quarta-feira, 1 de agosto de 2007

domingo, 29 de julho de 2007

Golden Whistle

O árbitro da NBA Tim Donaghy estará envolvido num caso de viciação de resultados. Existem fortes suspeitas de que estejam também envolvidos teinadores e mesmo jogadores neste caso que está a causar enorme escândalo.
A NBA tem sido apontada muitas vezes como exemplo de organização desportiva e alguns ingénuos sugerem que o modelo seria aplicável a outros desportos e a outras latitudes. A NBA é de facto uma máquina!
Imagino o que aconteceria se em Portugal, por exemplo, o modelo pegasse. E tendo em conta o carácter (quase) familiar da organização da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e as dificuldades pelas quais, mesmo assim, tem passado a investigação do caso Apito Dourado, imagino o que aconteceria se a família deixasse o estatuto amador e se profissionalizasse! Aonde chegaria o ouro do apito...
Claro que não estou a defender a família. Preferia era outra organização que nos blindasse contra apitos, amadores ou profissionais...

Condenável

O que se passou no "amigável" Leixões-Guimarães não pode deixar de ser veementemente condenado. Esperemos que o assunto seja agora exemplarmente sancionado por quem, neste caso, tem autoridade para o fazer. Nem o Leixões, nem o Guimarães, nem, sobretudo, o futebol português precisam destas manifestações de "trogloditismo".

Primeiras impressões

Uma nota rápida sobre o "jogo de apresentação" do Sporting 2007-2008. Estou em crer que o carácter meio embaciado e pobretanas da "organização", a confusão e o evidente improviso na escolha da equipa adversária e o fraco espetáculo desportivo proporcionado não constituem indicadores do que se vai passar no resto da época. Mantenho o meu optimismo intacto. Vamos pensar que foi o calor o responsável por esta omoleta cheia de salmonelas que acidentalmente nos foi servida... Ai se a ASAE sabe disto!
O novo lateral esquerdo Maryan Had é que já não foi a tempo de participar em tão solene "cerimónia". Mas, já cá está!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Hoje há visão estratégica à Portuguesa

É conhecida a cega sanha persecutória que, de repente, se apoderou do Estado em relação ao futebol. De um "Estado dentro do Estado" que o futebol era, passou-se (passa-se), subitamente e sem que nisso consigamos vislumbrar qualquer intenção estratégica, à fase do "disparar sobre tudo o que mexe!"
Ainda relativamente à transferência do Simão, deixem-me propôr-vos aqui um ponto de vista que contrasta vagamente com aquela que o Black Mamba expôs ontem nos seus Venenos.
Como se sabe, a base de incidência fiscal das remunerações dos futebolistas vai sofrer alterações. O seu valor passará a atingir os 100% (se esquecermos os inúmeros impostos indirectos...) das remunerações auferidas pelos atletas contra os actuais 60%. O objectivo é o de equilibrar o regime fiscal dos jogadores de futebol profissional com o dos restantes contribuintes.
O motivo parece virtuoso, mas, na verdade, estamos perante uma farsa.
O futebol profissional é uma actividade que vive sobre brasas. As dificuldades financeiras dos clubes são conhecidas. O "mercado", como é sabido, encolhe. Os estádios esvaziam-se, as receitas diminuem, há "produto" mas não há vendas e, sem vendas, é dificil manter a porta aberta. Para alguns, como é sabido, a solução é mesmo fechar a porta. O futebol profissional lá vai tendo de inventar mil e uma maneiras esfarrapadas para se ir desenrascando. A Liga revela ser um organismo incapaz de influenciar de forma séria e decisiva o devir destas coisas, mas isso é tema para outra conversa...
O que faz o Estado perante este cenário de debandada e dificuldades?
Aumenta essas dificuldades e promove a debandada! É isto e mais nada que vemos desde que o Estado entendeu meter aqui o bedelho.
Mas, pendura-se de forma absolutamente vergonhosa e indigente no futebol, quando lhe convém, projectando uma ideia de redenção e uma imagem de inocente anjo protector. Ambas falsas. Não é só a indústria futebolística que beneficia de regimes fiscais especiais, mas não vemos o Estado pendurado nas "tribunas" das outras indústrias. Estou certo que nem os seus dirigentes o permitiriam...
Quando vemos uma luminária qualquer pendurada numa tribuna de um qualquer estádio a assistir, emproado e majestático, a um jogo da Selecção, vemos um parasita que beneficia de uma situação que não ajudou a criar. Ou melhor: que ajudou a criar pela negativa e que na realidade está a minar. As selecções, a Federação & compadres são um logro a quem os clubes se vêem obrigados a pagar o dízimo.
O caso dos políticos que assistem a jogos de clubes, esse então deveria ser, na minha opinião, objecto de intervenção do Ministério Público...
A alteração do regime fiscal dos jogadores não resolve o défice das contas do Estado, rouba margem de manobra ao futebol nacional e vai contribuir, estupidamente, para aumentar as dificuldades de uma actividade doente, mas que revela um raro vigor e louvável resiliência no quadro geral da economia portuguesa. Neste seu labor igualitário o Estado está a dar tiros no pé, tiros que ricochetam por todo o lado. A transferência de Simão também tem, pois, de ser vista à luz desta lógica. Como a de Ricardo! De uma assentada perdemos dois jogadores de selecção para Espanha. E depois há quem ache que é o Saramago que não é patriota...
Se alguma coisa os virtuosos do Santo IRS conseguem com tudo isto é perder receita. O estado espanhol, o inglês, o alemão, etc, etc, agradecem. Mas, não retribuem...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Venenos 27

