O prof. Marcelo reproduz na sua coluna no semanário Sol uma afirmação de FSF. "O ideal é ganhar a Taça e ficar em 2º na Liga. Chega-se onde se quer e não se tem de pagar o prémio da vitória," terá afirmado o sr. presidente ainda antes do jogo com aquela equipa cujo nome nunca me ocorre...
A revelação do prof. Marcelo, está-me a parecer, leva curare na ponta. Mas, é verdade que a afirmação do sr. presidente parece totalmente inconcebível, embora não me surpreenda de todo. Pode-se aliás comprovar lendo o que escrevi a seguir a esse jogo.
Porém, eu concordo totalmente com o presidente FSF! Com efeito, será melhor, é verdade, que nos quedemos pelo 2º lugar...
Porque se a referida equipa cujo nome não me ocorre (que apenas está a um ponto e vai jogar em casa na última jornada contra a equipa que defrontámos hoje) ganhar e nós perdermos (o nosso jogo na última jornada não vai ser pera doce!), hipotecando a possibilidade de entrada directa na fase de grupos da Champions, eu quero ver como vai o sr. presidente justificar, não só, a afirmação, mas também a postura da equipa que, tudo indica, de uma forma directa ou indirecta promoveu...
domingo, 13 de maio de 2007
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Vamos ver o que vem aí...
Não creio que venham aí boas notícias para os Sportinguistas. Depois da conferência de imprensa de FSF e ouvindo os argumentos apresentados está-se mesmo a ver que a actual direcção vai aproveitar a ocasião para desferir mais uns golpes daqueles que só eles parecem saber dar. Ou muito me engano, ou vêm aí "mudanças de cultura". Lá vai o nome do estádio (ou mesmo o estádio todo...), lá vem a mudança de maioria na SAD (ou melhor, lá vêm os predadores tomar conta da ocorrência...!), lá irão as pérolas da Academia. A operação sempre me pareceu iminente e o pretexto chegou agora numa bandeja.
Não se iludam! O Sporting teve todo o tempo do mundo para tratar deste assunto. Quando digo tratar do assunto, refiro-me a ter um plano. Não tem, como é notório. Ora, não podemos responsabilizar a CML e os seus problemas pelos desmandos, escorregadelas financeiras, falta de visão e a incompetência dos dirigentes do Sporting.
Há por aí já uma série de Sportinguistas (ingénuos) desejosos, parece-me, de branquear uma culpa que só pode ser atribuída exclusivamente aos dirigentes do Sporting. Só a estes cabe toda a culpa pela génese das dificuldades financeiras do Clube. Por muito que nos queiram vender outra versão, só aos dirigentes do Sporting são imputáveis os custos financeiros obscenos de todo este processo. Não é a CML que assina os cheques do Sporting!
Tudo isto seria risível se não fosse uma enorme tragédia.
PS- Mais uma pergunta singela: como é que alguém de boa fé pode invocar os louvores da Câmara à construção do centro comercial, do centro de saúde e da Clínica CUF, parcelas do património que já foram vendidas, como se sabe?
Não se iludam! O Sporting teve todo o tempo do mundo para tratar deste assunto. Quando digo tratar do assunto, refiro-me a ter um plano. Não tem, como é notório. Ora, não podemos responsabilizar a CML e os seus problemas pelos desmandos, escorregadelas financeiras, falta de visão e a incompetência dos dirigentes do Sporting.
Há por aí já uma série de Sportinguistas (ingénuos) desejosos, parece-me, de branquear uma culpa que só pode ser atribuída exclusivamente aos dirigentes do Sporting. Só a estes cabe toda a culpa pela génese das dificuldades financeiras do Clube. Por muito que nos queiram vender outra versão, só aos dirigentes do Sporting são imputáveis os custos financeiros obscenos de todo este processo. Não é a CML que assina os cheques do Sporting!
Tudo isto seria risível se não fosse uma enorme tragédia.
PS- Mais uma pergunta singela: como é que alguém de boa fé pode invocar os louvores da Câmara à construção do centro comercial, do centro de saúde e da Clínica CUF, parcelas do património que já foram vendidas, como se sabe?
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Gestão por núcleos
Consta para aí que "núcleos do Sporting" estarão a preparar um protesto contra a CML, caso não seja aprovado o famigerado loteamento.
Devo dizer, para começar e a confirmar-se, que acho isto --a simples ideia de fazer uma manifestação de Sportinguistas por causa de um projecto imobiliário-- completamente inacreditável! Em primeiro lugar, se há protesto a fazer é contra as sucessivas direcções do Sporting que deixaram chegar tudo isto a este estado e que revelam ter conceitos de gestão que, asseguro-vos!, nem o merceeiro cá do meu bairro usa na direcção da sua mercearia. Assim sendo, estarão os Núcleos envolvidos enganados no que respeita ao local do protesto.
Em segundo lugar, porque mesmo que houvesse razões para adoptar uma medida destas, ela só demonstraria uma enorme falta de bom senso e dignidade. Um Sportinguista não vai fazer arruaças para a frente da Câmara. Quando muito vai para a frente da Câmara comemorar a vitória no campeonato... Tudo isto é desprestigiante para o SCP e para o movimento de Núcleos do Sporting! Ou será que o "exemplo", "instituição de bem", etc, são conceitos apenas utilizáveis quando se trata de sacar...?
Em último lugar, como já há muito que deixei de acreditar no Pai Natal, estou mesmo a ver que este "movimento de Núcleos" (seria também interessante saber que "núcleos?") é mais uma estratégia de gestão descoberta nos manuais onde os actuais gestores do Sporting foram colher a sua afamada expertise. Se tudo isto foi/é preparado, não abona muito em favor dos gurus de gestão do Sporting. Só agora descobriram, em vésperas da Câmara cair, que tudo se vai mais uma vez atrasar, foi...? Na ausência de capacidade para ter uma actuação mais séria, a direcção do Sporting preferirá promover a assuada...
Havia a gestão por objectivos, agora descobriu-se a gestão por núcleos...
Toma lá!
PS- Uma pergunta singela: e se os contratos do Moutinho, Nani, entre outros, não forem assinados a culpa é da CML, é..?
Devo dizer, para começar e a confirmar-se, que acho isto --a simples ideia de fazer uma manifestação de Sportinguistas por causa de um projecto imobiliário-- completamente inacreditável! Em primeiro lugar, se há protesto a fazer é contra as sucessivas direcções do Sporting que deixaram chegar tudo isto a este estado e que revelam ter conceitos de gestão que, asseguro-vos!, nem o merceeiro cá do meu bairro usa na direcção da sua mercearia. Assim sendo, estarão os Núcleos envolvidos enganados no que respeita ao local do protesto.
Em segundo lugar, porque mesmo que houvesse razões para adoptar uma medida destas, ela só demonstraria uma enorme falta de bom senso e dignidade. Um Sportinguista não vai fazer arruaças para a frente da Câmara. Quando muito vai para a frente da Câmara comemorar a vitória no campeonato... Tudo isto é desprestigiante para o SCP e para o movimento de Núcleos do Sporting! Ou será que o "exemplo", "instituição de bem", etc, são conceitos apenas utilizáveis quando se trata de sacar...?
Em último lugar, como já há muito que deixei de acreditar no Pai Natal, estou mesmo a ver que este "movimento de Núcleos" (seria também interessante saber que "núcleos?") é mais uma estratégia de gestão descoberta nos manuais onde os actuais gestores do Sporting foram colher a sua afamada expertise. Se tudo isto foi/é preparado, não abona muito em favor dos gurus de gestão do Sporting. Só agora descobriram, em vésperas da Câmara cair, que tudo se vai mais uma vez atrasar, foi...? Na ausência de capacidade para ter uma actuação mais séria, a direcção do Sporting preferirá promover a assuada...
Havia a gestão por objectivos, agora descobriu-se a gestão por núcleos...
Toma lá!
PS- Uma pergunta singela: e se os contratos do Moutinho, Nani, entre outros, não forem assinados a culpa é da CML, é..?
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Esquecimentos...
O dr. Dias Ferreira é um personagem simpático e não coloco em dúvida o seu sportinguismo e a sua boa fé. Dias Ferreira aparece semanalmente num programa chamado "Dia Seguinte", uma coisa sem grande história da SIC Notícias e aí exibe semanalmente esse seu sportinguismo.
Hoje Dias Ferreira criticou, naquele seu jeito inflamado, a actuação da Câmara Municipal de Lisboa neste processo do loteamento e verberou, em especial, os responsáveis que se mostram "sportinguistas" quando lhes parece mais conveniente, mas não tomam, no seu entender, decisões na sua esfera de actuação no tempo que interessa ao Clube.
Tem muito que se lhe diga esta questão.
