quinta-feira, 16 de março de 2006

AG de amanhã: que fazer?

Relembremos o Ponto Único da Ordem de Trabalhos da Assembleia Geral de amanhã: «deliberar sobre alienação de imóveis não afectos a uso desportivo do Clube, designados por Edifício Visconde de Alvalade, Alvaláxia, Health Clube e Clínica, que corresponderão, após outorga da escritura de constituição da propriedade horizontal, às fracções "D", "G", "C" e "F" do denominado Complexo Multidesportivo do Sporting Clube de Portugal "Alvalade XXI"».
Face a isto, o que devemos fazer?
Tenho vindo aqui a defender que a discussão do tema desta Assembleia se deverá processar no âmbito de um processo eleitoral, o qual deverá ter lugar tão depressa quanto possível, até porque o acordo que Dias da Cunha fez com ao bancos obriga a uma decisão (venda ou fecho) sobre o Alvaláxia até ao fim de Junho.
A intervenção que tenhamos deverá, pois, pautar-se por um objectivo central: que seja, não na AG de amanhã, mas no quadro dum processo de eleição de novos corpos dirigentes que estes temas de vendas ou não vendas se discutam e que os sportinguistas possam escolher os seus melhores representantes e gestores para levar à prática o plano financeiro que venha a ser aprovado.
Só assim se poderá garantir, em primeiro lugar, que o plano aprovado venha a ser implementado por quem o propõe; em segundo lugar, que esse plano (de natureza económico-financeira, repito) se harmonizará com as outras instâncias (nomeadamente a desportiva, core business do Sporting, como os gestores gostam de dizer).
Só uma Direcção que encara o Sporting como uma mera empresa, sem atender à especificidade do negócio desporto (futebol em particular, mas não só) pode achar que estas instâncias podem ser discutidas em separado.
Mais: esta Direcção é interina e não pode partir do princípio de que vai continuar a gerir os destinos do Sporting, que é o que está subjacente à convocação de uma AG para discutir o tema da alienação separado dum projecto global para o Sporting.
Por estes motivos, se não conseguirmos impedir que a decisão de alienação seja votada, deveremos votar contra qualquer proposta de alienação que apareça, seja ela qual for e venha de onde vier.
Não, não mudei de opinião e continuo convencido de que, sob condições e no timing apropriado, é inevitável a alienação de pelo menos algum do património não desportivo do Sporting.
No entanto, quem, certamente mais do que nós, está por dentro da situação financeira do Sporting (Dias da Cunha, que deixou a presidência há poucos meses e José Roquette, pai do projecto que tem norteado o clube), já veio a público dizer que a coisa não é tão premente como FSF tentou convencer-nos.
Pode bem esperar o decurso de um processo eleitoral.
Confiemos em que apareçam candidatos que sejam sportinguistas competentes e com projecto credível.
ELEIÇÕES JÁ!

Os pontos nos ii

No meio de todo este ruído mediático, das declarações e contra-declarações que os candidatos, putativos e que o não são, dirigentes, antigos e modernos, "notáveis", uns mais que outros, e demais figuras que se querem pôr em bicos de pés nesta altura à custa do Sporting, vão emitindo; no meio dos problemas reais e/ou imaginários que ensombram o Clube; no meio da gritaria sobre as soluções possíveis; no meio de tudo isto há uma verdade que nós Sportinguistas sentimos de forma mais ou menos intuitiva, mais ou menos racionalizada, mas... sentimos. Sabemos bem o que é um Presidente do Sporting verdadeiro, um ganhador, com perfil para exercer esse cargo. E sabemos o que é um presidente fantoche, que não está à altura do Clube que dirige!
Um Presidente ganhador é aquele que propõe um programa, vê esse programa sufragado pelos sócios e alcança os objectivos que se propôs atingir em nome da grandeza e dos princípios do Clube. Tem um programa! Um Presidente ganhador não perde uma guerra em que se meta. Nem se mete em guerras que, antecipadamente, sabe que vai perder. Um Presidente ganhador só dá tiros certeiros. É metódico, seguro e enérgico. Tem uma visão estratégica e abrangente do clube, do fenómeno desportivo e da sociedade. Está com os sócios. Sente os sócios. Demonstra autoridade. Exsuda autoridade! Não precisa de dar murros na mesa. Impõe-se naturalmente. Um Presidente ganhador é um líder porque... ganha! Em todas estas frentes!
Não tem de estar permanentemente a erguer taças e a abrir garrafas de champagne. Mas, no dia a dia do Clube, nos grandes e nos pequenos monentos, dele só se esperam vitórias e sucessos.

Vejam agora o que tem sido o Sporting dos últimos vinte anos. E atentem, muito especialmente, no que tem sido o Sporting dos últimos dez.
Derrotas desportivas, projectos grandiosos miseravelmente falhados, mentiras descaradas, retrocessos, mesquinhices, golpadas, falta de dimensão, oportunismo descarado e escandaloso, lutas ridículas por notoriedade, muita ânsia de poder, muita leviandade, responsabilidades olvidadas e culpas solteiras! É isto o Sporting hoje, por muito que nos custe. Depois de dez anos de promessas de grandeza e de vitórias retumbantes vamos para uma AG, classificada como uma das mais importantes na história do SCP, para nos pronunciarmos sobre uma proposta... de alienação de património!
A grandeza do Sporting, do seu presidente e dos seus dirigentes actuais e passados com responsabilidades nesta situação resume-se, hoje, a isto. Os debates a que assistimos e as notícias que vamos lendo mostram a pobreza e mesquinhez que hoje dominam o Clube, nas mais altas instâncias da sua liderança.
Os protagonistas de toda esta novela nivelam toda a sua actuação pela bitola mais rasteira e reduziram a dimensão do SCP --este Clube lindo que nos faz mexer e de que todos nos orgulhamos na vitória e na derrota-- à sua expressão mais baixa de sempre. Pela sua manifesta incompetência. Pela arrogância de quem se julgou capaz de liderar este Clube. Pela sua incapacidade de conseguirem sequer exibir um mísero traço de alguma grandeza admitindo que falharam e que ficaram aquém da dimensão do Clube!!
Antes insistem no mergulho.

