "A Bola" de 4.ª-feira passada. Na mesma linha de raciocínio, Rui Santos, na SIC, nomeia outro "culpado": José Couceiro o qual, segundo ele, tinha equipa para se manter, mas não foi capaz; apesar disso, em vez de punido foi premiado com o lugar de treinador dos sub-21.
No entanto, este há muito que deixou de ser o fundo da questão (desta questão), se é que alguma vez o foi.
O que se passa, começando de trás, é que as particularidades do fenómeno desportivo obrigaram a que este sector se tenha blindado em termos das suas leis internas, não permitindo que os que são seus actores (jogadores, clubes, associações e por aí fora até à multinacional que tudo regula a nível superior: a FIFA) recorram aos tribunais civis para dirimir as questões do seu exclusivo âmbito. Isto é normal, se se pensar que não poderia haver campeonatos caso um jogador a quem foi mostrado um cartão vermelho pudesse levar o assunto para os tribunais comuns e se tivesse de ficar à espera da decisão judicial destes, e seus eventuais recursos (de mais a mais em Portugal). As dúvidas começam logo na dificuldade em definir o que é da estrita competência dos organismos do futebol; e o que não é.
De qualquer modo, e isso compreende-se bem se nos pusermos na sua posição, a FIFA é intransigente quanto a esta questão e, mesmo quando há dúvida sobre se o pode ou não fazer, não está com meias medidas e castiga. A Juventus levou uma bordoada de todo o tamanho e ainda se tentou a recorrer à justiça civil; mas pensou duas vezes e, medindo as consequências, ficou quietinha. De facto, o que lhe aconteceria no imediato era a irradiação, porque the show must go on; e depois, se a decisão dos tribunais comuns lhe fosse favorável, logo a Federação Italiana veria o que fazer.
Este é o pano de fundo do "caso Mateus".
Os juristas dividem-se na interpretação sobre se o assunto "inscrição do jogador" é ou não do foro desportivo. Mas o dever da Federação (FPF) é punir o GV por este ter recorrido aos tribunais comuns. Infelizmente essa punição só agora é decretada, embora eu não tenha a certeza sobre a data em que, através do seu Conselho de Justiça, terá tomado conhecimento oficial de que o GV recorreu aos tribunais comuns. Mas, como o Belenenses apresentou a queixa a 9 de Maio, já teve mais que tempo de se pronunciar, dada a gravidade da situação, da qual só agora parece aperceber-se.
Efectivamente, é este o pé em que se encontra o caso:
Se até dia 15 deste mês a FPF e os outros poderes não conseguirem resolver o caso (nem que seja para depois o mesmo ter de ser reaberto face a decisões judiciais) os prejuízos para o futebol português serão de uma dimensão inacreditável: equipas da Liga dos Campeões e da Taça UEFA arredadas das competições, o mesmo se passando em relação às selecções nacionais (Europeu de Seniores e Esperanças em causa). Isto acarretará prejuízos de muitos milhões para os clubes e para a Federação, além de prejudicar a balança de pagamentos, já que grande parte dessas receitas provém de prémios pagos pelos organismos europeus e mundiais. Além do que isto poderá afectar as próprias carreiras dos atletas envolvidos.
Se tal vier a acontecer será um rombo (tanto em termos financeiros, como desportivos) que levará vários anos a ser ultrapassado.
E não podemos perdoar aos poderes públicos (FPF e Governo) o facto de, como diria José Vilhena, tratarem (?) este assunto "com os pés e a parte de fora da cabeça".

Em próximo artigo tentarei analisar o miserável comportamento da Liga e o comportamento bem português, porque do tipo chico-esperto, dos dirigentes do GV.
Como é que ainda temos de aturar esta cambada?!!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Nem só de pão vive o homem...

...Também gostamos de dar umas biqueiradas numa bola! Mas, ele há biqueiradas e "Biqueirada"...
O "Biqueirada" é um programa que se recomenda vivamente! Dou por mim, frequentemente, a rir mesmo com gosto quando assisto a este programa. O futebol português, como se comprova mais uma vez pelo "caso" Mateus, só tem nesta altura dois ângulos de visão possíveis: o da "ramona" ou este que os do "Biqueirada" exploram de uma forma brilhante. Há mais gente, felizmente, que, certamente, por lhe faltar a "ramona" adoptou este ângulo de visão das coisas da bola. Um outro caso verdadeiramente notável que já destaquei aqui no KL, é o do nosso colega aqui do lado "Mãos ao Ar". Mas, o "Biqueirada" tem os meios, as pessoas e o potencial de projecção para fazer dele um caso sério no panorama da TV em Portugal.
O "Biqueirada" é necessário!
Que continuem, e que a fórmula se não deteriore com o tempo, são os desejos deste vosso devotado espectador...

