sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sobre o respeito

Pela observação que faço do que dizem os adeptos por aí fora (incluindo aqui nos blogs) há uma tipologia clara que caracteriza as posições dos Sportinguistas face ao momento mais agitado que se vive.
Uns criticam a organização actual do Sporting, questionam em primeiro lugar a linha de gestão que tem sido seguida de há 12 anos a esta parte, põem em causa as suas estratégias ou a falta delas, e chamam a atenção para o estado lastimoso em que, na sua opinião, caiu a instituição.
Outros criticam os críticos, porque acham que a defesa do Sporting é um valor sacrossanto e a crítica só induz a criação de mais problemas. O problema do Sporting está, na opinião destes, nos que imaginam haver problemas.
Há os que pensam que há de facto problemas, mas acham também que ao questionar o actual status quo se está a contribuir para uma indesejada escalada desses problemas. Há outros que pensam que se os problemas não forem tratados, qualquer dia não haverá problemas com a instituição, porque não haverá instituição. Há também quem pense que tudo está bem e que estamos a caminho de um mundo a verde e branco.
Haverá uma percentagem de exagero em todas estas posições. Haverá também uma percentagem de razão em todas estas opiniões. E é certo que todas estas posições têm intenções, argumentações e defensores legítimos.
Ambos, no entanto, dão ipso facto como adquirido que há crise (para uns no Clube, para outros nos adeptos do Clube). Seja quem for o autor da crise (interno ou externo), o certo é que todos estamos de acordo: há crise!
Sou adepto da unidade e portanto se esta discussão é factor de desunião entre os Sportinguistas temos todos de fazer um esforço para nos entendermos e para chamarmos os mesmos nomes às coisas. Temos obrigação de encontrar um terreno comum de discussão. E o pior que pode acontecer ao Sporting, aquilo que poderá levar à sua extinção tal como o imaginamos hoje, é ignorarmos os problemas e virarmo-nos uns contra os outros ou sermos indiferentes a tudo isto.
Há, seguramente, uma crise: de unidade. E essa crise de unidade tem cláusla única causa a falta de respeito.
Se outras razões não existissem, o facto de estarmos todos envolvidos nestas trocas de pontos de vista, por vezes acaloradas, prova que há modos diferentes de encarar a situação do Sporting e que estes diferentes pontos de vista necessitam de clarificação. Mas, por uma questão de respeito e de solidariedade clubística os que pensam de maneira diferente têm de fazer um esforço para tentar perceber os argumentos dos outros, reflectir sobre os seus pontos de vista e contra-argumentar de forma que não agrave as divisões que hoje manifestamente se começam a esboçar. Quem não concorda comigo não me pode insultar e ignorar os meus pontos de vista. Tem de me combater no terreno onde eu estou a jogar, que é o terreno das ideias e o terreno do amor ao Clube. Eu tento fazer o mesmo. Por mim tenho ideia que o Sporting atravessa um período conturbado, que esta situação não é de hoje e está a colocar em perigo o Clube que todos amamos, ou dizemos que amamos. Por mim, vejo que há muita gente que se afastou e continua a afastar do Sporting porque a instituição deixou de respeitar os valores que atraiu essa gente ao Clube. Acho que muitos subestimam tudo isto.
Mas, quando afirmo tudo isto e o faço em nome do amor que tenho ao Sporting, tenho que necessariamente dizer que substituir Sporting por Sportinguistas, porque são eles o símbolo e o veículo dos valores do Sporting.
O Sporting é uma instituição feita por pessoas. Os seus valores, a sua história, os seus pergaminhos são valores relativos a pessoas, não são valores abstractos. Amar o Clube é amar, antes de tudo, as pessoas que o formam solidarizar-se com elas, ir ao encontro delas. Pelo respeito que todos nos devemos uns aos outros, temos de nos unir, temos de nos ouvir e temos de reflectir sobre os diversos olhares que avaliam o que é o Sporting hoje. Não é aceitável que eu porque acho que há crise insulte alguém que pensa de forma contrária, nem é de todo aceitável que alguém que pensa que o Sporting está a viver no melhor dos mundos me venha dar lições de moral Sportinguista e me insulte a mim. Temos todos direito aos nossos pontos de vista e todos deveríamos fazer um exercício sério de conciliação desses diferentes modos de ver o Clube. Este exercício é uma exigência democrática e é um imperativo de inteligência. O modo de promover o debate não é o insulto.
O Sporting tem, por seu lado, de encontrar mecanismos que assegurem a discussão destes assuntos. As crises vêm da indiferença. O Sporting tem de reflectir as grandes aspirações dos Sportinguistas. Os Sportinguistas têm de se sentir refletidos no Clube. O Sporting não é a SAD, nem sequer é a direcção. O Sporting são os Sportinguistas. A SAD ou a direcção são ferramentas do poder Sportinguista. São instrumentos do Sporting. Simbolizam o todo Sportinguista. Não são o Sporting! O Sporting não se esgota na direcção e muito menos na SAD... O Sporting tem de ser dos Sportinguistas. Não é dos procuradores ou dos gestores da massa falida. HÁ MAIS SPORTING PARA ALÉM DA DIRECÇÃO!

Sejam os leitores partidários de um ou de outro dos pontos de vista que citei inicialmente, uma coisa podem ter a certeza: nunca como hoje houve um perigo tão real de desagregação do Sporting Clube de Portugal. Ninguém neste momento promove a unidade Sportinguista. O Sportinguismo é um valor em queda livre que ninguém nutre nem preserva. Há dias um conhecido comentador Sportinguista chamava a atenção para a assistência ao jogo do Porto. Exultava com aquilo que classificou de presença maciça. Não se iludam com assistências! No estádio de Alvalade para um jogo com o Porto deveriam estar mais de 50.000, não 30.000. E dos 30.000 que lá estiveram muitos o fizeram porque apoiam o Clube, mas também apoiam mudanças no Clube. Porém, neste momento são já mais os indiferentes.
Está nas mãos de cada um de nós evitar a desagregação do Clube ou a sua morte por falta de matéria-prima, i.e., Sportinguistas. O Sporting, ao contrário do que muitos possam pensar, não é uma realidade intemporal e abstracta. O Sporting é o que nós decidirmos que o Sporting é. Se quisermos um Sporting de todos, aberto, nobre, inteiro isso só pode ser obra colectiva e solidária. Infelizmente, eu vejo sinais de clivagem. E tenho a certeza absoluta que muitos dos meus leitores me darão razão.
Evitemos pois a clivagem.
E respeitinho! Porque, como se dizia antigamente, respeitinho é uma coisa muito bonita!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Serão os adeptos?

Quem comigo vai à bola sabe que odeio os assobios e as vaias à nossa equipa. Aliás pior que isso é ter que levar com umas melgas que raramente vão ao estádio (ou que, por outras palavras, felizmente é raro ficarem atrás de mim) e que passam o jogo a murmurar impropérios. Bolas que são irritantes. Mais ainda quando após 30 ou 40 minutos os, nas suas bocas, piores jogadores do mundo marcam. É vê-los a louvar a sabedoria de tudo e de todos.
Temo que a questão PB é pior que estes fait divers, porque me parecem situações internas e orquestradas que levam o mais santo dos Paulos ao desespero, quanto mais o nosso PB.
É engraçado que o comentário do jornal do Darryl Jenks à actuação do Celsinho seja: “Chegou, viu e não convenceu (ou não venceu, não me recordo)”...
A Bola de hoje diz que PB está sozinho e nós sabemos que é bem verdade que 2 anos em Portugal desgastam, que muitas vezes o trabalho de um treinador é injustamente avaliado e que apoio público da direcção... é pior que deserto. Parece-me que a questão é muito mais de falta de apoio interno. Assobios justos ou injustos são pequeno-almoço dos técnicos, ossos do ofício direi.
Até porque geralmente temos tendência para esquecer que PB é uma pessoa e que por muito que necessite de melhorar a comunicação, e eu acho que necessita, já demonstrou que é directo e justo no que diz (é claro que há episódios como o de Stoy onde a coisa não funcionou), que tem margem de progressão ao nível técnico e táctico e que tal como nos deve começar a pensar que o discurso da gestão rigorosa só tem servido para lhe justificar as compras no lidl onde ninguém conhece as marcas e por vezes saem coisas razoáveis.
Meus caros Raul e Master, na minha opinião não são os adeptos que preocupam PB. O que o preocupa é este “rigor” leonino onde os números nunca batem certo e servem, sempre para justificar a limpeza da “marca” para que alguém fique com o oiro, qual empresa pública em fase de privatização.

