quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A sobrevivência da espécie

Deixem-me tentar aqui também fazer um pequeno exercício de "demographics", simplista é certo, e muito ao jeito daqueles de que a malta do marquetingue tanto gosta. Não se conhece nenhum estudo sério sobre o que é ser Sporting hoje. Dos estudos que, pretensamente, terão sido feitos não se lhes apurou nunca a origem, a legitimidade, nem quaisquer conclusões significativas e sabe Deus por quem e como foram feitos... (1)
Olhando para o universo do Sporting hoje apercebemo-nos que existe uma grande diversidade de modos de "ser" Sportinguista. Não é um problema e cada um de nós tem o direito de ser como é. Como não quero ferir susceptibilidades (2) vou apenas distinguir aqui três categorias. Há os fanáticos indefectíveis, que vão a todas (incluindo aqueles que fazem e, certamente, aqueles que lêem o KL...), que contra ventos e marés foram, são e serão sempre do Sporting, se preocupam e vivem apaixonadamente o Clube. Há também aqueles que proclamam o seu Sportinguismo por uma razão qualquer fútil ou incompreensível. Gente como a Laurinda, por exemplo, de quem falei há uns tempos, que se diz do Sporting, mas que nunca meteu os pés no estádio porque o acha feio... E há gente que, embora sendo efectivamente do Sporting, dificilmente aguenta a tortuosidade da condução dos destinos do Clube, está atenta ao que se passa nos outros clubes, gosta de desporto e, sobretudo, gosta de futebol. Gente que olha, simplesmente, à sua volta e compara.
Ora os fanáticos não chegam (aparentemente) para pagar o défice (3), os "laurindos" não riscam e os "comparadores" vão-nos vendo sistematicamente a passar ao lado da passerelle da grande gala do futebol.(4) Também vão observando e constatando que em ano de grande agitação por causa do processo do Apito Dourado, em ano de olhares certamente mais atentos, o clube lá do norte vai dando um bigode de todo o tamanho em todas as frentes aos seus pobres rivais. "Não jogamos para meio prémio," diz o treinador. Se calhar o "sistema" não explica tudo...
Há mais destes "comparadores" do que se supõe. Gente assumidamente Sportinguista, com grandes disponibilidades, reais ou potenciais, mas com convicções clubísticas mais, digamos, pragmáticas... Gente que olha para a "oferta" sportinguista e faz contas... Gente que, se calhar, vamos perder para o inimigo. Se nada for feito, o que se passa hoje com os jogadores feitos no Clube --que estão no Sporting em trânsito...-- há-de vir a passar-se com os adeptos.
Sem vitórias, sem receitas (5) e com um mercado a encolher por causa das vitórias e do glamour dos outros o que vai ser do Sporting? O Sporting não segura os seus jogadores e arrisca-se a não segurar os seus adeptos.
Que futuro nos espera? Já pensaram nisso?
A "campanha de novos sócios" ganha-se ganhando.
A menos que o Sporting promova um outro tipo de campanha... Uma campanha de aumento da natalidade junto dos indefectíveis e dos fanáticos para ver se temos mais nados sócios e conseguimos assim ir assegurando a sobrevivência da espécie...


(1) Certamente por alguém que, ou a) se reclamou do Sporting, fez umas cadeiras de um desses cursos que vão contribuir para vender imensos sabonetes e se abalançou a fazer o trabalho, ou b) um amigalhaço qualquer, igualmente incompetente, que não era do Sporting e viu nisso a oportunidade de esmifrar umas massas ao Clube.
(2) Embora mais cedo ou mais tarde esta questão tenha de ser encarada de frente e trabalhada de forma séria.
(3) Será caso para ver...
(4) Embora vejam alguns jogadores na passerelle...
(5) A propósito de receitas, gostava de saber qual foi a receita do jogo com o Louletano. E se foi aquilo que eu penso que foi gostava de saber qual é a legitimidade de invocar, no caso do Iordanov, o argumento das despesas que uma partida de futebol tem no novo estádio. Será que a SAD pensou nisso no caso do jogo com o Louletano...?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ainda Iordanov

