domingo, 15 de julho de 2007

Também acho

Paulo Bento declarou que "não vamos alterar a nossa forma de jogar em função dos reforços." Disse ainda que os reforços foram escolhidos em função da forma de jogar e não o contrário. Francamente também acho que esta questão não deve constituir motivo de preocupação para Paulo Bento. Acredito que não vamos assistir a grandes alterações no modelo de jogo e confio que os novos jogadores foram cuidadosamente avaliados e escolhidos pela capacidade que terão para cumprir o seu papel no contexto desse modelo.
Acho que o problema de Paulo Bento será outro. Se queremos ganhar o campeonato este ano teremos de manter o espírito que dominou a equipa no final da época passada. Não vai ser fácil, especialmente por causa dos reforços, mas é crucial que Paulo Bento mantenha aquela magia que o Sporting demonstrou no final da época. Reafirmo totalmente o que disse aqui há uns tempos.
Quanto às mudanças do plantel em si, apenas lamento profundamente o modo como certos jogadores sairam (não a sua saída!). É pena por vezes os dirigentes também não sairem a custo zero... O balanço que se pode fazer de alterações tão significativas é fraquíssimo e tudo isto apenas denota a grande confusão que por vezes se adivinha na gestão do Sporting. Percebo que a gestão dos activos seja um problema complexo, mas se a direcção da SAD não corrigir o que se passou este ano será um falhanço lamentável, de consequências dramáticas para o futuro do Sporting.
Cá estamos para ver...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Venenos 26


A continuar assim José Couceiro vai acabar a sua carreira a treinar a equipa dos Sub-buteos!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Tello

Tello apanhou vinte-jogos-vinte de suspensão da selecção chilena pela sua participação nos desmandos que ocorreram durante a Copa America. Duas interpretações são possíveis. Ou Tello sempre foi assim e se portava bem no Sporting porque andava com a rédea curta, tão curta que agora, finalmente livre, deu largas à sua verdadeira natureza. Ou passou-se porque a família, insatisfeita com as condições que o jogador actualmente lhe proporciona, o está a pressionar...
Em todo o caso estamos manifestamente perante um caso do foro psiquiátrico.

Purovic

Chegou o novo reforço do ataque do Sporting. Chegou e ainda no aeroporto disse que como não foi para o tal clube de cujo nome eu nunca me lembro, veio para o Sporting (acho que foi mais ou menos isto, o tradutor era quase incompreensível.)
Das duas quatro: alguém se esqueceu de preparar esta chegada, designadamente, de contratar um tradutor à altura, ou ninguém disse a Purovic que aquele nome não se pronuncia sem fazer aquele gesto que quer dizer que estamos prestes a vomitar, ou fez esta afirmação para picar já o adversário, ou Eurico Gomes estava no terminal das partidas à espera dele e já não chegou a tempo de evitar o pior...
Desejo-lhe muita sorte.

As SAD e a Bolsa segundo Belmiro

Belmiro de Azevedo criticou a presença das SAD na bolsa. No quadro actual da organização do desporto o facto de estarem na bolsa parece-lhe estranho. Chamou a atenção para a situação instável das finanças das SAD e disse que não vê o rigor, a transparência e a qualidade na sua governação que a CMVM exige às outras empresas cotadas em bolsa.
A CMVM já se apressou a dizer que as SAD cumprem escrupulosamente as regras a que estão sujeitas as empresas incluidas na bolsa de valores. A gente aliás acredita piamente na CMVM. As SAD não são uma bolsa dentro da bolsa...
Eu já desconfiava que o jogo da bolsa não rimava com o jogo da bola (não rima, estão a ver?) mas agora, com este alerta estou muito mais apreensivo. O mercado é afinal uma realidade virtual e as minhas acções não passam de bytes. E eu que até pensava que ia ficar rico à conta do Sporting!
O engenheiro Belmiro de Azevedo lá foi dizendo também (quem o ouviu...?) que os valores do desporto estão a ser desvirtuados pelos clubes e que a actividade desportiva deixou de ser uma ocupação para ser um emprego. Emprego de curta duração que deixa em maus lençóis aqueles que "pretendam reentrar na vida activa após o fim da carreira."
Que maçada! Nem dividendos, nem valores desportivos, nem passatempo, nem emprego de futuro. Que labéu sobre o futebol!
E Hermínio Loureiro ouviu tudo isto, mesmo ali ao seu lado, e nem pestanejou.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Ricardo


