terça-feira, 21 de agosto de 2007
Os apócrifos
Um leitor do KL fez o favor de nos enviar mais uma cópia em forma de comentário, que publicamos seguindo a orientação de publicar tudo o que venha dos nossos leitores-- desde que não "abardine" demasiado aqui a nossa cena, uma vez que, como bons Sportinguistas, somos filhos de boas famílias e coramos com facilidade...
O assunto merece dois breves comentários.
Em primeiro lugar, tentamos aqui só falar do Sporting. O que se passa nos outros clubes, os piu-pius, dourados, encarnados, cor de rosa ou de outras cores não são do nosso campeonato e por isso ligamos-lhes na medida justa da importância que têm para o Sporting. Neste caso, sabe-nos bem constatar que a Ana, a Carolina, o Pinto, o Vieira, o cozinheiro e a mulher dele pertencem a um outro universo, quiçá mais picante que o nosso, mas a verdade é que o Sporting passa, felizmente, ao lado de tudo isto. A reserva que tem sido mantida pelos responsáveis relativamente a este assunto parece-me correcta.
Em segundo lugar, não somos parvos e todo este sururu cheira a manobra de diversão e a gente não se pode distrair.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Foi um prazer
Em primeiro lugar para destacar o enorme prazer que foi, para mim, ver jogar este Sporting. Houve momentos de excepcional categoria. De um modo geral o grupo continua a evidenciar uma alegria e uma vontade de vencer que não se pode deixar passar em claro, sob pena de cometermos um crime imperdoável.
Mais uma vez (vou insistindo neste ponto...) o segredo desta época está na manutenção deste estado de espírito sem quebras significativas. O Sporting aprendeu a querer ganhar (e a dar um bailarico aqui e ali...) e não pode de modo nenhum perder esta postura. Tem de conservá-la, mas tem também de saber exigir ainda mais. Nada pior poderia acontecer a este Sporting do que acomodar-se.
Mas, o prazer que me deu vê-los jogar hoje, ah!, esse já ninguém me tira!
Uma outra nota para a arbitragem. Ou melhor, para a miserável festival de arbitragem que tivemos hoje. Ou, melhor ainda, para a mentira monstruosa que nos quis impingir o responsável pela arbitragem da Liga. Os critérios anunciados com pompa e circunstância, em matéria de disciplina, por Vítor Pereira fugiram e encontram-se em parte incerta... Esperemos para ver se é só ao Sporting que calha a fava. Hoje, pelo menos, e pelo menos num jogo do Sporting, o que tivemos foi o oposto do que foi anunciado pelo chefe dos apitos da Liga.
Falo aqui da arbitragem ao contrário do que é habitual porque não pode deixar de causar enorme preocupação ouvir, por uma lado, o anúncio feito com ar emproado de medidas severas para dignificar o espetáculo desportivo, dos auriculares, microfones e demais parafernália para enganar o pagode, dos critérios implacáveis que este ano iriam ser impostos, e depois, logo no jogo de abertura do campeonato, assistimos a este festival patético que foi a arbritragem do jogo de hoje. Liga = incompetência é uma equação, no mínimo, sem incógnitas...
Finalmente, uma nota de rodapé para o treinador da Académica. Pelo que percebi das declarações proferidas no final do jogo, a criatura não chegou a assistir à partida e ninguém lhe contou o que se passou realmente em campo. O estilo cultivado por este personagem sem história nem sequer dá, infelizmente, para rir...
terça-feira, 14 de agosto de 2007
O Sporting no começo da época
Stojkovic
O que dele vi quando se soube que vinha para o Sporting levou-me a pôr reticências quanto à valia da contratação. Pois, pelo que já vimos em diversos jogos de preparação e no jogo da Supertaça, dá para ficar mais optimista. Enorme, ágil e com bons reflexos, bom a jogar com os pés, são características que o definem como um bom guarda-redes. Defendi várias vezes Ricardo na presunção de que, apesar de não achar que ele fosse um grande craque, não seria fácil arranjar quem fosse melhor que ele. Ora, não só se encaixou algum com Ricardo, como se arranjou dum dia para o outro (assim pareceu, mas revela um bom trabalho que não se viu na época passada) um substituto à altura das necessidades do Sporting.