O Sporting é hoje um clube triste. Triste, cinzento, murcho, deprimido, enfim, uma instituição verdadeiramente lastimável donde parece nunca surgir nada de bom.
Já nestas páginas abordei o assunto Iordanov. Quem quiser recordar pode ver aqui e aqui a minha opinião sobre este assunto que agora volta a acender-se.
O caso foi para tribunal e a SAD apressou-se a emitir um comunicado. Por mais que se leiam as razões do Sporting, por mais que se reveja tudo aquilo que se conhece sobre esta história, não consigo descobrir uma justificação sequer para este procedimento. O comunicado, sem querer, dá pistas que indicam que tudo parece ter sido tratado com leviandade (até a sua própria redacção é leviana!) e termina com esta tirada "messiânica": "nada mais resta à Sporting, SAD senão esperar que a acção corra os seus termos até final, na convicção, porém, que a razão lhe assiste."
É isto que a SAD faz para defender os seus (nossos!) interesses. Esperar pelos tribunais para tratar do caso de um símbolo eterno do Sporting.
Este é o tipo de conflito que certamente nos vai sair caro. Iordanov é mais um na longa lista de gente que por cá passou e de cá saiu ingloriamente. Do conceito de "gestão de activos" as cabecinhas pensantes desta SAD têm uma visão curta e limitada. Iordanov é e será sempre um "activo" do Sporting! E o impacto que esta questão tem para a clientela é mau, muito mau. Mesmo que a decisão venha a ser favorável sob o ponto de vista jurídico (sabemos todos o que isso quer dizer), ela representará segurameente para o Sporting uma derrota.
Quando me lembro de ver o Iorda em campo, a dar tudo o que tinha pelo seu Sporting, recuso-me a acreditar que este assunto não pudesse ter tido um outro desfecho. E na dúvida quem paga é a direcção.

sábado, 8 de dezembro de 2007

O mau momento

A sucessão de episódios tristes destes últimos dias, em especial, as trocas de mimos entre o Sporting e Carlos Queirós, a recente entrevista de Carlos Martins ou a réplica de Paulo Bento só vêm provar o que já se sabia: a condução dos destinos do Sporting está entregue a amadores e oportunistas. Se a estes episódios juntarmos o folhetim Carlos Freitas adensa-se a sensação de que caminhamos mais rapidamente do que se pensava para o caos e para uma situação de salve-se quem puder.
Nada disto surpreende verdadeiramente. Rumo, ou seja, direcção, caminho, orientação, é algo que necessita de um piloto e piloto é uma figura que não existe no SCP de hoje. Houvesse rumo, fossem as coisas bem feitas e não haveria sequer lugar para "polémicas" deste género.
O que me preocupa em tudo isto é ver que estas polémicas se começam a estender aos Sportinguistas. Não é crime ter opiniões sobre os assuntos (já foi, mas agora não é!) e não é crime que as opiniões divirjam entre nós. Mas, será crime se as opiniões divergentes e os nossos modos de apreciar a vida do nosso Clube do coração se tornarem motivo para troca de mimos entre os Sportinguitas. Precisamos de esclarecer, de compreender, de iluminar o que está escuro. Não precisamos de tornar tudo ainda mais obscuro do que é. Quem percebe o que se passa de facto no Sporting?! Mas, quem tem dúvida de que algo se passa?

Não há azedume, nem criticismo fácil em muitos dos reparos e observações que fazemos --nós aqui no KL e tantos outros Sportinguistas preocupados com o Sporting. Há, acreditem, apenas expectativas elevadas, Sportinguismo sem limites e algum sentimento de revolta.
Uma coisa que todos os que nos lêem terão de ter sempre presente é o seguinte: não temos "cargos", não somos profissionais da informação, não somos pombos correios, não estamos ligados à banca, à bolsa, nem a qualquer instituição do universo empresarial. Quando falamos fazêmo-lo como "clientes" deste Sporting que nos serve, o mais das vezes, mal. Temos direito a protestar. Houvesse um Provedor do Sportinguista, eficiente (que bom sinal que isso era!), e o KL se calhar acabava...
O que digo aqui em relação ao KL é seguramente extensivo aos outros blogs que criticam a actual situação do Sporting. O pior que podia acontecer ao nosso Sporting seria os Sportinguistas desunirem-se. Mas, é necessário que esta união seja forjada numa atitude esclarecida e que para bem do Sporting possamos criticar o que nos parece mal.