Diz-se que Simão não gostava das camisolas novas. Diz-se que terá ficado perturbado com aquela montagem fotográfica que andava a correr aí pela net. Chorou. Diz-se que a malinha de mão, em especial, o terá deixado profundamente transtornado e que mais transtornado ficou quando soube que o acessório vai mesmo fazer parte do equipamento oficial. Chorou. Diz-se que terá exigido ao comendador Vieira a dispensa de usar o dito acessório. Diz-se que Vieira lhe terá gritado "-A malinha é para vocêses todos usarem, ou então andex!!" Chorou. Diz-se. E foi-se.
Diz-se ainda que esta transferência não passa afinal de uma manobra destinada a levá-lo para o Porto.

domingo, 22 de julho de 2007

Apontamentos do jogo contra o Lille

O guarda-redes

Não me tinham convencido, nos extractos de vídeo que vira, as actuações de Stojkovic (exceptuando a soberba exibição contra Portugal em 2006): estático e com fraca capacidade de reacção às contrariedades. Neste jogo e nos lances que vi contra o Guimarães pareceu-me rápido de reflexos e bom entre os postes, bem como a jogar com os pés. Também Rui Patrício, na sua inexperiência, parece vir a confirmar as esperanças que se depositam nele.

Os centrais

Polga, ultrapassados problemas disciplinares (que nunca mais se manifestaram), é um esteio da defesa (e agora, quanto a mim assisadamente, promovido a segundo capitão). Mas a boa notícia é Gladstone, que me pareceu um jogador com bom posicionamento e poder de antecipação, embora ainda sem confiança para construir jogo; a bola queima-lhe nos pés e ele despacha-a sem cerimónias, ou desfaz-se dela para o companheiro mais próximo.

O médio defensivo

Paredes voltou a não me convencer (embora pareça com mais vontade que na época passada) e Miguel Veloso, com falta de ritmo, complicou lances e perdeu bolas. Outra boa notícia veio de Adrien, que joga com grande à-vontade e habilidade e tem bom jogo posicional; no entanto desapareceu do jogo quando passou a médio direito (mas, mesmo nesta posição, poderá progredir muito).

A linha média

Fiquei convencido de que não irá ser difícil que este sector se apresente mais consistente que no ano passado: Romagnoli e, sobretudo, o grande João Moutinho (agora, merecidamente apesar da sua juventude, capitão de equipa) estão mais maduros e experientes e Simon Vukcevic deu alguns bons apontamentos, marcando um golo (embora muito consentido pelo guarda-redes contrário).


O ataque

O inevitável Liedson aparece possuidor de todas as características que fizeram dele um jogador imprescindível. Marcou dois golos em remates com o pé esquerdo, o primeiro de excelente execução (um tiro muito forte e indefensável) e o segundo fazendo uso de uma das características que o tornam um jogador de excepção, roubando a bola ao guarda-redes (este, se conhecesse Liedson, sabia que era muito perigoso tentar uma finta sobre ele). Derlei, embora neste jogo mais esforçado, continua a não me convencer. A novidade táctica está, contudo, na entrada de Purovic. Este tem 1,90m e a equipa tenta com ele o jogo directo: bola bombeada dos centrais ou do guarda-redes (como já disse Stojkovic evidenciou-se neste pormenor), o calmeirão dá-lhe de cabeça (na segunda parte, ou por já estar mais cansado ou porque os adversários fizeram melhor a cobertura, deixou de ganhar as bolas de cabeça) solicitando a irrequietude de Liedson. Esta jogada valeu o primeiro golo do Sporting. Sem que possa ser um sistema recorrente (tem de haver muito mais variedade de processos) a presença de Purovic, acrescenta esta possibilidade, que pode ser útil em certos jogos, ou em certos momentos do jogo.