Apelo aos adeptos

O vulgar adepto, o mesmo que assobia o treinador, é muito volúvel. Se o Sporting começar a ganhar jogos sucessivamente, daqui até ao fim da época, depressa o treinador passará de besta a bestial e de nabo a génio, mesmo que meta o Puro e o Pontus de início.
Nós, editores de blogues, além de adeptos como os outros, somos, à nossa mais ou menos modesta medida, fazedores de opinião. Temos, pois, responsabilidades acrescidas, pois parte dos assobios ou aplausos futuros dependem da influência que as nossas análises tenham sobre os adeptos. E, por desejarmos as vitórias do nosso clube, é nosso dever, penso eu, no conturbado período que vivemos, contribuir para a serenidade e a tão falada tranquilidade do grupo de trabalho da equipa de futebol.
E penso não estar a ser demasiado optimista se disser que é ainda bem possível, para não dizer provável, que o resto da época nos venha a trazer bastantes alegrias. Os sinais estão aí:
- Recomeçámos a ganhar jogos;
- Entraram dois reforços para a equipa (apropriados quanto às funções em campo, mas desconhecidos quanto ao valor);
- Alguns dos jogadores contratados no início desta época (Izmailov, Vucevic, mesmo Celsinho) começam a mostrar um maior entrosamento com os outros;
- Alguns dos lesionados começam a ficar disponíveis, nomeadamente Pedro Silva e Derlei;
- O tempo de vacas magras permitiu afirmações inesperadas de jogadores em funções que não lhes pareciam adequadas, mas onde podem ajudar a colmatar insuficiências da equipa; casos de Pereirinha a defesa direito e de Vucevic como segundo ponta-de-lança.
É, pois, a pior altura para se pôr em causa a competência do treinador.
Este, dentro das capacidades que possui, tem sido um exemplar servidor do clube que lhe paga. Eu, se fosse treinador do Sporting e olhasse para o banco em certos jogos em que é preciso alterar a equipa para ver se ela rende mais, era capaz de deitar as mãos à cabeça. Coisa que Paulo Bento não faz. Não se queixa do plantel que lhe deram (ele terá alguma responsabilidade nas escolhas, mas não a principal, dadas as limitações financeiras e o facto de não ser ele a fazer as contratações), nem das sucessivas lesões que o limitaram.
O que acontece é que, neste mundo cão que é o do futebol, arcar-se como ele arca com as limitações de qualidade dos jogadores, defendendo-os sempre que são postos em causa, acaba por se virar contra ele. Ele paga, pois, pela sua frontalidade, por defender os elementos do seu grupo de trabalho. Em suma, por ser um homem de carácter.
O problema está no imediatismo pouco inteligente duma parte dos adeptos (é só uma parte mas, sendo ruidosa, tende a fazer mossa) que, sequiosos de vitórias, se atiram ao treinador quando estas tardam, porque ele é o alvo mais fácil, assim se entretendo a dar sucessivos tiros nos pés.
Esses adeptos, nestas alturas em que vêem o campeonato com asas, esquecem as fraquezas do plantel, ainda por cima debilitado por lesões sucessivas, e o facto de que Paulo Bento já superou duas crises em épocas anteriores. E que, como digo atrás, estão-se a incrementar as condições para que o faça pela terceira vez em épocas consecutivas.
Não! No Sporting as questões não se limitam à competência do treinador. Elas mergulham fundo na política dos dirigentes, que, por condicionarem todos os actos de “gestão” aos interesses da banca, sacrificam tudo ao abatimento do passivo (duvidando-se que, mesmo quanto a isto, as atitudes tomadas sejam as que melhor servem os interesses do Sporting), com prejuízo do investimento no "negócio" principal do clube: o futebol.

Tudo isto pelo receio que tenho da memória dos adeptos; assim como uma sucessão de vitórias faz esquecer os eventuais erros, uma única derrota (no próximo Domingo, contra o Belenenses) pode deitar toda uma época por terra.
Eu tenho vindo a fazer o que acho que, como sportinguista, é meu dever, alertando para que não façamos o jogo dos nossos adversários, ao lançarmos o odioso da situação menos boa sobre quem é seguramente o menos responsável pelo que de mau nos vem sucedendo; sobre quem vem, à sua maneira, defendendo o seu grupo de trabalho e tem sido por tal penalizado em vez de louvado: o nosso treinador, Paulo Bento.
Estamos em fase de saída da crise desportiva. Fase em que é, mais do que nunca, da maior importância a união dos adeptos em torno da equipa de futebol. Sejamos pacientes, pois tudo indica que a tendência é para melhorar.
VIVA O SPORTING!

