segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Objectivos
Enquanto o Sporting luta por cumprir estes objectivos B, chegam notícias (já largamente divulgadas e discutidas nos meios de informação e em diversos blogs) de que os grandes clubes ingleses de futebol se preparam para "exportar" a Premier League. Não tenho dúvidas que este figurino vai pegar e que se irá mesmo espalhar. O futuro da bola adivinha-se diferente. Nada que não se pudesse, de resto, prever há muito.
Pelo que se pode desde já concluir, face a este novo figurino e numa observação preliminar, as reacções ir-se-ão por certo dividir. Os entusiastas do desporto espetáculo exultam com o novo cenário. Os adeptos actuais dos clubes que se preparam para entrar nesta nova era do futebol espetáculo olham para tudo isto incrédulos e interrogam-se.
Mas, a nave move-se, indiferente...
Esta tentativa de transformar o futebol numa coisa tipo NBA ou NHL e a sua exportação já vêm de longe. A entrada dos grandes capitalistas americanos no futebol inglês e da consequente "empresarialização" do futebol devem ter acelerado o processo. Podemos esperar que se a história futura da bola for por aqui haverá uma reacção noutros países com Ligas fortes e clubes de primeiro plano. Que estarão já, certamente, a fazer as suas contas e a planear já o seu futuro.
Podemos imaginar facilmente duas consequências de tudo isto.
Os clubes ingleses irão, por um lado, ganhar decerto muitos novos adeptos em Singapura, nos Estados Unidos, no Japão, etc. O futebol vai ganhar um novo ímpeto. A fasquia vai-se elevar, os orçamentos, as remunerações dos jogadores, os valores das receitas vão saltar para níveis que utrapassarão muito aqueles que já hoje nos fazem abrir os olhos de espanto. Não parece suscitar dúvidas a ninguém que o futebol vai entrar generalizadamente numa nova era feita de fidelidades geradas em grandes operações de marketing. O novo "adepto" que se está forjar é um adepto de plástico, superficial e volúvel, de uma fidelidade volátil que se (co)moverá ao sabor das promoções...
Os adeptos tradicionais, por seu lado, não podem deixar de olhar para tudo isto com alguma ansiedade. O que vai querer dizer "ser adepto" de um clube daqui a uns anos? Com base em que valores se vai alicerçar esta nova relação entre os adeptos e os novos "clubes-espetáculo"? O que vai ser dos adeptos dos clubes da "velha guarda"? Como se irão integrar nesta nova ordem do futebol espetáculo?
Adivinha-se facilmente vários tipos possíveis de reacção. Uns entrarão sem grandes hesitações nessa nova ordem. Mas, outros optarão por "descer" juntando-se a clubes mais pequenos, ou escolhendo novas formas de organização que se vão multiplicar (novos clubes forjados na dissidência dos antigos clubes, organizações de adeptos fora do âmbito dos clubes, etc.) Outros, ainda, desistirão simplesmente da bola. Uma coisa me parece certa: ninguém vai poder abster-se de tomar uma atitude.
Face a tudo isto temos de colocar a pergunta inevitável: o que vai ser do Sporting no quadro desta nova realidade que parece incontornável? Que futuro para o Sporting? Como está o Sporting a preparar-se para as mudanças que aí vêm? Que trunfos tem o Sporting nesta nova ordem clubística que se antecipa? E quais são, sobretudo, as suas fragilidades? Que modificações irá esta nova ordem introduzir numa instituição como o Sporting? De que forma se reflecte tudo isto no presente e de que forma se irá reflectir no futuro da organização do Clube? Conseguem os Sportinguistas vislumbrar alguma estratégia para lidar com tudo isto? Estarão os Sportinguistas conscientes destas novas realidades que aí vêm?
Enquanto se prepara para cumprir mais uma etapa desta fase "Objectivos B" (desportivos e de gestão), que se espera que seja ultrapassada com êxito, e se diverte à procura do bufo, o Sporting está confrontado com um desafio para o qual me parece não estar de todo preparado. Estarão os Sportinguistas conscientes da inevitabilidade de estabelecer, de forma sustentada e com alcance verdadeiro, uns "Objectivos A" para o Clube?
Que cenário para o futuro do SCP do século XXI?
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Jogo do Iordanov - Bilhetes a preços populares e estádio cheio
Os símbolos são uma coisa esquisita. As instituições também. Das relações entre ambos só podem sair coisas estranhas.
Uma das piores coisas que os sportinguistas fazem a si próprios é olhar para a selecção e deleitarem-se com o facto de a maioria ter aprendido qualquer coisa no clube (não o Ricardo, sejamos claros).
Isso só traz confusão sobre quais são os símbolos do clube e qual o papel do clube perante os seus símbolos e perante os seus profissionais.
Também leva a que haja verdadeiros Sportinguistas a ficarem confusos quando jogadores adversários que se formaram no clube são substituídos.
E que muitos de nós não compreendam que os jogadores, que tendo sido formados no clube, ao regressarem ao País vão para os nossos principais rivais
O problema, e grave, é que o clube está a perder referências e identidade e já ninguém se entende sobre nada ( e este post está a caminho de ser uma confusão se não tenho cuidado).
Tentando ser sintético para que possa publicar alguma coisa, evitando assim críticas do Master (ele próprio um símbolo deste blog):
1- Populismo demagogo
A direcção podia ter retirado o valor da organização do jogo ao prémio dado ao Carlos Freitas. Com isso não aumentava os custos e ajudava-o a perceber melhor o que é ser do Sporting….
2- Princípios
Mesmo perdendo dinheiro se está prometido está prometido
... Eu também vou ao jogo do "mochilas" mas aviso desde já que processarei a direcção se resolverem colocar os bilhetes a preços que se destinem a demonstrar que tinham razão. Um estádio cheio a preços populares é o que o Iordanov merece!
Alguém, algures na blogosfera, escrevia: “formem-nos que nós cá estamos para os contratar e ganhar”.
Há quem ache que criticar o clube que vive estas realidades é ser pelos outros. Devem preferir ser fuzilados a gritar “viva Stalin”, a pôr em causa os seus próprios dogmas.
Numa altura destas não será de aproveitar esta jornada para uma manifestação de grandeza do clube?
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Sporting condenado no caso Iordanov
Tendo em conta o significado que o atleta sempre teve para os adeptos Sportinguistas, depois da carreira que fez no nosso Clube, depois das vicissitudes por que passou, dificilmente, creio, existirá um Sportinguista que não tenha olhado para todo este caso com um misto de indignação e espanto.