É contra tudo isto que é preciso lutar.
O nosso campeonato não é o da alienação de património ou o do tamanho do défice. O campeonato do Sporting é o dos seus valores.

"O Sporting Clube de Portugal tem como fins a educação física, o fomento e a prática do desporto, tanto na sua vertente da recreação como na de rendimento, as actividades culturais e quanto, nesse âmbito, possa concorrer para o engrandecimento do desporto e do País."

Assim rezam os Estatutos. Isto é Sporting!
Ponto, parágrafo.
Digam-me agora se alguém pode vislumbrar uma sombra que seja destes valores na actuação dos dirigentes, que nos tempos mais chegados têm poluído a paisagem Sportinguista?
E digam-me lá que outra solução nos resta senão dar-lhes guia de marcha...? Sem remissão, nem piedade!!
Precisamos de devolver a grandeza ao SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Afirmações

Dias da Cunha: "Filipe Soares Franco desempenha as actuais funções a título precário, como ex-vice presidente substituto, e apenas a conduzir o Sporting a eleições, portanto, com a obrigação de não alterar o programa com o que o seu antecessor e ele próprio foram eleitos".
Abrantes Mendes: "Soares Franco devia candidatar-se a eleições, apresentando o seu programa e a sua equipa, permitindo aos outros candidatos a apresentação dos respectivos programas".
Eduardo Catroga: "Seria conveniente a existência de estudos independentes para um melhor esclarecimento. Está em causa uma decisão crucial e, se os sócios não se consideram esclarecidos, penso que o processo devia ser adiado até haver um esclarecimento por analistas independentes".
José Roquette: "A situação no Sporting não é de emergência descontrolada, mas de emergência potencial, a ser atempadamente cuidada".
São afirmações que vão no sentido do que aqui já defendi: na Assembleia Geral de dia 17, o que deve ser aprovado é a convocação antecipada de eleições.
Outra atitude agora revelada é a de que Dias da Cunha, mantendo a intenção de apresentar uma proposta alternativa na AG, não será candidato. Corre-se, assim, o risco de essa proposta ser aprovada, para vir posteriormente a ser implementada por outrem.
Por uma nova Direcção de sportinguistas competentes e com projecto credível.
ELEIÇÕES JÁ!

Roquette em versao soft...

A intervenção de José Roquette na SIC Notícias de ontem não deixa de causar a maior perplexidade. Apoiante confesso, desde a primeira hora, do plano de venda do património não desportivo anunciado pelo seu gestor de mão, Roquette vem agora dizer que afinal o Sporting tem uma situação de tesouraria estável (aliás todos os "notáveis" que têm sido entrevistados referem isso para justificar a dúvida sobre a venda de património), não há salários em atraso, nem incumprimentos nos compromissos fiscais, nem uma má postura institucional. Roquette usou uma figura curiosa para descrever a situação que, em sua opinião, se verifica nesta altura: diz que não há na necessidade de venda de património uma "emergência descontrolada, mas sim uma emergência potencial"...
Fui ver a todos os manuais e dicionários de economia e gestão e não encontrei os conceitos descobertos pelo insigne economista!
O Nobel da Economia para Roquette JÁ!

Dias da Cunha encore!

Dias da Cunha deu uma conferência de imprensa onde reafirmou as críticas que tem vindo a proferir nos últimos tempos. Já aqui lamentei a forma como Dias da Cunha abandonou o cargo de Presidente para que foi eleito. O próprio vem agora dar razão ao que disse há aqui no KL há muito tempo: ele próprio afirma que se soubesse o que sabe hoje não teria saido. Esperemos que saiba agora tirar todas as ilações desta sua confissão...
É que ao mesmo tempo, diz uma outra coisa perturbante: diz que espera que não o estejam a tentar empurrar para fora do Sporting!
Não é de admirar que se fale na possibilidade de instalar práticas persecutórias no Sporting de hoje. A parada é alta, as contradições são muitas, o caldo está, de uma forma ou de outra, definitivamente entornado e as responsabilidades por este estado de coisas quase sugerem a necessidade de se ter de agir criminalmente...
Espera-se, de uma lado, a continuação da fuga dos ratos do porão, enquanto, do outro, se assistá a novas fuga para a frente.

Ainda a entrevista de Bettencourt

A inacreditável entrevista de Bettencourt (que ontem reincidiu!) é aqui escalpelizada no blog Eis o Meu Sporting.
Já agora, só para trazer mais uma nota para a análise, acrescento que na entrevista faltou explicar porque foi Bettencourt para o Sporting... E faltou explicar porque saiu!

terça-feira, 14 de março de 2006

ELEIÇÕES JÁ! (3)