Esta participação de Dias Ferreira na tal lengalenga semanal teria sido concerteza mais útil se ele tivesse usado toda aquela sua exuberância para distinguir "sportinguismo SAD" de Sportinguismo tout court. Há distinções urgentes a fazer e há certos "sportinguismos" que têm um cheiro esquisito. Por outro lado, em todo este processo a falha não parece estar, pelo menos totalmente, do lado da CML. Dias Ferreira esqueceu-se (não acredito que propositadamente...) de referir, a título de exemplo, os sete anos passados sem que tenha sido tomada pelas sucessivas direcções qualquer medida para resolver o problema...
O Sporting é (mesmo) coisa séria e há que ser rigoroso.
Hoje Dias Ferreira criticou, naquele seu jeito inflamado, a actuação da Câmara Municipal de Lisboa neste processo do loteamento e verberou, em especial, os responsáveis que se mostram "sportinguistas" quando lhes parece mais conveniente, mas não tomam, no seu entender, decisões na sua esfera de actuação no tempo que interessa ao Clube.
Tem muito que se lhe diga esta questão.
Esta participação de Dias Ferreira na tal lengalenga semanal teria sido concerteza mais útil se ele tivesse usado toda aquela sua exuberância para distinguir "sportinguismo SAD" de Sportinguismo tout court. Há distinções urgentes a fazer e há certos "sportinguismos" que têm um cheiro esquisito. Por outro lado, em todo este processo a falha não parece estar, pelo menos totalmente, do lado da CML. Dias Ferreira esqueceu-se (não acredito que propositadamente...) de referir, a título de exemplo, os sete anos passados sem que tenha sido tomada pelas sucessivas direcções qualquer medida para resolver o problema...
O Sporting é (mesmo) coisa séria e há que ser rigoroso.
Venenos 20
FSF dizia numa entrevista recente ao DN que, caso chegasse a haver eleições intercalares para a CML e para acelerar a resolução do problema do loteamento, não admitia fazer campanha por nenhum candidato. Justificou esta afirmação invocando, muito legitimamente, os estatutos: "o Sporting é uma instituição que não tem partido, nem religião e a todos acolhe de braços abertos."
Ontem, certamente por os seus colaboradores se terem esquecido de lhe dar um "clip" da entrevista, vimo-lo ao lado de Carmona Rodrigues na tribuna principal. Neste preciso momento, o facto não tem duas leituras.
Vamos ver o que sobra para o Sporting de tudo isto. Vamos ver se há eleições, se Carmona concorre e perde, ou se Carmona ganha... E vamos ver como fica o Sporting depois disto e o que se dirá do Clube num caso ou noutro. Ou será que, como diz o Master noutro post, ele sabe alguma coisa que a malta não sabe...?
Ontem, certamente por os seus colaboradores se terem esquecido de lhe dar um "clip" da entrevista, vimo-lo ao lado de Carmona Rodrigues na tribuna principal. Neste preciso momento, o facto não tem duas leituras.
Vamos ver o que sobra para o Sporting de tudo isto. Vamos ver se há eleições, se Carmona concorre e perde, ou se Carmona ganha... E vamos ver como fica o Sporting depois disto e o que se dirá do Clube num caso ou noutro. Ou será que, como diz o Master noutro post, ele sabe alguma coisa que a malta não sabe...?
domingo, 6 de maio de 2007
A solidez possível
A nossa equipa é uma equipa de putos, deficientemente enquadrados por jogadores mais experientes, devido ao facto de as contratações da época terem sido feitas com os pés (e com os bolsos de alguns, também).
Alguns sportinguistas vociferavam, aqui há coisa de um mês, que tínhamos uma equipa e um treinador sem categoria e que o melhor era não nos distrairmos da única coisa que podíamos conquistar (a Taça). Esses mesmos, esquecendo os argumentos de "há bocadinho", que o conjunto é demasiado jovem e não está enquadrado por jogadores experientes, etc., agora acham que era trigo limpo lutar pelo título. E tonitruam indignados que no jogo contra o Benfica devíamos ter ido para cima deles ‘que nem uns tarzões’ (como dizia o Caiado).
Confesso que, também eu, fiquei um pouco frustrado com a falta de ambição, face à evidente superioridade leonina até meio da primeira parte desse jogo; e toda a gente pensou que podíamos ter ganho com alguma facilidade. Depois, mais sereno, reflecti em que Paulo Bento é que conhece o potencial dos jogadores que tem. E, quanto a mim, tem agido bem, de um modo geral; ultimamente muito bem.
Nos últimos jogos o Sporting tem, de facto, vindo a ser uma equipa muito consistente. A personalidade do treinador tem vindo a ser bem traduzida na maneira como as coisas correm em campo. O Sporting entra “à Leão” e consegue resultados nos primeiros minutos. Continua mais um tempo a jogar bem, repito, a jogar bem, a espaços muito bem, e solidifica o resultado. Depois descansa sobre o mesmo e gere o esforço durante o resto do tempo, o que frustra um pouco os adeptos, que gostariam de ver a equipa jogar bem o tempo todo.
A excepção (parcial embora, já que tentámos fazer o mesmo durante o primeiro tempo) foi, pois, o jogo contra o Benfica, por essa equipa ser mais da nossa igualha e meter mais medo. Acho que a opção, tomada a meio do jogo, de jogar para o segundo lugar foi do Paulo Bento. Houve até um jogador (Caneira) que, em entrevista após o jogo, manifestou discordância em relação a essa opção. Ele achava que havia potencial na equipa para lutar pela vitória. Confiando embora na inteligência de Caneira e na influência que ele parece ter na equipa, confio mais no Paulo Bento. Ainda me lembro dum jogo entre o Brasil e a Itália no Mundial de 82: o Brasil (de Zico, Júnior, Sócrates, Falcão), a melhor equipa do mundo nesse tempo, atirou-se com autoconfiança para cima do adversário, mesmo depois de estar a ganhar. Foi o que a cínica Itália quis ouvir: ganhou 3-2 e foi campeã do mundo.
Escrevo logo a seguir ao jogo com o Setúbal, em que a nossa exibição foi, em determinados períodos, brilhante. Bem sei: é uma das equipas mais fracas da primeira liga, mas também a Naval levou de nós quatro secos e o Benfica só lhe ganhou, em casa, à tanja e com vaca.
Há que reconhecer, portanto, os méritos do treinador Paulo Bento, que tem mantido a cabeça fria e a capacidade de fazer o grupo dar a volta por cima em momentos de crise – no ano passado e agora. E tem também conseguido gerir o esforço da equipa.
Arriscava eu, em post anterior, “que nesta fase final da época a equipa parece ter ganho uma capacidade mental que até agora aparecia por vezes, outras vezes não”. Considerava depois um facto, “que ao longo da época tanto os jogadores como o próprio treinador ganharam uma experiência que talvez se possa agora traduzir em resultados”.
Como se diz no póquer, pago para ver.
Alguns sportinguistas vociferavam, aqui há coisa de um mês, que tínhamos uma equipa e um treinador sem categoria e que o melhor era não nos distrairmos da única coisa que podíamos conquistar (a Taça). Esses mesmos, esquecendo os argumentos de "há bocadinho", que o conjunto é demasiado jovem e não está enquadrado por jogadores experientes, etc., agora acham que era trigo limpo lutar pelo título. E tonitruam indignados que no jogo contra o Benfica devíamos ter ido para cima deles ‘que nem uns tarzões’ (como dizia o Caiado).
Confesso que, também eu, fiquei um pouco frustrado com a falta de ambição, face à evidente superioridade leonina até meio da primeira parte desse jogo; e toda a gente pensou que podíamos ter ganho com alguma facilidade. Depois, mais sereno, reflecti em que Paulo Bento é que conhece o potencial dos jogadores que tem. E, quanto a mim, tem agido bem, de um modo geral; ultimamente muito bem.
Nos últimos jogos o Sporting tem, de facto, vindo a ser uma equipa muito consistente. A personalidade do treinador tem vindo a ser bem traduzida na maneira como as coisas correm em campo. O Sporting entra “à Leão” e consegue resultados nos primeiros minutos. Continua mais um tempo a jogar bem, repito, a jogar bem, a espaços muito bem, e solidifica o resultado. Depois descansa sobre o mesmo e gere o esforço durante o resto do tempo, o que frustra um pouco os adeptos, que gostariam de ver a equipa jogar bem o tempo todo.
A excepção (parcial embora, já que tentámos fazer o mesmo durante o primeiro tempo) foi, pois, o jogo contra o Benfica, por essa equipa ser mais da nossa igualha e meter mais medo. Acho que a opção, tomada a meio do jogo, de jogar para o segundo lugar foi do Paulo Bento. Houve até um jogador (Caneira) que, em entrevista após o jogo, manifestou discordância em relação a essa opção. Ele achava que havia potencial na equipa para lutar pela vitória. Confiando embora na inteligência de Caneira e na influência que ele parece ter na equipa, confio mais no Paulo Bento. Ainda me lembro dum jogo entre o Brasil e a Itália no Mundial de 82: o Brasil (de Zico, Júnior, Sócrates, Falcão), a melhor equipa do mundo nesse tempo, atirou-se com autoconfiança para cima do adversário, mesmo depois de estar a ganhar. Foi o que a cínica Itália quis ouvir: ganhou 3-2 e foi campeã do mundo.