Agora soma-se a vergonha.
"Ideias que não colam"
"Se as ideias novas são artificiais e o país real não muda, conclui-se que as alterações de regime são sempre deploráveis porque interrompem o curso natural das coisas," observa Rui Tavares.
Numa palavra, os partidários do regime monárquico argumentam afinal, para defender a sua dama, que D. Carlos (como a minha avó) se não tivesse morrido ainda estaria vivo... D. Carlos, não fora o regicídio, teria transformado Portugal numa espécie de Inglaterra, "liberal, mas amante da ordem." Ora, "tomar os regimes pelo fim não nos permite explicar uma coisa, ou pelo menos reflectir sobre ela," alerta o cronista. "[O] reinado de D. Carlos I (que durou 20 anos) [teve] tempo mais que suficiente para evoluir 'naturalmente'. (...) Pelos vistos, pretende-se que os regimes não evoluem para sociedades abertas por culpa das oposições - e não da cegueira dos próprios regimes ou do egoísmo das elites que beneficiavam deles." Uma ideia que, como conclui Rui Tavares (e nisso estou de acordo com ele), "não cola."
Ao ler as palavras do cronista não posso deixar de pensar no Sporting. Perdoem-me e perdoe-me, sobretudo, o Rui Tavares... Esta associação de ideias não deixa de ser irónica porque o que desde sempre advogo é um Sporting seguidor fiel dos seus princípios fundadores, da ordem portanto...
Mas, vejo na maneira como a crítica (nem falo de oposição!) é tratada, na cegueira e no egoísmo que as elites que beneficiam deste regime ditado por esta "monarquia" esfandongada que domina desde há mais de uma década as instâncias de poder no Sporting, vejo no próprio advento da crítica, nos termos e no tempo em que emerge, traços que me fazem pensar que também o que se passa hoje no Sporting não cola com a realidade daquilo que os Sportinguistas (creio que na sua maioria e gostaria que uma eleição permitisse provar isto de uma vez por todas!) desejam para o seu Clube.
É portanto de uma questão de regime e não de uma ocasional e transitória reforma deste ou daquele procedimento que estamos a falar quando advogamos a mudança. Quem tem então medo de uma mudança de regime no Sporting? E quem é que não quer a mudança?
Qual é o Sporting real neste ano de graça de 2008?
Já agora..., ontem, ao mesmo tempo que no futebol encaixávamos mais uma derrota no Restelo, as equipas de atletismo do Sporting renovavam o título nacional de pista coberta. Não sei se alguém deu por isso. Principalmente os inquietos situacionistas do costume...
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Citações...
"O que se passou ontem no Bessa não é infelizmente excepção, é regra. E a regra não pode ser mudada por quem obedece, mas sim por quem manda."
"A culpa dos maus resultados e do mau desempenho do Sporting não se fica a dever ao que o presidente Soares Franco faz. Fica-se a dever ao que ele não faz!"
"Na história da Humanidade houve grandes impérios, grandes nações, grandes instituições que foram varridas do mapa. Por vezes foram-no apesar de uma luta feroz para manter a sua grandeza. Mas, não há nenhum grande império, não há nenhuma grande nação, não há nenhuma grande instituição que não tenha de lutar para manter a sua grandeza. A luta é a condição da grandeza e a única realidade que espera quem aspira à grandeza.
O que nunca admitirei em circunstância alguma é que a grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal se arrisque a ser varrida do mapa e se resigne a desaparecer sem luta!"
"O dado novo e relevante é este: já não é, nem a direcção, nem os adeptos que dominam a agenda 'Treinador' neste momento. Estamos todos suspensos à espera do desenrolar dos próximos capítulos..."
"Há tempos reclamei aqui, a bem da dignidade de todos os intervenientes e a bem do Clube, a demissão da actual direcção. Esperemos que esta demissão não se venha a processar apenas após termos de passar pelo habitual calvário dos lenços brancos, dos coros de insultos, das esperas, etc. É que o Sporting, um Clube que já está bastante fragilizado, não vai aguentar muito mais cenas deste tipo sem entrar em colapso geral e irreversível."
"É a Hidra que constitui o problema!"
Desculpem as citações...
É urgente mudar!
A questão não advém apenas de não me rever nesta Direcção; que me lembre nunca me senti particularmente entusiasmado por nenhuma delas, desde a do João Rocha, antes de 74. O que se está a passar agora, no entanto, preocupa-me sobremaneira. Como associação centenária e com a História que tem, o Sporting deve assumir responsabilidades não só perante os seus sócios, mas perante os adeptos, e até para com o próprio país, enquanto sede de uma memória e sentir colectivos. Sempre achei que, para além da questão de ter melhores ou piores resultados que os outros clubes, o que não deixa de ter a sua importância, ser do Sporting era ser diferente. Ser do Sporting era mais do que ganhar ou perder campeonatos. A verdade é que a agenda e a postura da actual Direcção do Sporting mais não tem feito do que gerir os destinos do Clube, como se de uma empresa em situação económica difícil se tratasse. Não digo que a situação actual, muito em consequência de um Projecto Roquette completamente falhado, não seja difícil e não mereça decisões ingratas para fazer face às dificuldades económicas e de tesouraria que atravessam o Clube. O que entendo é que essa luta tem que ser feita com os sócios e não apesar dos sócios. As atitudes desta Direcção, pelo contrário, levam-me a acreditar que mais do que um sentimento de desprezo, subsiste nela uma postura de agressividade e de menosprezo pelos sócios, como se estes pudessem perturbar a concretização de um programa particular, que não se pretende submeter a discussão ou julgamento. Como se soubessem melhor do que nós a sopa que temos de comer e aquilo que é bom para nós.
Enquanto associação, as decisões no Sporting ainda devem emanar das posições colectivas dos seus sócios. E as Direcções do Sporting devem servir os sócios do Sporting e não fingir que eles não existem, ou pior, fazer tudo de facto, para que eles não existam. (aquilo a que assisti à entrada de Alvalade no dia do Sporting – Porto, junto à Porta C, polícia de choque a gozar com os sócios do Sporting, e eu a ver adultos, velhos, crianças, senhoras, o meu filho, o meu pai, pessoas cuja única coisa em comum naquele momento era a de quererem estar juntos, ver a sua equipa jogar e divertirem-se, a serem tratados como se de verdadeiros hooligans se tratassem, ou pior, como um rebanho de animais, deixou-me enojado com a forma displicente como se organizam as coisas em Alvalade e, na verdade, como os nossos dirigentes olham para aqueles que tudo deviam justificar)
Começo a ficar indignado quando percebo que o facto de se desvalorizar declaradamente o estatuto de sócio, de não se estimular a associação de novos sócios e de se ignorar sistematicamente a sua existência, tem muito mais a ver com a necessidade que a Direcção sente de maior poder e autonomia na condução dos interesses que hoje, mais do que há uns meses atrás, sinto que não têm nada a ver com os interesses do Sporting, mas sim com os interesses materiais de algumas instituições que precisam mais do Sporting do que o Sporting precisa delas.