O "caso" Mateus

Decorre, no momento em que escrevo este post, uma reunião ao mais alto nível entre a a tutela do desporto em Portugal e os dirigentes das organizações do futebol. Não sei portanto o que vai sair desta reunião para discutir o chamado "caso" Mateus.
Este caso poderia até ter sido benéfico para o futebol português. No final, quando analisamos as declarações e reacções recentes dos dirigentes "desportivos", as declarações e reacções dos dirigentes e adeptos do Gil Vicente e as consequências que tudo isto pode ter para o futebol português ficamos com uma certeza: todo este processo vai ficar em águas de bacalhau.
É pena.
Digo-o porque o processo Mateus permitiu pôr a descoberto uma série de conflitos que andavam encobertos ou latentes, que de outra forma nunca iriam conhecer a luz do dia. Foi a aplicação daquele princípio popular do "zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades". E, tivesse tudo isto sido bem conduzido, desta zanga de comadres poderia resultar uma enorme reviravolta em toda a organização do futebol português.
No fim de contas, por causa da actuação lamentável e insensata do Fiuza, as comadres vão recolher a prudente recato e as verdades vão mais uma vez ficar por descobrir.
O Gil Vicente está a prestar um péssimo serviço ao futebol português. Se eu fosse mauzinho até diria que a tempestade foi encomendada. O assunto, de tão canhestramente tratado, vai inevitavelmente morrer.
Quem é que vai sair por cima de tudo isto?

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Ainda o "caso Deivid" e o que eu vejo com os meus óculos novos...

Desculpem insistir, mas os blogs têm esta virtude. Podemos ir fazendo ajustes, reforçando ideias ou alterando pontos de vista na hora. No caso vertente, os meus óculos continuam a dar-me uma imagem que, lamento dizê-lo (não gosto de dizer mal por sistema...), é francamente negativa.
Os factos são estes. Deivid chegou ao Sporting com uma missão e uma aura. Nem a missão foi cumprida, nem a aura se justificava. Pelo meio ficaram cenas de birra, férias prolongadas, declarações de intenção, de insatisfação e de vontade de mudar de clube, etc, etc. E ficou sobretudo um registo de quase total falhanço. A imagem que Deivid construiu ao longo desta sua passagem por Portugal --creio que ninguém o negará-- é profundamente má.
Ora, como referi em post anterior, o Deivid surpreendeu-nos com uma exibição excepcional frente ao Boavista. Nunca lhe tínhamos visto uma exibição assim. Parecia outro jogador. Até sorria... Mas, a surpresa não ficou por aí. Na manhã seguinte lá chegou a bomba: Deivid ia para o Fenerbahçe. Uns dizem que por 6 milhões, outros dizem que por 4.5... O negócio estaria todo concluido antes do jogo de sábado. Dirão uns: foi um negócio exemplar, discreto e eficaz. Um jogador que nunca se afirmou, foi vendido, com lucro, de forma que surpreendeu toda a gente. Nada mau...
Pelo meu lado, acho tudo isto inaceitável e não creio que haja desculpa para ninguém.
Ainda pensei que o jogador se estava a mostrar ao possível novo patrão no sábado, o que já de si seria lamentável. Mas, não! O negócio já estava concluido, Deivid sabia do negócio, os responsáveis técnicos e directivos sabiam do negócio e no sábado a substituição operada por Paulo Bento tinha uma história cujo fim já era conhecido por todos os actores. Deivid afinal jogou como que dizendo "Ora vejam lá o que vocês andaram a perder e vão perder no futuro!"
Na prática, a situação do Sporting é esta: com o campeonato já iniciado, perdemos um jogador para uma posição chave, que afinal até era bom, vamos ter de gastar dinheiro (que, foi-nos dito, não abunda...) num novo, e vamos contratar um jogador que já perdeu a pré-época.
Esta história, que parecia simples, tem afinal um enredo bem mais complicado e revelador do que se pensava...
E não é dos óculos!


PS- Lembram-se do Rogério? Do seu último jogo ao serviço do Sporting com a saída já anunciada? Descubram as diferenças...

domingo, 27 de agosto de 2006

Avançado, precisa-se!