Reflexões, assobios e reacções em cadeia

Já aqui há bastante tempo (nos primórdios do KL) mantive uma viva troca de comentários com alguém (já não me recordo quem) sobre a questão dos insultos e dos assobios em Alvalade. Matéria que constitui o "pão nosso" deste Sporting desde há anos e que está novamente na ordem "de cada dia", como se sabe.
A questão é, no fundo simples: os insultos, assobios e impropérios lançados contra jogadores, técnicos ou dirigentes são coisas inaceitáveis à luz dos princípios de boa educação. Ponto final. Mas, volta não volta, lá vêm eles. São uma realidade, tão inevitável como os impostos... Neste Sporting do "paga e cala" não se vislumbram grandes alternativas para mandar mensagens simples...
E o que fazem os guardiões dos bons princípios? Escolhem ignorá-los, remetem-nos para a categoria dos epifenómenos e zurzem os seus autores.
Contudo, as pias intenções dos guardiões dos bons princípios não evitam o recrudescimento regular destes actos. Que intepretação dão então os pios? São manifestações de má educação e devem ser criticadas. Eles criticam. E os fenómenos acabam? Não! Voltam na primeira oportunidade.
E é isto! Andamos nesta "pescadinha" sem conseguir resolver o problema, nem explicá-lo sequer.
O ciclo tem, porém, forçosamente de ser quebrado.
Desta feita o feliz contemplado foi Paulo Bento. Esperar-se-ia que fosse o Clube, os seus responsáveis ou os seus membros a debater o assunto e a tentar uma resposta. Mas, não. É Paulo Bento, um funcionário do Clube, que nem sequer é do Sporting, a fazer luz sobre o assunto e a fornecer-nos matéria de reflexão.
Diz ele que há uma espécie de saturação, quer da parte dos adeptos em relação ao treinador, quer, se calhar, do treinador em relação aos adeptos.
A constatação destes factos é uma das coisaas mais interressantes que aconteceu no Sporting dos últimos anos e a análise dos mecanismos deste fenómeno contém dados muito positivos e lições a tirar.
Enquanto os pios preferem ignorar o assunto ou atribuir culpas aos suspeitos do costume, Paulo Bento chama as coisas pelo nome e de um golpe só fornece-nos os dados para perceber tudo isto: o grau de insatisfação é claro e patente, há um status quo que teima em não se alterar e não é manifestamente satisfatório. O descontentamente é o caldo de cultura em que vive o Sporting desde há anos (PB, ele próprio, junta até dados estatísticos para que os mais incautos não se esqueçam...). Ora, PB faz parte desse status quo, e não há outros mecanismos para expressar de forma aceitável o descontentamento, nem da parte dos adeptos, nem da parte dele, Paulo Bento, vis-a-vis o sistema que está montado.
E o que fez ele? Devolveu o assobio e o insulto à procedência. Ninguém jamais fez isto no Sporting.
Esta troca de mimos quer dizer, por mais voltas que lhe queiram dar, que há uma estrutura intermédia que devia funcionar entre o técnico e os adeptos que não está a funcionar. PB inteligentemente pressente a armadilha e sabe que deste confronto só poderá sair derrotado e, portanto, redirecciona as culpas para quem de direito. E quem de direito reage da forma mais básica e óbvia: vem mais uma vez afirmar o seu o apoio a PB. Quantas vezes precisa a direcção de manifestar esse apoio? E porque precisa a direcção de expressar esse apoio?
Estas sucessivas juras de amor não devem comover muito um treinador que sabe o papel que desempenha nesta embrulhada, mas que dá neste momento sinais fortíssimos de que não está disposto a aguentar essa situação por muito mais tempo. Ele aliás teve o cuidado de se precaver logo desde o início dizendo que nunca exigirá nada ao Clube, no caso de enventual desvinculação. Sairá, se tiver de sair por iniciativa própria, cheio de moral! E, ou acautela o futuro, ou a sua carreira como treinador ficará seriamente comprometida.
A direcção, que parece apanhada de surpresa com tudo isto, apressa-se a fazer-lhe discursos laudatórios, mas a decisão já deve estar tomada e PB não vai querer sair por baixo e em baixa do Sporting. Não estou a ver PB a submeter-se ao vexame dos lenços brancos (ainda não aparecereram, já repararam?) que podem rebentar a qualquer momento, nem o tenho por chantagista...
Cito as palavras do Raul no seu post anterior, relativamente à subsituição de Farnerud, quando pergunta "No entanto, olhem para o banco do Sporting e digam-me lá quem é que punham a jogar?" Mas, se é com isto que PB conta e se a matéria prima de que dispõe é o que é, que resultados pode ele almejar? E se não atingir os resultados esperados de quem é a culpa? Dele?!
Ele sabe, melhor do que ninguém, que uma subsitituição de treinador nesta altura "seria desastrosa", como refere ainda o Raul. Mas, quem tem, de facto, culpa do eventual desastre? E se ele não tiver sucesso estará disposto a arcar com as consequências?
Para o grupo musical "Os Alegres do Assobio", que actua em Alvalade quando é preciso, não haverá dúvida.
E o PB vai-se sujeitar a isso? E o coro vai meter o assobio no saco? E quando (se) Paulo Bento bater com a porta quem será, ou quem serão as próximas vítimas?
O dado novo e relevante é este: já não é, nem a direcção, nem os adeptos que dominam a agenda "Treinador" neste momento. Estamos todos suspensos à espera do desenrolar dos próximos capítulos...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

UNIÃO DE BLOGS LEONINOS

Foi aprovada por unanimidade no passado Domingo dia 27 de Janeiro, no espírito da Missão 2008, a criação da União de Blogs Leoninos, vulgo UBL.
Os seus fundadores são:
- Sangue Leonino http://www.osangueleonino.blogspot.com/
- Centúria Leonina http://centuria-leonina.blogspot.com/
- King Lizards http://kinglizards.blogspot.com/
- A Última Roulote http://ultimaroulote.blogspot.com/
A ideia principal subjacente a este projecto prende-se com a promoção de ideias/projectos que, uma vez discutidas e aprovadas no seio da UBL, permitam uma exposição simultânea em todos os blogs aderentes. O know-how resultante dessa mediatização, será aproveitado e incorporado num documento final a apresentar ao Sporting, se for caso disso.
Os documentos aprovados pela UBL serão publicados em todos os blogs que dela façam parte.
Esta iniciativa é aberta a todos os participantes da blogosfera que queiram aderir. Como requisitos para participação nas reuniões da UBL, deverão ter espírito Democrático e como único interesse elevar o nome do Sporting Clube de Portugal.
Inscrições em:
- Pelo Sangue Leonino: luisferreirahenrique@sapo.pt
- Pela Centúria Leonina: verdao@netcabo.pt
- Pelos King Lizards: raul.ph@netcabo.pt
- Pela Última Roulotte: ultimaroulote@gmail.com

Quanto tempo mais?

As declarações de Paulo Bento no final do jogo com o Penafiel constituem a prova de que tudo está em aberto no que respeita à existência de uma grave crise interna no Sporting, mas também querem dizer que os dias de Paulo Bento como cordeiro de serviço ao sacrifício estão a chegar ao fim.
Nada que não se percebesse já há muito tempo, mas agora é mais claro do que nunca.
Lamento profundamente dizê-lo, mas o adiamento da solução desta situação não se pode aplaudir.
Já há tempo Paulo Bento tinha sugerido que as resposabilidades têm de ser assumidas de forma hierarquizada. Quando disse isto Paulo Bento revelou, talvez sem querer, que o problema do Sporting está (estava na altura e continua) longe de ser um simples problema de resultados. Mas, agora temos um dado novo: Paulo Bento parece farto deste seu papel no altar dos sacrifícios Sportinguista. Ainda bem. O que ele terá "aguentado" até agora só pode dizer bem do seu carácter. Se, de facto, o Sporting pudesse ter um Ferguson eu apostava também nele...
Mas, nem o Sporting é o Manchester, nem, sobretudo, esta direcção demonstra ter estofo daquele que a gente necessita e, portanto, esta novela só pode ter um fim.
Repito: o adiamento desta solução não se pode aplaudir e o facto de não conhecermos, no momento, nenhuma alternativa credível para ocupar a direcção dos destinos do Sporting não pode constituir desculpa para evitar o inevitável. A desculpa da falta de alternativa cria uma espécie de ditadura dentro do Sporting e a factura dos "ganhos" desta pretensa "estabilidade" vai-nos cair em cima com estrondo! E, se calhar, o facto de não se convocarem eleições antecipadas é uma excelente desculpa para os vários possíveis candidatos credíveis a dirigentes do Sporting continuarem a tirar o cavalinho da chuva. Convoquem-se eleições, promova-se o debate e vão ver se não aparecem logo alternativas!
Inácio dizia hoje na TSF (*), claramente, que os treinadores do Sporting são a tropa de choque para camuflar os desaires das direcções. Falou num muro de betão que, no caso do Porto, a direcção forma entre os sócios, por um lado, e a equipa técnica e o plantel, por outro. Ele saberá melhor do que ninguém do que fala. Nós que andamos antentos sabemos isso. Nem é preciso conhecer por dentro a realidade.
Acabem com o sacrifício!