Acho que chegou a altura da indignação. O Sporting não pode ser apenas um clube de futebol com um Estádio à volta. É preciso voltar a assumir o ecletismo que sempre foi uma máxima do clube. É preciso construir um pavilhão, apostar em outras modalidades amadoras, pôr o Sporting a viver na vida de muito mais gente. Tornar o Clube sede do orgulho de muita mais gente. Apelar ao sentido colectivo e de solidariedade dos sócios e simpatizantes e ao Sportinguismo.
Eu gosto muito de ver o Sporting à frente. Mas prefiro não ganhar mais campeonatos durante vinte anos, a voltar a sentir a tristeza que senti à entrada de Alvalade no outro dia. Prefiro pagar as cotas suplementares do tempo do Santana Lopes. Prefiro até voltar a ser humilhado pelos Vikings. Não posso é ver o clube a desaparecer lentamente, sem ícones sequer a que se agarrar. Sem Agostinhos, Mamedes, Bessones Basto. E nem quero pensar no que vai ser quando desaparecer o Prof. Moniz Pereira.
É urgente encontrar novas alternativas a esta geração de dirigentes. O Sporting não pode ser encostado à parede como se não houvesse opções. O Sporting tem que voltar a ser dos sócios!
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Sobre o respeito
Uns criticam a organização actual do Sporting, questionam em primeiro lugar a linha de gestão que tem sido seguida de há 12 anos a esta parte, põem em causa as suas estratégias ou a falta delas, e chamam a atenção para o estado lastimoso em que, na sua opinião, caiu a instituição.
Outros criticam os críticos, porque acham que a defesa do Sporting é um valor sacrossanto e a crítica só induz a criação de mais problemas. O problema do Sporting está, na opinião destes, nos que imaginam haver problemas.
Há os que pensam que há de facto problemas, mas acham também que ao questionar o actual status quo se está a contribuir para uma indesejada escalada desses problemas. Há outros que pensam que se os problemas não forem tratados, qualquer dia não haverá problemas com a instituição, porque não haverá instituição. Há também quem pense que tudo está bem e que estamos a caminho de um mundo a verde e branco.
Haverá uma percentagem de exagero em todas estas posições. Haverá também uma percentagem de razão em todas estas opiniões. E é certo que todas estas posições têm intenções, argumentações e defensores legítimos.
Ambos, no entanto, dão ipso facto como adquirido que há crise (para uns no Clube, para outros nos adeptos do Clube). Seja quem for o autor da crise (interno ou externo), o certo é que todos estamos de acordo: há crise!
Sou adepto da unidade e portanto se esta discussão é factor de desunião entre os Sportinguistas temos todos de fazer um esforço para nos entendermos e para chamarmos os mesmos nomes às coisas. Temos obrigação de encontrar um terreno comum de discussão. E o pior que pode acontecer ao Sporting, aquilo que poderá levar à sua extinção tal como o imaginamos hoje, é ignorarmos os problemas e virarmo-nos uns contra os outros ou sermos indiferentes a tudo isto.
Há, seguramente, uma crise: de unidade. E essa crise de unidade tem cláusla única causa a falta de respeito.
Se outras razões não existissem, o facto de estarmos todos envolvidos nestas trocas de pontos de vista, por vezes acaloradas, prova que há modos diferentes de encarar a situação do Sporting e que estes diferentes pontos de vista necessitam de clarificação. Mas, por uma questão de respeito e de solidariedade clubística os que pensam de maneira diferente têm de fazer um esforço para tentar perceber os argumentos dos outros, reflectir sobre os seus pontos de vista e contra-argumentar de forma que não agrave as divisões que hoje manifestamente se começam a esboçar. Quem não concorda comigo não me pode insultar e ignorar os meus pontos de vista. Tem de me combater no terreno onde eu estou a jogar, que é o terreno das ideias e o terreno do amor ao Clube. Eu tento fazer o mesmo. Por mim tenho ideia que o Sporting atravessa um período conturbado, que esta situação não é de hoje e está a colocar em perigo o Clube que todos amamos, ou dizemos que amamos. Por mim, vejo que há muita gente que se afastou e continua a afastar do Sporting porque a instituição deixou de respeitar os valores que atraiu essa gente ao Clube. Acho que muitos subestimam tudo isto.
Mas, quando afirmo tudo isto e o faço em nome do amor que tenho ao Sporting, tenho que necessariamente dizer que substituir Sporting por Sportinguistas, porque são eles o símbolo e o veículo dos valores do Sporting.
O Sporting é uma instituição feita por pessoas. Os seus valores, a sua história, os seus pergaminhos são valores relativos a pessoas, não são valores abstractos. Amar o Clube é amar, antes de tudo, as pessoas que o formam solidarizar-se com elas, ir ao encontro delas. Pelo respeito que todos nos devemos uns aos outros, temos de nos unir, temos de nos ouvir e temos de reflectir sobre os diversos olhares que avaliam o que é o Sporting hoje. Não é aceitável que eu porque acho que há crise insulte alguém que pensa de forma contrária, nem é de todo aceitável que alguém que pensa que o Sporting está a viver no melhor dos mundos me venha dar lições de moral Sportinguista e me insulte a mim. Temos todos direito aos nossos pontos de vista e todos deveríamos fazer um exercício sério de conciliação desses diferentes modos de ver o Clube. Este exercício é uma exigência democrática e é um imperativo de inteligência. O modo de promover o debate não é o insulto.
O Sporting tem, por seu lado, de encontrar mecanismos que assegurem a discussão destes assuntos. As crises vêm da indiferença. O Sporting tem de reflectir as grandes aspirações dos Sportinguistas. Os Sportinguistas têm de se sentir refletidos no Clube. O Sporting não é a SAD, nem sequer é a direcção. O Sporting são os Sportinguistas. A SAD ou a direcção são ferramentas do poder Sportinguista. São instrumentos do Sporting. Simbolizam o todo Sportinguista. Não são o Sporting! O Sporting não se esgota na direcção e muito menos na SAD... O Sporting tem de ser dos Sportinguistas. Não é dos procuradores ou dos gestores da massa falida. HÁ MAIS SPORTING PARA ALÉM DA DIRECÇÃO!