O acontecimento da venda de Deivid é, de facto, preocupante.
Mas, quanto a mim, não por causa do Deivid. Antes dos dois últimos jogos dele pelo Sporting eu achava (e nem era só eu; ver aqui o post de 6/8) que, quando ele jogava, o Sporting jogava com dez. A ponto de me interrogar sobre se a melhoria dos últimos dois jogos não se deverá ao facto de já haver conversações para a sua transferência e de ele querer “apresentar serviço” ao agora novo patrão.
Não concordo que se analise a questão partindo do princípio de que o Conselho Directivo age sempre mal. No futebol, meio em que, como dizia esse grande filósofo destas coisas agora a contas com a justiça, “o que é verdade hoje, é mentira amanhã”, não há certezas. Por isso, sem o afirmar a pés juntos, apenas digo que parece que, desta vez, o Sporting fez um bom negócio. Um jogador que custou 3,5 milhões e se vende por 6, após uma época e tal em que não convenceu, é um bom negócio. Além disso o assunto foi tratado com uma discrição inusual: só se soube do caso depois de ultimado o negócio!
O que é preocupante é que o lote de avançados com que ficamos não dá garantias de chegar para as encomendas. Tirando a indiscutível qualidade de Liedson, temos um Bueno que, até agora, se mostrou ainda pior que o Deivid, um Douala cuja incrível velocidade tarda em ser aproveitada e em relação ao qual parece haver algumas reticências por parte do treinador, o que o trará insatisfeito.
Resta Yanick, um miúdo que tem mostrado querer e potencial, mas que está ainda muito verde.
Em resumo: temos de gastar o lucro (de preferência apenas uma sua parte) desta transacção nas compras.
Avançado, precisa-se!

Devia ser dos óculos...

Vejo mal ao longe e as minhas lentes já não me permitiam ver muito bem, por exemplo, o que se passava em Alvalade nas zonas mais afastadas do meu lugar. Recentemente corrigi a graduação das lentes. Ontem estreei, finalmente, os meus novos óculos em Alvalade!
Deve ter sido por isso —por já há tempo não ver com completa nitidez o que se passava em campo— que sempre me pareceu que o Deivid era um elemento fora do baralho na equipa. Parecia-me que falhava escandalosamente, não se movimentava como devia e o seu papel no seio do colectivo era pouco mais do que de embrulho. Parecia-me...! Era certamente dos óculos, porque ontem o Deivid apareceu, de súbito a jogar, nitididamente, melhor. Nunca o tinha visto assim: desenvolto, rápido, possante, atrevido! E fez mesmo uma coisa que nunca tinha feito, salvo erro, desde que chegou a Alvalade: marcou dois golos no mesmo jogo!
Bendito oftalmologista, pensei eu...
Afinal, hoje fomos surpreendidos (digo, "fomos", nós que para mal dos nossos pecados fazemos parte daquele grupo que se deixa ainda surpreender...) com a notícia de que o supracitado Deivid afinal vai ser transferido do Sporting, o 32º clube do ranking da UEFA, para o Fenerbahçe, um clube turco classificado no 89º lugar desse mesmo ranking. Ambição? Oportunidade? Destino? O apelo da Nova Lira Turca? O fastio do Euro? O passo lógico que se segue na carreira de qualquer atleta desta craveira? Quem sabe o que levou Deivid a mudar, preferindo ir mostrar noutras paragens aquilo que os meus novos óculos revelaram que, afinal, é capaz...
Há aqui, de qualquer forma, um problema. Se está em Deivid ou no Sporting eis uma questão que não seria despiciendo analisar. Cheira-me que a margem de manobra concedida aos jogadores para seguirem os seus humores particulares tem sido bastante grande. Este é em todo o caso um acontecimento preocupante...

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Um ano!


Já se tornou tradicional e o KL não vai fugir à regra: fazemos um ano —o KL nasceu a 26 Agosto, 2005 à 1:57:08 AM GMT+01:00, assim reza o registo do Blogspot. Assinalamos o aniversário e fazêmo-lo com bolo e tudo!
Não queria deixar de manifestar aqui o meu mais sincero agradecimento a todos os que nos visitaram. Espero que continuem a fazê-lo, creiam que é um prazer imenso vê-los por este espaço. Um agradecimento a todos os que tiveram a amabilidade de nos distinguir com links e referências, ou recomendar a leitura deste ou daquele artigo. Foi este talvez o aspecto mais surpreendente e mais comovente de toda esta aventura. O KL começou, de facto, por ser uma conversa entre amigos, mas a coisa "complicou-se" e hoje temos a noção de que falamos para um universo muito mais alargado. É este, creio, o encanto dos blogues.
A nota dominante, desde o primeiro momento e ao longo destes 315 posts, tem sido de crítica. Infelizmente, têm sido raríssimos os motivos de satisfação ao longo deste ano. Um período durante o qual passámos mesmo por momentos bastante amargos, que nos levaram por vezes a vacilar.
Mas, que ninguém tenha dúvidas: até que o Clube retome o caminho que os seus fundadores para ele sonharam —a verdadeira razão afinal que tem levado sucessivas gerações a ligarem-se ao Sporting—, não haverá um momento de desatenção e não teremos quaisquer contemplações na nossa apreciação do que se vai passando na vida desta colectividade que amamos e que é nossa!
Finalmente, gostaria de aproveitar o momento para lançar daqui um apelo a todos os que, sobretudo depois das últimas eleições, se afastaram desta tertúlia: por favor, voltem e participem connosco com os vossos comentários, ou nos blogues que criaram mas que, entretanto, perderam gás ou pararam mesmo. Não me parece que o Sporting mereça o vosso prolongado silêncio.
Um enorme abraço a todos.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Não foi um sorteio, foi um desastre

"As equipas dificilmente podiam ser piores e até a ordem dos jogos é má. Se o Sporting não conseguir, nem jogadores nem técnicos são de culpar, e até lá é torcer pelo melhor. Mas não foi um sorteio, foi um desastre." Faço minhas as palavras do orador anterior. Os lampiões, em compensação, lá tiveram a vaca do costume.