Abrantes Mendes sai hoje em entrevista no Record.
O discurso, em muitos pontos coincide com o que tenho vindo a defender. Vejamos.
Quanto à responsabilidade dos actuais corpos gerentes na actual situação, diz que "o dr. Soares Franco, quer se queira quer não, faz parte de uma solução que foi apresentada aos sócios há 10 anos e que falhou rotundamente (...) O Sporting tem um passivo enorme. Quem é o responsável por esse passivo? É toda uma política de 10 anos. É o dr. Roquette, é o dr. Dias da Cunha, é o dr. Soares Franco. Todos eles seguiram uma política que descambou no que se está a ver."
Quanto à necessidade de participação dos sócios, diz que o Sporting "precisa de sangue novo, credibilidade, projectos novos e voltar a ter a massa associativa consigo. (...) o [por decoro:) omito o nome da entidade aqui citada] está, a meu ver, a adoptar a política certa ao tentar, juntamente com a sua massa associativa, levar o clube aos feitos de outrora. (...) O Sporting precisa também de fazer isso, exactamente porque a massa associativa esteve durante muito tempo afastada da vida do clube". Acrescenta que quer "um clube devolvido aos sócios de forma tranquila porque sem eles não se vai a lado nenhum. Quando o Sporting ganhou o campeonato em 2000 eu não percebi de onde veio toda aquela massa humana, depois de 18 anos de jejum. Sobretudo jovens. Como é possível tanto jovem sportinguista? São eles que têm de aderir".
Quanto à questão da actualidade, a alienação do património não desportivo, depois de se afirmar "contra a alienação", acaba por dizer que "esta venda nesta altura é um erro crasso e estratégico". Sublinhe-se a expressão "nesta altura", justificada pelo facto de estarmos "numa crise no mercado imobiliário" e por ainda não ter começado "a ser construída aquela zona em redor do estádio", além de que AM não acredita "que os bancos executem o Sporting como o dr. Soares Franco ameaça"; AM considera, pois, a possibilidade de renegociar a dívida à banca, a propósito do que pergunta: "por que razão é que o Sporting não negoceia uma maior abertura temporal nos contratos?". AM não é, portanto, contra uma venda de património tout court, até porque se propõe "fazer a reorganização de todo o universo empresarial do Sporting, extinguindo aquilo que tem de ser extinguido, nomeadamente uma série de empresas que lá estão e não servem para nada. A NEJA, uma empresa de seguros, entre outras". O que ele acha é que "é preciso que o país saia da situação de crise económica em que se encontra e já começam a aparecer alguns sinais, nomeadamente no sector imobiliário; esperar pelo arranque das obras que vão potenciar a rentabilização daquela zona e, a negociar um dia mais tarde qualquer coisa que seja, nunca será com os inquilinos", ideia que repete, ao afirmar "que esta não é a altura certa para vender: devemos esperar pela construção da cidade à volta do estádio porque aí o bingo, o health club, o centro comercial vão ter mais gente".
Abrantes Mendes não coloca a questão na venda de património, mas sim em o quê e quando se aliena.
E remata dizendo que "Soares Franco devia candidatar-se a eleições, apresentando o seu programa e a sua equipa, permitindo aos outros candidatos a apresentação dos respectivos programas".
Aqui é que está, efectivamente, o busílis da questão: o que devemos querer agora, ou seja, na Assembleia Geral de dia 17, é que se aprove a convocação antecipada de eleições. Os candidatos elaborarão os seus programas, os sócios aprovarão um deles, neste incluído um possível programa de alienações. Só uma Direcção eleita (e não esta, cooptada e, portanto, interina) poderá vir a executar de pleno direito tão importantes e estratégicas medidas.
Quanto a Abrantes Mendes, o seu discurso parece apontar no sentido correcto. Mas, sendo as ideias um aspecto fundamental de apreciação, não é o único. Também estão em questão as pessoas. E, pese embora o inquestionável sportinguismo de AM, eu sou daqueles que ainda não se esqueceu de que ele pertenceu aos corpos gerentes do período mais negro da vida do Sporting: a presidência de Jorge Gonçalves.
Por uma nova Direcção de sportinguistas competentes e com projecto credível.
ELEIÇÕES JÁ!

segunda-feira, 13 de março de 2006

ELEIÇÕES JÁ! (2)

O anterior post com o mesmo título foi escrito antes de lida a entrevista de Dias da Cunha ao Record.
As declarações de Dias da Cunha nessa entrevista vêm transtornar o meu anterior raciocínio sobre a necessidade de alienação do património não desportivo (APND) e reforçar os contornos da posição a tomar na AG de 17.
É que a minha anterior convicção da necessidade da APND se baseava na veracidade dos elementos fornecidos por FSF e sua Direcção, o que DC vem agora pôr completamente em causa.
Já não tenho a certeza da bondade da solução da APND, pois não sei em quem acreditar. A ver se até lá e lá, conseguimos todos aproximar-nos mais da verdade. Pelo menos para isso esperemos que a AG venha a servir!...
De um modo geral, o que DC diz é que FSF pinta a situação a tons de negro (desmarcando-se, obviamente, de responsabilidades suas e atirando-as para cima das costas das Direcções anteriores) para convencer os sócios de que a situação é tão má que não há nada a fazer senão alienar. E DC dá exemplos de aspectos que revelam alguma saúde financeira:
quando chegou à presidência "o Sporting tinha 1,3 milhões de euros de patrocínios anuais. Hoje tem 9 milhões";
as receitas relacionadas com o estádio triplicaram: "Passaram de 4 milhões para 12 milhões!";
"No exercício do final do primeiro trimestre, em Setembro, tivemos 4 milhões de euros de resultados positivos o que comparável com o período homólogo do ano anterior registava uma melhoria de 2 milhões de euros";
"O que dá garantias aos bancos não é o património, é o negócio", conclui.
Diz ainda que a Câmara de Lisboa vai chumbar a alienação, com base no pressuposto de que "a CML autorizou que o Sporting construísse mais do que aquilo que estava projectado no Plano Director Municipal por uma simples razão: por se tratar de um projecto de uma instituição de utilidade desportiva. Essa decisão teve de ser aprovada em assembleia de câmara, assumindo-se que não se tratava de um negócio de uma imobiliária. Porque se assim fosse, seguramente não autorizava. Tudo isso está protocolado e certamente no devido momento será denunciado".
Vale a pena ler na totalidade.
O que concluo é que um dos 2 está a mentir sobre a situação real do clube. E se quem mente é a actual Direcção isso é gravíssimo, porque abona a favor daqueles que acusam este negócio de ter como objectivo interesses imobiliários alheios ao Sporting.
Finalmente, DC diz que vai à AG e que aí apresentará um proposta.
Reflictamos, então, acerca da seguinte, plausível, hipótese:
DC apresenta a sua proposta e ela ganha.
Não vendo a sua proposta aprovada, e admitindo que mantém a palavra dada (quanto a isto DC diz de FSF que "ele já deu uma pirueta, por que razão não há-de dar outra?"), FSF demite-se e provoca eleições antecipadas.
Quem me diz que nestas não é eleita uma Direcção cuja estratégia não coincide com a proposta de DC (este diz que não é candidato, mas também não diz que não se vai candidatar).
É que por esta metodologia se estão a definir linhas estratégicas num processo separado de quem as porá em prática, o que é manifestamente errado e pode dar em trapalhada; com as voltas que a vida dá, não coincidindo os tempos das duas escolhas, pode muito bem vir a ser eleita uma Direcção que tenha um programa não coincidente com os que agora nos irão ser postos à consideração.
Tudo isto vem reforçar a ideia de que aquilo por que nos devemos bater é pelo processo correcto de fazer as coisas: eleições antecipadas, quem tem projectos a apresentar que os apresente, os sócios votam, escolhendo um projecto ao mesmo tempo que escolhem quem o propõe para o ponha em prática.
Por uma nova Direcção de sportinguistas competentes e com projecto credível.
ELEIÇÕES JÁ!