Sejam os leitores partidários de um ou de outro dos pontos de vista que citei inicialmente, uma coisa podem ter a certeza: nunca como hoje houve um perigo tão real de desagregação do Sporting Clube de Portugal. Ninguém neste momento promove a unidade Sportinguista. O Sportinguismo é um valor em queda livre que ninguém nutre nem preserva. Há dias um conhecido comentador Sportinguista chamava a atenção para a assistência ao jogo do Porto. Exultava com aquilo que classificou de presença maciça. Não se iludam com assistências! No estádio de Alvalade para um jogo com o Porto deveriam estar mais de 50.000, não 30.000. E dos 30.000 que lá estiveram muitos o fizeram porque apoiam o Clube, mas também apoiam mudanças no Clube. Porém, neste momento são já mais os indiferentes.
Está nas mãos de cada um de nós evitar a desagregação do Clube ou a sua morte por falta de matéria-prima, i.e., Sportinguistas. O Sporting, ao contrário do que muitos possam pensar, não é uma realidade intemporal e abstracta. O Sporting é o que nós decidirmos que o Sporting é. Se quisermos um Sporting de todos, aberto, nobre, inteiro isso só pode ser obra colectiva e solidária. Infelizmente, eu vejo sinais de clivagem. E tenho a certeza absoluta que muitos dos meus leitores me darão razão.
Evitemos pois a clivagem.
E respeitinho! Porque, como se dizia antigamente, respeitinho é uma coisa muito bonita!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Serão os adeptos?
Temo que a questão PB é pior que estes fait divers, porque me parecem situações internas e orquestradas que levam o mais santo dos Paulos ao desespero, quanto mais o nosso PB.
É engraçado que o comentário do jornal do Darryl Jenks à actuação do Celsinho seja: “Chegou, viu e não convenceu (ou não venceu, não me recordo)”...
A Bola de hoje diz que PB está sozinho e nós sabemos que é bem verdade que 2 anos em Portugal desgastam, que muitas vezes o trabalho de um treinador é injustamente avaliado e que apoio público da direcção... é pior que deserto. Parece-me que a questão é muito mais de falta de apoio interno. Assobios justos ou injustos são pequeno-almoço dos técnicos, ossos do ofício direi.
Até porque geralmente temos tendência para esquecer que PB é uma pessoa e que por muito que necessite de melhorar a comunicação, e eu acho que necessita, já demonstrou que é directo e justo no que diz (é claro que há episódios como o de Stoy onde a coisa não funcionou), que tem margem de progressão ao nível técnico e táctico e que tal como nos deve começar a pensar que o discurso da gestão rigorosa só tem servido para lhe justificar as compras no lidl onde ninguém conhece as marcas e por vezes saem coisas razoáveis.
Meus caros Raul e Master, na minha opinião não são os adeptos que preocupam PB. O que o preocupa é este “rigor” leonino onde os números nunca batem certo e servem, sempre para justificar a limpeza da “marca” para que alguém fique com o oiro, qual empresa pública em fase de privatização.
Apelo aos adeptos
O vulgar adepto, o mesmo que assobia o treinador, é muito volúvel. Se o Sporting começar a ganhar jogos sucessivamente, daqui até ao fim da época, depressa o treinador passará de besta a bestial e de nabo a génio, mesmo que meta o Puro e o Pontus de início.
Nós, editores de blogues, além de adeptos como os outros, somos, à nossa mais ou menos modesta medida, fazedores de opinião. Temos, pois, responsabilidades acrescidas, pois parte dos assobios ou aplausos futuros dependem da influência que as nossas análises tenham sobre os adeptos. E, por desejarmos as vitórias do nosso clube, é nosso dever, penso eu, no conturbado período que vivemos, contribuir para a serenidade e a tão falada tranquilidade do grupo de trabalho da equipa de futebol.
E penso não estar a ser demasiado optimista se disser que é ainda bem possível, para não dizer provável, que o resto da época nos venha a trazer bastantes alegrias. Os sinais estão aí:
- Recomeçámos a ganhar jogos;
- Entraram dois reforços para a equipa (apropriados quanto às funções em campo, mas desconhecidos quanto ao valor);
- Alguns dos jogadores contratados no início desta época (Izmailov, Vucevic, mesmo Celsinho) começam a mostrar um maior entrosamento com os outros;
- Alguns dos lesionados começam a ficar disponíveis, nomeadamente Pedro Silva e Derlei;
- O tempo de vacas magras permitiu afirmações inesperadas de jogadores em funções que não lhes pareciam adequadas, mas onde podem ajudar a colmatar insuficiências da equipa; casos de Pereirinha a defesa direito e de Vucevic como segundo ponta-de-lança.
É, pois, a pior altura para se pôr em causa a competência do treinador.
Este, dentro das capacidades que possui, tem sido um exemplar servidor do clube que lhe paga. Eu, se fosse treinador do Sporting e olhasse para o banco em certos jogos em que é preciso alterar a equipa para ver se ela rende mais, era capaz de deitar as mãos à cabeça. Coisa que Paulo Bento não faz. Não se queixa do plantel que lhe deram (ele terá alguma responsabilidade nas escolhas, mas não a principal, dadas as limitações financeiras e o facto de não ser ele a fazer as contratações), nem das sucessivas lesões que o limitaram.
O que acontece é que, neste mundo cão que é o do futebol, arcar-se como ele arca com as limitações de qualidade dos jogadores, defendendo-os sempre que são postos em causa, acaba por se virar contra ele. Ele paga, pois, pela sua frontalidade, por defender os elementos do seu grupo de trabalho. Em suma, por ser um homem de carácter.
O problema está no imediatismo pouco inteligente duma parte dos adeptos (é só uma parte mas, sendo ruidosa, tende a fazer mossa) que, sequiosos de vitórias, se atiram ao treinador quando estas tardam, porque ele é o alvo mais fácil, assim se entretendo a dar sucessivos tiros nos pés.
Esses adeptos, nestas alturas em que vêem o campeonato com asas, esquecem as fraquezas do plantel, ainda por cima debilitado por lesões sucessivas, e o facto de que Paulo Bento já superou duas crises em épocas anteriores. E que, como digo atrás, estão-se a incrementar as condições para que o faça pela terceira vez em épocas consecutivas.