No momento em que escrevo este post não tenho confirmação oficial sobre o futuro de Ricardo. O mais certo parece ser a sua partida do Sporting e do futebol português.
Independentemente de ficar ou não, o Ricardo é um guarda redes que merece uma palavra de elogio. Sei que há leitores do KL que não concordarão comigo, mas na minha opinião é um jogador que vai fazer grande falta ao Sporting e ao futebol português. É triste --e torna todo este processo ainda mais inexplicável-- que por detrás desta saída de Ricardo do futebol português esteja, aparentemente, a questão do aumento da incidência fiscal sobre os ordenados dos jogadores. Tudo isto é triste.
Há qualquer coisa de chocante, de injusto e até de caricato nesta actuação da máquina fiscal em relação ao futebol. Face às dificuldades que o futebol enfrenta actualmente o Estado parece ter encontrado a solução ideal: aumentar as dificuldades.
Lá estarão, certamente, estes ou os governantes que vierem a seguir, pendurados nas tribunas dos estádios para aplaudir os jogos do Ricardo pela Selecção. E os adeptos do Bétis para o aplaudir no resto dos jogos. O Sporting, esse, fica mais pobre.

Os clubes hoje

Apanho por acaso um programa que faz um retrato do que foi o Cannes Lions 2007. Entre as conferências incluídas nesta edição do festival, destaca-se uma de Bobby Charlton sobre o Man. United. Ouço-o dizer perante uma plateia de gente da publicidade que os clubes têm de ser geridos numa perspectiva empresarial. Ouço-o dizer também que a bitola para esta gestão são os adeptos. Ouço-o dizer ainda que no Manchester se trabalha duramente para fazer os adeptos felizes. É por isso, certamente, e não por qualquer outra razão mais ou menos fantasista, que o Manchester é, como se sabe, um dos maiores clubes do mundo. O Manchester United é uma máquina de produção de felicidade.
Os clubes são hoje o que sempre foram: associações de pessoas unidas por um ideal desportivo. Geridas numa perspectiva empresarial ou geridas com os pés os clubes são associações de pessoas...
Tenho muitas vezes a sensação que no Sporting não se trabalha duramente para tornar os Sportinguistas felizes e que estes não são a bitola pela qual se orienta a gestão do Clube. Tenho mesmo a nítida sensação que se os adeptos não desatassem, volta não volta, aos gritos e aos assobios (uns gritos e assobios que significam "olhem que a gente está aqui, para o caso de ainda não terem reparado em nós...") eram totalmente negligenciados.
Como no Manchester United é assim e como se sentiu sempre uma enorme pressa em copiar o Manchester, pode ser que a moda um dia pegue...

Transferências

Bem sei que isto é verão, que anda tudo a meia nau (até as eleições para a CML... ainda ninguém abordou a questão do Sporting!) e que até há factos positivos neste defeso do Clube. Mas, caramba!, há coisas que continuam a fazer-nos uma grande confusão e que precisam de uma explicação muito clara, sob pena da gente ter que ficar a pensar o pior...
A notícia de hoje é a transferência do Pepe para o Real Madrid. Não se trata de uma transferência para clube menor, nem o valor para ela anunciado uma banalidade. É um recorde para um defesa. Ora, o Pepe passou pelo Sporting, salvo erro, duas vezes. Não encontraram forma de o segurar. Acabou no Porto, onde deu nas vistas, e o clube encaixou agora com a sua transferência uma nota preta, semelhante à que obteve com a transferência do Anderson, que era, lembremo-lo, considerada excepcional. Aliás o Porto encaixa com as transferências deste ano (e vamos ver se a coisa fica por aqui...) uma maquia muito considerável.
O que eu pergunto é simples: porque não ficou o Pepe no Sporting, ele que, pelas declarações que proferiu na altura, até parecia querer ficar? O que falhou neste processo? Quem falhou neste processo?
Na minha leitura de tudo isto, trata-se de uma pesada derrota para a SAD. Lembro que estamos a falar de 30 milhões de euros e que em nome da redução do passivo houve e há encaixes não realizados, de valor bem menor, que nos foram choradamente apresentados como uma verdadeira catástrofe. Em que ficamos?