Escrevo logo a seguir ao jogo com o Setúbal, em que a nossa exibição foi, em determinados períodos, brilhante. Bem sei: é uma das equipas mais fracas da primeira liga, mas também a Naval levou de nós quatro secos e o Benfica só lhe ganhou, em casa, à tanja e com vaca.
Há que reconhecer, portanto, os méritos do treinador Paulo Bento, que tem mantido a cabeça fria e a capacidade de fazer o grupo dar a volta por cima em momentos de crise – no ano passado e agora. E tem também conseguido gerir o esforço da equipa.
Arriscava eu, em post anterior, “que nesta fase final da época a equipa parece ter ganho uma capacidade mental que até agora aparecia por vezes, outras vezes não”. Considerava depois um facto, “que ao longo da época tanto os jogadores como o próprio treinador ganharam uma experiência que talvez se possa agora traduzir em resultados”.
Como se diz no póquer, pago para ver.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Sporting Trek - Episode I
A Galáxia está em perigo! A situação é grave. Não sou eu quem o afirma. É o comandante Soares Kirk hoje numa entrevista ao DN. Diz ele, sem que se lhe adivinhe hesitação no discurso, que o Sporting fica numa situação grave se o projecto de loteamento não for aprovado pela CML. Ora, sabendo nós o estado em que se encontra o dito organismo "somos" humildemente a perguntar (como se diz em linguagem de escritório foleira...) como vai ser o futuro do Sporting se a dita autorização não for dada. Bem pode o comandante Soares Kirk chutar a bola para o lado do Largo da Câmara, mas a verdade é que tudo aponta para que o Sporting seja confrontado com novos atrasos. No melhor dos cenários o projecto atrasa-se, "simplesmente". No pior dos cenários, o Sporting vai ter de esperar e alterar os pressupostos do projecto. No cenário mais negro possível, vai acabar por ter de meter o dito projecto no saco. Com eleições ou sem eleições, a solução não será para amanhã. E com eleições ou sem eleições, as reivindicações do Sporting, mesmo que legítimas e satisfeitas em tempo razoável nunca iriam significar uma solução sem espinhas. Custos somar-se-ão a custos. A menos que o comandante Soares Kirk saiba de alguma coisa que a gente não sabe...
Para já, perante o que podemos ler, a argumentação situa-se ao nível da densidade de jardins que existem na zona. Podemos, pois, temer o pior...
Uma pergunta devemos todos fazer, sem tergiversações, nem falsos fervores clubísticos: como é que os sucessivos responsáveis do Sporting, uma instituição centenária, com o peso social e financeiro que tem, deixaram resvalar o Clube para uma situação que é classificada pelo próprio presidente como potencialmente "grave"? Como pôde o Sporting chegar ao ponto de projectar hoje esta imagem, não a da instituição nobre, sólida e prestigiada que deveria ser, mas a de uma dessas empresas feitas na hora, presa de uma qualquer manobra mal calculada?
E podemos ainda legitimamente colocar a questão: tudo isto foi desleixo ou foi premeditado? Foi desleixo ter deixado o acordo com a CML em banho-maria durante sete anos, com os custos financeiros de tudo isto a atingirem as somas obscenas que atingem, ou foi de forma deliberada que se deixou a situação chegar ao ponto a que chegou para depois, quiçá, tirar da cartola (mais) uma qualquer solução milagrosa. Talvez tudo isto não tenha passado afinal de um investimento...
Eu creio que se o cenário acabar por ser o pior cá iremos estar, seguramente, para pagar a factura em nome do Clube do nosso coração. Mas, neste caso os responsáveis deverão ser entregues aos Klingons para que lhes seja aplicado o justo correctivo.
Uma última nota para uma passagem enigmática e francamente perturbante da entrevista do senhor presidente. Diz ele que espera que a Câmara delibere. E acrescenta "ou sim, ou não. Nada é pior que não deliberar."
Ou não...?! Então afinal a aprovação é vital ou não é? A situação é grave ou não é? Então há compromissos ou não? E há encargos com tudo isto ou não? Quanto custa o sim? E quanto custa o não?
Ou sim, ou não...??!
Para já, perante o que podemos ler, a argumentação situa-se ao nível da densidade de jardins que existem na zona. Podemos, pois, temer o pior...
Uma pergunta devemos todos fazer, sem tergiversações, nem falsos fervores clubísticos: como é que os sucessivos responsáveis do Sporting, uma instituição centenária, com o peso social e financeiro que tem, deixaram resvalar o Clube para uma situação que é classificada pelo próprio presidente como potencialmente "grave"? Como pôde o Sporting chegar ao ponto de projectar hoje esta imagem, não a da instituição nobre, sólida e prestigiada que deveria ser, mas a de uma dessas empresas feitas na hora, presa de uma qualquer manobra mal calculada?
E podemos ainda legitimamente colocar a questão: tudo isto foi desleixo ou foi premeditado? Foi desleixo ter deixado o acordo com a CML em banho-maria durante sete anos, com os custos financeiros de tudo isto a atingirem as somas obscenas que atingem, ou foi de forma deliberada que se deixou a situação chegar ao ponto a que chegou para depois, quiçá, tirar da cartola (mais) uma qualquer solução milagrosa. Talvez tudo isto não tenha passado afinal de um investimento...
Eu creio que se o cenário acabar por ser o pior cá iremos estar, seguramente, para pagar a factura em nome do Clube do nosso coração. Mas, neste caso os responsáveis deverão ser entregues aos Klingons para que lhes seja aplicado o justo correctivo.
Uma última nota para uma passagem enigmática e francamente perturbante da entrevista do senhor presidente. Diz ele que espera que a Câmara delibere. E acrescenta "ou sim, ou não. Nada é pior que não deliberar."
Ou não...?! Então afinal a aprovação é vital ou não é? A situação é grave ou não é? Então há compromissos ou não? E há encargos com tudo isto ou não? Quanto custa o sim? E quanto custa o não?
Ou sim, ou não...??!
quinta-feira, 3 de maio de 2007
O clube cá do meu bairro
A questão que coloquei no post anterior gerou uma interessante troca de comentários. Pelo que percebo, por estes comentários e pelas opiniões que tenho ouvido e lido por aí, o assunto atormenta hoje muitos Sportinguistas. Ficou do último jogo a ideia de que deu aos responsáveis do Clube um ataque de "realismo". Acredito cada vez mais nessa hipótese. Garantimos os mínimos e ficámos contentes com isso. Sente-se no discurso dos jogadores, do treinador (PB tem de nos explicar porque considera infundadas as críticas à actuação do Sporting, não basta achar que somos injustos...) e, sobretudo, viu-se em campo.
Alguns, é certo, apoiam convictamente a legitimadade da opção realista. Trata-se da aplicação do velho rifão "mais vale um pássaro na mão."
A lógica subjacente a esta posição é simples: assegurada a presença directa na Champions League teremos direito ipso facto
àquele tal euro-rendimento mínimo garantido que tanta falta faz. E mais algum poderá até vir por arrasto.
Está também garantida (e este facto não é despiciendo) uma grande cobertura mediática e, ainda mais uma vez, ipso facto, uma maior exposição e consequente valorização dos jovens talentos "exportáveis" da escola do Sporting.
Parece bom. Na minha opinião não é.
Está na altura de perguntar aos Sportinguistas, que Sporting é este e que Sporting querem.
A "cultura do segundo lugar" não passa de uma versão, mais perfumada, da "cultura da manutenção".
Quando em 94 fomos confrontados com os projectos de mudança propostos pela nova direcção disseram-nos que o objectivo a alcançar era o de um Sporting campeão, com presença habitual nas grandes competições europeias. Ninguém na altura teve coragem para propôr um Sporting a lutar para ser campeão dos segundos, nem um Sporting freguês ocasional da gamela da UEFA para camuflar os desmandos de gestão. Hoje estamos reduzidos a isto: a ambição do Sporting fica-se por ser segundo e poder garantir, conjunturalmente, mais uns cobres. Mas, o presidente quer um Ferguson...
Reformas estruturais, viste-as! Blindagem contra a bola na barra foi chão que deu uva. Mas, o presidente quer um Ferguson...
Temo que com o desgaste se instale neste Sporting, em defintivo, esta cultura de 2a divisão. Que, francamente, me parece mais um objectivo da agremiação cá do meu bairro do que o de um clube que se diz e se quer grande.