O que é ser do Sporting?

Aposto que se aproveitarmos um dia de jogo e fizermos esta pergunta a todos aqueles que assistem ou se preparam para a ele assistir, obtemos tantas respostas quantas as pessoas inquiridas. No entanto, todos sabemos cá dentro o que é ser do Sporting. Ou seja: há para além das razões pessoais, resultantes das idiossincrasias de cada um e mesmo que de forma subliminar, um conceito, um “universal”, se quisermos, (no sentido filosófico do termo, embora isso nos levasse longe…) do que é ser do Sporting. Este problema coloca-se a qualquer outro clube, claro, e essa é uma questão relevante, mas sobre isso falarei noutro post.

O que nos prende aqui, neste momento, é isto: o que é, afinal, ser do Sporting!

Não é uma questão que surja pela primeira vez no espaço do KL. O Manifesto —cuja re-leitura recomendo— aborda este problema. Mas, neste momento, tendo em conta os últimos posts surgidos neste espaço, creio que é altura de fazer o chamado “ponto de situação”.

Poderíamos responder à questão colocada pela negativa, ou seja, poderíamos dizer que ser do Sporting não é, certamente, envergar um cachecol ou uma camisola do Sporting. Ser do Sporting não é gastar dinheiro numa Game Box e enfiar na cabeça um chapéu de bicos com guizinhos na ponta... Mas, não é o que todos os Sportinguistas fazem? Não vestem todos uma peça verde em dia de jogo? Não envergam uma camisola ou um cachecol? Não foram tantos, alegremente, comprar uma Game Box?

Analisar esta questão pela negativa não é, contudo, um exercício tão óbvio ou despiciendo como isso. Já há muito que nos tentam vender os símbolos do Sporting como um substituto do que é ser, verdadeiramente, do Sporting. Aqueles que assim procedem não estão tão distantes daqueles vendedores de cachecóis e camisolas para o “maior”, que se passeiam pelos estádios e imediações nos dias de jogo. Hoje apregoam que o cahcecol é para o “maior” Sporting, amanhã é para o “maior” Porto, etc, etc. O “maior” é sempre aquele que joga no momento. Apelando ao sentimento clubista, os vendedores do “é pró maior!” lá se vão tentando safar, hoje aqui, amanhã ali.

Na falta de valores, os símbolos traficados dos clubes vão servindo para mediar a relação entre o sócio ou o adepto e o clube. Mas, como nos dizem os teóricos (posso citar a quem quiser, em privado, em que teóricos me apoio para afirmar isto) o símbolo não precede o simbolizado. A adopção do símbolo e o significado que lhe é atribuído pelos membros de uma determinada comunidade que o gerou é o resultado de uma negociação que sucede a um entendimento sobre o que é e qual é a função do conceito. Depois vem o símbolo.

Ou seja: ser do Sporting não “é” uma camisola com riscas verdes e brancas… Há qualquer coisa que a camisola verde e branca simboliza. Mas, a camisola não é a coisa!

O que é então ser do Sporting? Vou-vos dar a minha perspectiva pessoal e podemos depois “trabalhar” esta definição.

Ser do Sporting, para mim, é um ideal de competição desportiva assente no confronto totalmente leal e na entrega total a esse confronto. É isto, simplesmente, que todos os Sportinguistas almejam. Em campo ou for a dele.

Tudo o resto, camisolas, cachecóis, estádios, academias, marketing, imagem, gestão, naming rights, game boxes, etc, só faz sentido ao serviço deste ideal. Reparem: um clube desportivo é uma metáfora, uma criação, uma utopia colectiva que reproduz através de símbolos um determinado ideal. É um desígnio colectivo produzido e aceite por um grupo de pessoas que se revê nesse ideal. Quando os símbolos viram ideal algo está a correr mal.

Ora, o que implicitamente nos estão neste momento a vender —todos aqueles em quem os Sportinguistas confiaram, desde há muitos anos a esta parte a condução dos destinos do Clube— é a ideia de que basta comprar na “loja verde” o produto do dia, seja ele uma camisola, um cachecol, ou uma Game Box para que a manutenção do ideal Sportinguista esteja assegurada. Isto é uma mentira que precisa de ser denunciada, dissecada e combatida!