terça-feira, 3 de julho de 2007

Venenos 21



Depois da apresentação do novo equipamento, Richarlyson Barbosa Felisbino, jogador do São Paulo, terá declarado que pondera seriamente ingressar na equipa da Luz.

domingo, 1 de julho de 2007

A "marca"

Há conceitos que, de tão ouvidos, acabam a ser repetidos sem que os seus pregoeiros pensem muito no seu real valor. O conceito de marca ligado a um clube é um deles. Ouvimo-lo papagueado a toda a hora.
Sei que vou provavelmente chocar os leitores mais sensíveis, mas "chavões" como este, para mim que sou mais pão com manteiga, não passam de puro vácuo.
O que é a "marca" de um clube? O que é a marca Sporting?
Os especialistas definem marca como um nome, um emblema ou um esquema conceptual associado a um produto ou serviço. Mais dizem estes especialistas que uma marca é a materialização simbólica de toda a informação associada ao produto ou serviço e que o símbolo serve para criar, em volta desse produto ou serviço, um conjunto de associações ou expectativas. Por mim, sinto-me confortável com esta definição. Mas encontro aqui conflitos insanáveis com a interpretação que do conceito é feita pelos especialistas em marketing do futebol, nomeadamente do Sporting. Estes especialistas estão, na minha humilde opinião, redondamente equivocados e andam a destruir o nosso Clube e a dar cabo desta nossa paixão.
O que estes especialistas em marca que trabalham no futebol têm feito até aqui mais não é que pegar no ferro em brasa e aplicá-lo, brutalmente, sobre a pele do produto que nos querem à viva força impingir. Assim "marcado", o produto passa de forma enganadora por ser aquilo que a gente quer.
Sobre este assunto da "marca" o nosso Manifesto contém algumas observações que peço a todos que leiam ou releiam. Deixem-me apenas colocar aqui algumas notas adicionais.
Se aceitarmos a definição de marca que deixei atrás poderemos perguntar de imediato: que produto ou serviço cria afinal o Sporting?
Uns dirão que produz espetáculos de cariz desportivo. Outros dirão que produz uma série de mercadorias que vende como forma de completar a venda dos espetáculos. Outros poderão dizer que o produto são os lugares de época. Outros dirão ainda que o produto são os talentos futebolísticos para vender nos mercados estrangeiros e nacionais. Outros pensaram que o produto Sporting era uma fórmula completa de proporcionar momentos de lazer de qualidade a toda a família, mas esse chão deu, como se sabe, uva. Outros, finalmente, dirão que o "produto" do Sporting é tudo isto.
Ora, quando se grita no estádio ao "bandeirinha" para enfiar a bandeira num determinado sítio, quando se assobia um jogador que não dá o litro, ou se aplude outro que protagoniza uma bela jogada que ajuda a garantir uma vitória importante, quando gritamos ai-ai com uma saída mal calculada do guarda-redes ou saímos em massa para comemorar uma vitória numa prova importante, quando discutimos e vibramos com as ocorrências do Clube estamos a ir muito para além do espetáculo, do simples entretenimento ou da efemeridade da compra de uma simples camisola ou de um cachecol. Ninguém salta da cadeira com o papel que os talentos do Sporting irão futuramente representar no Manchester ou no Real Madrid. E ninguém, no momento do golo, gritará entusiasmadamente sobre a mais valia que o seu marcador representa para a receita.
O produto que o Sporting vende (com toda a cautela que esta expressão deve merecer!) não é definitivamente, nem espetáculo, nem talentos, nem bugigangas! É uma postura perante a vida, materializada na competição desportiva. Tudo o que é Sporting obedece a essa premissa. O Sporting é diferente, diz-se, e se há coisa que o Sporting pode vender, ela é, justamente, essa diferença. Quem se indentificar com ela junte-se a nós.
Espetáculos desportivos, cachecóis e camisolas todos os clubes podem vender. Uma etiqueta colocada na camisola vendida na loja de artigos desportivos não é a marca Sporting! A marca Sporting é a diferença, é a nossa especificidade, são os nossos princípios e é isso que os Sportinguistas, actuais e potenciais, buscam. É por esses princípios que estão dispostos a dar tudo. É por eles que vibram energicamente. Os jogos, as camisolas, os emblemas permitem a identificação com os princípios, com o conceito, materializam-no e ajudam a suscitar as tais expectativas e associações com o produto. Mas não são o produto.
Vamos aos jogos porque somos Sportinguistas, envergamos um cachecol ou uma camisola porque somos Sportinguistas, mas o facto de os envergarmos não faz de nós Sportinguistas. Somos Sportinguistas porque temos um determinado ideário. Poderemos imaginar uma empresa que faça da venda de cachecóis ou mesmo espetáculos de futebol o seu core business, mas não lhe auguro grande futuro.
Claro que eu, pessoalmente, não concordo nem aceito facilmente que um Sportinguista seja equiparado a um cliente de supermercado. O Sporting é sagrado. Aceito que se faça chegar a mensagem de forma eficaz a todos os destinatários, actuais e potencias, mas esta sacralidade está em perigo, desvanece-se e banaliza-se com essa visão de promoção comercial em que foi transformada a nossa militância clubística.
A culpa de tudo isto, desta tendência que está a corroer e a destruir o futebol português, está nesta verdadeira aberração que são as SAD. No caso do Sporting foi a SAD, esse conceito aborto, esse logro, essa aberração, a responsável pela aceleração deste processo de degradação do nosso Clube, que transformou o sagrado Sporting numa promoção de supermercado, que escancarou a porta ao mais abjecto oportunismo e lá vai servindo para que uma meia dúzia de espertalhões encham as respectivas contas bancárias. (Continua)