Sabemos que não se pode estar sempre no topo, que os tempos são difíceis e que partimos desfalcados. Mas, este "realismo" não passa, na minha opinião, de autismo e radica na via que esta linhagem de dirigentes escolheu de promoção do divórcio entre o Clube e os seus sócios.
Lanço, aliás, um repto à actual direcção: perguntem aos sócios, olhos nos olhos, se eles se contentam com um Sporting de segunda, preparado e a aguentar-se apenas para os mínimos!
A mim, se me perguntassem se queria um Sporting a lutar de cabeça erguida sempre por um lugar de topo, ou contentinho com o segundo lugar eu não hesitaria na resposta. E vocês?
Alguns, é certo, apoiam convictamente a legitimadade da opção realista. Trata-se da aplicação do velho rifão "mais vale um pássaro na mão."
A lógica subjacente a esta posição é simples: assegurada a presença directa na Champions League teremos direito ipso facto
àquele tal euro-rendimento mínimo garantido que tanta falta faz. E mais algum poderá até vir por arrasto.
Está também garantida (e este facto não é despiciendo) uma grande cobertura mediática e, ainda mais uma vez, ipso facto, uma maior exposição e consequente valorização dos jovens talentos "exportáveis" da escola do Sporting.
Parece bom. Na minha opinião não é.
Está na altura de perguntar aos Sportinguistas, que Sporting é este e que Sporting querem.
A "cultura do segundo lugar" não passa de uma versão, mais perfumada, da "cultura da manutenção".
Quando em 94 fomos confrontados com os projectos de mudança propostos pela nova direcção disseram-nos que o objectivo a alcançar era o de um Sporting campeão, com presença habitual nas grandes competições europeias. Ninguém na altura teve coragem para propôr um Sporting a lutar para ser campeão dos segundos, nem um Sporting freguês ocasional da gamela da UEFA para camuflar os desmandos de gestão. Hoje estamos reduzidos a isto: a ambição do Sporting fica-se por ser segundo e poder garantir, conjunturalmente, mais uns cobres. Mas, o presidente quer um Ferguson...
Reformas estruturais, viste-as! Blindagem contra a bola na barra foi chão que deu uva. Mas, o presidente quer um Ferguson...
Temo que com o desgaste se instale neste Sporting, em defintivo, esta cultura de 2a divisão. Que, francamente, me parece mais um objectivo da agremiação cá do meu bairro do que o de um clube que se diz e se quer grande.
Sabemos que não se pode estar sempre no topo, que os tempos são difíceis e que partimos desfalcados. Mas, este "realismo" não passa, na minha opinião, de autismo e radica na via que esta linhagem de dirigentes escolheu de promoção do divórcio entre o Clube e os seus sócios.
Lanço, aliás, um repto à actual direcção: perguntem aos sócios, olhos nos olhos, se eles se contentam com um Sporting de segunda, preparado e a aguentar-se apenas para os mínimos!
A mim, se me perguntassem se queria um Sporting a lutar de cabeça erguida sempre por um lugar de topo, ou contentinho com o segundo lugar eu não hesitaria na resposta. E vocês?
segunda-feira, 30 de abril de 2007
O que se passou?
Depois de uma série de actuações categóricas, depois de ontem iniciar o jogo de uma forma que auspiciava um desfecho positivo, o Sporting encolheu-se. Quim perdia, compreensivelmente, tempo a repor a bola, e Ricardo, surpreendentemente, logo lhe seguiu o exemplo. Ambas as equipas pareceram satisfeitas ou conformadas com o resultado.
Pareceu-me absolutamente notório que o Sporting não quis ir mais longe... Pareceu-me que havia uma batuta invisivel a travar a actuação da equipa.
A pergunta que me ocorre, pois, é esta: o que levou então o Sporting a "desistir"? Realismo? Ingenuidade? Falta de ambição? Conformismo? Alguma perversa lógica externa?
Ontem, de qualquer forma, perdemos uma excelente ocasião para demonstrar, inequivocamente, que o espírito do Sporting Clube de Portugal não secou...
Pareceu-me absolutamente notório que o Sporting não quis ir mais longe... Pareceu-me que havia uma batuta invisivel a travar a actuação da equipa.
A pergunta que me ocorre, pois, é esta: o que levou então o Sporting a "desistir"? Realismo? Ingenuidade? Falta de ambição? Conformismo? Alguma perversa lógica externa?
Ontem, de qualquer forma, perdemos uma excelente ocasião para demonstrar, inequivocamente, que o espírito do Sporting Clube de Portugal não secou...
domingo, 29 de abril de 2007
Claques
A questão das claques invade de vez em quando as agendas dos meios de comunicação. Ultimamente temos estado a assisitir a uma nova vaga. Toda a gente se pronuncia sobre este tema, mas parece claro de há muito que quanto mais artigos de opinião e divagações sobre o assunto surgem, mais longe ficamos da sua resolução e mais o problema se torna... problema.
O modo como tudo isto foi até hoje tratado é deplorável. As declarações inócuas do presidente da Liga Profissional de Futebol, os silêncios dos clubes e da Federação, a inoperância das autoridades, as opiniões dos "peritos", a ausência de medidas do governo e a incompetência e a necrofagia habituais da imprensa povoam a paisagem do "problema das claques".
A propósito do papel da imprensa vejam o exemplo seguinte. Em dia de derby o assunto é manchete em dois jornais. O Público diz com grandes toques de clarim que não há pessoas a quem tenha sido imposta a proibição de entrar em estádios de futebol. O JN diz que há seis pessoas proibidas de entrar em estádios... Em que ficamos?
Os incidentes sucedem-se, os culpados eclipsam-se ou nunca são pronunciados, os responsáveis oficiais empurram-se uns aos outros, a especulação e a falta de rigor informativo servem para vender papel, enquanto o país, atónito, assiste a tudo isto sem perceber muito bem o que está em causa, que medidas reclamar e a quem exigir responsabilidades. O derby não pode fazer esconder a verdade: hoje há uma imensa maioria que não mete os pés num estádio de futebol porque não é um local seguro.
O problema das claques espelha bem o modo como se resolvem os "problemas" em Portugal e o estatuto especial que o universo do desporto parece gozar.
Decidam-se lá: isto é um assunto para resolver, ou, pelo contrário, é para continuar a alimentar por forma a vender mais "notícias" e a dar mais tempo de antena a uns figurões incompetentes ou coniventes com tudo isto?
O modo como tudo isto foi até hoje tratado é deplorável. As declarações inócuas do presidente da Liga Profissional de Futebol, os silêncios dos clubes e da Federação, a inoperância das autoridades, as opiniões dos "peritos", a ausência de medidas do governo e a incompetência e a necrofagia habituais da imprensa povoam a paisagem do "problema das claques".
A propósito do papel da imprensa vejam o exemplo seguinte. Em dia de derby o assunto é manchete em dois jornais. O Público diz com grandes toques de clarim que não há pessoas a quem tenha sido imposta a proibição de entrar em estádios de futebol. O JN diz que há seis pessoas proibidas de entrar em estádios... Em que ficamos?
Os incidentes sucedem-se, os culpados eclipsam-se ou nunca são pronunciados, os responsáveis oficiais empurram-se uns aos outros, a especulação e a falta de rigor informativo servem para vender papel, enquanto o país, atónito, assiste a tudo isto sem perceber muito bem o que está em causa, que medidas reclamar e a quem exigir responsabilidades. O derby não pode fazer esconder a verdade: hoje há uma imensa maioria que não mete os pés num estádio de futebol porque não é um local seguro.
O problema das claques espelha bem o modo como se resolvem os "problemas" em Portugal e o estatuto especial que o universo do desporto parece gozar.
Decidam-se lá: isto é um assunto para resolver, ou, pelo contrário, é para continuar a alimentar por forma a vender mais "notícias" e a dar mais tempo de antena a uns figurões incompetentes ou coniventes com tudo isto?
terça-feira, 24 de abril de 2007
Venenos 19
A clínica da Luz
A competência desta clínica ficou demonstrada com o caso da operação a Eusébio. Black Mamba teve acesso a fontes geralmente bem informadas que nos referiram que o lançamento da clínica na comunicação social estava para ser feito através de uma espectacular operação à válvula tricúspide de Zé dos Anzóis, a qual só cuspia duas vezes em vez das três que é de regra. Mas o assessor de imprensa da clínica teve o rasgo de dizer que a coisa não ia lá com um qualquer Zé dos Anzóis e que era crucial arranjar um colunável. Pensaram logo no Coluna, mas não se sabia de qualquer limitação física do ex-jogador (na verdade nem se sabia do próprio ex-jogador). Palavra puxa palavra, alguém se lembrou do Eusébio. Estão a ver: clínica da Luz, Eusébio… tinha tudo a ver. Mas que se conhecesse o Eusébio apenas padecia de um problema num joelho desde os tempos em que jogava futebol e era assistido no célebre Departamento Médico do Benfica. Na altura não havia controlo, mas que se saiba, a coisa nada teve a ver com doping, como no caso do Nuno Assis. Também não teve a ver com aselhice como no caso do Mantorras. Já teve mais a ver com o caso do Rui Costa; naquele tempo os contratos de jogos particulares do Benfica implicavam que o Eusébio jogasse, nem que fosse preso por arames. E os médicos, tumba, infiltrações e outras drogas para cima, que o homem tinha mesmo de jogar. E ficou coxo; talvez o Mantorras não o seja, mas o Eusébio é. (É muito amor continuar a ser benfiquista, depois de ser assim utilizado!)