Não! No Sporting as questões não se limitam à competência do treinador. Elas mergulham fundo na política dos dirigentes, que, por condicionarem todos os actos de “gestão” aos interesses da banca, sacrificam tudo ao abatimento do passivo (duvidando-se que, mesmo quanto a isto, as atitudes tomadas sejam as que melhor servem os interesses do Sporting), com prejuízo do investimento no "negócio" principal do clube: o futebol.
Tudo isto pelo receio que tenho da memória dos adeptos; assim como uma sucessão de vitórias faz esquecer os eventuais erros, uma única derrota (no próximo Domingo, contra o Belenenses) pode deitar toda uma época por terra.
Eu tenho vindo a fazer o que acho que, como sportinguista, é meu dever, alertando para que não façamos o jogo dos nossos adversários, ao lançarmos o odioso da situação menos boa sobre quem é seguramente o menos responsável pelo que de mau nos vem sucedendo; sobre quem vem, à sua maneira, defendendo o seu grupo de trabalho e tem sido por tal penalizado em vez de louvado: o nosso treinador, Paulo Bento.
Estamos em fase de saída da crise desportiva. Fase em que é, mais do que nunca, da maior importância a união dos adeptos em torno da equipa de futebol. Sejamos pacientes, pois tudo indica que a tendência é para melhorar.
VIVA O SPORTING!
Reflexões, assobios e reacções em cadeia
A questão é, no fundo simples: os insultos, assobios e impropérios lançados contra jogadores, técnicos ou dirigentes são coisas inaceitáveis à luz dos princípios de boa educação. Ponto final. Mas, volta não volta, lá vêm eles. São uma realidade, tão inevitável como os impostos... Neste Sporting do "paga e cala" não se vislumbram grandes alternativas para mandar mensagens simples...
E o que fazem os guardiões dos bons princípios? Escolhem ignorá-los, remetem-nos para a categoria dos epifenómenos e zurzem os seus autores.
Contudo, as pias intenções dos guardiões dos bons princípios não evitam o recrudescimento regular destes actos. Que intepretação dão então os pios? São manifestações de má educação e devem ser criticadas. Eles criticam. E os fenómenos acabam? Não! Voltam na primeira oportunidade.
E é isto! Andamos nesta "pescadinha" sem conseguir resolver o problema, nem explicá-lo sequer.
O ciclo tem, porém, forçosamente de ser quebrado.
Desta feita o feliz contemplado foi Paulo Bento. Esperar-se-ia que fosse o Clube, os seus responsáveis ou os seus membros a debater o assunto e a tentar uma resposta. Mas, não. É Paulo Bento, um funcionário do Clube, que nem sequer é do Sporting, a fazer luz sobre o assunto e a fornecer-nos matéria de reflexão.
Diz ele que há uma espécie de saturação, quer da parte dos adeptos em relação ao treinador, quer, se calhar, do treinador em relação aos adeptos.
A constatação destes factos é uma das coisaas mais interressantes que aconteceu no Sporting dos últimos anos e a análise dos mecanismos deste fenómeno contém dados muito positivos e lições a tirar.
Enquanto os pios preferem ignorar o assunto ou atribuir culpas aos suspeitos do costume, Paulo Bento chama as coisas pelo nome e de um golpe só fornece-nos os dados para perceber tudo isto: o grau de insatisfação é claro e patente, há um status quo que teima em não se alterar e não é manifestamente satisfatório. O descontentamente é o caldo de cultura em que vive o Sporting desde há anos (PB, ele próprio, junta até dados estatísticos para que os mais incautos não se esqueçam...). Ora, PB faz parte desse status quo, e não há outros mecanismos para expressar de forma aceitável o descontentamento, nem da parte dos adeptos, nem da parte dele, Paulo Bento, vis-a-vis o sistema que está montado.
E o que fez ele? Devolveu o assobio e o insulto à procedência. Ninguém jamais fez isto no Sporting.
Esta troca de mimos quer dizer, por mais voltas que lhe queiram dar, que há uma estrutura intermédia que devia funcionar entre o técnico e os adeptos que não está a funcionar. PB inteligentemente pressente a armadilha e sabe que deste confronto só poderá sair derrotado e, portanto, redirecciona as culpas para quem de direito. E quem de direito reage da forma mais básica e óbvia: vem mais uma vez afirmar o seu o apoio a PB. Quantas vezes precisa a direcção de manifestar esse apoio? E porque precisa a direcção de expressar esse apoio?
Estas sucessivas juras de amor não devem comover muito um treinador que sabe o papel que desempenha nesta embrulhada, mas que dá neste momento sinais fortíssimos de que não está disposto a aguentar essa situação por muito mais tempo. Ele aliás teve o cuidado de se precaver logo desde o início dizendo que nunca exigirá nada ao Clube, no caso de enventual desvinculação. Sairá, se tiver de sair por iniciativa própria, cheio de moral! E, ou acautela o futuro, ou a sua carreira como treinador ficará seriamente comprometida.
A direcção, que parece apanhada de surpresa com tudo isto, apressa-se a fazer-lhe discursos laudatórios, mas a decisão já deve estar tomada e PB não vai querer sair por baixo e em baixa do Sporting. Não estou a ver PB a submeter-se ao vexame dos lenços brancos (ainda não aparecereram, já repararam?) que podem rebentar a qualquer momento, nem o tenho por chantagista...
Cito as palavras do Raul no seu post anterior, relativamente à subsituição de Farnerud, quando pergunta "No entanto, olhem para o banco do Sporting e digam-me lá quem é que punham a jogar?" Mas, se é com isto que PB conta e se a matéria prima de que dispõe é o que é, que resultados pode ele almejar? E se não atingir os resultados esperados de quem é a culpa? Dele?!
Ele sabe, melhor do que ninguém, que uma subsitituição de treinador nesta altura "seria desastrosa", como refere ainda o Raul. Mas, quem tem, de facto, culpa do eventual desastre? E se ele não tiver sucesso estará disposto a arcar com as consequências?
Para o grupo musical "Os Alegres do Assobio", que actua em Alvalade quando é preciso, não haverá dúvida.
E o PB vai-se sujeitar a isso? E o coro vai meter o assobio no saco? E quando (se) Paulo Bento bater com a porta quem será, ou quem serão as próximas vítimas?