O Sporting, entretanto, ganha neste momento ao Louletano. Nós que não temos aquela capacidade financeira que o actual presidente do Sporting afirmava ser necessária para ser Sportinguista, nós, repito, cá estamos, aqui de longe, a ouvir o relato radiofónico. Muito contentes com a vitória.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL

Não é sem uma ponta de emoção que leio o último post. Os Sportinguistas deviam refletir seriamente sobre ele.
Duas palavras apenas.
Em primeiro lugar, para aqueles que julgam, porventura, que o retrato do Sporting aqui traçado é um retrato a sépia, que a realidade hoje é a cores e mete píxeles, para aqueles que se contentam com o "travesti" de instituição maior que é o Sporting hoje, para aqueles que se contentam com os resultados do Clube, eu lanço o desafio: assumam-se! Paguem o preço justo (financeiro e moral) pelo que entendem que são os princípios do seu "sportinguismo", paguem as derrotas ou saiam do Clube!
Em segundo lugar, aos engenheiros e arquitectos deste descalabro que é o Sporting Clube de Portugal hoje, a todos os que contribuíram para que o Clube chegasse a este lastimável estado de coisas, que só estão no Clube para se servirem dele, digo: vão-se embora! Não nos enganem mais! O vosso "sportinguismo" é uma provada mentira!
Enquanto continuo a aguardar pela posição de alguns Sportinguistas históricos (que me merecem respeito e que há muito deviam ter manifestado a sua opinião sobre o rumo do Clube), eu, por mim, fico à espera o tempo que for preciso para ver os actuais dirigentes a milhas. Paciência não me falta.

COMPRAR MELÕES EM JANEIRO

A crise não é de agora. Vem desde a construção do Estádio de Alvalade e da assunção, pelos dirigentes sportinguistas, da filosofia irresponsável de gastar fortunas a jogar na lotaria da contratação de jogadores e treinadores na esperança de se ganharem campeonatos de futebol.
Há 45 anos escrevia eu no Jornal do Sporting, em tempos de censura:

Têm sido acusados os nossos clubes desportivos de desviarem a atenção da juventude dos problemas-base que deveriam preocupá-la, sem nada lhe dar em troca senão uma errada noção do Desporto. É chegada a altura dos clubes se redimirem da ponta de verdade que houver em tal acusação e oferecerem ao maior número possível de moços da nossa terra a oportunidade de serem mais “sadios, mais santos e mais sábios”.
Tem o Sporting obrigação de estar na vanguarda desse movimento de regeneração, que é inadiável.
Temos gasto milhares de contos com futebolistas profissionais e seus treinadores, não se pode, honestamente, dizer que tenha merecido a pena tal esbanjar de dinheiro. Entretanto, a juventude portuguesa continua a amolecer, em casa, nos cinemas, nas tabernas, nos cafés, sem que haja coragem de gastar no seu enrijamento metade do dinheiro que se tem esbanjado com a miragem das vacas gordas futebolistas. Aperta o coração o confronto entre o número e o valor dos atletas portugueses e os dos atletas da maioria dos outros países. Nada valemos no mundo do desporto e nada continuaremos a valer se não houver a coragem de trilhar novos caminhos.
Estamos numa encruzilhada.
Para onde vamos? Reacender a chama de um sportinguismo sadio, ou transformar o Clube numa sociedade comercial de irresponsabilidade ilimitada?
Procurar educar desportivamente os sócios menos evoluídos, ou contaminá-los de uma clubite apaixonada, cega e estúpida?
Criar atletas e acarinhá-los, divulgar o desporto, ajudar com todo o nosso coração o reerguer de um Povo que já ditou leis no mundo, ou continuar gastando criminosamente centenas de contos com oportunistas?
A todos os sportinguistas deve caber uma parte da responsabilidade na escolha do caminho.
(...)
Desde a inauguração do nosso Estádio que vimos assistindo a cíclicas explosões de mau-humor colectivo. Talvez mereça a pena procurar as suas causas.
O “Monumento à grandeza e glória do Sporting”, se, tecnicamente, como obra de engenharia e arquitectura, foi uma vitória que ainda nos enche de alegria, sob o ponto de vista económico, talvez por ter sido sonhado excessivamente com o coração, tem sido uma pesadíssima cruz.
Logo após a sua inauguração foi preciso procurar, desesperadamente, uma enorme fonte de receita no futebol. Enveredou-se pelo caminho de querer melhorar as equipas jogando na lotaria dos ases famosos e dos treinadores propagandeados e os resultados foram desastrosos.
Os sócios vendo o seu dinheiro tão prodigamente gasto, e talvez com uma ponta de mal disfarçado despeito por não poderem ganhar a vida tão facilmente como os novos treinadores ou alguns dos jogadores de futebol, ficaram naturalmente predispostos a críticas azedas e manifestações hostis.
Os jogadores e treinadores, quando esqueciam as questiúnculas entre si, sentiam-se desamparados e incapazes de corresponder ao que todos lhe exigiam.
Os dirigentes, beliscados, por vezes injustamente, no seu amor-próprio de sportinguistas e amadores, não aceitaram de bom grado as críticas e procuraram ignorar as vozes discordantes que vinham da plebe.