Sócrates copia Soares Franco

O destaque da crónica de Fenando Madrinha no Expresso desta semana é o seguinte: «A UE vai transformar em 'sim' o 'não' dos eleitores europeus. Como? Deixando de os consultar.»
Refere-se o comentário à operação em curso entre as luminárias europeias (com o nosso PM à cabeça: agora que Portugal tem a Presidência da UE, ele já se manifestou contra referendar do novo tratado europeu) de fazer passar a chumbada Constituição Europeia travestindo-a em tratado, para a fazer passar sem referendo por parte dos eleitorados dos países da União.
Não foi preciso muito para eu fazer a associação entre a frase de Madrinha e o que se passou no Sporting quanto à famigerada operação de aprovação da venda do património não desportivo. Também neste caso Filipe Soares Franco conseguiu a artimanha de passar por cima do chumbo que os sócios lhe deram, levando a questão para o seio do dócil Conselho Leonino.
Só que, no caso da Direcção do Sporting a única alteração feita (ao contrário das que se fizeram na Constituição europeia, as quais foram no sentido de amenizar um pouco o texto), foi para ainda reforçar o bolo da venda, incluindo a Secretaria.
Na UE, os cidadãos não contam para as decisões; no Sporting, não contam os sócios.
Um destes dias entra-nos um "Berardo" pela porta dentro...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Proposta de um fim digno para o Público