O dado novo e relevante é este: já não é, nem a direcção, nem os adeptos que dominam a agenda "Treinador" neste momento. Estamos todos suspensos à espera do desenrolar dos próximos capítulos...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
UNIÃO DE BLOGS LEONINOS
Os seus fundadores são:
- Sangue Leonino http://www.osangueleonino.blogspot.com/
- Centúria Leonina http://centuria-leonina.blogspot.com/
- King Lizards http://kinglizards.blogspot.com/
- A Última Roulote http://ultimaroulote.blogspot.com/
A ideia principal subjacente a este projecto prende-se com a promoção de ideias/projectos que, uma vez discutidas e aprovadas no seio da UBL, permitam uma exposição simultânea em todos os blogs aderentes. O know-how resultante dessa mediatização, será aproveitado e incorporado num documento final a apresentar ao Sporting, se for caso disso.
Os documentos aprovados pela UBL serão publicados em todos os blogs que dela façam parte.
Esta iniciativa é aberta a todos os participantes da blogosfera que queiram aderir. Como requisitos para participação nas reuniões da UBL, deverão ter espírito Democrático e como único interesse elevar o nome do Sporting Clube de Portugal.
Inscrições em:
- Pelo Sangue Leonino: luisferreirahenrique@sapo.pt
- Pela Centúria Leonina: verdao@netcabo.pt
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Quanto tempo mais?
Nada que não se percebesse já há muito tempo, mas agora é mais claro do que nunca.
Lamento profundamente dizê-lo, mas o adiamento da solução desta situação não se pode aplaudir.
Já há tempo Paulo Bento tinha sugerido que as resposabilidades têm de ser assumidas de forma hierarquizada. Quando disse isto Paulo Bento revelou, talvez sem querer, que o problema do Sporting está (estava na altura e continua) longe de ser um simples problema de resultados. Mas, agora temos um dado novo: Paulo Bento parece farto deste seu papel no altar dos sacrifícios Sportinguista. Ainda bem. O que ele terá "aguentado" até agora só pode dizer bem do seu carácter. Se, de facto, o Sporting pudesse ter um Ferguson eu apostava também nele...
Mas, nem o Sporting é o Manchester, nem, sobretudo, esta direcção demonstra ter estofo daquele que a gente necessita e, portanto, esta novela só pode ter um fim.
Repito: o adiamento desta solução não se pode aplaudir e o facto de não conhecermos, no momento, nenhuma alternativa credível para ocupar a direcção dos destinos do Sporting não pode constituir desculpa para evitar o inevitável. A desculpa da falta de alternativa cria uma espécie de ditadura dentro do Sporting e a factura dos "ganhos" desta pretensa "estabilidade" vai-nos cair em cima com estrondo! E, se calhar, o facto de não se convocarem eleições antecipadas é uma excelente desculpa para os vários possíveis candidatos credíveis a dirigentes do Sporting continuarem a tirar o cavalinho da chuva. Convoquem-se eleições, promova-se o debate e vão ver se não aparecem logo alternativas!
Inácio dizia hoje na TSF (*), claramente, que os treinadores do Sporting são a tropa de choque para camuflar os desaires das direcções. Falou num muro de betão que, no caso do Porto, a direcção forma entre os sócios, por um lado, e a equipa técnica e o plantel, por outro. Ele saberá melhor do que ninguém do que fala. Nós que andamos antentos sabemos isso. Nem é preciso conhecer por dentro a realidade.
Acabem com o sacrifício!
(*) Já agora Inácio, daqui se me escuta, aproveito para lhe dizer, a propósito destas suas declarações, que, eu como sócio do Sporting, honrá-lo-ei sempre pelo facto de nos ter tirado do jejum de dezoito anos e sempre achei um acto verdadeiramente canalha esse de, após essa histórica conquista, lhe terem tirado o tapete!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Com Paulo Bento, para superar a crise

Patrício A
Não posso deixar de assinalar a convocação de Rui Patrício para a Selecção Nacional. Tratando-se de um guarda-redes, de um jovem e de um "produto" (isto sim!) com a marca Sporting, esta distinção não pode deixar de nos encher de satisfação. A boa exibição contra o Porto terá sido a proposição ou o corolário desta convocatória...Confesso que admiro o modo como Rui Patrício aparenta passar ao lado destas polémicas em torno do guarda-redes titular da equipa sénior do Sporting, seguindo determinado com o seu trabalho. Poderá ser essa a qualidade que Scolari distinguiu.
O Sporting está desde há muito na sombra das convocatórias para a Selecção A e já era tempo de ter um lugarzito ao Sol.
É das coisas que mais me dói e um dos grandes mistérios deste Clube: ver o quase toque de Midas do Sporting por todas as selecções e depois olhar para dentro e encontrar a casa totalmente desarrumada.
Dá mesmo que pensar...
domingo, 27 de janeiro de 2008
Festejemos a vitória
Desconfio que você, ou lê o KL ou tem alguém que lhe sopra o que por aqui vou escrevendo. Se assim for fico satisfeito...
Hoje na conferência de imprensa (acabou há segundos e eu já lhe estou a escrever, calcule a minha devoção...!) você disse que o Sporting, se for novamente à Champions, ou seja, se ficar em segundo lugar, terá pelo segundo ano consecutivo uma classificação melhor do que aquela que tem tido, em média, nestes últimos 27 anos. Pareceu-me que estava a dar um recado. Mas, eu próprio, aqui há tempos, lhe lembrei isso mesmo aqui nesta página. Lembrei-lhe isso a si e a muitos Sportinguistas distraídos que por aí andam, com uma visão soft dos problemas do Sporting.
Hoje, claro, você e os seus jogadores ofereceram-nos uma vitória porreira sobre um F.C. do Porto e um "mr. Jesualdo" indigente mental, que nunca se conseguem mostrar dignos na vitória ou na derrota e que, por isso, foram especialmente bem batidos.
Mas, a nossa frustração não se curou por milagre (até porque o Sporting ainda está dentro da média...)
Mais: você acrescenta que as crises aparecem e desaparecem, como se fossem coisa criada em laboratório. Mas, está engando. E quando fala na vitória de hoje como se ela tivesse apagado a crise e resolvido os problemas que o meu Clube vem enfrentando há anos mais engando está!
As crises do Sporting não vão e vêm... Estão! São! Aliás, não há crises. Há uma crise apenas, única, que está sempre latente e pende permanentemente, em primeiríssimo lugar, sobre as cabeças de todos vocês que ocupam cargos de responsabilidade no Sporting. Uma crise pronta a rebentar em qualquer altura que se chama "Falta de Projecto".