Hoje o que mudou?
Não há censura oficializada, mas os jornais manipulam a opinião pública em função dos seus interesses comerciais.
Já não se gastam milhares de contos com jogadores de futebol porque se “compram” e sustentam por milhões.
As contas do Clube são aprovadas por uma só centena dos 30 mil sócios.
Os sócios continuam a assobiar quem menos culpa tem no estado a que o Clube chegou.
Os dirigentes, bem os dirigentes não creio que se sintam beliscados no seu amor-próprio de sportinguistas até porque se pagam bem pagos.
Mal empregado 25 de Abril !

António M. Coelho de Carvalho (Leoscorp)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Deixemos, por hoje, as questões de fundo...

Estive a ver o jogo com o União de Leiria pela televisão. Sozinho, com o volume muito baixo para não ouvir os comentários.
O filme do costume, o que já cansa e irrita. Uma aflitiva inépcia para marcar golos. E uma mais aflitiva incapacidade do Paulo Bento para modificar o sistema táctico.
Eu sei que os jogadores são mais importantes do que o treinador, que são os jogadores que ganham os jogos, que os resultados dependem principalmente da sua habilidade e condição física, mas se não houver quem lhes diga como devem actuar, os resultados serão ainda mais aleatórios. É por isso que considero o treinador o principal responsável pelos maus resultados dos últimos tempos. Não que advogue a sua saída, nada disso. Gostaria era que ele reflectisse no que vem acontecendo e lesse os livros que Cândido de Oliveira escreveu!

O “meu” Sporting, o Sporting que vi jogar há 60 ou 70 anos marcava uma média de 3 golos por desafio. Quando Cândido de Oliveira colocou outro avançado ao lado de Peyroteu para o libertar da marcação cerrada de que era alvo, a média de golos subiu para 7! Como não hei-de ter saudades ?

Chamem-me o que quiserem, mas o ataque com dois extremos, dois interiores e um avançado-centro é, de longe, o sistema mais eficaz. Não houve alteração nenhuma às leis do jogo que aconselhasse esta história de um ou dois avançados, isolados e perdidos no meio dos defesas contrários. Naquele tempo, o Sporting era dominado territorialmente. Era conscientemente que jogava no seu meio campo, mas com os avançados também recuados a servirem de primeira linha de defesa, quando os adversários tinham a bola. E marcava-se homem a homem. Logo que a bola passava para o nosso lado, era uma cavalgada que terminava quase sempre em remates à baliza e muitas vezes em golos.

Parece ter ouvido assobios e visto lenços no final do jogo. O Presidente, ainda ontem, reafirmou a sua confiança na equipa técnica. Maus sinais. Fui ver o que Dias da Cunha escreveu quando despediu o Peseiro…

domingo, 2 de dezembro de 2007

Fora!!!!!!!!!!!!!!!!