(*) Já agora Inácio, daqui se me escuta, aproveito para lhe dizer, a propósito destas suas declarações, que, eu como sócio do Sporting, honrá-lo-ei sempre pelo facto de nos ter tirado do jejum de dezoito anos e sempre achei um acto verdadeiramente canalha esse de, após essa histórica conquista, lhe terem tirado o tapete!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Com Paulo Bento, para superar a crise


Queria só aproveitar esta onda de vitórias para voltar a falar no caso Paulo Bento. Penso que uma parte dos adeptos do Sporting ainda não percebeu que, com o plantel que temos, ningém seria capaz de fazer melhor que o que Paulo Bento tem feito (relativizando, porque talvez o Mourinho...; ninguém a quem o Sporting possa pagar).
Paulo Bento já nos tirou da fossa por duas vezes e a coisa está encaminhada para de lá nos tirar uma terceira. Mas os sócios parece que não querem.
É indecente que seja assobiada a entrada de Farnerud (e estou à vontade para o dizer, porque não gosto dele como jogador e acho que não tem categoria para jogar no Sporting, como venho escrevendo desde há muito tempo). No entanto, olhem para o banco do Sporting e digam-me lá quem é que punham a jogar, sendo necessária a substituição de um médio (no caso para prover à rotação dos elementos e obviar a fadigas escusadas).
O problema está no plantel (e nas lesões) que temos e não em Paulo Bento. E é inacreditável que seja precisamente quando começamos a ganhar qualquer coisita, quando demonstramos, apesar das notórias insuficiências do plantel(*), algumas possibilidades de safar a época (**), que alguns se manifestam em público contra decisões correntes do treinador.
Se eu soubesse que ele me lia, dir-lhe-ia para continuar sem desânimos, porque agora entraram reforços e os que tiveram lesões prolongadas estão a voltar; e por cada adepto que, quanto a mim avaliando mal, faz dele bode expiatório da medíocre prestação da equipa, há dois ou três que, como eu, fazem costas com costas com ele, porque sabem que só acarinhando a equipa nos momentos menos bons há a possibilidade de ultrapassar crises.
Temo que estes descabeçados protestos ponham em causa a continuidade do nosso treinador, que já hoje se manifestou chateado com este tipo de reacção por parte do público.
Uma substituição do treinador nesta altura iria ser desastrosa.
Depois não digam que não vos avisei!

(*) que ultrapassam a competência do treinador, estando por determinar o grau da a sua responsabilidade nelas
(**) já ganhámos a supertaça, podemos ganhar a Taça da Liga e a de Portugal, fazer 2.º no campeonato e ir até não se sabe onde na UEFA

Patrício A

Não posso deixar de assinalar a convocação de Rui Patrício para a Selecção Nacional. Tratando-se de um guarda-redes, de um jovem e de um "produto" (isto sim!) com a marca Sporting, esta distinção não pode deixar de nos encher de satisfação. A boa exibição contra o Porto terá sido a proposição ou o corolário desta convocatória...
Confesso que admiro o modo como Rui Patrício aparenta passar ao lado destas polémicas em torno do guarda-redes titular da equipa sénior do Sporting, seguindo determinado com o seu trabalho. Poderá ser essa a qualidade que Scolari distinguiu.
O Sporting está desde há muito na sombra das convocatórias para a Selecção A e já era tempo de ter um lugarzito ao Sol.
É das coisas que mais me dói e um dos grandes mistérios deste Clube: ver o quase toque de Midas do Sporting por todas as selecções e depois olhar para dentro e encontrar a casa totalmente desarrumada.
Dá mesmo que pensar...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Festejemos a vitória

Se me permitem, vou dirigir este post especialmente ao Paulo Bento.
Desconfio que você, ou lê o KL ou tem alguém que lhe sopra o que por aqui vou escrevendo. Se assim for fico satisfeito...
Hoje na conferência de imprensa (acabou há segundos e eu já lhe estou a escrever, calcule a minha devoção...!) você disse que o Sporting, se for novamente à Champions, ou seja, se ficar em segundo lugar, terá pelo segundo ano consecutivo uma classificação melhor do que aquela que tem tido, em média, nestes últimos 27 anos. Pareceu-me que estava a dar um recado. Mas, eu próprio, aqui há tempos, lhe lembrei isso mesmo aqui nesta página. Lembrei-lhe isso a si e a muitos Sportinguistas distraídos que por aí andam, com uma visão soft dos problemas do Sporting.
Hoje, claro, você e os seus jogadores ofereceram-nos uma vitória porreira sobre um F.C. do Porto e um "mr. Jesualdo" indigente mental, que nunca se conseguem mostrar dignos na vitória ou na derrota e que, por isso, foram especialmente bem batidos.
Mas, a nossa frustração não se curou por milagre (até porque o Sporting ainda está dentro da média...)
Mais: você acrescenta que as crises aparecem e desaparecem, como se fossem coisa criada em laboratório. Mas, está engando. E quando fala na vitória de hoje como se ela tivesse apagado a crise e resolvido os problemas que o meu Clube vem enfrentando há anos mais engando está!
As crises do Sporting não vão e vêm... Estão! São! Aliás, não há crises. Há uma crise apenas, única, que está sempre latente e pende permanentemente, em primeiríssimo lugar, sobre as cabeças de todos vocês que ocupam cargos de responsabilidade no Sporting. Uma crise pronta a rebentar em qualquer altura que se chama "Falta de Projecto".
A curva mais apertada que o Sporting tem feito nestes últimos tempos não acabou ainda. Os pneus do carro ainda chiam. Mas, por agora festejemos o justo triunfo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A crise e as batotas dos nossos rivais

Tracei, em dois posts anteriores sobre o chamado Projecto Roquette, o quadro das culpas próprias que justificam a situação, financeira e desportiva, actual do Sporting. Dito de outro modo, tratei dos factores endógenos.
Não podemos, no entanto, perder de vista que os nossos adversários principais não estão dentro do nosso clube. Se o fizermos, com a paixão que é própria do futebol, arriscamo-nos a cair no mesmo tipo de armadilha em que se envolveram as claques. (Só para dar um exemplo, O Directivo XXI criou-se como dissidência da Juve Leo e houve um período – que, felizmente, parece por agora ultrapassado – em que o ódio entre as duas claques as fazia esquecer o motivo da sua existência – o Sporting – e se envolviam no mesmo tipo de lamentáveis agressões que de vez em quando ocorrem entre bandos de clubes diferentes).
Não esqueçamos que os nossos adversários são exógenos ao Sporting: são os outros clubes que concorrem connosco na obtenção de vitórias e da grandeza que estas necessariamente acarretam. Os nossos principais adversários são o Benfica e o Porto.
Como longamente descrevi em posts de Agosto/2006 (aqui, aqui e aqui) a disputa pela hegemonia do futebol português (a que se processa fora das quatro linhas) jogou-se em dois tabuleiros: batota nas arbitragens e/ou batota nos benefícios concedidos por entidades públicas (governo e autarquias).
Se o FCP entrou em grande no controlo dos organismos que dirigiam a arbitragem para começar o seu período de hegemonia (fins dos anos 70), não descurou a obtenção de fundos, sobretudo a partir do começo deste século e, mais marcada e definitivamente, com a nova era de construção de equipamentos, nas vésperas do Euro/2004. Muito do dinheirinho dos impostos cobrados aos munícipes do Porto serviu para privilegiar o clube na construção do seu Estádio. O FCP foi muito mais beneficiado pela autarquia que os seus congéneres de Lisboa, em processos que levantaram muita celeuma e acabaram como é normal em Portugal quando há interesses ponderosos (leia-se eleitores) em jogo: em águas de bacalhau. Mas também outro município veio a proporcionar de borla ao clube um benefício que os seus rivais tiveram de pagar bem caro: Gaia, que ofereceu (sim, é verdade, de borla) ao FCP um modelar centro de treinos.
Desta subversão da concorrência (isto é, batota) entre os três maiores clubes portugueses têm muito de que se queixar os de Lisboa: Sporting e Benfica. Mas o Benfica foi também muito privilegiado em relação ao Sporting. Assim, de repente, ocorrem-me estes casos:
- Recebeu de imediato o que resultou da permuta de terrenos com a Câmara, o que não aconteceu com o Sporting, que só agora (e num processo problemático e mal esclarecido) está a entrar em posse do que foi acordado; entretanto gastou milhões em juros (davam para comprar um Cardozo) do dinheiro que ficou a dever por não ter esse na sua posse;
- O escândalo das acessibilidades avaliadas em 2,5 milhões e pelas quais o Benfica recebeu (segundo denúncia do vereador José Sá Fernandes nunca desmentida) 8,1 milhões (quase dava para pagar outro Cardozo), parece que antes de a obra estar acabada; o Sporting, tanto quanto sei, nada recebeu a título de acessibilidades;
- Mas o escândalo maior foi o que Vilarinho protagonizou, ao recomendar o voto dos benfiquistas no partido político que, palavras dele, beneficiou o clube; pudera, o fisco, num processo que nunca foi devidamente esclarecido (deve ter ficado no deve/haver das benesses entre partidos do poder) perdoou ao clube, na época mais negra da sua história, uma dívida de 2 milhões de contos em juros de impostos (dava para comprar um terceiro Gardozo, e ainda sobrava), assim dando aos contribuintes a importante lição de que vale a pena ser caloteiro.