Izmailov
Vem com fama de jogar bem à bola, mas parece que no Lokomotiv teve problemas disciplinares. Às vezes a mudança de ares ajuda a resolver este tipo de problemas (esperemos que tal venha a acontecer também com Carlos Martins a quem pode faltar tudo menos talento e que cá já não ia a lado nenhum), e quem o contratou apostou nisso mesmo. É indiscutível que o russo tem talento, como o demonstrou o excelente pontapé que derrotou o Porto. Mas, há outro tipo de disciplina quanto ao qual ele tem muito que aprender: a táctica, aquela que se deve ter dentro de campo. Tem de saber defender, sobretudo em termos dos espaços a ocupar, para ser uma mais-valia nesta equipa do Sporting. Contra o Huelva entrou na segunda parte para o lado esquerdo do meio-campo. Esteve em todos os sítios do campo menos aí, o que deixou a equipa coxa. Contra o Benfica e contra o Porto Paulo Bento insistiu nele, mas colocou-o do lado direito do losango, derivando Moutinho para a esquerda. De facto à esquerda é que não dava mesmo, e PB viu isso muito bem. Devo dizer, no entanto, que concordo com a insistência de PB na sua utilização, porque espero dele progressos no aspecto táctico.
Derlei
Trata-se do tipo de contratação em relação ao qual já por diversas vezes aqui manifestei discordância. Tirando algumas honrosas excepções, entre as quais avulta o caso de Acosta, jogadores de carreira já feita, vêm normalmente para ganhar mais umas massas enquanto aquilo está a dar. Comecei, no entanto, a ter mais algumas esperanças em que esta contratação venha a dar alguns frutos. Essa esperança baseia-se não tanto na eficácia enquanto avançado, mas na conhecida combatividade de Derlei que, se ele tiver motivação e ela se vier a confirmar em campo, pode vir a complementar o jogo de Liedson, assim constituindo uma forte primeira barreira defensiva no primeiro terço do campo. Os indicadores quanto a este aspecto do jogo foram razoáveis, nestes primeiros jogos da época.
A organização da equipa
O modelo e o sistema de jogo mantêm-se, o que é uma, já esperada dadas as convictas afirmações nesse sentido de PB, boa notícia. Quanto ao sistema, pode-se considerar que pode mesmo vir a haver um aumentar das suas capacidades com a utilização de Purovic, o que, aliado ao já referido bom jogo de pés de Stojkovic, permite o jogo directo, em jogos em que haja necessidade de dar a volta ao resultado. Romagnoli terá, espera-se, o ano da confirmação como elemento mais avançado do losango, com alguma pena minha pois é o lugar de eleição de Moutinho; mas este, com a sua versatilidade e disciplina táctica (muitos não repararam que o facto de Rony não ter comprometido no jogo com o Porto se deveu à sempre presente ajuda de Moutinho e acharam que este teve exibição discreta) é quem tem de jogar do lado esquerdo. A defesa, em que as coisas ainda não ganharam contornos definitivos, é que me parecem residir os maiores problemas de pré-época. Os adeptos têm de, de uma vez por todas, agora que não há Caneira, deixar de pôr reticências quanto ao comando de Polga no sector; é o mais velho e experiente, deixou há muito tempo de protagonizar actos de indisciplina e, sem ser excepcional, é bom jogador (sim, eu sei, falhou mais uma vez no lance do golo contra o Benfica, mas mesmo os melhores centrais falham uma ou outra vez).
A atitude
Não gostei nada que tivéssemos jogado para o empate a partir de determinada altura do jogo com os lamps. Fiquei até com intenção de assacar, por escrito, responsabilidades disso ao treinador. Resolvi, entretanto, esperar pelo primeiro jogo a sério, e ainda bem. Concordo com Master Lizard quanto ao bom estado de espírito que se vive na equipa e que se traduz numa boa atitude em campo. O que é consentâneo com o discurso, levando a que se possa pensar que o que se passou no jogo contra o Benfica se deveu mais a uma atitude circunstancial dos jogadores, que o treinador fez corrigir no jogo contra o Porto. Vejamos, então, o discurso, cheio de recados, pela boca de Paulo Bento: «Os jogadores estão a habituar-se vencer coisas, o que é muito bom e não sucedeu durante algum tempo. Esta noite jogaram com a entrega do costume e foi bom ver que essa forma de estar foi passada por quem estava aos que chegaram, que a interiorizaram. Mas agora é preciso perceber que o campeonato está aí e que o primeiro jogo traz sempre ansiedade. É preciso ter a cabeça no sítio e os pés no chão para encarar da forma correcta o jogo com a Académica, na sexta-feira».