Os laterais

Deixei para o fim este sector da equipa, por me parecer que é o mais problemático. Sendo Abel um jogador relativamente seguro, é o único disponível para preencher o lado direito da defesa. Mas o problema é ainda maior à esquerda: tanto Rony como André Marques não têm (pelo menos por agora) classe suficiente para o jogo do Sporting. Rony não tem velocidade. Mas poderia compensar isso com uma boa colocação no terreno e inteligência a ver o jogo (como era o caso, por exemplo, de Rui Jorge); ora o jogador não possui nem uma nem outra destas capacidades e, não raramente, vêmo-lo a correr atrás dos adversários, por não prever contra-ataques e se ter adiantado excessivamente em certos momentos (como noutros pode, despropositadamente, ter ficado atrás). André Marques pode vir a dar um bom lateral, mas não tem ainda um jogo convicto, parecendo receoso, tímido e com falta de determinação.

Em conclusão

O plantel não pode ainda estar fechado, se quisermos fazer uma época em que nos possamos bater pela vitória no campeonato até ao fim e passar a primeira fase da Liga dos Campeões.
É preciso contratar um defesa esquerdo, pelo menos.

Venenos 27

Os jornais noticiam hoje que a Torre Burj do Dubai é já o edifício mais alto do mundo, apesar de ainda faltar construir qualquer coisa como quase 300 metros. Depois de terem tido conhecimento da notícia, consta que os comendadores Berardo e Vieira se reuniram de emergência com o objectivo de lançar a construção, no Seixal, de uma nova torre, mais alta ainda que a Torre Bruj. A única condição colocada pelo comendador Joe foi a de que este plano nunca seja descrito pelos serviços de comunicação do clube como um "mega-projecto". Instantes depois de se ter tido conhecimento desta notícia o edifício era já reconhecido como o mais alto do mundo, antes mesmo de se iniciar a construção!
Segundo conseguimos apurar, o edifício --já chamado de Torre Joe do Seixal-- vai funcionar como nova sede do clube e servirá também para albergar os seus 6 milhões de adeptos. Aproveitando a altura, a Torre Joe servirá também para lançar em voos de exercício o milhafre Vitória. A gigantestca torre irá albergar um gigantesco centro comercial com 2500 restaurantes chineses e 6000 "Lojas dos 300".
Finalmente, os adeptos do dito clube, com as quotas em dia, sim, mas em dia não, vão poder lançar-se gratuitamente do alto do edifício em queda livre, sempre que aquele sofra uma derrota.
O Livro Guiness vai lançar uma edição especial sobre este projecto.

sábado, 21 de julho de 2007

Tenacidade, brio e sentido de responsabilidade


O jogo de hoje marca a estreia de João Moutinho como capitão do Sporting. Tudo isto lhe deve parecer um sonho, mas tudo isto é bem real: Moutinho faz parte do plantel principal desde a época 2004-2005, tinha então 17 anos, e torna-se aos 20 anos o mais jovem capitão desde o tempo do mítico Stromp. É um exemplo a todos os níveis. Um exemplo, desde logo, para todos os atletas aspirantes a profissionais de futebol, dentro e fora do Sporting. Mas, é-o, sobretudo, para todos os jovens de hoje, desportistas ou não. Para além do óbvio talento, Moutinho distingue-se pela tenacidade, pelo brio e pelo sentido de responsabilidade que demonstra de forma exuberante. Com Moutinho fica provado que estas qualidades são recompensadas quando exercidas, que a vida não se resume a reclamar direitos e que direitos adquiridos são direitos legitima e duramente conquistados. Para acreditar em tudo isto os jovens só têm de olhar para este exemplo. Os responsáveis dos Sporting fizeram o que deviam e o KL não pode deixar de o assinalar.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Batoteiros e vigaristas impunes