Vou então repetir...
Não estou contra a equipa, não estou contra os atletas, não estou contra a equipa técnica. Estou contra as escolhas estratégicas que os responsáveis pelo Clube têm feito, verdadeiras e únicas razões que conduziram a mais este resultado e à caricatura de uma equipa de futebol de alta competição que é este SCP.
Faço um pedido à direcção: desamparem-nos, a loja. O mais rapidamente possível!!
Tenham um mínimo de dignidade e antes que o desastre seja irrecuperável peçam a demissão.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Repensar de novo: Projecto precisa-se!

O post anterior gerou um comentário do leitor Thakrar que aconselho todos a ler. É um excelente "diagnóstico" do estado do Sporting que agradeço e subscrevo. Em vez de responder com um "comentário" acho que o assunto merece outro post. Re-"Pensar faz bem" como dizia Eduardo Prado Coelho...
Devo fazer aqui algumas clarificações sobre o que escrevi para que o meu post anterior possa ser lido correctamente. Não sou contra a ideia de um clube de formação. Aliás, seria insensato neste momento, depois de todo o investimento feito nesta via, mudar de rumo. Quando digo «Não é possível ser "grande" e querer ser um clube de formação» quero dizer, mais concretamente, que é de esperar que tomando a via da formação se passe algum tempo de carência e que os resultados não apareçam de imediato. Mas é preciso assumi-lo e por actos, coisa que o Sporting não tem feito. A política do Sporting nesta matéria tem sido ambígua, subserviente, de navegação à vista, sem dimensão, nem proveito.
É possível ser grande desta forma, mas é-o assumindo abertamente e totalmente esta via e estando preparado para a luta e para eventuais obstáculos, designadamente de ordem interna, que possam surgir. Disse que «não é possível ser "grande"», no sentido em que neste momento nos limitamos a fazer o papel de "equipa de treino" dos grandes. Mas é possível voltarmos a ser verdadeiramente grandes se as opções forem diferentes da caldeirada que neste momento é a "estratégia" do Sporting e houver um rumo claro.
E quando digo que temos de estar "preparados" significa ter uma equipa preparada, um Clube preparado e os adeptos preparados. Todos unidos! É um projecto a sério, com a grandeza, com a perspectiva de futuro e consentâneo com a dimensão histórica do Sporting. Bem podemos encher o peito com o facto da BBC tecer os maiores elogios à Academia. O que é que isso trouxe de facto para o Sporting?! Trouxe sim para o MU e outros que tais, que se devem rir à farta com tanta fartura. Tantas "pérolas", assim à mão de semear, nem nas Caraíbas no tempo das descobertas...
A actual "política de formação" do Sporting não parece passar de facto, como muito bem refere o Thakrar no seu comentário, da criação de um entreposto (não é piada a Dias da Cunha, figura que me merece todo o respeito), triste, baço, sem verdadeiro futuro, sem dimensão e sem glória. O Sporting produz craques para tapar o buraco financeiro e não encontra a forma de tirar verdadeiro partido de todo o esforço e recursos empregues nesta área.
Projecto precisa-se!!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Repensar o futuro