Assim vamos mal...
Mal vai o Sporting ao projectar esta imagem pateta e disparatada de instituição tipo Securitate à Ceausescu...
sábado, 11 de agosto de 2007
Em sentido
É assim, é simples. Foi uma vitória do querer e da serenidade. E foi também uma vitória do autodomínio. Paulo Bento tinha alertado para este importante aspecto que, com efeito, ditou o desfecho final.
Esta vitória, que pode significar o arranque para uma boa época, revela uma equipa coesa (uma equipa!), que sabe perfeitamente o que quer. O segredo está agora em não abrandar este estado de espírito.
Sinceros parabéns e continuação de bom trabalho. Um degrau já está!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Mãos limpas precisam-se! 3
Há, no entanto, uma coisa que se lhe adivinha na sua tendência clubística --que eu saúdo, com toda a sinceridade, porque sei bem o que isso custa no caso do meu sportinguismo-- que é a generosidade, a aparente genuinidade e a incondicionalidade dessa sua militância. Sentimentos que, pelo seu talento particular, pelo lugar destacado que ocupa junto da opinião pública (e pela influência que terá, em particular, na opinião dos seis milhões...), o Ricardo deveria colocar ao serviço de uma causa de higiene íntima elementar, verdadeiramente útil : ajudar a correr com os dirigentes do seu clube e assim contribuir para um movimento Mãos Limpas do futebol português.
Ricardo: nesta fotografia do futebol português que hoje podemos fazer, o seu clube e os respectivos dirigentes também não saem nada bem...
É uma sugestão que lhe faço por respeito e admiração.
Mãos limpas precisam-se! 2
Nessa altura existia o mito, repetido incessantemente e com crescente horror, de que as "catacumbas" desse edifício seriam habitadas por ratos, que de tanto tempo a viver na escuridão e em ambiente fechado se teriam tornado nuns seres monstruosos, de enorme porte, sem pelo, sem olhos e já com enormes dentes afiados. Um dia um jornalista do DL decidiu descer às catacumbas e avaliar, por si próprio, a verdade do mito. Dizia ele, se bem me lembro, depois de ter percorrido alguns daquels túneis e corredores acompanhado, salvo erro, por um funcionário do Palácio, que de facto lá apareceram uns ratos, mas nada que se parecesse com esses tais seres monstruosos que gerações de cadetes se entretiveram a amplificar. Tratava-se de uns ratitos normais, de campo.
Quando muito, dizia em conclusão o jornalista, o facto de os ratos avistados não fugirem facilmente perante a aproximação dos humanos, poderia significar que havia mais na retaguarda. O mito não passava afinal disso mesmo.
Pois, o artigo veio-me à memória ainda a propósito da entrevista de Pinto da Costa na SIC Notícias. De facto olha-se para ele e não se lhe descobre dentes afiados, o porte é normal, embora fale grosso e não foge à vista dos humanos. O que prova que há mais daquela espécie por perto.
Nada que uma boa campanha de desratização não resolva.
A bem do futebol e, sobretudo, a bem do País.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Mãos limpas precisam-se! 1
O futebol tem uma tarefa inadiável: correr com esta escumalha que dirige os seus destinos e ganhar a credibilidade perdida.
Com dirigentes como estes que dominam neste momento o futebol nacional, com estas histórias, historietas, escandaleiras, acusações e processos não há feito desportivo, não há atleta de excepção, nem propósito nobre, não há orientação de fundo que se consiga aguentar. Não haverá nunca garantia de transparência, nem possibilidade de assegurar uma organização sólida. Qualquer pequeno ganho, qualquer pequena conquista, qualquer pequeno feito, tudo será inexoravelmente devorado e esmagado se o actual rumo do dirigismo português não mudar radicalmente e se não assistirmos à sua saída definitiva de cena. Chega!