Mas não podemos ficar, numa de Kalimero, a lamentar-nos das malandrices que nos fizeram. Os nossos dirigentes têm também a sua dose de culpa, ao deixar que estas coisas aconteçam sem espingardar, fazendo os possíveis para impedi-las. Ou será que têm medo de mexer na merda, com medo de, também eles, saírem borrados?

O bom e o mau no Projecto Roquette (2)

Arrolei no post anterior sob este título os aspectos negativos do Projecto Roquette. Mas este projecto e, mais geralmente, a entrada em cena de Roquette, teve também muitos aspectos positivos para o Sporting. As ideias que vou agora desenvolver já eu postei há uns meses atrás:
- Continuo a achar que o nosso clube entrou numa nova era com Roquette: da era do populismo com patos-bravos como protagonistas, passou-se para um tempo em que pelo menos começou a haver projectos a ser executados e não sucessões de iniciativas casuísticas e gamanços daqueles que nunca se chegam a provar (com a excepção do do Vale). Como disse no citado post, “encaro a nossa fase Jorge Gonçalves como equivalente à fase Vale e Azevedo no Benfica; a fase Sousa Cintra equivale (em pior) à actual fase LFV deles”. Acho portanto que, se nós estamos mal, eles quanto a este aspecto (e não só) ainda estão pior. Não estou a defender que tenhamos chegado ao paraíso, mas com gestões do tipo populista ainda estaríamos na pré-história do séc. XXI.
- No aspecto do controlo das contas e dificultação dos desvios de fundos para proveito próprio, a constituição da SAD foi um instrumento importante, como venho defendendo (v. também os comentários do link). Como aí digo, não sou um entusiasta deste tipo de capitalismo aplicado ao negócio do futebol, mas acho que ele é inelutável e irreversível. E Roquette foi o primeiro a, percebendo isto, conseguir implementá-lo. Quando tratar do assunto “adeptos” procurarei dizer qual o tipo de resposta que estes (nós) podem dar para que o negócio não engula a paixão.
- No aspecto património, as vantagens são indiscutíveis: o Sporting possui actualmente um estádio moderno e funcional e um complexo desportivo em que funciona uma Academia que tem sido um viveiro de talentos elogiado por toda a Europa.

Mas, dir-me-ão, se é tudo assim tão bom porque é que estamos cheios de dívidas e nunca mais conseguimos entrar numa senda de vitórias?
Por dois tipos de razões: pela má gestão do Projecto (como em parte referido no post anterior sob o mesmo título deste) e pela batota feita pelos nossos mais directos adversários.
De facto, não era o Projecto que era mau, mas sim o modo como ele foi implementado. Como desenvolvi no post de Abril do ano passado atrás citado, “um dos aspectos do PrR que mais gritantemente falhou” foi o que tinha a ver com “a perspectiva de desenvolver negócios não desportivos lucrativos para, dizia Roquette, com os lucros gerados nesses negócios, o Sporting manter uma autonomia financeira que o tornasse independente da bola na trave”. Desenvolvia eu depois o exemplo do Copenhaga como um projecto semelhante que teve sucesso, para provar que a ideia não era má, em si. O problema está em que os portugueses não são como os dinamarqueses e o que resulta ali, pode não resultar aqui. A minha tese é de que aqui não resultou por defeito das pessoas que foram chamadas para implementar as ideias de negócio; foi isto que impediu as empresas para tal constituídas de terem sucesso. Assim, “à pala dos negócios extra-desportivos foram-se constituindo e desfazendo sociedades, pagando ordenados a administradores, gastando à tripa-forra o património do nosso clube”.

Já com isto escrito (e entretanto não publicado por eu ter tido problemas informáticos ao mudar de operador) tive conhecimento do Manifesto SCP – Mais e melhor Sporting, o qual exprime com muita exactidão o que penso acerca deste assunto. Transcrevo um resumo, com a devida vénia: “O Projecto Roquette errou na gestão. Exactamente aquilo que deveria ser a sua mais valia foi o seu maior pecado. Foi incompetente. Construiu-se um Estádio que em vez de gerar lucros gerou prejuízos. As empresas que deveriam gerar lucros geraram prejuízos. A área comercial, Alvaláxia, que deveria gerar lucros acumulou prejuízos. Os gestores «altamente profissionais» mostraram incompetência”.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Objectivo: encher o estádio!

Muito se fala em objectivos esta época. Paulo Bento menciona a palavra objectivo, pelo menos umas três ou quatro vezes em cada uma das suas intervenções. Cumprimos os objectivos nuns casos, não os atingimos noutros. Hoje cumprimos e o Sporting ganhou e bem --frente a uma equipa sem grande faísca, é certo-- mas num estádio desoladoramente vazio.
Ora aqui está o objectivo para o cumprimento do qual apenas dependemos de nós próprios, como se costuma dizer em "futebolês": encher o estádio.
Que razões levam a uma ausência tão significativa, o que se passou e se passa para tamanho divórcio, que consequências tem isto tudo para o Clube? Aqui temos matéria que deveria levar-nos a todos a uma profunda e muito realista reflexão. Sobretudo aos críticos da crítica que, a menos que façam um exercício totalmente torcido de análise da realidade, dificilmente encontrarão justificações simpáticas para uma banhada destas.
Por uma vez estamos inocentes malta! Nem os blogs apelaram à deserção das bancadas, nem as claques decretaram o boicote...
A equipa fez o que devia fazer (e fê-lo, repito, bem), mas o público --esse malandro!-- não compreendeu nada disto. Ingratos!
Será que tivemos a mobilização em bloco dos dignitários do Clube por se contar com casa vazia? A tribuna, essa, estava composta...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pressão baixa...