Já se ouvem por aí umas "bicadas" no Cristiano Ronaldo depois do jogo de ontem...
A linha de gestão do Sporting fala na necessidade de uma presença regular na Champions League. Nada a opor. Esta deveria aliás ser uma questão consensual. Mas, há coisas a fazer primeiro.
Desde logo e antes de tudo o mais, o Sporting tem de decidir se quer estar presente na CL para jogar a sério nesta competição ou para fingir que é um dos grandes da alta roda futebolística europeia. Francamente, com presenças nesta competição como as que o Sporting tem tido sistematicamente desde há anos a esta parte eu acho que é preferível nem lá meter os pés. O balanço final desta operação europeia é patético.
Tenho para mim que um comportamento destes é altamente lesivo para a imagem do Clube. Os dirigentes terão de decidir se querem ter um Sporting competitivo, capaz de levar mais longe (não é o mais longe possível, é longe...!) o seu esforço europeu, ou se querem insistir nesta triste nesta figura triste.
O que fica do Sporting na CL é isto: eliminatórias para entrada na fase de grupos em ano mau (a estatística creio que mostra que esta é a norma...), ou, em ano de abundância (quando lá acontece ficarmos em segundo no campeonato doméstico...), termos entrada directa na fase de grupos para cedo nos vermos afastados do resto da competição garantindo, na melhor das hipóteses, uma presença na Taça UEFA.
Fazer a figura que o Sporting sistematicamente faz na grande competição europeia de clubes é desprestigiante, desmotivador para todos (é-o certamente para os adeptos) e trará, como é fácil esperar, um rol de consequências negativas para a vida do Clube. Duvido até que, contas feitas, dê algum lucro...
Claro que para que algo mude neste domínio é preciso que o Sporting encare a actividade do futebol a sério e mude uma série de opções estratégicas que vem tomando desde há anos, de investimentos e de pessoas que comprometem seriamente qualquer hipótese de sucesso. Não é possível ser "grande" e querer ser um clube de formação. Para "montra" a presença do Sporting nas competições europeias fica aquém do que seria de esperar. E não é possível ser um clube de formação e fornecer aos outros (e não me refiro necessariamente apenas a clubes estrangeiros) as armas que nos vão depois derrotar e fazer abortar os nossos desígnios. Formação para quê, formação para quem?
Há qualquer coisa de profundamente errado e triste nisto tudo.
O Ronaldo fez o que devia fazer nos dois jogos que disputou contra o seu antigo clube, o Clube que o formou. A pergunta que se coloca é esta: e o seu antigo Clube? Fez o que devia fazer para estar ao nível competitivo que uma CL impõe? Quem é que está errado nesta equação? E se não está ao nível que se exige o que anda de facto lá a fazer? Que lucro tira o Sporting, verdadeiramente, da sua presença fugaz na CL?
Quem é que está errado em tudo isto?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Num jogo a feijões nem nos sobraram os milhões

Num jogo sem história, para uma competição com fim anunciado, numa noite inglória valeram os ecos dos Sportinguistas presentes em Old Trafford! Que bom foi ouvi-los!
Foi seguramente o melhor de tudo isto.
Os Sportinguistas presentes nas bancadas do estádio do MU cumpriram o seu papel, com arreganho e sem se desconcentrarem até ao fim.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Vivó Sporting


Ando um bocado atrasado nos tempos de escrita. É por isso que só agora, passados uns dias, conto o que se passou no lançamento do pequeno livro em que Sérgio Godinho entrevista João Moutinho.
No lançamento, o jornalista Carlos Daniel, apresentando o livro, referiu que Moutinho reconhece que era do Benfica quando tinha 11 anos e que só mudou quando chegou ao Sporting. Quando falou, Moutinho disse que era, de facto, benfiquista em pequeno, por influência do pai (que lá jogou 9 anos), mas que só podia ter mudado, dada a maneira como o Sporting o formou. Isso mesmo havia eu percebido um pouco antes em conversa com o pai de Moutinho, antes do acto; este reconheceu que foi do Benfica, mas que mudou para o Sporting no momento em que (e ele contava isto com emoção) o miúdo se estreou a marcar com a camisola verde-branca (contra o Corroios, precisou) e que agora lhe é indiferente o Benfica e nem vê os jogos deles. Disse mais: que era natural ter mudado, dado o que o filho viveu no, e deu ao, Sporting, e dado também O QUE O SPORTING DEU ao filho.
Reforcei a minha vontade de contar isto ao ler o livro, onde, entre outras coisas, se percebe o acompanhamento que o Sporting faz dos estudos dos formandos da Academia.
E ainda mais quando ouvi Beto, actual guarda-redes do Leixões, formado no Sporting, dizer, ao ser entrevistado depois da magnífica exibição contra nós, que nunca se podia esquecer o modo como foi formado no Sporting, como atleta e como homem, mas que, sendo profissional dá tudo em campo pelo clube que lhe paga; embora neste caso com mágoa por isso significar tirar pontos ao seu clube.
E ainda quando, hoje, ouvi a mãe de Miguel Veloso dizer que lá em casa eram todos do Benfica... até o seu filho ter a formação que teve e o sucesso que está a ter no Sporting; aí a família mudou e sofre agora pelo nosso clube.
Embora o momento que atravessamos seja difícil, são muitas razões para que, "rapaziada, ouçam bem o que eu vos digo e gritem todos comigo":
VIVÓ SPORTING!