Tenho vergonha de entrar num estádio de futebol, de assistir a uma partida e de dispender um cêntimo que seja, sabendo que o mundo da bola está entregue a esta gente, sabendo que eles estão por perto.
Está na hora de dar uma vassourada geral e efectiva neste universo apodrecido. Mãos limpas precisam-se!
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Hoje há visão estratégica à Portuguesa II
Quando a questão dos impostos dos futebolistas foi levantada dei aqui a minha opinião sobre esta matéria. Mantenho tudo o que disse. Em resumo, mantenho que me causa uma enorme estranheza que o futebol seja tratado como uma actividade económica marginal, mantenho que acho errado que o futebol não possa ter um regime qualquer de excepção, condizente com a sua específicidade e o seu peso na economia do país (outros sectores com menor expressão beneficiam de regimes de excepção...), não percebo a admiração que isso possa causar, continuo a achar que é estranho que o governo não reflita na sua política o contributo que o futebol dá hoje para sedimentar uma imagem positiva de Portugal no mundo e acho, face a tudo isto, um verdadeiro escândalo e uma enorme incoerência que os dignitários do Estado Português que assim procedem se montem no futebol para dele tirarem o eventual, mas sempre bem vindo dividendo político. Quando e aonde mais lhes convém.
E já nem sequer falo na afronta à nossa inteligência que foi a construção de 10 estádios, na sua esmagadora maioria financiados por este Estado manhoso, que não se auto-mutila por cometer estes vergonhosos actos de gestão, mas acha agora que os poucos futebolistas que por cá vão ficando e ganhando um ordenado mais vistoso vão ser os salvadores das finanças públicas. Estádios que, na maior parte dos casos, se encontram em desesperado estado de abandono físico e fiscal...
As explicações do Secretário de Estado da Juventudo e do Desporto são imprecisas e atabalhoadas, revelam uma enorme confusão naquela cabeça e reforçam o sentimento de que, no que respeita a uma política séria de desporto, este governo faz como o Goebbels quando ouvia falar de cultura...
Olhando para a Liga, para a Federação e para a tutela fica-se com a sensação que alguém lá em cima, de uma forma ou de outra, quer mesmo acabar com o futebol.
Face ao exposto, penso que seria da mais elementar justiça iniciar uma campanha de redenção do futebol português. Poderíamos chamar-lhe, por exemplo, "All-Grave"...
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Torneio do Guadiana
Paulo Bento disse ainda que o "Sporting vai jogar a Supertaça em condições para vencer." Não me parece que estas sejam apenas palavras de circunstância. A manutenção sem hesitações de um elevado espírito competitivo --de resto, um dos aspectos que venho aqui referindo desde o final da época passada com alguma insistência como sendo de crucial importância manter-- parece-me estar a merecer, muito justamente, um especial cuidado. Não foi por acaso que Bento referiu os "24 jogos oficiais consecutivos nas competições internas sem perder, 18 do campeonato e 6 da Taça de Portugal."
Nada de vacilações, portanto, o caminho faz-se caminhando. O futuro é do Sporting!!
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Venenos 29
Depois da introdução do iPito, que ontem revelámos em primeira mão, aí está a nova medida para revolucionar a arbitragem em Portugal: os auriculares. O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga declarou ontem que espera que com os novos auriculares os árbitros possam, finalmente, ouvir os reparos de que são alvo por parte do público e corrigir totalmente as suas actuações. "Os ábitros podem dar frequentemente a ideia de que estão a ignorar as reacções dos adeptos. Mas não é verdade!" Vítor Pereira revelou ainda que a Liga pagou um rastreio audiométrico dos árbitros que vão actuar esta época. O rastreio concluiu que afinal os árbitros são é todos moucos. "É um passo importante," declarou por sua vez, o presidente da LPFP. Loureiro acrescentou ainda que "grande parte dos problemas da arbitragem radica no facto de os árbitros não ouvirem bem.