Poderíamos até estar numa situação em que esta mentira se pudesse ir mantendo sem grandes sobressaltos ou consequências. Afinal trata-se apenas de bola. Mas, não estamos. O futebol tem uma função e assenta em pressupostos antecedem e se não esgotam nos clubes. Ora, o futebol português e a sua organização, estão mergulhados numa pocilga fedorenta constituida por clubes fundados em ideais que não praticam, esquecidos ou há muito abandonados. Encavalitados no poder do futebol, os clubes vão tentando vender de forma ardiolosa e por todos os meios que conseguem agarrar ideais virtuais, com o objectivo único de defender interesses privados, obscuros e mesquinhos dos seus agentes. O problema não é, certamente, exclusivo do futebol, nem do país, mas a vulnerabilidade e o carácter efémero deste desporto (e do país!) tornam este caso mais pungente.

Não sendo um produto de primeira necessidade, a sobrevivência do futebol está ameaçada no nosso país. Todos assistimos aos episódios, que se multiplicaram na época passada, de desaparecimento de alguns clubes e ao enfrentamento de dificuldades sérias de vária ordem de outros clubes. As despesas aumentam, as receitas dimimuem, o futebol torna-se um produto inatingível. Não é de prever que esta situação melhore. E o Sporting não está (não se tornou por milagre...) imune a estes problemas. Diria mesmo mais: o Sporting é particularmente vulnerável a tudo isto.

A pergunta que, face a isto, poderemos para já fazer é, portanto, esta: o que será dos ideais Sportinguistas se, por via de uma condução errada dos seus destinos e das dificuldades que a estrutura em que se insere enfrenta, o Clube vier a desaparecer? O perigo de os ideais Sportinguistas deixarem de ter uma estrutura que os contenha é real. E por quanto tempo poderá o Sporting sustentar a sua actividade desportiva com base no modelo do ano de camisola ou nos guizos dos bonés?

E já agora, deixem-me lá fazer uma pergunta à consciência mais profunda de todos os Sportinguistas: não seria antes preferível preservar os ideais Sportinguistas, tanto no plano da actuação interna, como externa, a fazer esta fuga para a frente em que os dirigentes parecem andar empenhados? Não seria esta a forma sustentada de fortalecer o Clube e de o blindar contra as dificuldades que não vão, certamente, desaparecer?

Liga

Os episódios que se vão sucedendo relativamente a toda esta trapalhada da Liga revelam bem o que é o futebol português hoje. Do lado do Sporting, o silêncio assusta porque, não sendo conhecida nenhuma estratégia da parte desta Direcção relativa a esta matéria, só podemos chegar a uma de duas conclusões: ou vamos com a Maria (que vai com as outras, como é sabido...), ou não vamos com ninguém.
Aguardemos então pelos novos episódios que, decerto, se vão suceder...

sábado, 19 de agosto de 2006

A bola é redonda mas o dinheiro não tem formato (2)

O nosso clube não só não está imune a este novo paradigma da organização do futebol, como, em conjunto com a banca, lidera algumas movimentações que conduzem, na minha opinião, ao fim do futebol.

Esta direcção, o seu presidente, disse, em campanha eleitoral, que apesar de ainda ser cedo, não vê qualquer motivo para que o SCP detenha a maioria do capital da SAD. Há já indicadores, graves indicadores, que esse caminho já está a ser trilhado, administradores da SAD que são ADEPTOS DO BENFICA, é só a ponta desse iceberg.

Nós, os sócios, andamos todos contentes com os resultados da pré-temporada, com as más contratações de treinadores dos outros, mas a minha questão é outra. De que servirá ser de qualquer clube quando forem os fundos de investimento a determinar que clube ganha o quê? Quando as condenações de Itália passarão a medalhas por antevisão do futuro do “desporto”.

O dinheiro não tem formato, pelo que não pode ser o dinheiro sem rosto a comandar o futebol, porque o futebol é negócio enquanto os seus clientes sentirem que vale a pena investir na paixão.

Porque o caminho que se trilha é o de uma espécie de globetrotters do basquetebol – até podemos gostar de ver o espectáculo, mas só lá vamos de vez em quando...

Quem ganha com o caminho que as coisas levam?

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

A bola é redonda mas o dinheiro não tem formato

Considerava Jesualdo Ferreira um homem sério. Mas tal como um antigo primeiro-ministro o crescimento do currículo, e da carteira, falou mais alto que os compromissos assumidos.

O Boavista fez o seu papel, o papel dos pobres, e tentou sacar o máximo, fingindo perante os sócios que havia condições para manter o treinador. Todos sabiam que não, mas o futebol, ao contrário de outros negócios, ainda tem esta questão da afectividade que impede a tomada de decisões sem explicações plausíveis aos que mantém o negócio, sobretudo porque estes não são os anónimos clientes, mas, isso sim, os conhecidos associados.