Vê-se e não se acredita! Então o Sporting Clube de Portugal coloca no seu site um banner como este?! Se outras provas fossem necessárias para avaliar a qualidade desta gente que frequenta os corredores do poder do Sporting, a publicação de uma coisa destas no site oficial do Clube veio torná-las redundantes.
O Sporting Clube de Portugal promove --aproveitando recursos do Clube-- campanhas contra um apresentador de televisão?! E esta inacreditável direcção, que não promove qualquer espécie de diálogo com os sócios e adeptos, que mantém em relação a todos nós uma atitude de inaceitável sobranceria, vem solicitar, em nome da instituição Sporting e num orgão oficial do Sporting, a opinião dos Sportinguistas sobre matéria que institucionalmente lhe não diz respeito?
Isto parece coisa de um blog que o senhor tanto abomina, ó dr. Soares Franco! Com uma pequeníssima diferença: foi publicado no site oficial do Sporting...
Quem deu aval a esta irresponsabilidade?!
Nada disto surpreende verdadeiramente. Já aqui há tempos Paulo Bento, numa daquelas ocasiões em que devia estar calado, veio atacar, durante uma conferência de imprensa oficial na Academia, esta personagem que parece unir os ódios da "tiozada" toda. Esteve mal, por dois motivos. Primeiro, porque o fez e, segundo, porque o fez envolvido nas cores do Sporting. Agora é isto...
À pressão alta não se pode responder com pressão baixa. Fica mal a quem a exerce e dá um sinal enorme de fraqueza, embora a Hidra possa estar convencida do contrário...

domingo, 20 de janeiro de 2008

Nivelar por cima

Felizmente que uma parte significativa da chamada blogosfera --que retrata e reflete a generalidade da opinião leonina-- compreendeu o que se passa hoje no Clube e não desiste de afirmar a sua vontade de impor um novo rumo para o Sporting.
O Sporting de hoje não é certamente o pior clube do mundo, não é o que está pior organizado, nem o que tem a pior prestação. Mas, está longe de poder ser considerado satisfatório por quem seja mais ambicioso.
Uma das reacções que vemos aparecer, volta não volta, nos momentos de mais acesa discussão sobre o futuro do Clube, é a das comparações. Mas será que os adeptos da comparação colocam o Sporting lado a lado com os clubes poderosos e realmente significativos? Não, preferem avaliar o Sporting por analogia com o que se passa nos clubes portugueses que se encontram em maiores dificuldades. Clubes que lutam para evitar a descida ou militam em escalões inferiores. Não me custa adivinhar que, se for caso disso, os adeptos da comparação invoquem as nossas glórias passadas para valorizar o pedigree do Sporting. Dá jeito... Mas, quando se trata de enfrentar a realidade de hoje comparam o nosso Clube com agremiações sem expressão, nem peso no panorama desportivo português. Estranho militantismo Sportinguista este, limitado ao confronto com os medíocres ou a consolar-se com o mal dos outros...
Eu, cá gosto de pensar no Sporting por contraponto aos grandes clubes do mundo. Os pequenos clubes, os clubes mal geridos, os clubes satélite estão frequentemente numa condição para a qual foram arrastados pelos seus desmandos, pelo seu conformismo e pela sua própria falta de visão e de ambição. Esta falta de visão e de ambição afecta todos os clubes é certo, mas até por isso, e em qualquer circunstância, não são os clubes em dificuldades que nos podem servir de bitola. Não me consola absolutamente nada que este ou aquele clube esteja pior do que nós, ou que este ou aquele clube não tenha dinheiro para consertar o relvado ou pagar os salários aos seus jogadores.
Claro que a situação dos adversários actuais ou potenciais do Sporting me preocupa e muitas vezes aqui no KL temos proclamado as reservas que a organização do futebol nacional nos merece. O futebol português não está a ser dirigido pelas mãos correctas e os seus princípios organizativos deixam muito a desejar. Mas, são coisas diferentes, por um lado, o ideário Sportinguista e, por outro, o ideário organizativo do futebol nacional. São coisas diferentes que merecem acções estratégicas diferentes e assentam em pressupostos diferentes. Não serve de nada misturá-las.
Gostaria, como todos certamente gostaríamos, de ter um Sporting de grande projecção nacional e internacional, vencedor dentro e fora das fronteiras. Não se atinge uma posição dessas sem um elevado nível de organização e sem uma ambição inabalável e interstícia, que envolva de modo indissolúvel dirigentes, atletas e adeptos. Os outros não nos devem interessar, temos de traçar e cumprir o nosso próprio caminho. Mas, se nos tivermos de comparar então que seja com quem está situado a um nível superior. Não parece legítimo estabelecer paralelos entro o Sporting e equipas em zona de despromoção ou de escalões inferiores. Eu, por mim, gosto de nivelar por cima. Mas, infelizmente parece que há Sportinguistas que se contentam com pouco...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Intervalo, crise segue dentro de momentos...

No rescaldo do jogo com o Lagoa, pode-se dizer que o Sporting aliviou a pressão e regressou às sempre esperadas e por nós todos sempre saudadas vitórias.
A crise, essa, segue dentro de momentos. O Sporting pode assim preparar agora o próximo embate com mais alguma folga e o ânimo um pouco mais elevado.
Uma vitória, é uma vitória, é uma vitória!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Dois blogs associados do KL

Permitam-me uma chamada de atenção para dois blogs que tivemos a iniciativa de criar para ajudar o processo de debate e esclarecimento que decorre neste momento no universo Sporting. Os links estão aqui mesmo ao lado mas eu, já agora, aproveito para acrescentar mais qualquer coisa sobre eles.
O Blog Manifesto existe desde há cerca de 2 anos. Foi criado para disponibilizar não só esse documento que elaborámos no final de 2005, a que chamámos "Manifesto- Sporting uma História com Futuro", mas igualmente para poder albergar as críticas, as sugestões e os comentários que os Sportinguistas quiseram e quiserem fazer-lhe. Continuaremos a publicá-los pela mesma via que sugerimos no início: seja por entrada directa na página de comentários do blog, seja por envio de uma mensagem para o email do KL (king.lizards@gmail.com).
Um outro blog mais recente chama-se Correio dos Sportinguistas. Aceita todos os comentários que os leitores quiserem fazer sobre a actual situação do Sporting. Favoráveis ou desfavoráveis. Um blog feito pelos leitores, que não têm paciência ou disponibilidade para criar o seu próprio blog. Basta um simples email para correiosportinguista@gmail.com. Neste Correio dos Sportinguistas trazemos os comentários dos leitores para a primeira página.
Participe! Diga aos Sportinguistas o que pensa. Contribua com as suas sugestões e com a sua experiência.
Todo o nosso esforço será pouco para trazer o Sporting de novo a um tempo de glória.