O público bem grita, mas eles coitados não ouvem. Com os novos auriculares os árbitros passam a ouvir tudo o que lhes chamam em campo e poderão deste modo actuar imediatamente." Num apelo final dramático, Loureiro pediu ainda para os adeptos continuarem a auxiliar os árbitros a melhorar cada vez mais o seu trabalho. Interrogado sobre se a direcção da Liga pretende também passar a usar auriculares, Loureiro começou por responder "- Haan?!!" Depois de lhe repetirem a pergunta em linguagem gestual declarou que nada está previsto.
(as fotos foram picadas de relvado.com)
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
domingo, 29 de julho de 2007
Golden Whistle
O árbitro da NBA Tim Donaghy estará envolvido num caso de viciação de resultados. Existem fortes suspeitas de que estejam também envolvidos teinadores e mesmo jogadores neste caso que está a causar enorme escândalo. A NBA tem sido apontada muitas vezes como exemplo de organização desportiva e alguns ingénuos sugerem que o modelo seria aplicável a outros desportos e a outras latitudes. A NBA é de facto uma máquina!
Imagino o que aconteceria se em Portugal, por exemplo, o modelo pegasse. E tendo em conta o carácter (quase) familiar da organização da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e as dificuldades pelas quais, mesmo assim, tem passado a investigação do caso Apito Dourado, imagino o que aconteceria se a família deixasse o estatuto amador e se profissionalizasse! Aonde chegaria o ouro do apito...
Claro que não estou a defender a família. Preferia era outra organização que nos blindasse contra apitos, amadores ou profissionais...
Condenável
Primeiras impressões
O novo lateral esquerdo Maryan Had é que já não foi a tempo de participar em tão solene "cerimónia". Mas, já cá está!
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Hoje há visão estratégica à Portuguesa
Ainda relativamente à transferência do Simão, deixem-me propôr-vos aqui um ponto de vista que contrasta vagamente com aquela que o Black Mamba expôs ontem nos seus Venenos.
Como se sabe, a base de incidência fiscal das remunerações dos futebolistas vai sofrer alterações. O seu valor passará a atingir os 100% (se esquecermos os inúmeros impostos indirectos...) das remunerações auferidas pelos atletas contra os actuais 60%. O objectivo é o de equilibrar o regime fiscal dos jogadores de futebol profissional com o dos restantes contribuintes.
O motivo parece virtuoso, mas, na verdade, estamos perante uma farsa.
O futebol profissional é uma actividade que vive sobre brasas. As dificuldades financeiras dos clubes são conhecidas. O "mercado", como é sabido, encolhe. Os estádios esvaziam-se, as receitas diminuem, há "produto" mas não há vendas e, sem vendas, é dificil manter a porta aberta. Para alguns, como é sabido, a solução é mesmo fechar a porta. O futebol profissional lá vai tendo de inventar mil e uma maneiras esfarrapadas para se ir desenrascando. A Liga revela ser um organismo incapaz de influenciar de forma séria e decisiva o devir destas coisas, mas isso é tema para outra conversa...
O que faz o Estado perante este cenário de debandada e dificuldades?
Aumenta essas dificuldades e promove a debandada! É isto e mais nada que vemos desde que o Estado entendeu meter aqui o bedelho.
Mas, pendura-se de forma absolutamente vergonhosa e indigente no futebol, quando lhe convém, projectando uma ideia de redenção e uma imagem de inocente anjo protector. Ambas falsas. Não é só a indústria futebolística que beneficia de regimes fiscais especiais, mas não vemos o Estado pendurado nas "tribunas" das outras indústrias. Estou certo que nem os seus dirigentes o permitiriam...
Quando vemos uma luminária qualquer pendurada numa tribuna de um qualquer estádio a assistir, emproado e majestático, a um jogo da Selecção, vemos um parasita que beneficia de uma situação que não ajudou a criar. Ou melhor: que ajudou a criar pela negativa e que na realidade está a minar. As selecções, a Federação & compadres são um logro a quem os clubes se vêem obrigados a pagar o dízimo.
O caso dos políticos que assistem a jogos de clubes, esse então deveria ser, na minha opinião, objecto de intervenção do Ministério Público...