A curva mais apertada que o Sporting tem feito nestes últimos tempos não acabou ainda. Os pneus do carro ainda chiam. Mas, por agora festejemos o justo triunfo.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
A crise e as batotas dos nossos rivais
Não podemos, no entanto, perder de vista que os nossos adversários principais não estão dentro do nosso clube. Se o fizermos, com a paixão que é própria do futebol, arriscamo-nos a cair no mesmo tipo de armadilha em que se envolveram as claques. (Só para dar um exemplo, O Directivo XXI criou-se como dissidência da Juve Leo e houve um período – que, felizmente, parece por agora ultrapassado – em que o ódio entre as duas claques as fazia esquecer o motivo da sua existência – o Sporting – e se envolviam no mesmo tipo de lamentáveis agressões que de vez em quando ocorrem entre bandos de clubes diferentes).
Não esqueçamos que os nossos adversários são exógenos ao Sporting: são os outros clubes que concorrem connosco na obtenção de vitórias e da grandeza que estas necessariamente acarretam. Os nossos principais adversários são o Benfica e o Porto.
Como longamente descrevi em posts de Agosto/2006 (aqui, aqui e aqui) a disputa pela hegemonia do futebol português (a que se processa fora das quatro linhas) jogou-se em dois tabuleiros: batota nas arbitragens e/ou batota nos benefícios concedidos por entidades públicas (governo e autarquias).
Se o FCP entrou em grande no controlo dos organismos que dirigiam a arbitragem para começar o seu período de hegemonia (fins dos anos 70), não descurou a obtenção de fundos, sobretudo a partir do começo deste século e, mais marcada e definitivamente, com a nova era de construção de equipamentos, nas vésperas do Euro/2004. Muito do dinheirinho dos impostos cobrados aos munícipes do Porto serviu para privilegiar o clube na construção do seu Estádio. O FCP foi muito mais beneficiado pela autarquia que os seus congéneres de Lisboa, em processos que levantaram muita celeuma e acabaram como é normal em Portugal quando há interesses ponderosos (leia-se eleitores) em jogo: em águas de bacalhau. Mas também outro município veio a proporcionar de borla ao clube um benefício que os seus rivais tiveram de pagar bem caro: Gaia, que ofereceu (sim, é verdade, de borla) ao FCP um modelar centro de treinos.
Desta subversão da concorrência (isto é, batota) entre os três maiores clubes portugueses têm muito de que se queixar os de Lisboa: Sporting e Benfica. Mas o Benfica foi também muito privilegiado em relação ao Sporting. Assim, de repente, ocorrem-me estes casos:
- Recebeu de imediato o que resultou da permuta de terrenos com a Câmara, o que não aconteceu com o Sporting, que só agora (e num processo problemático e mal esclarecido) está a entrar em posse do que foi acordado; entretanto gastou milhões em juros (davam para comprar um Cardozo) do dinheiro que ficou a dever por não ter esse na sua posse;
- O escândalo das acessibilidades avaliadas em 2,5 milhões e pelas quais o Benfica recebeu (segundo denúncia do vereador José Sá Fernandes nunca desmentida) 8,1 milhões (quase dava para pagar outro Cardozo), parece que antes de a obra estar acabada; o Sporting, tanto quanto sei, nada recebeu a título de acessibilidades;
- Mas o escândalo maior foi o que Vilarinho protagonizou, ao recomendar o voto dos benfiquistas no partido político que, palavras dele, beneficiou o clube; pudera, o fisco, num processo que nunca foi devidamente esclarecido (deve ter ficado no deve/haver das benesses entre partidos do poder) perdoou ao clube, na época mais negra da sua história, uma dívida de 2 milhões de contos em juros de impostos (dava para comprar um terceiro Gardozo, e ainda sobrava), assim dando aos contribuintes a importante lição de que vale a pena ser caloteiro.
Mas não podemos ficar, numa de Kalimero, a lamentar-nos das malandrices que nos fizeram. Os nossos dirigentes têm também a sua dose de culpa, ao deixar que estas coisas aconteçam sem espingardar, fazendo os possíveis para impedi-las. Ou será que têm medo de mexer na merda, com medo de, também eles, saírem borrados?
O bom e o mau no Projecto Roquette (2)
- Continuo a achar que o nosso clube entrou numa nova era com Roquette: da era do populismo com patos-bravos como protagonistas, passou-se para um tempo em que pelo menos começou a haver projectos a ser executados e não sucessões de iniciativas casuísticas e gamanços daqueles que nunca se chegam a provar (com a excepção do do Vale). Como disse no citado post, “encaro a nossa fase Jorge Gonçalves como equivalente à fase Vale e Azevedo no Benfica; a fase Sousa Cintra equivale (em pior) à actual fase LFV deles”. Acho portanto que, se nós estamos mal, eles quanto a este aspecto (e não só) ainda estão pior. Não estou a defender que tenhamos chegado ao paraíso, mas com gestões do tipo populista ainda estaríamos na pré-história do séc. XXI.
- No aspecto do controlo das contas e dificultação dos desvios de fundos para proveito próprio, a constituição da SAD foi um instrumento importante, como venho defendendo (v. também os comentários do link). Como aí digo, não sou um entusiasta deste tipo de capitalismo aplicado ao negócio do futebol, mas acho que ele é inelutável e irreversível. E Roquette foi o primeiro a, percebendo isto, conseguir implementá-lo. Quando tratar do assunto “adeptos” procurarei dizer qual o tipo de resposta que estes (nós) podem dar para que o negócio não engula a paixão.
- No aspecto património, as vantagens são indiscutíveis: o Sporting possui actualmente um estádio moderno e funcional e um complexo desportivo em que funciona uma Academia que tem sido um viveiro de talentos elogiado por toda a Europa.
Mas, dir-me-ão, se é tudo assim tão bom porque é que estamos cheios de dívidas e nunca mais conseguimos entrar numa senda de vitórias?
Por dois tipos de razões: pela má gestão do Projecto (como em parte referido no post anterior sob o mesmo título deste) e pela batota feita pelos nossos mais directos adversários.
De facto, não era o Projecto que era mau, mas sim o modo como ele foi implementado. Como desenvolvi no post de Abril do ano passado atrás citado, “um dos aspectos do PrR que mais gritantemente falhou” foi o que tinha a ver com “a perspectiva de desenvolver negócios não desportivos lucrativos para, dizia Roquette, com os lucros gerados nesses negócios, o Sporting manter uma autonomia financeira que o tornasse independente da bola na trave”. Desenvolvia eu depois o exemplo do Copenhaga como um projecto semelhante que teve sucesso, para provar que a ideia não era má, em si. O problema está em que os portugueses não são como os dinamarqueses e o que resulta ali, pode não resultar aqui. A minha tese é de que aqui não resultou por defeito das pessoas que foram chamadas para implementar as ideias de negócio; foi isto que impediu as empresas para tal constituídas de terem sucesso. Assim, “à pala dos negócios extra-desportivos foram-se constituindo e desfazendo sociedades, pagando ordenados a administradores, gastando à tripa-forra o património do nosso clube”.