Uma criatura chamada Laurinda Alves escreve hoje no Público (mais) uma catrefada de comentários sobre o Estádio de Alvalade, a que ela chama "o estádio do meu clube"... O tema do artigo é, imagine-se, o concerto dos Rolling Stones, pelos vistos, o único motivo suficientemente forte para levar a senhora a visitar o estádio do seu clube.
Não percebo o que deu ao Público para se atirar ao Sporting e ao seu estádio. Ontem os blogs Sportinguistas verberaram profusamente este jornal, de diversas formas, pela provocatória inclusão do estádio numa daquelas idiotices de verão que os jornais gostam de fazer para encher papel. Aqui há tempos houve aquele triste episódio da pretensa dívida do Sporting a fazer manchete, e , recordar-se-ão talvez de ter falado disso, António Barreto a atirar-se ao Sporting por causa deste assunto em termos que fariam envergonhar os advogados do método científico... De um modo geral, a conversa do Público relativa ao Sporting parece ter sempre água no bico e as garras parecem estar sempre afiadas contra o nosso Clube sagrado.
Como no caso das bruxas (na existência das quais ninguém acredita, como se sabe...), esta nova diatribe trará, certamente mais uma vez, água no bico e a maternal Laurinda poderá não passar de mais um peão numa estratégia mais complicada. Antigamente as bruxas, como se sabe também, iam para a fogueira. Como nem o Público, nem esta bruxa merecem a fogueira (esta gente nem pelo fogo se purificaria...) eu já sei por onde vai passar a edição de hoje do Público. Dou-vos uma dica: a Renova não vai fazer negócio cá em casa durante um tempo...
E esperemos que o Público não continue a provocar os Sportinguistas! É verdade que com a queda das tiragens, se calhar qualquer dia não há Público...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O dinheiro não tem cor

Não consigo perceber aqueles que continuam a fazer análises à indústria do futebol única e exclusivamente com base na paixão clubista. Vem isto a propósito das recentes movimentações em torno dos “coisos”, sobretudo do Mr. Berardo.
O Sr. Berardo é um capitalista (este termo, ao contrário do que se possa pensar não é político, mas sim económico) que enriqueceu nos elevadores das minas de ouro. Resolveu voltar para Portugal por razões que desconheço, mas que acredito, por pura especulação, terem a ver com a tendência dos sul-africanos em atacar aqueles que mais se distinguiram na defesa dos valores do apartheid. Ao regressar investiu nos vinhos, na bolsa nos bancos, em roupa preta. Também continuou a maior colecção de “lados B” de arte moderna que há no mundo. De tudo isto nada é demais a não ser ter sido o único “coiso” a transformar em real um valor estimado (ao contrário do que pretendiam os seus corregelionários pelo Mantorras). Pagamos todos nós esta escandaleira que até o “Mega Gastadeira” se indignou....
Voltando à vaca fria. A Banca nasceu para suportar as actividades capitalistas e sempre esteve envolvida nas actividades que em cada momento histórico mais se desenvolveram. Todos sabemos que esse é o caso actual do futebol pelo que não entendo onde está o espanto ou a ironia na sua proposta. Acho que deve ser tomada a sério, e nestas confusões e interesses do BCP, não sei se não poderá ser mais perto do que se pensa.
Mas onde eu queria chegar, apesar de parecer que estou a caminho do centro cultural, é que a OPA não é mais que uma acção capitalista de um capitalista numa indústria em franco desenvovimento. Ou seja, o Mr. Berardo já manda no Benfica, porque já iniciou as movimentações necessárias para dar cobertura a compras de jogadores a influenciar decisões e a enviar recados. Lançou a OPA e logo todos acham que ele agora tem a obrigação de comprar jogadores para o clube, que isso sim é ajudar. Mas é o que ele quer! Como qualquer capitalista faz, estudou o mercado e chegou à conclusão que só com a ajuda de quem já conhece o mercado é que pode investir. E os “coisos” colocam todo o seu know-how ao seu serviço. Ele investirá em jogadores sem necessidade de investir em infraestruturas de procura de mercados. O clube do seu coração trabalhará de borla para ele. Porque hoje não é preciso “pôr” dinheiro nos clubes. Compram-se passes e colocam-se os jogadores em clubes a valorizar. As mais valias são melhores que muitas das acções da nossa bolsa. A popularidade e promoção numa área que até aqui não estava ao seu alcance serão só mais um valor acrescentado.
O dr. Sousa Tavares parece que foi o único colunista a perceber isto e não pode ou não quis dizer tudo, talvez porque o seu mercado vive da especulação clubista. Entretanto todos andam entretidos a dizer que não vendem as acções. O Mr. é tão bom que nem precisará desse investimento para mandar e ganhar dinheiro no futebol.