Novo membro

Saudações ao novo membro do King Lizards. Bem vindo Raul.

Dias da Cunha de novo

Ai está uma nova entrevista de Dias da Cunha a ler também, absolutamente. Algumas rectificações e um alerta intrigante no final, respeitante à possibilidade de FSF se candidatar mesmo que a sua proposta perca: "Ele já deu uma pirueta, porque razão não há-de dar outra?..."
Uma questão que deve merecer ponderação pois tem consequências no que respeita à estratégia a adoptar na Assembleia.
Foi pena Dias da Cunha não ter procurado o apoio dos sócios, não ter denunciado na altura certa tudo o que vem denunciando desde há tempos e ter preferido afastar-se, nas circunstâncias que todos conhecemos. Creio que muita da névoa que hoje encobre a vida do Sporting estaria dissipada.
Para os sócios (para alguns, claro) fica também um alerta: a arma do "lenço branco", do assobio e do insulto soez deita tiros pela culatra...

ELEIÇÕES JÁ! (1)

O chamado "Projecto Roquete" (PR), ao pretender que o Sporting não estivesse dependente da "bola na trave", preconizava a existência de bens que, correctamente explorados, haveriam de proporcionar receitas que ajudassem a financiar as equipas de futebol.
O que, de facto, se passou foi bem diverso.
Por um lado, ao fazerem-se as infra-estruturas desportivas (estádio, Academia) sem capitais próprios, ficou o Sporting a ter de pagar juros anuais de muitos milhões de euros.
Por outro lado, as sucessivas, desastrosas, gestões foram conduzindo o Sporting à actual situação económico-financeira:
Ao venderem-se os terrenos do antigo estádio não se acautelou a obrigatoriedade de construção imediata e o resultado é que o estádio ficou implantado no meio do nada e com um baldio a um dos lados;
Nestas condições o Alvaláxia, de fun center que era para ser, transformou-se num nightmare center para os sportinguistas, pois, sendo um enorme flop comercial, em vez de gerar receitas é mais uma fonte de despesas;
O bingo, bóia de salvação de tantos clubes, é no Sporting mais uma dor de cabeça que nos limpou 630.000 € só no último ano;
As modalidades, que deviam ser auto-suficientes, continuam a dar generosos prejuízos;
A Academia contribui para a desgraça, soube agora pelos jornais, com mais 2,5M;
Nos jogadores que comprámos (a maioria deles nem sequer joga no Sporting) custou-nos mais 1,2M que os que vendemos (sem contar com os reforços de Inverno), o que quer dizer que, se estivéssemos a jogar com o Roca e o Enak ainda tínhamos poupado 1,2M;
Etc., etc..
Na sequência de todos estes insucessos (e a enumeração está longe de ser exaustiva, mesmo falando apenas do que é público) houve que negociar com a Banca a enorme dívida acumulada. Foi assim que o Sporting ficou na mão dos bancos, aceitando condicionar o reforço da equipa de futebol à cláusula (esta sim, leonina) de ter de realizar 5,5M todos os anos; o que se traduz em só se poder adquirir reforços se se vender acima deste montante e só na medida da diferença. Mas a gestão tem sido de tal ordem, que nem mesmo os compromissos assumidos são cumpridos e, em 2005, não só não se abateu os tais 5,5M à dívida, como, como escrevo acima, ainda se gastou mais 1,2M.
Mais tarde ou mais cedo isto tinha de ser pago, mas lá há a chatice dos estatutos e de ter de levar a coisa à Assembleia-geral. Portanto, lá tem a Direcção de vir convencer os sócios de que depois da venda do património é que vai começar a nova vida do Sporting e finalmente vamos aceder aos amanhãs que cantam. Como se não tivesse nada a ver com o passado desastroso que provocou esta situação.
Ora, esta Direcção resulta de sucessivas cooptações, muitos dos dirigentes no activo assinaram por baixo as sucessivas decisões deste processo e não pode pretender lavar as mãos da parcela de responsabilidade que tem no desenvolver do mesmo. Não serve de atenuante o argumento de FSF de que não participou nas decisões entre Junho e Dezembro de 2005 e que, portanto, não tem responsabilidade no acordo com os bancos.
Em conclusão, esta Direcção não dá quaisquer garantias de gerir bem a massa monetária gerada por uma eventual venda de património.
Esta é uma questão.
A outra prende-se com a questão da venda do património não desportivo (VPND), que é aquilo que presentemente foi posto à discussão e que constitui o único ponto da ordem de trabalhos da AG de dia 17. É uma questão que se traduz na abdicação de uma das componentes do PR, a saber, a que se referia à exploração de componentes não desportivas para obter dinheiro para financiar a parte desportiva.
Quanto a isto a minha posição é de que se chegou a uma situação de facto em que a venda é inelutável. Porquê?