Leiam aqui quem é que beneficiou das trafulhices feitas com as acções do Benfica.
Aquilo é um clube de batoteiros.
Queixam-se muito da batota que o Porto faz com os árbitros dentro das quatro linhas, para verem se passa despercebida a batota que fazem com os negócios da SAD deles, adulterando a sã concorrência.
E, já agora, era bom saber-se onde é que eles foram arranjar grana para comprar jogadores, se não ganharam dinheiro em vendas e a sua gestão é deficitária.

domingo, 15 de julho de 2007

Também acho

Paulo Bento declarou que "não vamos alterar a nossa forma de jogar em função dos reforços." Disse ainda que os reforços foram escolhidos em função da forma de jogar e não o contrário. Francamente também acho que esta questão não deve constituir motivo de preocupação para Paulo Bento. Acredito que não vamos assistir a grandes alterações no modelo de jogo e confio que os novos jogadores foram cuidadosamente avaliados e escolhidos pela capacidade que terão para cumprir o seu papel no contexto desse modelo.
Acho que o problema de Paulo Bento será outro. Se queremos ganhar o campeonato este ano teremos de manter o espírito que dominou a equipa no final da época passada. Não vai ser fácil, especialmente por causa dos reforços, mas é crucial que Paulo Bento mantenha aquela magia que o Sporting demonstrou no final da época. Reafirmo totalmente o que disse aqui há uns tempos.
Quanto às mudanças do plantel em si, apenas lamento profundamente o modo como certos jogadores sairam (não a sua saída!). É pena por vezes os dirigentes também não sairem a custo zero... O balanço que se pode fazer de alterações tão significativas é fraquíssimo e tudo isto apenas denota a grande confusão que por vezes se adivinha na gestão do Sporting. Percebo que a gestão dos activos seja um problema complexo, mas se a direcção da SAD não corrigir o que se passou este ano será um falhanço lamentável, de consequências dramáticas para o futuro do Sporting.
Cá estamos para ver...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Venenos 26


A continuar assim José Couceiro vai acabar a sua carreira a treinar a equipa dos Sub-buteos!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Tello

Tello apanhou vinte-jogos-vinte de suspensão da selecção chilena pela sua participação nos desmandos que ocorreram durante a Copa America. Duas interpretações são possíveis. Ou Tello sempre foi assim e se portava bem no Sporting porque andava com a rédea curta, tão curta que agora, finalmente livre, deu largas à sua verdadeira natureza. Ou passou-se porque a família, insatisfeita com as condições que o jogador actualmente lhe proporciona, o está a pressionar...
Em todo o caso estamos manifestamente perante um caso do foro psiquiátrico.

Purovic

Chegou o novo reforço do ataque do Sporting. Chegou e ainda no aeroporto disse que como não foi para o tal clube de cujo nome eu nunca me lembro, veio para o Sporting (acho que foi mais ou menos isto, o tradutor era quase incompreensível.)
Das duas quatro: alguém se esqueceu de preparar esta chegada, designadamente, de contratar um tradutor à altura, ou ninguém disse a Purovic que aquele nome não se pronuncia sem fazer aquele gesto que quer dizer que estamos prestes a vomitar, ou fez esta afirmação para picar já o adversário, ou Eurico Gomes estava no terminal das partidas à espera dele e já não chegou a tempo de evitar o pior...
Desejo-lhe muita sorte.

As SAD e a Bolsa segundo Belmiro

Belmiro de Azevedo criticou a presença das SAD na bolsa. No quadro actual da organização do desporto o facto de estarem na bolsa parece-lhe estranho. Chamou a atenção para a situação instável das finanças das SAD e disse que não vê o rigor, a transparência e a qualidade na sua governação que a CMVM exige às outras empresas cotadas em bolsa.
A CMVM já se apressou a dizer que as SAD cumprem escrupulosamente as regras a que estão sujeitas as empresas incluidas na bolsa de valores. A gente aliás acredita piamente na CMVM. As SAD não são uma bolsa dentro da bolsa...
Eu já desconfiava que o jogo da bolsa não rimava com o jogo da bola (não rima, estão a ver?) mas agora, com este alerta estou muito mais apreensivo. O mercado é afinal uma realidade virtual e as minhas acções não passam de bytes. E eu que até pensava que ia ficar rico à conta do Sporting!
O engenheiro Belmiro de Azevedo lá foi dizendo também (quem o ouviu...?) que os valores do desporto estão a ser desvirtuados pelos clubes e que a actividade desportiva deixou de ser uma ocupação para ser um emprego. Emprego de curta duração que deixa em maus lençóis aqueles que "pretendam reentrar na vida activa após o fim da carreira."
Que maçada! Nem dividendos, nem valores desportivos, nem passatempo, nem emprego de futuro. Que labéu sobre o futebol!
E Hermínio Loureiro ouviu tudo isto, mesmo ali ao seu lado, e nem pestanejou.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Ricardo