Já com isto escrito (e entretanto não publicado por eu ter tido problemas informáticos ao mudar de operador) tive conhecimento do Manifesto SCP – Mais e melhor Sporting, o qual exprime com muita exactidão o que penso acerca deste assunto. Transcrevo um resumo, com a devida vénia: “O Projecto Roquette errou na gestão. Exactamente aquilo que deveria ser a sua mais valia foi o seu maior pecado. Foi incompetente. Construiu-se um Estádio que em vez de gerar lucros gerou prejuízos. As empresas que deveriam gerar lucros geraram prejuízos. A área comercial, Alvaláxia, que deveria gerar lucros acumulou prejuízos. Os gestores «altamente profissionais» mostraram incompetência”.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Objectivo: encher o estádio!
Ora aqui está o objectivo para o cumprimento do qual apenas dependemos de nós próprios, como se costuma dizer em "futebolês": encher o estádio.
Que razões levam a uma ausência tão significativa, o que se passou e se passa para tamanho divórcio, que consequências tem isto tudo para o Clube? Aqui temos matéria que deveria levar-nos a todos a uma profunda e muito realista reflexão. Sobretudo aos críticos da crítica que, a menos que façam um exercício totalmente torcido de análise da realidade, dificilmente encontrarão justificações simpáticas para uma banhada destas.
Por uma vez estamos inocentes malta! Nem os blogs apelaram à deserção das bancadas, nem as claques decretaram o boicote...
A equipa fez o que devia fazer (e fê-lo, repito, bem), mas o público --esse malandro!-- não compreendeu nada disto. Ingratos!
Será que tivemos a mobilização em bloco dos dignitários do Clube por se contar com casa vazia? A tribuna, essa, estava composta...
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Pressão baixa...

Vê-se e não se acredita! Então o Sporting Clube de Portugal coloca no seu site um banner como este?! Se outras provas fossem necessárias para avaliar a qualidade desta gente que frequenta os corredores do poder do Sporting, a publicação de uma coisa destas no site oficial do Clube veio torná-las redundantes.
O Sporting Clube de Portugal promove --aproveitando recursos do Clube-- campanhas contra um apresentador de televisão?! E esta inacreditável direcção, que não promove qualquer espécie de diálogo com os sócios e adeptos, que mantém em relação a todos nós uma atitude de inaceitável sobranceria, vem solicitar, em nome da instituição Sporting e num orgão oficial do Sporting, a opinião dos Sportinguistas sobre matéria que institucionalmente lhe não diz respeito?
Isto parece coisa de um blog que o senhor tanto abomina, ó dr. Soares Franco! Com uma pequeníssima diferença: foi publicado no site oficial do Sporting...
Quem deu aval a esta irresponsabilidade?!
Nada disto surpreende verdadeiramente. Já aqui há tempos Paulo Bento, numa daquelas ocasiões em que devia estar calado, veio atacar, durante uma conferência de imprensa oficial na Academia, esta personagem que parece unir os ódios da "tiozada" toda. Esteve mal, por dois motivos. Primeiro, porque o fez e, segundo, porque o fez envolvido nas cores do Sporting. Agora é isto...
À pressão alta não se pode responder com pressão baixa. Fica mal a quem a exerce e dá um sinal enorme de fraqueza, embora a Hidra possa estar convencida do contrário...
domingo, 20 de janeiro de 2008
Nivelar por cima
O Sporting de hoje não é certamente o pior clube do mundo, não é o que está pior organizado, nem o que tem a pior prestação. Mas, está longe de poder ser considerado satisfatório por quem seja mais ambicioso.
Uma das reacções que vemos aparecer, volta não volta, nos momentos de mais acesa discussão sobre o futuro do Clube, é a das comparações. Mas será que os adeptos da comparação colocam o Sporting lado a lado com os clubes poderosos e realmente significativos? Não, preferem avaliar o Sporting por analogia com o que se passa nos clubes portugueses que se encontram em maiores dificuldades. Clubes que lutam para evitar a descida ou militam em escalões inferiores. Não me custa adivinhar que, se for caso disso, os adeptos da comparação invoquem as nossas glórias passadas para valorizar o pedigree do Sporting. Dá jeito... Mas, quando se trata de enfrentar a realidade de hoje comparam o nosso Clube com agremiações sem expressão, nem peso no panorama desportivo português. Estranho militantismo Sportinguista este, limitado ao confronto com os medíocres ou a consolar-se com o mal dos outros...
Eu, cá gosto de pensar no Sporting por contraponto aos grandes clubes do mundo. Os pequenos clubes, os clubes mal geridos, os clubes satélite estão frequentemente numa condição para a qual foram arrastados pelos seus desmandos, pelo seu conformismo e pela sua própria falta de visão e de ambição. Esta falta de visão e de ambição afecta todos os clubes é certo, mas até por isso, e em qualquer circunstância, não são os clubes em dificuldades que nos podem servir de bitola. Não me consola absolutamente nada que este ou aquele clube esteja pior do que nós, ou que este ou aquele clube não tenha dinheiro para consertar o relvado ou pagar os salários aos seus jogadores.
Claro que a situação dos adversários actuais ou potenciais do Sporting me preocupa e muitas vezes aqui no KL temos proclamado as reservas que a organização do futebol nacional nos merece. O futebol português não está a ser dirigido pelas mãos correctas e os seus princípios organizativos deixam muito a desejar. Mas, são coisas diferentes, por um lado, o ideário Sportinguista e, por outro, o ideário organizativo do futebol nacional. São coisas diferentes que merecem acções estratégicas diferentes e assentam em pressupostos diferentes. Não serve de nada misturá-las.
Gostaria, como todos certamente gostaríamos, de ter um Sporting de grande projecção nacional e internacional, vencedor dentro e fora das fronteiras. Não se atinge uma posição dessas sem um elevado nível de organização e sem uma ambição inabalável e interstícia, que envolva de modo indissolúvel dirigentes, atletas e adeptos. Os outros não nos devem interessar, temos de traçar e cumprir o nosso próprio caminho. Mas, se nos tivermos de comparar então que seja com quem está situado a um nível superior. Não parece legítimo estabelecer paralelos entro o Sporting e equipas em zona de despromoção ou de escalões inferiores. Eu, por mim, gosto de nivelar por cima. Mas, infelizmente parece que há Sportinguistas que se contentam com pouco...