Em primeiro lugar porque assim como os sapateiros não se devem pôr a tocar rabecão, também os gestores de empresas de desporto não se devem pôr a gerir centros comerciais, bingos ou clínicas médicas. Não me custa nada a acreditar que tenha havido incúria e inépcia dos dirigentes, as quais devem ser esclarecidas; mas o ponto central desta questão é que Roquette se enganou ao considerar que era desejável incluir estas valências num grupo empresarial do Sporting. Existem entidades especializadas para a gestão seja de áreas comerciais seja de clínicas e, manifestamente, tal não é o caso do Sporting.
Depois por causa da situação financeira que a própria Direcção agora nos apresenta em números assustadores, ao mesmo tempo que nos revela que, para obter financiamento dos bancos, com estes acordou uma série de regras de gestão. Que não estão a ser cumpridas, o que pode levar a uma denúncia do contrato por parte dessas entidades; o que conduziria o Sporting a uma situação de insolvência, a curto prazo.
Por mais que custe a quem não consegue ver estas coisas desapaixonada e racionalmente FSF tem razão quanto à necessidade da venda de PND para a sobrevivência do clube. (Ver, a propósito, aqui).
A minha posição é exactamente a oposta da expressa por "Violino" , que diz discordar da proposta de FSF, mas que, se calhar, lhe vai dar o voto; eu acho a proposta de FSF boa, dum modo geral, mas não tenho confiança nele para gerir os fundos resultantes da sua implementação e, portanto, não lhe darei o meu voto.
Espero é que entretanto se apresente um candidato que não traga consigo, nem o lastro dos últimos 10 anos de incompetência (com suspeitas de aproveitamento pessoal da parte de alguns dos intervenientes), nem nódoas no currículo como a pertença ao pior dos elencos directivos do clube (Abrantes Mendes), nem a manifesta incapacidade pessoal para o cargo, como Dias Ferreira.
Na minha opinião aquilo em que se deve centrar a discussão é o timing da venda e quais os bens a incluir nela (tenho dúvidas quanto ao Health Center, mas não possuo informação suficiente). A discussão não deve, pois, ser colocada no plano de ser ou não favorável à venda – é para este contexto que FSF e a sua Direcção nos querem empurrar – mas sobre quando, e sobretudo quem é que procederá a essa venda e gerirá o seu produto.
Se, como sugerem alguns, a coisa traz água no bico e o que se prepara são negócios escondidos a favor de interesses imobiliários estranhos ao Sporting, o que temos a fazer é estudar uma táctica em relação à AG de 17.
O ponto único da AG de 17 consiste em «deliberar sobre alienação de imóveis não afectos a uso desportivo do Clube, designados por Edifício Visconde de Alvalade, Alvaláxia, Health Clube e Clínica, que corresponderão, após outorga da escritura de constituição da propriedade horizontal, às fracções "D", "G", "C" e "F" do denominado Complexo Multidesportivo do Sporting Clube de Portugal "Alvalade XXI"» (ver aqui).
Penso que a posição correcta a tomar deveria ir no sentido de fazer adiar a decisão sobre a tal alienação para depois de eleições, as quais deveriam ocorrer tão depressa quanto possível.

sábado, 11 de março de 2006

Entrevista de Eduardo Bettencourt

A ler absolutamente. Muita coisa fica por perceber, mas muita coisa fica também esclarecida.
Uma coisa que fica completamente clara é que nem este, nem nenhum dos outros dirigentes da era Roquette e pós-Roquette, são responsáveis pelo fosso em que o Sporting mergulhou. A culpa anda sempre por ali misturada numa bruma difusa. A culpa é sempre não se sabe bem de quem. Pois se havia rigor, havia auditorias, havia plafonds precisos, não é? Bom, o certo é que acabou tudo num trambolhão dos 277 milhões...
Tudo terá, se calhar, acontecido por magia!! Ou talvez por culpa dos sócios...
Se foi magia, quem foi então o ilusionista que se lembrou de montar um projecto que estava, comprovadamente, muito para além das possibilidades do Sporting, arrastando milhares e milhares de sócios e simpatizantes do Clube para essa miragem??!!!
Mas, por outro lado, se esta actividade só dá prejuizo e é o sorvedoiro que toda a gente diz que é, porque é que andam tantos bancos, notórias empresas e demais instituições variadas atrás dela??! Porque se dedicam a ela tantos figurões que dela só se queixam? O que raio é que se passa com o futebol?!! O que raio se passa concretamente com o Sporting??!!!
A tudo isto Bettencourt diz nada. Uma desilusão, este dirigente que até gozou de alguma margem de manobra e suscitou uma certa expectativa...

Fui eu?!