O caso do Jesualdo (deveria dizer do merdas do Jesualdo) prova que os clubes Portugueses estão maduros para a próxima etapa: a cedência do controlo do capital a quem tem dinheiro independentemente da cor do clube. Nesse dia, que considero inevitável, o futebol deixará de existir.

O taxista de Barcelona deixará de dizer que não transporta adeptos do barca, pois no dia seguinte esse jogador poderá vestir, por um ou dois jogos, a camisola do seu Español.

Será o dia em que perceberá que não vale a pena ser do Español.

Será o dia em que ficarei com mais 2000 euros por ano para outras coisas que gosto.

Será o fim da história do desporto profissional.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

A subversão da concorrência (3)

(conclusão)

Voltando um pouco atrás e parafraseando o autor do texto citado no meu anterior escrito, também eu «sempre defendi que passarinhos e andrades, jogam no mesmo tabuleiro da mentira, roubo, esquemas... No fundo discutem qual dos 2 é menos ladrão, menos mentiroso, menos "sistema"...».
Penso que ficou subentendido nos escritos anteriores que não sou a favor de uma intervenção do Sporting processada no mesmo terreno da dos nossos principais rivais. Ou seja, tentando intervir, nós também, na tentativa de influenciar os poderes da arbitragem.
Tem de ser clarificada, de uma vez por todas, a posição do Sporting quanto aos poderes do futebol. E essa posição só poderá centrar-se na luta pela tão falada, mas tão pouco concretizada, moralização da actuação das estruturas do futebol. Mas não podemos fazer como durante a presidência de Dias da Cunha, que aparecia um dia a dizer que era preciso profissionalizar as arbitragens e no dia seguinte se aliava a PC; e quando, por razões não transparentes, se chateava com este, aparecia de braço dado com LFV. Foi uma contínua mudança de estratégia (se é que a havia), uma confusão!
Portanto, quanto à política de alianças do Sporting, devemos ser contra qualquer acordo, mesmo que circunstancial, com FCP e/ou SLB. As nossas posições devem ser tomadas de forma independente e sempre tendo como pano de fundo a referida moralização da actuação das estruturas do futebol.
Assim ficamos sozinhos?
Não me parece. Entre os clubes mais pequenos haverá certamente alguns que estão fartos de ter de se aliar a este ou àquele líder (FCP ou SLB) para dele receber alguma distribuição de poder ou influência. Estes adeririam a um projecto autónomo sob estes princípios.
Depois haverá que fazer uma ofensiva diplomática que transforme este projecto num Movimento de Clubes, cada vez com mais aderentes e mais capacidade de actuação.
Até que um dia estas posições venham a conquistar o poder no futebol português.

Estes escritos deveriam motivar alguma polémica, alguma discussão. Bem sei, estamos na silly season, e a maior parte do pessoal está de férias.
Sendo sobre temas estruturantes, esta discussão é sempre actual. Portanto, mesmo não se pronunciando agora sobre estes temas, espero que os nossos leitores venham a ser sensíveis a eles e a troca de ideias se estabeleça e venha a ser frutuosa.

domingo, 6 de agosto de 2006

A subversão da concorrência (parêntesis)

(continuação)

Resumindo, pois: actualmente a luta pela hegemonia (sempre falando na que se passa fora das quatro linhas) processa-se sobretudo no campo da influência sobre as arbitragens.
Ia eu terminar assim a resenha histórica para passar a analisar a estratégia que penso que o Sporting deve seguir quanto às questões da política do futebol quando me confrontei com a notícia sobre o naming right do Centro de Estágio do pântano do Seixal (é em terrenos pantanosos que eles se sentem como peixe na água).
O que se passa, em resumo, é que a Caixa Geral de Depósitos se apresenta como patrocinador do centro de estágio do clube do passaroco, em troca de a Caixa passar a figurar no nome do referido centro de estágio.
O negócio cheira a esturro desde logo: porque é que a Caixa apoia os lampiões e não os andrades ou os leões? É que assim arrisca-se a que os utentes façam como o meu tio que, quando os lampiões fizeram acordo com a Parmalat, proibiu a entrada de leite dessa marca lá em casa; ou como o senhor António Costa que comenta uma notícia sobre este assunto dizendo: “A minhas contas na CGD foram fechadas, bem como as aplicações financeiras resgatadas. A CGD escolheu o seu caminho, não conta é com a minha companhia. Boa Viagem!”.
Mas do cheiro a esturro a coisa passa a cheirar a vigarice ao saber-se que o negociador por parte da Caixa (por parte da Caixa ou por parte do SLB de que é sócio, ex-protocandidato à presidência e ex-Administrador da SAD?) é o “reputado” Armando Vara, homem possuidor de uma “folha de serviços” invejável! Confusos? Vejam aqui mais pormenores do que está a acontecer, embora eu não garanta que acreditem que isto se passa num país da Comunidade Europeia e não numa qualquer república das bananas do corno de África. Se isto não é deturpar as regras da sã concorrência, quer dizer, batota da mais descarada, vou ali e já venho. Mas em Portugal este tipo de compadrios começa a ser o pão nosso de cada dia… Particularmente nos meios do futebol.
Terá a proposta partido de LFV y sus muchachos ou terá sido o próprio Vara a oferecer os seus préstimos? É que há que preparar o futuro, porque em cargos de nomeação política ninguém sabe o dia de amanhã...