No momento em que escrevo este post não tenho confirmação oficial sobre o futuro de Ricardo. O mais certo parece ser a sua partida do Sporting e do futebol português.
Independentemente de ficar ou não, o Ricardo é um guarda redes que merece uma palavra de elogio. Sei que há leitores do KL que não concordarão comigo, mas na minha opinião é um jogador que vai fazer grande falta ao Sporting e ao futebol português. É triste --e torna todo este processo ainda mais inexplicável-- que por detrás desta saída de Ricardo do futebol português esteja, aparentemente, a questão do aumento da incidência fiscal sobre os ordenados dos jogadores. Tudo isto é triste.
Há qualquer coisa de chocante, de injusto e até de caricato nesta actuação da máquina fiscal em relação ao futebol. Face às dificuldades que o futebol enfrenta actualmente o Estado parece ter encontrado a solução ideal: aumentar as dificuldades.
Lá estarão, certamente, estes ou os governantes que vierem a seguir, pendurados nas tribunas dos estádios para aplaudir os jogos do Ricardo pela Selecção. E os adeptos do Bétis para o aplaudir no resto dos jogos. O Sporting, esse, fica mais pobre.

Os clubes hoje

Apanho por acaso um programa que faz um retrato do que foi o Cannes Lions 2007. Entre as conferências incluídas nesta edição do festival, destaca-se uma de Bobby Charlton sobre o Man. United. Ouço-o dizer perante uma plateia de gente da publicidade que os clubes têm de ser geridos numa perspectiva empresarial. Ouço-o dizer também que a bitola para esta gestão são os adeptos. Ouço-o dizer ainda que no Manchester se trabalha duramente para fazer os adeptos felizes. É por isso, certamente, e não por qualquer outra razão mais ou menos fantasista, que o Manchester é, como se sabe, um dos maiores clubes do mundo. O Manchester United é uma máquina de produção de felicidade.
Os clubes são hoje o que sempre foram: associações de pessoas unidas por um ideal desportivo. Geridas numa perspectiva empresarial ou geridas com os pés os clubes são associações de pessoas...
Tenho muitas vezes a sensação que no Sporting não se trabalha duramente para tornar os Sportinguistas felizes e que estes não são a bitola pela qual se orienta a gestão do Clube. Tenho mesmo a nítida sensação que se os adeptos não desatassem, volta não volta, aos gritos e aos assobios (uns gritos e assobios que significam "olhem que a gente está aqui, para o caso de ainda não terem reparado em nós...") eram totalmente negligenciados.
Como no Manchester United é assim e como se sentiu sempre uma enorme pressa em copiar o Manchester, pode ser que a moda um dia pegue...

Transferências

Bem sei que isto é verão, que anda tudo a meia nau (até as eleições para a CML... ainda ninguém abordou a questão do Sporting!) e que até há factos positivos neste defeso do Clube. Mas, caramba!, há coisas que continuam a fazer-nos uma grande confusão e que precisam de uma explicação muito clara, sob pena da gente ter que ficar a pensar o pior...
A notícia de hoje é a transferência do Pepe para o Real Madrid. Não se trata de uma transferência para clube menor, nem o valor para ela anunciado uma banalidade. É um recorde para um defesa. Ora, o Pepe passou pelo Sporting, salvo erro, duas vezes. Não encontraram forma de o segurar. Acabou no Porto, onde deu nas vistas, e o clube encaixou agora com a sua transferência uma nota preta, semelhante à que obteve com a transferência do Anderson, que era, lembremo-lo, considerada excepcional. Aliás o Porto encaixa com as transferências deste ano (e vamos ver se a coisa fica por aqui...) uma maquia muito considerável.
O que eu pergunto é simples: porque não ficou o Pepe no Sporting, ele que, pelas declarações que proferiu na altura, até parecia querer ficar? O que falhou neste processo? Quem falhou neste processo?
Na minha leitura de tudo isto, trata-se de uma pesada derrota para a SAD. Lembro que estamos a falar de 30 milhões de euros e que em nome da redução do passivo houve e há encaixes não realizados, de valor bem menor, que nos foram choradamente apresentados como uma verdadeira catástrofe. Em que ficamos?