Ficámos a saber oficialmente a origem do tal famigerado défice.
Segundo o comunicado, o Sporting Clube de Portugal...
- deve cerca de 237 M€ directamente aos Bancos
- tem mais uma responsabilidade relativa ao leasing da Academia (10 M€),
- outra relativa ao empréstimo obrigacionista na Sporting SAD (18,5 M€)
- e deve cerca de 12 M€ a fornecedores.
O passivo total ascende assim, segundo o comunicado, a 277 M€.
Duzentos e setenta e sete milhões de euros...
A pergunta que vos faço é a seguinte:
Fui eu que contraí estas dívidas?
Não fui, asseguro-vos.
Então, independentemente do cumprimento dessas obrigações, na qualidade de associado sem qualquer responsabilidade neste escandaloso passivo, exigo:
1- Que se explique claramente quem é, ou quem são os autores deste desastre para que reparem e sejam penalizados pela situação que criaram ao Sporting, e que
2- Que seja elaborada uma proposta de alteração dos Estatutos para a criação de um mecanismo que previna a ocorrência de situações semelhantes no futuro.
Tão simples como isto.
Quem não foi responsável pelos 277 M€ levante o braço!!!

sexta-feira, 10 de março de 2006

Já temos alternativa!

O presidente interino FSF referiu-se ao défice daquela agremiação (cujo nome nunca consigo recordar...) ali em frente do C.C. Colombo, em declarações proferidas salvo erro ontem, dizendo que era superior ao do Sporting. Presume-se que a lógica dele seria: se a referida agremiação é maior que o Sporting, o seu défice também deve ser...
Estas declarações suscitaram uma reacção (que eu escutei ainda há pouco na TSF) da parte do presidente da referida agremiação que depois de disponibilizar um pavilhão para a realização da nossa AG, negou veementemente que o défice tivesse a proporção que FSF afirmava que tinha, chamando-lhe demagogo e dizendo que eles não querem servir para promover ninguém.
E, animado seguramente pelo previsível encaixe que vai fazer com a próxima eliminatória da Liga dos Campeões, disse mais: que se ele (FSF) tivesse dificuldade em resolver o problema do défice do Sporting (um problema que, segundo o presidente da referida agremiação, é de fácil resolução) eles lhe ensinavam como se diminuem os défices.
Ora toma lá!
Há por aí uns companheiros nesta aventura que se chama Sporting Clube de Portugal que têm dúvidas sobre o facto de não terem surgido alternativas ao "programa" de FSF...
Pelos visto há alternativas!
Nós é que andamos enganados...



PS- Vejam aqui as declarações que vale a pena...

A venda a partir das 14h


Aqui há umas três semanas fui comprar um bilhete para um amigo, sócio e detentor, como eu, de Lugar de Leão. Fui munido do cartão que ele me deu para o efeito. Quando cheguei à bilheteira o funcionário informou-me que aquele lugar já tinha o bilhete adquirido. Intrigado com o mistério telefonei-lhe e concluimos que o cartão dele ainda era o antigo. O número não estava actualizado e, portanto, o detentor do antigo número dele já teria adquirido o seu bilhete. O meu amigo espumava do outro lado e tentava transmitir-me a justificação para não ter o novo cartão: tinha-o pedido em Setembro --em Setembro!-- e ainda não o tinham mandado! Estávamos em Fevereiro... De resto, durante todo este tempo tinha comprado os seus bilhetes sem problemas com o cartão antigo.
Fácil, julguei eu... Bastava o funcionário introduzir o nome dele e facilmente se saberia o novo número. Engano, explicou o funcionário, ele não tinha acesso à base de dados dos sócios (?) e eu teria de ir à secretaria pedir um papel com o novo número. Expliquei ao meu amigo que não podia ir à secretaria, enquanto, simultaneamente, tentava perceber do funcionário porque é que ele, numa bilheteira do Estádio de Alvalade, não tinha acesso à lista de associados do Clube e não podia, ele, verificar o novo número de sócio. Respondeu-me a criatura que não tinha, e pronto! Era assim...! O meu amigo do outro lado, dizia-me "deixa estar, se é assim não vou!" E não foi!
Hoje, fui comprar um bilhete para mim. Chegado à mesma bilheteira, aberta mas sem ninguém lá dentro, deparei com uma fila já de tamanho avantajado. Estranhei. Pensei, o funcionário foi à casa de banho... Também tem direito. De repente alguém surge por trás do vidro. Era, por acaso, o mesmo funcionário do episódio anterior. Deu umas pancadinhas no teclado do computador, encolheu os ombros e afastou-se outra vez. Nesta altura já a fila tinha um tamanho mais respeitável. As pessoas entreolhavam-se, intrigadas e naturalmente incomodadas. Ao fim de uma meia-hora (pela minha saúde!) o funcionário apareceu de novo. E lá se dignou então informar o pessoal que havia um problema com os computadores e que só ao fim da manhã poderiam começar a vender os bilhetes. De seguida, as pessoas começaram a dispersar, murmurando insultos entre os dentes. Tinham passado mais de 45 minutos com isto tudo. Para alguns, que já ali estavam quando cheguei, seguramente, mais.
Eu, pelo meu lado, fui fazer outras coisas que tinha de fazer e voltei ao "fim da manhã" para me deparar com a bilheteira encerrada e com o cartaz que a foto mostra...
Resultado: "por motivos informáticos" não vou ao jogo!
Não é por mais nada... é que não admito ser tratado assim por ninguém, em qualquer circunstância, sobretudo quando sou eu a pagar...
Para aqueles que acham que o Sporting mudou muito nestes últimos dez anos, fica este testemunho do que é um clube movido ainda a carvão... Noutras paragens e em clubes a sério, os detentores de lugares especiais e os adeptos comuns podem adquirir os seus bilhetes através da internet e até através das máquinas do Loto, em qualquer vulgar tabacaria. O Sporting não! O Sporting encontrou a sua via. Original, sem dúvida. Talvez devido ao facto de o Clube andar ainda movido a carvão, tudo se processa, em plena era digital, de uma forma, digamos, mais compassada, mais artesanal, mais caseira, mais pão com manteiga...!
Enquanto esperava da primeira vez, recordo-me de me ter perguntado o que levaria aquele grupo de pessoas, no qual me incluia, a estar ali, numa situação tão desagradável de espera e de desconforto (frio e ventania).
Há motivos para a gente se aguentar tenazmente numa fila para comprar um bilhete para a bola. Mas também há motivos para dizer: Não!!
O problema não é, infelizmente, pontual. É o resultado de dez anos de gestão ineficiente e feita apenas para deitar poeira para os olhos, cujos resultados agora se revelam perante nós.
A leviandade que leva os actuais responsáveis a tratar a clientela desta forma será a mesma, certamente, que os levará a pretender vender o Sporting a retalho...
Os associados que se lixem!!
(Mas vou à Assembleia!!!!!)