(continua)

Ele sabe do que fala

Afirmação de Luís Filipe Vieira: "os mafiosos têm de tirar um curso em Portugal".
O homem fala de cátedra! Mas não tem tempo para se deslocar ao estrangeiro.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

A subversão da concorrência (2)

(continuação)

Diz-se, no anterior escrito sob este título, que a disputa pela hegemonia do futebol português (quer dizer, a que se processa fora das quatro linhas) permaneceu, a partir de finais dos anos 70, no terreno da batota nas arbitragens.
Entretanto os clubes iam tentando junto dos poderes públicos locais obter fundos, bens ou privilégios. A vantagem, neste caso, sempre esteve do lado do FCP, com o Sporting, constantemente a fazer figura de patinho feio, tentando não ficar muito atrás do rival da mesma cidade. Este foi beneficiando do seu potencial em termos de votos em eleições e um dos seus principais beneméritos foi, curiosamente, alguém que se afirma sportinguista e até já foi presidente do Sporting: o famigerado Santana Lopes.
O regabofe maior chegou com o EURO 2004 e a “necessidade” de construção dos estádios. SLB, frustrado por não ver o padeiro há uma data de anos, prostrado por gestões internas de gamanço de proveitos, e na premência de ter de construir um estádio, tem a luminosa ideia de trocar perdões de dívidas por votos. A presidência de Manuel Vilarinho tem então a refinada lata de vir a público apoiar determinado partido político em eleições, em troca de serviços prestados. Assim tal e qual, na televisão, vi eu com estes dois que a terra há-de comer! Coisa que ainda hoje deve estar a servir de case study em aspirantes a ditadores de países do Terceiro Mundo e de inspiração a comediantes de stand up em todo o universo. Sobretudo porque o clube, de facto, ganhou um perdão de juros que lhe permitiu sobreviver sem ir à falência!
A disputa SLB/FCP centrava-se, pois, por esta altura, no campo da partilha de fatias dos nossos impostos e no campo da influência sobre as arbitragens. A hegemonia continuava a ser do FCP.
Com o fechar da torneira no que diz respeito aos fundos públicos decorrente da crise económica generalizada, a batota voltou a centrar-se nas arbitragens.
Consciente disto, a actual Direcção dos lampiões faz um tour de force original e contrata o Veiga. É que este andou a aprender com o inimigo como é que as coisas se fazem, pois foi unha com carne com PC e seus acólitos durante anos e anos, antes de se porem de candeias às avessas. Os dirigentes dos lampiões são tão básicos que não percebem que estão a jogar no campo do adversário e que, por mais que o Veiga saiba como fazê-las, a vitória assim só irá pender para um dos lados no mesmo dia em que se resolver a crise do Médio Oriente. Quer dizer, no dia de São Nunca, da parte da tarde.
É neste contexto que rebenta o escândalo “apito dourado”, de suspeição de envolvimento de dirigentes desportivos, sobretudo ligados de forma directa ou indirecta ao FCP e aos que lhe comem as migalhas, em processos de influência sobre as arbitragens. Houve detenções e interrogatórios a figuras de topo, no que parecia aos incautos prefigurar um escândalo de enormes proporções. Valentim Loureiro, escudado numa experiência de anos e anos de trafulhices (as mais antigas, ainda do tempo da tropa, vieram descritas, juntamente com os motivos por que foi perdoado, numa edição do Expresso de há uns anos atrás; nunca mais me esqueci) sem nunca sofrer consequências de maior (por exemplo, teve de sair da tropa, mas saiu rico), para lá de uns interrogatoriozitos e outras pequenas chatices, manteve sempre a calma. De facto, estamos em Portugal e quase que aposto que vai tudo acabar em águas de bacalhau.
Mas, cuidado, este Valentim é o mesmo que vem governando o “sistema” e que se candidata à presidência da AG da Liga com o beneplácito do outro Loureiro, candidato a presidente da Direcção.