A alteração do regime fiscal dos jogadores não resolve o défice das contas do Estado, rouba margem de manobra ao futebol nacional e vai contribuir, estupidamente, para aumentar as dificuldades de uma actividade doente, mas que revela um raro vigor e louvável resiliência no quadro geral da economia portuguesa. Neste seu labor igualitário o Estado está a dar tiros no pé, tiros que ricochetam por todo o lado. A transferência de Simão também tem, pois, de ser vista à luz desta lógica. Como a de Ricardo! De uma assentada perdemos dois jogadores de selecção para Espanha. E depois há quem ache que é o Saramago que não é patriota...
Se alguma coisa os virtuosos do Santo IRS conseguem com tudo isto é perder receita. O estado espanhol, o inglês, o alemão, etc, etc, agradecem. Mas, não retribuem...
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Venenos 27
Diz-se que Simão não gostava das camisolas novas. Diz-se que terá ficado perturbado com aquela montagem fotográfica que andava a correr aí pela net. Chorou. Diz-se que a malinha de mão, em especial, o terá deixado profundamente transtornado e que mais transtornado ficou quando soube que o acessório vai mesmo fazer parte do equipamento oficial. Chorou. Diz-se que terá exigido ao comendador Vieira a dispensa de usar o dito acessório. Diz-se que Vieira lhe terá gritado "-A malinha é para vocêses todos usarem, ou então andex!!" Chorou. Diz-se. E foi-se.Diz-se ainda que esta transferência não passa afinal de uma manobra destinada a levá-lo para o Porto.
domingo, 22 de julho de 2007
Apontamentos do jogo contra o Lille
Não me tinham convencido, nos extractos de vídeo que vira, as actuações de Stojkovic (exceptuando a soberba exibição contra Portugal em 2006): estático e com fraca capacidade de reacção às contrariedades. Neste jogo e nos lances que vi contra o Guimarães pareceu-me rápido de reflexos e bom entre os postes, bem como a jogar com os pés. Também Rui Patrício, na sua inexperiência, parece vir a confirmar as esperanças que se depositam nele.
Os centrais
Polga, ultrapassados problemas disciplinares (que nunca mais se manifestaram), é um esteio da defesa (e agora, quanto a mim assisadamente, promovido a segundo capitão). Mas a boa notícia é Gladstone, que me pareceu um jogador com bom posicionamento e poder de antecipação, embora ainda sem confiança para construir jogo; a bola queima-lhe nos pés e ele despacha-a sem cerimónias, ou desfaz-se dela para o companheiro mais próximo.
O médio defensivo
Paredes voltou a não me convencer (embora pareça com mais vontade que na época passada) e Miguel Veloso, com falta de ritmo, complicou lances e perdeu bolas. Outra boa notícia veio de Adrien, que joga com grande à-vontade e habilidade e tem bom jogo posicional; no entanto desapareceu do jogo quando passou a médio direito (mas, mesmo nesta posição, poderá progredir muito).
A linha média
Fiquei convencido de que não irá ser difícil que este sector se apresente mais consistente que no ano passado: Romagnoli e, sobretudo, o grande João Moutinho (agora, merecidamente apesar da sua juventude, capitão de equipa) estão mais maduros e experientes e Simon Vukcevic deu alguns bons apontamentos, marcando um golo (embora muito consentido pelo guarda-redes contrário).
O ataque
O inevitável Liedson aparece possuidor de todas as características que fizeram dele um jogador imprescindível. Marcou dois golos em remates com o pé esquerdo, o primeiro de excelente execução (um tiro muito forte e indefensável) e o segundo fazendo uso de uma das características que o tornam um jogador de excepção, roubando a bola ao guarda-redes (este, se conhecesse Liedson, sabia que era muito perigoso tentar uma finta sobre ele). Derlei, embora neste jogo mais esforçado, continua a não me convencer. A novidade táctica está, contudo, na entrada de Purovic. Este tem 1,90m e a equipa tenta com ele o jogo directo: bola bombeada dos centrais ou do guarda-redes (como já disse Stojkovic evidenciou-se neste pormenor), o calmeirão dá-lhe de cabeça (na segunda parte, ou por já estar mais cansado ou porque os adversários fizeram melhor a cobertura, deixou de ganhar as bolas de cabeça) solicitando a irrequietude de Liedson. Esta jogada valeu o primeiro golo do Sporting. Sem que possa ser um sistema recorrente (tem de haver muito mais variedade de processos) a presença de Purovic, acrescenta esta possibilidade, que pode ser útil em certos jogos, ou em certos momentos do jogo.