Organização, solidariedade e realismo

São vários os movimentos que já se organizaram no sentido de ajudar a dar um novo e melhor rumo ao Sporting Clube de Portugal. Saúdam-se sem descriminações!
O melhor que o Sporting tem é esta capacidade de reflectir sobre os problemas que o afectam e a generosidade e dádiva que tudo isto demonstra.
Todos o esforço é necessário, todos os movimentos organizados são úteis e, repito, todos se saúdam.
Permitam-me adiantar aqui uma palavra de cautela.
1) O movimento de oposição ao satus quo Sportinguista mostra-se aparentemente pujante, tem toda a legitimidade e parece colher inúmeros apoios. Mas, há uma coisa que não se pode subestimar: o poder da Hidra! E os interesses (dela Hidra, não do SCP) que tem para defender. A Hidra não vai cair sem uma luta intensa e cortar-lhe as cabeças não vão ser favas contadas. Desengane-se quem assim pensa.
Preparem-se para o renascer das cabeças da Hidra! Preparem-se para a luta!
2) O movimento de renovção Sportinguista não se pode fazer contra os Sportinguistas e contra a sua unidade. Exige-se uma total soladariedade entre nós todos neste momento. Não podemos subsitutir uma clicke por outra!
O que está em causa neste momento é substituir a Hidra pelos Sportinguistas! Não queremos a Hidra II...
3) É absolutamente necessário, antes de mais nada, trazer os Sportinguistas abstencionistas de volta ao Clube. Como ontem escrevi, a arma da Hidra é a indiferença. Acrescento o desencanto. O primeiro objectivo é, portanto, reconquistar a participação e a confiança dos que se afastaram do Clube há muito. Cada um de nós tem certamente na sua esfera de relações uma mão cheia de casos de sócios, ou antigos sócios, que não vivem hoje os problemas do Clube, mas que são do Sporting. O Sporting já foi o clube com mais sócios em Portugal! É preciso contar com eles. São a maioria! E serão eles, connosco, o motor da renovação.
É preciso vencer a indiferença e é preciso viver o sonho do Grande Sporting outra vez!
Mobilização geral!!!
Há dois anos fizemos uma tentativa de reunir algumas boas vontades à volta das ideias de um Manifesto que mereceu a atenção e a concordância de muita gente. A nossa incipiência organizativa e o facto de termos subestimado o poder de sobrevivência da Hidra ditaram os resultados que todos conhecem. O Sporting não sobreviverá a um novo golpe da Hidra.
Tomemos pois todas as inciativas que o nosso Sportinguismo, a nossa capacidade e o nosso dinamismo ditarem, mas façamo-lo de uma forma organizada, solidária e com os pés no chão!
O KL está atento e pronto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Tendências

Surgiu recentemente uma "tendência" entre alguns adeptos e comentadores do universo Sportinguistas que é a de atribuir àqueles que se atrevem a exprimir uma opinião crítica sobre a actual situação do Clube o epíteto de defensores da "política da terra queimada."
Vi-a usada recentemente por um jornalista e por um leitor do KL. Não sei se há aqui um nexo de causalidade, mas há pelo menos uma coincidência temporal. Será, portanto, uma via que se desenha.
Como estes chavões, usados por vezes sem sentido, têm tendência para se espalhar como o fogo no restolho (ainda o tema da labareda...) vale a pena tentar analisar a razão do uso desta expressão.
De entre os casos conhecidos, há um cuja "vítima" foi o blog nosso vizinho Leão da Estrela. Trata-se claramente de um "recadista" e portanto a coisa explica-se. Noutro caso, sucedido aqui no KL, um leitor envia-nos um comentário para a nossa caixa de correio onde, entre outras coisas, me acusa de ser partidário do fósforo.
Ora, esta opinião absurda e infundada, embora legítima e que eu aliás levo a sério, preocupa-me.
Nunca na história do KL alguém poderá detectar qualquer tendência para outra coisa que não seja defender o Sporting com unhas e dentes! Ninguém nos poderá acusar de querer outra coisa para o Clube senão querer torná-lo o mais sublime do Universo. A nossa paixão pelo Sporting não tem limites e não pede meças a ninguém!
Mas, eu não sou parvo, nem ando distraido... Nem, como já referi aqui noutras circunstâncias, confundo sportinguismo (assim, com letra pequena) com Sporting.
E penso. Penso muito nestas coisas e vou achando útil transmitir os produtos destas minhas reflexões aos meus correlegionários e discutir com eles a justeza destas reflexões. E ouço e discuto as suas.
Aqui no KL somos todos bastante informais e por vezes o tom das nossas apreciações e a forma de nos expressarmos pode ser mais ou menos levezinha. Mas, tenham uma certeza: só nos move o Sporting!
Gostaria de poder dizer isso de alguns escribas que todos podemos ler por aí. E gostaria de poder dizer isso da direcção que conduz os destinos do Sporting e de muita gente que gravita em torno do Clube. Mas, não posso.
Percebo, pois, certas reacções oficiais à crítica. Mas, confrange que Sportinguistas anónimos, banais como eu, se envolvam de forma tão assanhada na defesa do indefensável status quo do Clube. Pergunto-me porquê...
O cronista do Público Rui Tavares publica hoje uma crónica, sob o título "Não pergunte", a propósito da questão dos salários dos gestores. Nela refere, a determinado passo: "todos temos a impressão errada de que a maioria da opinião publicada em Portugal é conservadora. Infelizmente, é pior do que isso: limita-se a ser uma reacção instintiva de protecção do status quo."
Não é só a opinião publicada. Frequentemente a opinião dos cidadãos em geral limita-se a "ser uma reacção instintiva de protecção do status quo." E a opinião Sportinguista também padece por vezes desse mal.
Por que raio de carga de água surge esta teoria da "terra queimada" entre adeptos Sportinguistas? Se reconhecem que a terra está queimada digam: quem a "queimou"? Quem tem o poder? Quem chega aos media? Quem anda nas bocas do mundo? Quem faz asneira e se escuda nos "boletineiros" do costume para a adoçar ou apagar? Quem organiza campanhas, quem compõe a imagem, quem compra consciências? Quem entra, quem sai, quem assina os cheques? Não sou eu, seguramente.
Ingénuo será aquele que pensar que eu ou qualquer outro bloguista temos o poder de atear fogo. Ingénuo ou mal formado.
O que temos nas mãos, é verdade, é o poder de contrapor aos boletineiros, aos cirurgiões de "face lift", ou aos organizadores de campanhas uma outra verdade. Que pode ser inconveniente.
Há uma grande diferença entre mim e um qualquer membro da direcção actual do Sporting, guardadas as devidas distâncias. O que eu penso digo-o aqui de caras. E os leitores confrontam-me com as minhas próprias omissões e incoerências ou aplaudem-me (felizmente é mais esse o caso...). Mas, não tenho o poder de queimar o que quer que seja.
Quem pode confrontar os responsáveis Sportinguistas actuais com os seus actos? Onde está a democracia Sportinguista? E quem tem o poder do fogo?
Ainda assim devo confessar que, como referi a um outro leitor do KL que questionou algumas das minhas posições, prefiro mil vezes o confronto de ideias do que a indiferença. É com ela que o status quo conta...
Mas, queimado, meus senhores, só o leite creme.

O bom e o mau no Projecto Roquette (1)

Venho notando uma tendência em alguns dos sportinguistas mais enragés de fazerem uma espécie de flash-back em que quase se mostram nostálgicos dos tempos anteriores à “dinastia” Roquette, como se as desgraças do Sporting tivessem começado então.
Ora, por mais deméritos que tenha (e tem alguns) o chamado Projecto Roquette, dificilmente poderemos dizer que foi com ele que começou a desgraça do Sporting. Atribuamos o seu a seu dono.
Quando Roquette encetou a sua participação na gestão do Sporting, é preciso dizê-lo, fruto de sucessivas “gestões” pato-bravísticas, o clube estava de rastos. Para mim, e para a maioria dos sportinguistas, Roquette constituiu a esperança de uma mudança de rumo do clube, no caminho de uma grandeza patrimonial e duma independência financeira que este não tinha. No papel, o Projecto Roquette parecia bom e fui um dos que, confesso, nele acreditou. Em traços gerais consistia o Projecto Roquette em, por um lado, dotar o clube de infraestruturas (estádio moderno e centro de treinos, que veio a tomar a forma de Academia) que permitissem o desenvolvimento da actividade de eleição do clube, nas suas vertentes desportiva e de negócio. Por outro lado, de um grupo empresarial que estendesse os negócios a outros sectores de actividade, cujos lucros permitiriam que o negócio central (o futebol) não ficasse dependente da “bola na trave”. Isto, como projecto, repito, soou-me bem, na altura.