(continua)

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

A subversão da concorrência (1)

Voltemos ao tema da poluição no futebol português.
Para tanto façamos um pouco de história.
A hegemonia do futebol nacional foi, até meados dos anos 70, disputada entre Sporting e SLB. Até que apareceu a figura, de dimensão histórica a nível nacional (pelo menos), de Eusébio. O Sporting perdeu a capacidade de disputar a hegemonia no futebol português quando se deixou comer no assunto Eusébio. SLB transformou uma circunstancial e leiteirosa vitória europeia numa efectiva importância como equipa de nível europeu graças a Eusébio. Beneficiou também do facto (político) de Salazar, percebendo a importância do fenómeno, ter impedido a saída do ídolo para o estrangeiro. O facto de não ter podido realizar esse negócio, em vez de diminuir as capacidades do SLB facilitou a sua imposição como clube dominante de todo o panorama desportivo português durante mais de uma década, ademais porque beneficiava de todas as bênçãos possíveis por parte dos poderes. Foi também nessa época que solidificou a sua base de apoio de adeptos, de cuja inércia ainda hoje beneficia. Mas a idade não perdoa e Eusébio e seus pares deram lugar a executantes de qualidade muito inferior e o poder político totalitário deu lugar a uma democracia formal. Tal implicou um esforço, por parte do SLB, de reforço da influência que já detinha sobre os meandros da arbitragem.
Tudo correu bem até ao advento da dupla Pinto da Costa/José Maria Pedroto à frente dos destinos do FCP. Beneficiando do enfraquecimento desportivo e de influência sobre o poder do SLB, PC/JMP traçaram a sua estratégia de assalto à hegemonia no futebol português com base em parâmetros como:
- Esforço de construção de uma equipa forte em termos desportivos, com agressividade em matéria de contratações, assim enfraquecendo os rivais, sobretudo o Sporting;
- Para isto precisava de dinheiro e obteve-o junto do empresariado e, sobretudo, do poder político local, ao arvorar a bandeira da luta do “norte”, formiga trabalhadora e criadora de riqueza, contra o “sul”, leviana cigarra beneficiária dessa riqueza;
- Last but not least, o domínio dos órgãos que detinham o poder sobre a arbitragem através da colocação de gente da sua “confiança” nos cargos de topo. Para isto souberam aproveitar-se dos regulamentos que atribuíam o poder de voto às Associações de forma proporcional às equipas da jurisdição destas colocadas nas divisões principais do futebol; ora como a maioria das equipas da primeira divisão era do norte do País e o “combate” era situado entre o “norte” e o “sul”, com um pequeno esforço de distribuição (mitigada) de benesses, a coisa resolvia-se.
A tradução prática disto foi a deslocação do combate pela hegemonia do futebol português de SLB/SCP para FCP/SLB, com eventual, mas contínua vai já para duas décadas, vantagem para o FCP.
Depois de um momento inicial em que o Sporting assumiu parte das mágoas decorrentes da afirmação hegemónica dum intruso, os lampiões nunca mais foram gente, antes se afirmando por oposição ao FCP, com a raiva que têm de as suas vitórias só passarem no Canal Memória.
Entretanto, permanentemente arredado da disputa pelos lugares de topo do poder do futebol, o Sporting ficou também arredado da luta pela hegemonia. Isto porque a disputa permaneceu no terreno da batota nas arbitragens em que o Sporting, seja porque não quis ou porque não conseguiu, não entrou.
Mas tinha de entrar? Não, não tinha de entrar; tinha era de conseguir afirmar-se de uma maneira autónoma no futebol nacional. Coisa que, até hoje, não conseguiu, a não ser circunstancialmente.
É aqui que entronca a importância das presentes eleições para a Liga.

(continua)

Ainda a gestão de talentos

Já agora, ainda a propósito da mentira que é a gestão de talentos do Sporting que o Raúl vem referindo, vejam aqui mais esta nota curiosa que nos é dada a conhecer pelo nosso colega Sangue Leonino.
Grande gestão e grande fábrica de talentos... Enquanto metem no "show-room" um novo talento para ir enganando o pagode, os outros saem pela porta do cavalo. Entretanto, vamos importando material de segunda categoria e alguns, mesmo com defeito. Já se viu o que mudou com esta direcção neste domínio...
Não é um problema específico do futebol, claro. A valorização do "produto" português, nem com mil Michael Porters vai lá! Na área do futebol as negociatas, os arranjinhos, a ganância, a leviandade e os tiros no pé sobrelevam tudo aquilo que de positivo possa ser feito!! E então no Sporting, nem é preciso falar...!!!!!
Esta questão dos "talentos" e da sua gestão não passa, como fica amplamente ilustrado por estes recentes comentários, de um enorme cliché.
Deixem-me só ainda recordar aqui, a este propósito, que esta era uma das pedras de toque do projecto Roquette. O grande feiticeiro da "nova gestão" do Sporting, não só não conseguiu impôr quaisquer mudanças na cultura do Clube neste domínio, como escancarou as portas para que este entrasse num novo período de uma nunca antes vista, descomunal, despudorada e inaceitável rebaldaria. Basta recordar as figurinhas que passaram pelo Sporting, nesta área, durante este consulado... And the beat goes on!!