Os lateraisDeixei para o fim este sector da equipa, por me parecer que é o mais problemático. Sendo Abel um jogador relativamente seguro, é o único disponível para preencher o lado direito da defesa. Mas o problema é ainda maior à esquerda: tanto Rony como André Marques não têm (pelo menos por agora) classe suficiente para o jogo do Sporting. Rony não tem velocidade. Mas poderia compensar isso com uma boa colocação no terreno e inteligência a ver o jogo (como era o caso, por exemplo, de Rui Jorge); ora o jogador não possui nem uma nem outra destas capacidades e, não raramente, vêmo-lo a correr atrás dos adversários, por não prever contra-ataques e se ter adiantado excessivamente em certos momentos (como noutros pode, despropositadamente, ter ficado atrás). André Marques pode vir a dar um bom lateral, mas não tem ainda um jogo convicto, parecendo receoso, tímido e com falta de determinação.
Em conclusão
O plantel não pode ainda estar fechado, se quisermos fazer uma época em que nos possamos bater pela vitória no campeonato até ao fim e passar a primeira fase da Liga dos Campeões.
É preciso contratar um defesa esquerdo, pelo menos.
Venenos 27
Os jornais noticiam hoje que a Torre Burj do Dubai é já o edifício mais alto do mundo, apesar de ainda faltar construir qualquer coisa como quase 300 metros. Depois de terem tido conhecimento da notícia, consta que os comendadores Berardo e Vieira se reuniram de emergência com o objectivo de lançar a construção, no Seixal, de uma nova torre, mais alta ainda que a Torre Bruj. A única condição colocada pelo comendador Joe foi a de que este plano nunca seja descrito pelos serviços de comunicação do clube como um "mega-projecto". Instantes depois de se ter tido conhecimento desta notícia o edifício era já reconhecido como o mais alto do mundo, antes mesmo de se iniciar a construção!Segundo conseguimos apurar, o edifício --já chamado de Torre Joe do Seixal-- vai funcionar como nova sede do clube e servirá também para albergar os seus 6 milhões de adeptos. Aproveitando a altura, a Torre Joe servirá também para lançar em voos de exercício o milhafre Vitória. A gigantestca torre irá albergar um gigantesco centro comercial com 2500 restaurantes chineses e 6000 "Lojas dos 300".
Finalmente, os adeptos do dito clube, com as quotas em dia, sim, mas em dia não, vão poder lançar-se gratuitamente do alto do edifício em queda livre, sempre que aquele sofra uma derrota.
O Livro Guiness vai lançar uma edição especial sobre este projecto.
sábado, 21 de julho de 2007
Tenacidade, brio e sentido de responsabilidade

O jogo de hoje marca a estreia de João Moutinho como capitão do Sporting. Tudo isto lhe deve parecer um sonho, mas tudo isto é bem real: Moutinho faz parte do plantel principal desde a época 2004-2005, tinha então 17 anos, e torna-se aos 20 anos o mais jovem capitão desde o tempo do mítico Stromp. É um exemplo a todos os níveis. Um exemplo, desde logo, para todos os atletas aspirantes a profissionais de futebol, dentro e fora do Sporting. Mas, é-o, sobretudo, para todos os jovens de hoje, desportistas ou não. Para além do óbvio talento, Moutinho distingue-se pela tenacidade, pelo brio e pelo sentido de responsabilidade que demonstra de forma exuberante. Com Moutinho fica provado que estas qualidades são recompensadas quando exercidas, que a vida não se resume a reclamar direitos e que direitos adquiridos são direitos legitima e duramente conquistados. Para acreditar em tudo isto os jovens só têm de olhar para este exemplo. Os responsáveis dos Sporting fizeram o que deviam e o KL não pode deixar de o assinalar.