quarta-feira, 8 de março de 2006

Estamos esclarecidos...

As "sessões de esclarecimento" levadas a cabo pela direcção a propósito da proposta de venda de património não constituem um modo sério de esclarecer o que quer que seja.
Na prática, e no plano estritamente formal, apenas têm o efeito de apequenar a Assembleia Geral.
Repito o que disse noutra ocasião: a condução deste processo tem sido um autêntico desastre desde o primeiro momento e estas "sessões" são disso mais um elemento de prova.
Mas, fico, naturalmente, muito apreensivo com a situação do Clube que nos é descrita.
Percebo, pelo quadro que se consegue adivinhar (a gente não sabe ao certo não é? Isto são apenas conjecturas...) a necessidade de encontrar formas de sanear financeiramente o SCP. A situação, se calhar, está mesmo de aflitos. Mas, o problema que, no meu entender, requer solução não é o da presente situação financeira, mas o quadro organizativo do clube.
Digo isto por duas ordens de razões:
1- Porque se as alternativas à venda de património não são claras, as garantias de boa gestão das eventuais receitas extraordinárias (expressão que tem tonalidades deprimentes...) são ainda menos claras. Ora, não foram estas criaturas que actualmente gerem o Sporting as mesmas que geraram a situação presente? E são estes os mesmos que agora vêm reclamar a venda de património?! Que garantias teremos nós de que as receitas vão passar de súbito a ser bem geridas se, comprovadamente, não o foram no passado?
A actual direcção fala de ausência de alternativas, mas também não aponta uma única medida de carácter estrutural para sustentar uma operação delicada como é esta da venda de património. Nenhuma medida que dê garantias de que tudo isto não volta a descambar no futuro. A proposta do FSF & Cia parece-nos, assim, magrinha. E, neste estrito sentido, o esclarecimento não esclarece nada.
2- Por outro lado, a questão central é, para mim, a de que com a solução preconizada teremos com única garantia (desejada ou colateral): a de que a responsabilidade das personalidades que tomaram conta do Sporting desde há mais de 10 anos vai ser branqueada.
É ou não legítimo que os Sportinguistas exijam o apuramento de responsabilidades pela situação que actualmente se vive e que cobrem as expectativas que foram criadas aos associados há cerca de dez anos? Chegar a este ponto crítico da vida do Clube, ter de vender património para tapar buracos --depois de, recorde-se, nos ter sido prometido o céu--, e não submeter os dirigentes, actuais e passados, a um processo de prestação de contas, não me parece ser um caminho minimamente credível.
Penso que só a criação de mecanismos de responsabilização pelos actos de gestão e o fim da impunidade vigente poderá dar maiores garantias de que isto não volta a acontecer e tornará aceitável a adopção de medidas excepcionais como a venda de património.
Tomada a seco esta solução é inaceitável.
Em resumo: venda de património que não seja acompanhada de medidas estruturais de alteração do presente quadro organizativo do Clube constitui MAIS DO MESMO! E tratar-se-ia de uma medida avulsa que, certamente, conduziria, mais tarde ou mais cedo, a uma situação semelhante, ou mesmo mais grave, já que a margem de manobra se vai estreitando.
Precisamos de mudar os Estatutos!
Preconizo a criação de mecanismos para uma política de gestão do Clube que seja eficaz e aceite por todos, e a responsabilização dos autores do actual buraco.
Quanto à forma de tudo isto ser levado à pratica é assunto que fica para outro episódio...

segunda-feira, 6 de março de 2006

Carlos Martins

Entre AG's, sessões de "esclarecimento" e vitórias categóricas do Sporting lá vamos observando a formação de mais um tornado no horizonte...
O episódio "Carlos Martins" ameaça tornar-se mais uma daquelas situações em se adivinha desorganização, lutas de poleiros, tergiversações e vulnerabilidades inaceitáveis. Vulnerabilidades que os nossos adversários costumam depois tão bem explorar...
O que se passa com o Carlos Martins afinal? Não se percebe porque é que o folhetim começou, porque se arrasta, e porque é que não se conhecem reacções e explicações claras.
Assim se evitariam inúteis e desgastantes sururus no futuro...