O caso do joelho, manifestamente, não servia. Um dos médicos mais experientes teve uma ideia: “Oferecemos-lhe um check-up e, com a dedicação que ele manifesta pelo desporto (versão líquida), de certeza que se descobre alguma coisa em que pegar”.
Foi assim que a Eusébio foi detectado um problema cardiovascular. O trabalho dos assessores de imagem foi fenomenal: o caso foi abertura de telejornal em horário nobre (e também nos horários do clero e da plebe). Passou a mensagem de que Eusébio e a família hesitaram antes de aceitar a operação, mas o caso não estava tanto no how como no how much. E, claro, tudo acabou em benefício de ambas as partes envolvidas. Happy end.
Terminada a operação, vieram as luminárias da clínica aproveitar os seus minutos de glória para dizer o costume. Patati, patatá, isto e mais aquilo, e o Eusébio tem de mudar os seus hábitos alimentares: e uma coisa que tem de acabar é o consumo de charutos. Bem se tem o António Pedro Vasconcelos, do Clube dos Puros, fartado de dizer ao Eusébio, quando se encontram nos camarotes VIP do estádio da Luz que os charutos não são para comer, mas todos sabem o que custou ao Eusébio interiorizar a ideia de que o tremoço não era marisco…
A competência desta clínica ficou demonstrada com o caso da operação a Eusébio. Black Mamba teve acesso a fontes geralmente bem informadas que nos referiram que o lançamento da clínica na comunicação social estava para ser feito através de uma espectacular operação à válvula tricúspide de Zé dos Anzóis, a qual só cuspia duas vezes em vez das três que é de regra. Mas o assessor de imprensa da clínica teve o rasgo de dizer que a coisa não ia lá com um qualquer Zé dos Anzóis e que era crucial arranjar um colunável. Pensaram logo no Coluna, mas não se sabia de qualquer limitação física do ex-jogador (na verdade nem se sabia do próprio ex-jogador). Palavra puxa palavra, alguém se lembrou do Eusébio. Estão a ver: clínica da Luz, Eusébio… tinha tudo a ver. Mas que se conhecesse o Eusébio apenas padecia de um problema num joelho desde os tempos em que jogava futebol e era assistido no célebre Departamento Médico do Benfica. Na altura não havia controlo, mas que se saiba, a coisa nada teve a ver com doping, como no caso do Nuno Assis. Também não teve a ver com aselhice como no caso do Mantorras. Já teve mais a ver com o caso do Rui Costa; naquele tempo os contratos de jogos particulares do Benfica implicavam que o Eusébio jogasse, nem que fosse preso por arames. E os médicos, tumba, infiltrações e outras drogas para cima, que o homem tinha mesmo de jogar. E ficou coxo; talvez o Mantorras não o seja, mas o Eusébio é. (É muito amor continuar a ser benfiquista, depois de ser assim utilizado!)
O caso do joelho, manifestamente, não servia. Um dos médicos mais experientes teve uma ideia: “Oferecemos-lhe um check-up e, com a dedicação que ele manifesta pelo desporto (versão líquida), de certeza que se descobre alguma coisa em que pegar”.
Foi assim que a Eusébio foi detectado um problema cardiovascular. O trabalho dos assessores de imagem foi fenomenal: o caso foi abertura de telejornal em horário nobre (e também nos horários do clero e da plebe). Passou a mensagem de que Eusébio e a família hesitaram antes de aceitar a operação, mas o caso não estava tanto no how como no how much. E, claro, tudo acabou em benefício de ambas as partes envolvidas. Happy end.
Terminada a operação, vieram as luminárias da clínica aproveitar os seus minutos de glória para dizer o costume. Patati, patatá, isto e mais aquilo, e o Eusébio tem de mudar os seus hábitos alimentares: e uma coisa que tem de acabar é o consumo de charutos. Bem se tem o António Pedro Vasconcelos, do Clube dos Puros, fartado de dizer ao Eusébio, quando se encontram nos camarotes VIP do estádio da Luz que os charutos não são para comer, mas todos sabem o que custou ao Eusébio interiorizar a ideia de que o tremoço não era marisco…
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Alecsandro
Uma noite tranquila em Alvalade. Alecsandro e o seu hat-trick deixaram-nos de papo cheio, mas deixaram também algumas interrogações. As limitações deste jogador são evidentes. Os seus golos são de um modo geral pouco ortodoxos, a sua movimentação em campo é deficiente, é trapalhão, é lento, não sabe o que fazer à bola quando a tem nos pés e é problemático em missões de recuperação ou defesa. Ontem, como dizia alguém ao meu lado, foi, provavelmente, o pior jogador em campo e, no entanto, foi pródigo no domínio que mais tem afectado o Sporting esta época: fazer golos. É um facto que não lhe falta aquela dose de "oportunismo" que se exige a um ponta de lança. Mas também é um facto que há qualquer coisa nele que não seduz, apesar dos "tricks".
A Jardel, dizia-se, só lhe faltava meter um golo com a bunda. A Alecsandro "só" lhe falta meter golos normais...
A Jardel, dizia-se, só lhe faltava meter um golo com a bunda. A Alecsandro "só" lhe falta meter golos normais...
quarta-feira, 18 de abril de 2007
terça-feira, 17 de abril de 2007
"Betão! Betão! Betão!" uns pasmam-se outros não...
Não acredito em bruxas, mas às vezes até parece que elas andam por aí...
Depois de toda esta cena patética que resultou do acordão do STJ sobre o artigo do Público, eis que surge um novo episódio a afectar a imagem do nosso Clube. Refiro-me, claro, ao problema do loteamento dos terrenos do Sporting, cuja resolução foi, como se sabe, adiada. Como não acredito em bruxas, como referi, não acredito que o senhor vereador Sá Fernandes faça parte de uma qualquer cabala contra o Sporting. As coincidências temporais não devem, pois, passar disso. Nestas coisas nunca podemos ter certezas, porque a parada é alta e a fita e os seus actores são do tipo Bollywood. Mas, nunca se sabe...
As bruxas, se as há, têm contudo uma ajuda preciosa da parte dos gestores do Sporting.
Eu, por mim, reflito sobre todo este problema e não consigo deixar de pasmar...
Vou às origens e pasmo! Parece quase inimaginável que os "craques" da gestão que se propuseram tirar o Sporting do pântano em que se havia atolado, conceberam um "projecto" que não tinha recuo, não tinha plano B e, verifica-se agora, tinha uma série de pontas soltas que ninguém soube, conseguiu ou quis atar. Fico totalmente perplexo quando verifico que se lançou um projecto de enorme ambição e dimensão, que com ele se inflamou a imaginação dos sócios, levando-os a sancioná-lo, que não continha afinal quaisquer mecanismos de controlo, ou prevenção de catástrofes...
O projecto Roquette não passou afinal da aplicação da velha estratégia à portuguesa do "todos ao molho e fé em Deus!!"
Pasmo, portanto, quando verifico que o tal loteamento dos terrenos não estava afinal escorado em terreno sólido (em sentido literal e em sentido metafórico...) Era uma espécie de "supônhamos"...
Continuo a pasmar quando observo a fase seguinte. Passaram anos (não meses, mas anos!), e, percebe-se agora, ninguém negociou, ninguém alterou, ninguém introduziu correcções no projecto original, sabendo que as falhas originais tinham e iriam continuar a ter custos e que a ausência de correcções iria agravar toda esta situação. Pasmo, pois quando verifico a leviandade com que se deixou arrastar este problema.
Finalmente, continuo a pasmar quando verifico que depois do presidente do SCP ter afirmado que se o loteamento não fosse aprovado era o dilúvio e ter referido a verba perfeitamente obscena que o Sporting tem de pagar de juros por causa de todo este atraso, não foi antecipada a questão da cedência de terrenos à autarquia para espaços verdes, o que nos leva a ter de enfrentar mais este contratempo e a dispender mais um balúrdio de massa com os custos de mais este atraso. Desconfio que os crâneos do Sporting que concebem e definem estas estratégias andarão obnubilados com qualquer coisa de mau que o ar contém porque só assim se pode compreender tanta asneira!