"Pensar faz bem"

O título foi tirado de um artigo de Eduardo Prado Coelho (a saudade que eu tenho de o ler diariamente!) que fui encontrar casualmente no meio de uns recortes que estava a arrumar.
O tema desta crónica de há um ano e tal era a filosofia e as virtudes do pensamento e EPC invocava Cantona, imagine-se!, citado justamente numa revista de filosofia cujo surgimento ele assinalava.
Dizia então Cantona, segundo EPC, que "um belo golo é um golo importante e é ao mesmo tempo um belo golo (...) Um golo é bom quando consiste num acto completo que envolve todas as dimensões do homem."
Quem o imaginaria capaz de um pensamento como este, o Cantona que todos vimos a saltar para a bancada para "enfardar" num espectador que o terá insultado... Ou terá sido este o pensamento inspirador para um dos mais belos golos que vi em toda a minha vida, marcado por este mangnífico atleta ao serviço do Manchester? Lembro-me perfeitamente do golo e da sua pose depois de o marcar. Um espetáculo!
Um golo --como expressão final de todo o futebol, acrescentaria eu-- é belo quando envolve de facto todas as dimensões do homem.
Todas as dimensões do homem...
Perceber-se-á assim melhor de onde vem a "dimensão" do Manchester. Mas, também assim se poderá perceber melhor que dimensões faltam aos homens do Sporting para o Sporting ter mais "dimensão".
Que marquem uns belos golos é o meu desejo sincero!

sábado, 24 de novembro de 2007

Fora com eles!

Num intervalo dos seus múltiplos afazeres o presidente do Sporting conseguiu encontrar umas horas para estar com a equipa. Viu-a esgatanhar-se toda sem sucesso. Viu o Sporting atrasar-se ainda mais na corrida para o título e, apesar de ainda ser só Novembro, viu, certamente como nós vimos, o filme de uma época inexoravelemente comprometida.
Não estou contra a equipa, não estou contra os atletas, não estou contra a equipa técnica. Estou contra as escolhas estratégicas que os responsáveis pelo Clube têm feito, verdadeiras e únicas razões que conduziram ao resultado de hoje e à caricatura de uma equipa de futebol de alta competição que é este SCP.
Aqui há dias Soares Franco declarou que o Sporting não é comprador na abertura do mercado de inverno. Acrescentou contudo que havia uma "almofada" para o caso de se verificar ser necessária a compra de algum jogador.
Aproveite a "almofada"! Aproveite-a, junte-a à cama que fez e deite-se nela!
E, de caminho desampare-nos, a loja.
Tenha um mínimo de dignidade e antes que o desastre seja irrecuperável peça a demissão.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sem Sportinguistas não há Sporting!!!