sexta-feira, 3 de março de 2006

O sapateiro e a chinela

Não, não me esqueci que temos um problemazinho ainda por resolver...
Há, em princípio, uma Assembleia Geral marcada. Nunca se sabe mesmo até à hora, não é? Mas, em princípio, haverá uma AG.
Para os mais distraidos, para os "politicamente correctos" e para os que são sensíveis à argumentação da actual direcção e dos seus seguidores (a única que se ouve) chamo a atenção: a forma como, desde a demissão do Presidente Dias da Cunha, todo o processo subsequente tem vindo a ser conduzido é um desastre em toda a linha!
E quero-vos deixar, com toda a sinceridade, um aviso: mesmo que a solução proposta por esta direcção fosse boa (e estamos a anos luz de distância de o saber com rigor), esta gente que teve a arrogância de pensar que poderia vir a dirigir o Sporting Clube de Portugal revela uma total incapacidade para a implementar.
Senão vejamos... Não conseguiram prever uma solução para a AG que permtisse enfrentar as ocorrências imprevistas que tiveram lugar. Não conseguiram conduzir a AG de acordo com os mais elementares princípios de funcionamento democrático. Anunciaram no espaço de poucas horas duas datas para a nova AG. Recuaram, anunciando que afinal optariam pela demissão e por eleições. Recuaram novamente acabando por marcar afinal a AG para 17 de Março, sem que esteja definida sequer, nesta altura e nas circunstâncias particularmente delicadas em que ela vai decorrer, nem a hora nem o local. A confusão é total e o sentimento de insegurança quanto às reais capacidades de toda esta gente para dirigir o Clube cresce à medida que se sucedem novos episódios desta verdadeira telenovela.
Reparem que não estou aqui a falar de questões subjectivas. Não estou a falar, por exemplo, na opacidade, dir-se-ia, deliberada de todo este processo. Nem estou, sequer, a queixar-me do sentimento de enorme revolta que me está a roer desde há muito pela forma verdadeiramente miserável como os cidadãos Sportinguistas e o orgão soberano do Sporting Clube de Portugal que é a Assembleia Geral estão a ser tratados por estes cavalheiros... Disso nem falo! Estou-me a cingir aos factos.
Fosse ele um indivíduo com perfil para ocupar este lugar e Filipe Soares Franco já teria vindo demonstrar, inequivocamente, a todos os associados que tem unhas para tocar esta guitarra. Que o "projecto" que propõe está ao alcance das suas capacidades reais. Ora, se a apreensão era grande quanto à real dimensão destas suas capacidades, agora face aos factos que todos podemos apreciar, é total.
A verdade é que as mudanças de rota e os erros primários cometidos por estes dirigentes são por demais evidentes para que pudéssemos estar tranquilos, mesmo que quiséssemos muito.
Não se iludam: se me meterem um microfone à frente, me puserem maquilhagem, me vestirem com umas gravatas vistosas, arranjarem uma luzes brilhantes, um cenário sugestivo e me derem tempo de antena suficiente, também eu vou à televisão expor as soluções mais mirabolantes para o SCP e causar alguma agitação. A questão que todos levantariam era, muito justamente, a da minha capacidade para as levar à prática.
Analogamente, a questão que está, verdadeiramente, em aberto neste momento é a de saber se, face aos factos concretos que todos podemos constatar, o Grande Projecto de Soares Franco alguma vez poderia ser dirigido... por ele.
O melhor mesmo é que o sapateiro não vá além da chinela...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Alteraçao nos Estatutos do SCP

Os Estatutos do SCP são omissos no que respeita ao modo como deve decorrer a direcção do Clube, quando sucede uma qualquer anomalia ou interrupção nos ciclos normais. É o caso que resulta da demissão da Direcção anterior.
Não estão definidos limites claros de actuação da Direcção interina e não estão, sobretudo, definidos prazos para a transição entre a condição de interinidade e a fixação de novas eleições. Não está definido o que é um mandato para cumprimento de exclusivo de acções de gestão corrente, um mandato necessariamente transitório e de curta duração, e o que é um mandato outorgado para cumprimento de um programa eleitoral. As consequências estão à vista.
A falta de clarificação dos Estatutos nestas matérias permite que as Direcções em exercício se possam "internizar", ou seja, passar de internas a eternas, praticando actos e comportando-se de forma que viola, claramente, princípios da democracia.
Imaginemos um cenário em que, por exemplo, uma direcção de gestão fosse adiando a marcação de eleições e ao mesmo tempo fosse promovendo a implementação de um programa eleitoral antes de haver eleições, invocando, ainda por exemplo, uma pretensa ausência de alternativas. Um cenário em que, em vez de promover o aparecimento dessas alternativas e assegurar o processo eleitoral, marcando eleições num prazo técnicamente aceitável, fosse criando mecanismos para a sua auto-perpetuação no poder...
Ninguém toleraria uma situação destas, não é?
Atentem, pois, então no que se passa no Sporting Clube de Portugal e reflitam...

Nao percamos tempo: eleiçoes ja!

Face ao desastre que, sob todos os pontos de vista, foi a frustrada Assembleia Geral de ontem (que, de resto, já partia de pressupostos desastrosos!) e face ao previsível desastre que vai ser o desfecho da próxima, manda o bom senso que se passe já à marcação de eleições.
Obrigar os sócios a mais um exercício de dilação, que adie o inevitável é (mais) uma prova de desrespeito a que esta direcção interina pretende sujeitar os Sportinguistas. E a mais esse exercício deveríamos ser poupados. Todos beneficiariam. A começar pela tesouraria do clube...
Não vale a pena, creio, explicitar de forma detalhada todas as razões que me levam a propôr isto. Mas, vale ainda assim a pena lembrar que face à demissão do anterior Presidente eleito, o presidente interino deveria ter marcado eleições, não apresentar e tentar sufragar um programa eleitoral. Tudo o que se passar depois disto não passa de um abuso.
E se há algo que caracteriza a actuação desta direcção interina é mesmo a palavra abuso. Abuso, acompanhado de tendência para o desastre, prepotência e incompetência face aos quais devemos todos, serenamente, gritar basta!
O que se está a passar no Sporting é mau demais para podermos continuar assim por muito mais tempo. O nosso Clube é outra coisa que não isto que hoje temos perante os nossos olhos...