Desconheço, é verdade, se esta exigência foi feita aos outros clubes da capital que mantêm relações semelhantes com a autarquia, e se relativamente a esses o senhor vereador Sá Fernandes também gritou como ontem, indignado, "É só betão! Betão! Betão!" Mas, ainda pasmado, pergunto como é que este problema escapou aos gurus de gestão, actuais inquilinos do edifício Visconde de Alvalade... O vereador levantou ou não levantou um problema legítimo? Se é legítimo agora não o era há um mês?!
Termino com um recado dirigido a quem de direito: deixem a equipa trabalhar até ao fim da época e depois desamparem-nos a loja que já não há pachorra para isto!!
Depois de toda esta cena patética que resultou do acordão do STJ sobre o artigo do Público, eis que surge um novo episódio a afectar a imagem do nosso Clube. Refiro-me, claro, ao problema do loteamento dos terrenos do Sporting, cuja resolução foi, como se sabe, adiada. Como não acredito em bruxas, como referi, não acredito que o senhor vereador Sá Fernandes faça parte de uma qualquer cabala contra o Sporting. As coincidências temporais não devem, pois, passar disso. Nestas coisas nunca podemos ter certezas, porque a parada é alta e a fita e os seus actores são do tipo Bollywood. Mas, nunca se sabe...
As bruxas, se as há, têm contudo uma ajuda preciosa da parte dos gestores do Sporting.
Eu, por mim, reflito sobre todo este problema e não consigo deixar de pasmar...
Vou às origens e pasmo! Parece quase inimaginável que os "craques" da gestão que se propuseram tirar o Sporting do pântano em que se havia atolado, conceberam um "projecto" que não tinha recuo, não tinha plano B e, verifica-se agora, tinha uma série de pontas soltas que ninguém soube, conseguiu ou quis atar. Fico totalmente perplexo quando verifico que se lançou um projecto de enorme ambição e dimensão, que com ele se inflamou a imaginação dos sócios, levando-os a sancioná-lo, que não continha afinal quaisquer mecanismos de controlo, ou prevenção de catástrofes...
O projecto Roquette não passou afinal da aplicação da velha estratégia à portuguesa do "todos ao molho e fé em Deus!!"
Pasmo, portanto, quando verifico que o tal loteamento dos terrenos não estava afinal escorado em terreno sólido (em sentido literal e em sentido metafórico...) Era uma espécie de "supônhamos"...
Continuo a pasmar quando observo a fase seguinte. Passaram anos (não meses, mas anos!), e, percebe-se agora, ninguém negociou, ninguém alterou, ninguém introduziu correcções no projecto original, sabendo que as falhas originais tinham e iriam continuar a ter custos e que a ausência de correcções iria agravar toda esta situação. Pasmo, pois quando verifico a leviandade com que se deixou arrastar este problema.
Finalmente, continuo a pasmar quando verifico que depois do presidente do SCP ter afirmado que se o loteamento não fosse aprovado era o dilúvio e ter referido a verba perfeitamente obscena que o Sporting tem de pagar de juros por causa de todo este atraso, não foi antecipada a questão da cedência de terrenos à autarquia para espaços verdes, o que nos leva a ter de enfrentar mais este contratempo e a dispender mais um balúrdio de massa com os custos de mais este atraso. Desconfio que os crâneos do Sporting que concebem e definem estas estratégias andarão obnubilados com qualquer coisa de mau que o ar contém porque só assim se pode compreender tanta asneira!
Desconheço, é verdade, se esta exigência foi feita aos outros clubes da capital que mantêm relações semelhantes com a autarquia, e se relativamente a esses o senhor vereador Sá Fernandes também gritou como ontem, indignado, "É só betão! Betão! Betão!" Mas, ainda pasmado, pergunto como é que este problema escapou aos gurus de gestão, actuais inquilinos do edifício Visconde de Alvalade... O vereador levantou ou não levantou um problema legítimo? Se é legítimo agora não o era há um mês?!
Termino com um recado dirigido a quem de direito: deixem a equipa trabalhar até ao fim da época e depois desamparem-nos a loja que já não há pachorra para isto!!
domingo, 15 de abril de 2007
A "dívida" do Sporting
A imprensa tem um papel fundamental numa sociedade democrática. Tenho disso uma quase certeza (digo "quase" porque engano-me muitas vezes e raramente tenho certezas...). Como leitor de jornais tenho a noção de que este papel é desempenhado de forma cada vez mais frequentemente canhestra e guiada por motivações cada vez mais obscuras. A mim, parece-me que os chamados "critérios editorais" se assemelham cada vez mais a um eufemismo que significa na realidade "obediência ao patrão."
Tenho todo o direito e todas as razões para pensar assim.
Há dias, como é sabido, o STJ condenou o Público a pagar uma indemnização ao Sporting por causa da famigerada notícia da pretensa dívida fiscal.
Esta condenação motivou imediatamente uma reacção irada por parte do Público, juntamente com outros orgãos de comunicação social e de uma data de escribas de serviço, do quadro e avençados. O argumento que nos quiseram impingir foi o de que afinal os factos noticiados eram verdadeiros (o Público escrevia "Apesar de o Supremo ter admitido que a notícia é verdadeira"), mas o pobre jornal era ainda assim condenado. A liberdade de imprensa, reclamaram em uníssono, está ameaçada. Depois deste acordão vem aí o dilúvio, asseguraram todos com ar severo.
Desde o início que tudo isto me cheirou mal. Para além de me ter parecido haver um desajuste entre os meios e os fins, as reacções que se seguiram depois de termos conhecimento do acordão pareceram-me, sinceramente, ser de índole meramente corporativa. Por outro lado, lendo e relendo o acordão, não se consegue perceber onde está a prova de que a matéria de facto é verdadeira. Finalmente, lendo os argumentos de todos os que se atiraram à decisão do Supremo, não se consegue perceber de que forma a pretensa dívida do Sporting consegue colocar a liberdade de imprensa em perigo. Francamente, eu não consigo imaginar como poderá este caso do Sporting levar a imprensa a ficar numa situação pior do que aquela que a própria imprensa já criou para a si própria, que a conduziu a um estado de destruição quase completo do que sobrava da sua credibilidade...
Imediatamente a seguir a termos tido conhecimento do acordão, a Direcção emitiu um comunicado no qual se diz, preto no branco, que "o Sporting não devia nem nunca deveu os noticiados 460 mil contos ao fisco... Lamenta-se por isso que a análise ao Acórdão do STJ sobre a matéria esteja a assentar nos pressupostos da veracidade e da excelência do trabalho jornalístico, quando nem um nem outro são verdadeiros." Mais afirma o comunicado que "em parte alguma do processo, quer nas decisões de primeira e segunda instância, quer na decisão do STJ, ficou provado que a notícia do Público fosse verdadeira. (...) Pelo contrário, a sentença da primeira instância, que fixou definitivamente os factos, é claríssima quando afirma que o Público e os demais jornalistas réus não fizeram prova da efectiva existência desta dívida."
Ora há aqui umas quantas contradições e alguns pormenores que merecem a nossa atenção...
Em primeiro lugar, digam-me os meus amigos se acham que um caso destes terá sido puxado para manchete de forma inocente. Por que razão coube ao Sporting esta distinção? Por que razão uma pretensa dívida fiscal, prontamente desmentida, do Sporting merece tamanho destaque? Não haverá outras instituições e empresas com situações fiscais bem mais conturbadas? Será este um assunto, de facto, assim tão, tão momentoso que mereça honras de manchete no Público? Se eu fosse maldoso não iria hesitar em pensar que este arsenal todo atirado contra o Sporting traz água no bico... Não sou maldoso, mas analisando as manchetes do Público e confrontando-as com o efectivo grau de interesse da matéria que as determina, tenho de concluir que, ou foi esta que escapou, ou são as outras todas que foram engano...
Em segundo lugar, depois do comunicado emitido pelo Sporting, seria de esperar que as vítimas desta injustiça, ou seja, a imprensa e o Público em particular, se concentrassem na demonstração inequívoca de que os argumentos do comunicado do SCP são falsos. Ao invés disso vemos uma ladainha, feita de palavreado oco ou bacoco, conforme os gostos, contra o estado da Justiça em Portugal, sem que consigamos vislumbrar um único argumento de peso, nenhuma opinião que contradiga, inequivoca e frontalmente, as afirmações perfeitamente claras e objectivas que o Sporting exprimiu no seu comunicado.