sábado, 23 de junho de 2007

Os milhões da Superliga

O relatório da Deloitte sobre o estado do futebol português (reportado à época 2005-2006) é claro: o prejuízo resultante da actividade desta "indústria" é brutal. Uns meros 524,2 milhões de euros! Um valor que roça o valor do Activo Líquido que é de de 560,1 milhões de euros. Há mesmo 7 clubes que apresentam "passivos superiores ao valor dos seus activos líquidos contabilísticos."
As conclusões do relatório não constituem exactamente novidade. Qualquer observador atento da paisagem futebolística portuguesa poderia antecipar as conclusões da Deloitte. O mérito do relatório --profusamente publicitado pela imprensa de hoje-- reside na quantificação do "estrago". Particularmente alarmantes são os dados relativos à diminuição de receitas, ao aumento do endividamento e à diminuição do valor dos capitais próprios dos clubes.
Nos números da Deloitte espelha-se a rebaldaria que tem sido a orientação estratégica dos clubes, dos seus organismos representativos e das autoridades públicas. E, embora não sejam explicitados, lemos nas entrelinhas deste relatório os nomes dos responsáveis por este estado de coisas.
Os três clubes principais da Liga maior são responsáveis por uma percentagem muito significativa dos valores apurados. Sublinha-se o prejuízo corrente recorde do FCP. Relativamente ao Sporting, registe-se o crónico, inadmissível e triste terceiro lugar relativamente a aspectos fundamentais como o volume de receitas, o número de sócios ou as assistências aos jogos. Pelos vistos, a disponibilidade financeira exigida aos sócios e adeptos do Sporting afinal não chega... Assinale-se, contudo, com nota francamente positiva a diminuição de custos e prejuízos correntes.
Na apresentação do relatório da Deloitte, o Secretário de Estado do Desporto disse, apesar das evidências, que "as contas não são fáceis de fazer, não são sequer ainda rigorosamente reais. Há algumas realidades escondidas." Como sempre, neste país de brandos costumes, a realidade não é real e, ainda por cima, anda escondida...
Podemos assim facilmente antever como, apesar do aviso sério que tudo isto constitui e da dificuldade que todos aparentam ter em fazer contas, lidar com o real e inverter o curso dos acontecimentos, como vai ser o relatório de 2006-2007. E o de 2007-2008!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Bom amigo, alegre, íntegro, impecável...

... Assim o descrevem alguns dos colegas que, com João Martins, fizeram parte da fornada de jogadores que deu nomes como Caneira, Boa Morte, Alhandra, Simão e Patacas, entre outros.
Martins foi campeão pelo Sporting nos diversos escalões de formação. Acabou por não representar o seu Clube no escalão maior, mas jogou em clubes dos escalões secundários como o Ribeira Brava, o Odivelas e, até anteontem, o Oriental.
Faleceu, subitamente, aos 27 anos, vítima de ataque cardíaco.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Figuras de referência

O Sporting precisa de jogadores mais maduros para equilibrar a média de idades. Já aqui foi dito isso. O equilíbrio do plantel --de qualquer plantel, afinal de contas, mas, em especial, do plantel do Sporting-- passa por esta variável etária. A solução mais aconselhável deveria assentar na manutenção de jogadores da casa, referências internas, sólidas, que nasceram no Sporting, conhecem os seus cantos e ajudam a passar o testemunho. A autoridade não se ganha à pressa, nem é outorgável por contrato. A velhice é, como se dizia na tropa, um posto e a equipa precisa de quem ocupe esse posto.
O Sporting tem neste capítulo um longo historial de asneiras difíceis de esquecer. Em matéria de jogadores mais velhos, seria fácil lembrar uma meia dúzia de nomes cujo afastamente constituiu, no meu entender, um verdadeiro crime de lesa Sporting, e uma outra meia dúzia cuja contratação se revelou totalmente incompreensível e inútil.
Anuncia-se agora a vinda de Derlei. Trata-se de um nome que já há algum tempo foi falado. Agora, parece, é de vez. Resta saber, por um lado, se Derlei está em condições de cumprir o papel que se espera de um jogador com as suas características, com a sua idade e o seu historial, e se, por outro lado, a sua vinda implica ajustes e re-equilíbrios no plantel.
Sem querer colocar, à partida, nenhum anátema sobre o jogador, diria que iremos todos certamente manter sob observação atenta esta escolha dos responsáveis.