O que correu mal:
- Os capitais próprios do Sporting (oriundos da constituição da SAD, pela subscrição das respectivas acções) não chegavam nem para a cova dum dente, pelo que se teve de fazer toda a obra com recurso a um montante elevadíssimo de capitais alheios, o que está ainda a custar um balúrdio anual em juros;
- Ao que me dizem, o facto de a construção de estádio e Academia terem sido feitos em regime de administração directa, veio a onerar custos de forma assustadora; ora, havendo um protagonista comum aos dois acontecimentos, é legítimo suspeitarmos que tal se tenha devido a motivos semelhantes aos que fizeram a EXPO98 perder uns milhões de contos com o negócio dos barcos-hotéis;
- Ao cheiro de mais uns milhares de euros, os dirigentes resolveram aumentar a capacidade do estádio em cerca de 10.000 lugares (a comparticipação do Estado era em função do número de lugares dos estádios) o que implicou o sacrifício do pavilhão que era para ocupar o espaço onde, como recurso, se resolveu construir o Alvaláxia;
- O Alvaláxia foi então concebido como fun centre e o seu sucesso dependia do negócio imobiliário a fazer com os terrenos do antigo estádio, pois seriam estes que trariam habitantes e movimento àquela zona. Como se sabe, ainda está para ser decidido este assunto, que envolve o Sporting o Metro e a Câmara de Lisboa e o terreno é, de há uns quatro anos a esta parte, um ermo, no qual até dá medo passar à noite. Nestas condições o Alvaláxia tornou-se num enorme flop financeiro, o Sporting nunca usou os lugares a mais do estádio e ficou sem pavilhão;
- O facto de o Sporting não possuir pavilhão próprio potenciou os prejuízos das actividades chamadas amadoras, o que tem vindo a contribuir para os prejuízos gerais do clube, além de diminuir a capacidade de obter títulos;
- As tais empresas que se constituíram para gerar lucros adicionais aos do futebol (para não se depender da “bola na trave”) foram um outro autêntico flop; não porque a ideia fosse má, mas porque a sua implementação foi tenebrosa. O seu objecto era estranho à “vocação” do clube e quem as “geriu” deve ter-se preocupado com tudo menos com os interesses do Sporting; gastaram-se rios de dinheiro em burocracias e em ordenados, em prejuízo de todos (menos dos que embolsaram esses ordenados);
- O resultado de todos estes factores, somado a uma gestão feita com os pés, traduziu-se em prejuízos de uns 100 milhões de euros durante os primeiros 10 anos da gestão dos tempos Roquette até à eleição da presente direcção (durante a gestão da qual, manda a verdade que se diga, houve alguns lucros).

Em próximos posts tentarei abordar as componentes positivas do Projecto Roquette e a desigualdade de tratamento dos três grandes por parte dos poderes públicos, até chegar ao actual estado de coisas. Por último, tentarei falar na parte sempre mais esquecida, mas que é a mais importante disto tudo: nós, os adeptos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A questão da SAD

A propósito da existência de uma SAD no Sporting devo dizer que não estou nada de acordo com o que Master Lizard vem defendendo no KL.
Não porque eu seja um grande simpatizante da via do grande capital no seio dos clubes desportivos. Tenho aqui uma posição do tipo da que toma o aristocrata de “O Leopardo”, esse extraordinário filme de Visconti: o conde Tommaso di Lampedusa defende a nova tendência mais “democrático-burguesa”, o que parece completamente contra natura. Simplesmente o que ele tem é a clarividência de perceber que o que está em causa é a própria sobrevivência da aristocracia e que só assim é que a consegue garantir.
As SAD são, de facto, uma mistificação. É como se fossem instituições de capital de ponta, mas não passam de maneiras de angariar fundos junto dos adeptos. Estes contribuem para os respectivos capitais comprando acções, por amor ao clube do seu coração. Tirando os especuladores bolsistas, para quem nada interessa se uma acção está cotada acima ou abaixo (no nosso caso muito abaixo) do valor facial porque o que lhes interessa é comprar em baixa e vender mais alto que o que compraram (ou seja, a especulação), ninguém comprou acções do seu clube para com elas ganhar dinheiro. Comprar acções é, pois, uma espécie de esmola que os adeptos dão ao seu clube. (É por isso que afirmações do tipo das que Soares Franco proferiu, de que espera em breve distribuir dividendos aos accionistas da SAD, não podem ser encaradas senão como manobra propagandística; se não for assim, é pior, como tentarei demonstrar.)
Como é que começou a era das SAD? Estava-se numa época em que havia que dar o salto de clubes financiados pelos governos (à pala da “utilidade pública”) para entidades autónomas. No Sporting, foi o tempo de arranque do Projecto Roquette. Este projecto envolvia o investimento de avultados capitais. Como financiá-lo? O Projecto Roquette continha em si os meios de financiamento, que passavam pela constituição de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Também nisto, como em tantas outras coisas, o nosso clube foi pioneiro, graças a Roquette e ao seu projecto. A SAD do Sporting foi precursora de um movimento que se havia de tornar inelutável; foi por isso imitado pelos outros dois grandes clubes rivais e, em seguida, por muitos outros.
Foi, pois, com esta manobra de constituição da SAD que o Sporting angariou alguns capitais próprios e uma credibilidade para obter empréstimos junto da banca. O que lhe permitiu entrar na via moderna quanto a instalações desportivas: estádio e academia de futebol.
As SAD têm uma outra vantagem: ao contrário do que possa parecer pelo seu nome (Sociedade Anónima Desportiva), as SAD são instrumentos de controlo dos clubes pelos adeptos. Isto se, como é o caso no Sporting (nos outros clubes também, nuns mais, noutros menos), os estatutos previrem uma blindagem da maioria das acções afectando-as ao próprio clube. Não podendo ser vendidas, as acções estarão sempre nas mãos do clube, o que permite o controlo da SAD pelos sócios do clube, em Assembleia Geral. Isto é, no Sporting, mais de metade das acções não são anónimas: pertencem ao clube.
Há ainda outra enorme vantagem das SAD cotadas em Bolsa: é que a gestão se torna mais transparente em virtude de as administrações serem obrigadas a tornar públicos os actos de gestão mais significativos. É assim que os adeptos e o público em geral ficam a saber, por exemplo, quanto é que se deu por determinado futebolista.
Por último, não acho que seja possível, hoje em dia e face à actual legislação, regredir no caminho das SAD. Para lá do problema que seria, de repente angariar capital para devolver aos accionistas o valor das suas acções, o clube que fizesse essa regressão colocar-se-ia nas mãos dos futuros dirigentes que elegesse. Duvido que houvesse quem se candidatasse a isso: é que, por lei, os dirigentes de clubes que não têm SAD são pessoalmente responsáveis pelos eventuais prejuízos.
O que fica dito não significa que não tenhamos de estar atentos às manobras que os dirigentes tenham em intenção fazer com a SAD, o clube e o seu património.
O que Filipe Soares Franco apresenta como estratégia de recuperação financeira do clube passava pela alienação do património não desportivo, mas não só. Ele pretende fazer um aumento de capital (por outras palavras, solicitar mais esmolas junto dos adeptos) e alienar uma percentagem significativa das acções detidas pelo clube, pois diz que não é preciso deterem-se 51% das acções (como acontece hoje) para se garantir o controlo da instituição.
Para obter clientes para estas operações FSF pretende valorizar as acções, torná-las apetecíveis junto do mercado. Chegamos então ao mais grave disto tudo: o presidente quer descapitalizar o clube, passando o seu património (estádio e Academia) para a SAD!
Em vez de nos distrairmos com uma inglória luta pela reversão do caminho da SAD temos é de tomar atenção a este tipo de operação, a qual pode ser muito útil no imediato, mas representa o empobrecimento (irreversível?) do nosso clube.