Ainda hoje o comentador António Barreto, de quem se esperaria um outro tipo de rigor, se atira de forma assanhada ao Sporting. Diz ele que "é natural concluir que esta decisão [de condenar do Público] terá efeitos nefastos para a imprensa e para as liberdades públicas, pois acaba por assumir o carácter de intimidação." O desfecho do caso das dívidas do Sporting acaba por assumir carácter de intimidação...?! Porquê?!! Que raio de conclusão é esta?!! O que leva o sociólogo António Barreto a juntar-se ao coro esganiçado que se levantou contra o Sporting e, mandando às urtigas a sua formação científica, atirar-se contra o Sporting? Porque não refere os argumentos do Clube para os desmontar como seria seu dever, se quisesse ser rigoroso?
Não quero acreditar que a contundência do discurso se destine afinal a servir o seu empregador, mas até parece...
Tenham juízo.
Tenho todo o direito e todas as razões para pensar assim.
Há dias, como é sabido, o STJ condenou o Público a pagar uma indemnização ao Sporting por causa da famigerada notícia da pretensa dívida fiscal.
Esta condenação motivou imediatamente uma reacção irada por parte do Público, juntamente com outros orgãos de comunicação social e de uma data de escribas de serviço, do quadro e avençados. O argumento que nos quiseram impingir foi o de que afinal os factos noticiados eram verdadeiros (o Público escrevia "Apesar de o Supremo ter admitido que a notícia é verdadeira"), mas o pobre jornal era ainda assim condenado. A liberdade de imprensa, reclamaram em uníssono, está ameaçada. Depois deste acordão vem aí o dilúvio, asseguraram todos com ar severo.
Desde o início que tudo isto me cheirou mal. Para além de me ter parecido haver um desajuste entre os meios e os fins, as reacções que se seguiram depois de termos conhecimento do acordão pareceram-me, sinceramente, ser de índole meramente corporativa. Por outro lado, lendo e relendo o acordão, não se consegue perceber onde está a prova de que a matéria de facto é verdadeira. Finalmente, lendo os argumentos de todos os que se atiraram à decisão do Supremo, não se consegue perceber de que forma a pretensa dívida do Sporting consegue colocar a liberdade de imprensa em perigo. Francamente, eu não consigo imaginar como poderá este caso do Sporting levar a imprensa a ficar numa situação pior do que aquela que a própria imprensa já criou para a si própria, que a conduziu a um estado de destruição quase completo do que sobrava da sua credibilidade...
Imediatamente a seguir a termos tido conhecimento do acordão, a Direcção emitiu um comunicado no qual se diz, preto no branco, que "o Sporting não devia nem nunca deveu os noticiados 460 mil contos ao fisco... Lamenta-se por isso que a análise ao Acórdão do STJ sobre a matéria esteja a assentar nos pressupostos da veracidade e da excelência do trabalho jornalístico, quando nem um nem outro são verdadeiros." Mais afirma o comunicado que "em parte alguma do processo, quer nas decisões de primeira e segunda instância, quer na decisão do STJ, ficou provado que a notícia do Público fosse verdadeira. (...) Pelo contrário, a sentença da primeira instância, que fixou definitivamente os factos, é claríssima quando afirma que o Público e os demais jornalistas réus não fizeram prova da efectiva existência desta dívida."
Ora há aqui umas quantas contradições e alguns pormenores que merecem a nossa atenção...
Em primeiro lugar, digam-me os meus amigos se acham que um caso destes terá sido puxado para manchete de forma inocente. Por que razão coube ao Sporting esta distinção? Por que razão uma pretensa dívida fiscal, prontamente desmentida, do Sporting merece tamanho destaque? Não haverá outras instituições e empresas com situações fiscais bem mais conturbadas? Será este um assunto, de facto, assim tão, tão momentoso que mereça honras de manchete no Público? Se eu fosse maldoso não iria hesitar em pensar que este arsenal todo atirado contra o Sporting traz água no bico... Não sou maldoso, mas analisando as manchetes do Público e confrontando-as com o efectivo grau de interesse da matéria que as determina, tenho de concluir que, ou foi esta que escapou, ou são as outras todas que foram engano...
Em segundo lugar, depois do comunicado emitido pelo Sporting, seria de esperar que as vítimas desta injustiça, ou seja, a imprensa e o Público em particular, se concentrassem na demonstração inequívoca de que os argumentos do comunicado do SCP são falsos. Ao invés disso vemos uma ladainha, feita de palavreado oco ou bacoco, conforme os gostos, contra o estado da Justiça em Portugal, sem que consigamos vislumbrar um único argumento de peso, nenhuma opinião que contradiga, inequivoca e frontalmente, as afirmações perfeitamente claras e objectivas que o Sporting exprimiu no seu comunicado.
Ainda hoje o comentador António Barreto, de quem se esperaria um outro tipo de rigor, se atira de forma assanhada ao Sporting. Diz ele que "é natural concluir que esta decisão [de condenar do Público] terá efeitos nefastos para a imprensa e para as liberdades públicas, pois acaba por assumir o carácter de intimidação." O desfecho do caso das dívidas do Sporting acaba por assumir carácter de intimidação...?! Porquê?!! Que raio de conclusão é esta?!! O que leva o sociólogo António Barreto a juntar-se ao coro esganiçado que se levantou contra o Sporting e, mandando às urtigas a sua formação científica, atirar-se contra o Sporting? Porque não refere os argumentos do Clube para os desmontar como seria seu dever, se quisesse ser rigoroso?
Não quero acreditar que a contundência do discurso se destine afinal a servir o seu empregador, mas até parece...
Tenham juízo.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Grande noite!
Golo temperano, excelente exibição colectiva e várias exibições individuais a raiar a perfeição, quase tudo feito com brilho e uma enorme alegria em campo que contagiou tudo à sua volta. A César o que é de César!
O Marítimo apresentou-se de risca ao meio (de que resultou o tal golo temperano), mas nem depois de ter mudado de penteado se livrou de mais uns correctivos. O novo treinador já deve estar a acreditar em superstições a esta hora...
O que falta ao Sporting para jogar sempre assim?
O Marítimo apresentou-se de risca ao meio (de que resultou o tal golo temperano), mas nem depois de ter mudado de penteado se livrou de mais uns correctivos. O novo treinador já deve estar a acreditar em superstições a esta hora...
O que falta ao Sporting para jogar sempre assim?
terça-feira, 10 de abril de 2007
Os negócios do Sporting 2
No primeiro post sob este tema cheguei à conclusão de que, não sendo obrigatório o insucesso dos negócios ligados ao património não desportivo do Sporting, o facto é que a incompetência e provável oportunismo da gestão levaram a uma situação de queda continuada dos números no vermelho (o que no nosso caso é duplamente penalizador:)
Foi assim que cheguei à conclusão de que o melhor era vender esse património. Vamos ser claros: FSF fez bem as contas e, no estado em que as coisas estavam, o melhor era amortizar uma parte da dívida e, pagando menos juros daqui para a frente, poder a vir a tornar a actividade do clube lucrativa.
O papel do actual presidente e seus acólitos não foi, desde o início, nada correcto em muitos aspectos. Primeiro os antecedentes: para além do facto de ser um cooptado da anterior casta dirigente (portanto co-responsável dos erros de gestão que conduziram a prejuízos acumulados de mais de 100 milhões de euros), ele não conseguia esconder a suspeição sobre o seu estatuto de homem do BES. Depois o número da Assembleia-geral convocada de propósito para a aprovação de apenas este ponto (venda do património não desportivo), quando era sabido que tinha de haver eleições daí a pouco e o mais lógico era escrutinar este assunto nesse âmbito, incluindo-o no programa da candidatura à Direcção e aguentando o embate de listas de oposição. Foi o que, finalmente, teve mesmo de ser feito, mas então já com um desgaste muito grande dos associados proporcionado por uma votação de muito mais de metade dos votos que, em sede de eleições dariam (como deram) uma tranquila vitória; isto dissuadiu alternativas credíveis. Por último, o truque de desviar para o mais que controlado Conselho Leonino a decisão final sobre esta matéria, sem ter de novamente passar pelo risco de uma AG com exigência de maioria de 2/3.
Depois os contornos do negócio em si, com inclusão de uma parcela não prevista (a Secretaria) e a venda a um bando de sujeitos ligados à Universidade Independente que, por enquanto, são apenas suspeitos de negócios escuros (que metem diamantes angolanos e a filha do consabidamente corrupto presidente local) e diplomas forjados. E ainda com o pormenor de a tal parcela a mais ter sido vendida a quem menos ofereceu por ela.
Por último o intermediário no negócio recebeu uma onerosa comissão, parte da qual paga em acções do Sporting avaliadas muito abaixo do valor em bolsa (ver aqui).
(continua)
Foi assim que cheguei à conclusão de que o melhor era vender esse património. Vamos ser claros: FSF fez bem as contas e, no estado em que as coisas estavam, o melhor era amortizar uma parte da dívida e, pagando menos juros daqui para a frente, poder a vir a tornar a actividade do clube lucrativa.
O papel do actual presidente e seus acólitos não foi, desde o início, nada correcto em muitos aspectos. Primeiro os antecedentes: para além do facto de ser um cooptado da anterior casta dirigente (portanto co-responsável dos erros de gestão que conduziram a prejuízos acumulados de mais de 100 milhões de euros), ele não conseguia esconder a suspeição sobre o seu estatuto de homem do BES. Depois o número da Assembleia-geral convocada de propósito para a aprovação de apenas este ponto (venda do património não desportivo), quando era sabido que tinha de haver eleições daí a pouco e o mais lógico era escrutinar este assunto nesse âmbito, incluindo-o no programa da candidatura à Direcção e aguentando o embate de listas de oposição. Foi o que, finalmente, teve mesmo de ser feito, mas então já com um desgaste muito grande dos associados proporcionado por uma votação de muito mais de metade dos votos que, em sede de eleições dariam (como deram) uma tranquila vitória; isto dissuadiu alternativas credíveis. Por último, o truque de desviar para o mais que controlado Conselho Leonino a decisão final sobre esta matéria, sem ter de novamente passar pelo risco de uma AG com exigência de maioria de 2/3.
Depois os contornos do negócio em si, com inclusão de uma parcela não prevista (a Secretaria) e a venda a um bando de sujeitos ligados à Universidade Independente que, por enquanto, são apenas suspeitos de negócios escuros (que metem diamantes angolanos e a filha do consabidamente corrupto presidente local) e diplomas forjados. E ainda com o pormenor de a tal parcela a mais ter sido vendida a quem menos ofereceu por ela.
Por último o intermediário no negócio recebeu uma onerosa comissão, parte da qual paga em acções do Sporting avaliadas muito abaixo do valor em bolsa (ver aqui).
(continua)
Público condenado em processo movido pelo Sporting
Reproduz-se do Público...
Supremo condena PÚBLICO por notícia sobre dívidas do Sporting
10.04.2007 - 15h41 PUBLICO.PT
O jornal PÚBLICO foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça a pagar uma indemnização de 75 mil euros ao Sporting Clube de Portugal por ter noticiado, em 2001, que o clube tinha uma dívida ao Estado de 460 mil contos desde 1996. Apesar de o Supremo ter admitido que a notícia é verdadeira, condenou o jornal com o argumento de que o clube foi lesado no seu bom-nome e reputação.
Notícia completa aqui.
Acordão do STJ aqui.
Supremo condena PÚBLICO por notícia sobre dívidas do Sporting
10.04.2007 - 15h41 PUBLICO.PT
O jornal PÚBLICO foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça a pagar uma indemnização de 75 mil euros ao Sporting Clube de Portugal por ter noticiado, em 2001, que o clube tinha uma dívida ao Estado de 460 mil contos desde 1996. Apesar de o Supremo ter admitido que a notícia é verdadeira, condenou o jornal com o argumento de que o clube foi lesado no seu bom-nome e reputação.
Notícia completa aqui.
Acordão do STJ aqui.
domingo, 8 de abril de 2007
Os assobios e a equipa de futebol

Como aqui tenho vindo a defender a instabilidade da equipa de futebol do Sporting deve-se principalmente a duas ordens de factores:
- A juventude do conjunto de jogadores, nomeadamente os da zona fulcral do meio-campo;
- A qualidade das contratações que era para acompanharem e darem enquadramento a esse conjunto de jovens, e se verificou serem uns cepos que, em vez de fazerem parte da solução, acrescentam ao problema.
Neste negócio de grande risco (porque se baseia em talentos e humores de miúdos de vinte e poucos anos) os “prognósticos só se devem fazer depois do jogo”. Arrisco, contudo, que nesta fase final da época a equipa parece ter ganho uma capacidade mental que até agora aparecia por vezes, outras vezes não. É um facto que ao longo da época tanto os jogadores como o próprio treinador ganharam uma experiência que talvez se possa agora traduzir em resultados.
Os adeptos que andam constantemente a dizer que o Ricardo é um frangueiro e o Polga um enterra, deviam adoptar uma leitura mais menos estática das coisas, procurando acompanhar o dinamismo próprio da realidade. As equipas evoluem mesmo ao longo da mesma época e o que é facto é que a nossa parece estar agora mais consolidada. Reparem por exemplo que o Sporting já é a defesa menos batida da Liga.
O responsável principal por esta aquisição de mentalidade é o treinador Paulo Bento, de quem vem a afirmação: “Podíamos, porventura, ter matado o jogo mais cedo, mas gosto de ganhar por 1-0. Prefiro ganhar por 1-0 do que por 5-4. Denota maior concentração e maior organização”.
Eu não tenho a suficiente convicção para apostar que vamos ganhar o campeonato; mas será que os sportinguistas detractores das capacidades do treinador apostam que não vamos ganhá-lo?
Os adeptos que, no nosso estádio, se entretêm a assobiar alguns jogadores dificultam essa possibilidade. Não é por acaso que a equipa tem esta época piores resultados em casa do que fora. É porque se é verdade que, como diz Master Lizard “o triste palmarés do Sporting não é resultado dos assobios dos adeptos”, mas sim da “actuação desses agentes que têm canibalizado o Clube ao longo de todos estes anos, que (com bastantes e honrosas excepções é verdade!) têm servido mal e se têm servido (à fartazana!) do Sporting”, não é menos verdade que os assobios, pondo o(s) visado(s) a jogar sobre brasas, não ajudam a ganhar campeonatos.
Talvez seja verdade que, com escreve o Leão da Estrela, “os momentos autofágicos do Sporting têm motivos no próprio interior do clube” e não, como insinuou o Record, nos adeptos que postam nos blogs. Ou, como escreve o Sporting no Coração, “se os assobios continuarem, ficamos a saber que a pandilha do costume, aqueles que usando os mesmos métodos expulsaram Dias da Cunha, estão a preparar-se para embolsar mais uns milhões com a venda do Custódio e do Nani”.
O meu apelo vai para o adepto anónimo, no sentido de não se deixar ir nesta onda; ela só prejudica o Sporting.
- A juventude do conjunto de jogadores, nomeadamente os da zona fulcral do meio-campo;
- A qualidade das contratações que era para acompanharem e darem enquadramento a esse conjunto de jovens, e se verificou serem uns cepos que, em vez de fazerem parte da solução, acrescentam ao problema.
Neste negócio de grande risco (porque se baseia em talentos e humores de miúdos de vinte e poucos anos) os “prognósticos só se devem fazer depois do jogo”. Arrisco, contudo, que nesta fase final da época a equipa parece ter ganho uma capacidade mental que até agora aparecia por vezes, outras vezes não. É um facto que ao longo da época tanto os jogadores como o próprio treinador ganharam uma experiência que talvez se possa agora traduzir em resultados.
Os adeptos que andam constantemente a dizer que o Ricardo é um frangueiro e o Polga um enterra, deviam adoptar uma leitura mais menos estática das coisas, procurando acompanhar o dinamismo próprio da realidade. As equipas evoluem mesmo ao longo da mesma época e o que é facto é que a nossa parece estar agora mais consolidada. Reparem por exemplo que o Sporting já é a defesa menos batida da Liga.
O responsável principal por esta aquisição de mentalidade é o treinador Paulo Bento, de quem vem a afirmação: “Podíamos, porventura, ter matado o jogo mais cedo, mas gosto de ganhar por 1-0. Prefiro ganhar por 1-0 do que por 5-4. Denota maior concentração e maior organização”.
Eu não tenho a suficiente convicção para apostar que vamos ganhar o campeonato; mas será que os sportinguistas detractores das capacidades do treinador apostam que não vamos ganhá-lo?
Os adeptos que, no nosso estádio, se entretêm a assobiar alguns jogadores dificultam essa possibilidade. Não é por acaso que a equipa tem esta época piores resultados em casa do que fora. É porque se é verdade que, como diz Master Lizard “o triste palmarés do Sporting não é resultado dos assobios dos adeptos”, mas sim da “actuação desses agentes que têm canibalizado o Clube ao longo de todos estes anos, que (com bastantes e honrosas excepções é verdade!) têm servido mal e se têm servido (à fartazana!) do Sporting”, não é menos verdade que os assobios, pondo o(s) visado(s) a jogar sobre brasas, não ajudam a ganhar campeonatos.
Talvez seja verdade que, com escreve o Leão da Estrela, “os momentos autofágicos do Sporting têm motivos no próprio interior do clube” e não, como insinuou o Record, nos adeptos que postam nos blogs. Ou, como escreve o Sporting no Coração, “se os assobios continuarem, ficamos a saber que a pandilha do costume, aqueles que usando os mesmos métodos expulsaram Dias da Cunha, estão a preparar-se para embolsar mais uns milhões com a venda do Custódio e do Nani”.
O meu apelo vai para o adepto anónimo, no sentido de não se deixar ir nesta onda; ela só prejudica o Sporting.
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