Recentemente, surgiram nos blogs (um do Sporting e outro mais "generalista") dois temas, aparentemente díspares, mas afinal ligados. Pedro Vieira discorre no Alvaláxia-Sporting sobre o momento do Clube e as causas profundas da crise. Miguel analisa as contas do Sporting no SectorB32. Ambos os posts refletem afinal aspectos diferentes de um mesmo problema. Os assuntos tratados em ambos os posts servem de tema a uma reflexão que queria aqui deixar.
Não cabe neste espaço entrar em grande detalhe sobre esta complexa matéria porque abordá-la de forma exaustiva seria mais do domínio de um programa de candidatura à Direcção do Clube. Mas vale a pena deixar, nos limites de um blog desta natureza e na condição de observador da causa Sportinguista, algumas reflexões.
Se, como podemos concluir pela leitura das contas de 2006-2007, o exercício é positivo porque é que há crise? E se a crise tem (e efectivamente tem!) uma dimensão exterior ao Sporting, que o Clube não controla, porque não estão os Sportinguistas com esta direcção e apupam os seus representantes ou os agentes por si escolhidos na primeira ocasião e ao mínimo pretexto? Não devíamos estar unidos em torno da nossa Direcção e dos nossos ideais? Então porque não estamos?
Porque a instituição Sporting se desligou dos seus sócios e adeptos!
O divórcio é total e o que se pode, portanto, criticar na actuação da dinastia que tem governado o Sporting desde há década e meia, mais coisa menos coisa, é que nesta matéria os responsáveis nada fizeram para inverter uma tendência que alastrou a todos os clubes desportivos e que assim evoluiu um pouco por todo o mundo.
Noutros países o maior desafogo financeiro permitiu construir soluções que vão sobrevivendo, algumas com aparente sucesso, camuflando a natureza sociológica muito particular do fenómeno desportivo, embora quem esteja atento veja que se trata efectivamente de camuflagem. No nosso país optou-se por importar soluções de fora, esquecendo a realidade do país. Se o desporto, de uma forma geral, não pode ignorar ou viver à margem dos seus adeptos (vamos ver o que as soluções pós-modernas de organização desportiva vão dar a prazo nos países onde são praticadas), no caso de Portugal era absolutamente vital trazer para o terreno da organização desportiva, em primeiríssimo lugar, os adeptos.
O Sporting, esse, decidiu ignorar os sócios e os adeptos. Podia não o ter feito. Teria sido essa a solução inteligente. Esta é uma das chaves do sucesso ou do insucesso de outros clubes, que o Sporting podia e devia ter tido em conta. Está-se a ver o resultado.
A quimera "mercantilista" em que o Sporting embarcou levou a que dela resultasse o maior défice dos principais clubes portugueses. Onde está o resultado líquido de tudo isto? Sete "títulos" em sete anos, como dizia o outro, trouxeram afinal o quê? Em resultado de opções estratégicas erradas e de investimentos errados e totalmente desproporcionados, o Sporting está agora amarrado a uma situação da qual só pode sair com um enorme envolvimento de todos os Sportinguistas. Só cativando os Sportinguistas para a causa do Sporting se poderá alguma vez sair da crise. Sem Sportinguistas não há Sporting!!! Mesmo com, e apesar das contas positivas. Porque essas apenas servem para ir abatendo, timidamente, o défice e ir fazendo o jogo dos bancos.
Mas, o que vemos nós então no meio de tudo isto? Em vez de trazer para o seio do Clube os Sportinguistas, sobretudo os descontentes e legitimamente críticos, esclarecê-los, informá-los, prestar-lhes contas, a direcção parece tirar prazer em os afrontar.
A situação É grave, todos os dias no-lo dizem. Todos os dias o podemos testemunhar. Todos os dias o voo escasso e razante dos responsáveis Sportinguistas o demonstra. Mas, quando nos limitamos a exercer o nosso legítimo direito à dúvida, à análise crítica, a colmatar a deficiente democracia leonina, a vibrar com o Clube querido de sempre, a pagar (a pagar!), somos tratados como se tivéssemos peste. E somos afrontados!
Agora com provocadores apelos à paciência! Paciência para quê, paciência para quem?! O Sporting actual não honra a sua histórica grandeza e mesmo assim nós aguentamos. E mesmo assim voltamos sempre. Quem tem mais paciência senhor presidente??!! Nós, ou o senhor?!
A dinastia de dirigentes do Sporting de há 15 anos a esta parte esqueceu os princípios do Clube. Mas os Sportinguistas não. À dinastia actual há-de suceder outra dinastia. Ela passará, nós não!
Há que efectivamente ir tendo paciência e aguardar...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

To run or not to run...

"Em Portugal é normal ouvir um assobio ou outro", declarou Nani a propósito do jogo da Selecção de amanhã. "Faz parte do futebol," concluiu. É verdade, tornou-se norma ouvir assobios nos estádios e os adeptos não discriminam: as vítimas podem ser os jogadores da sua equipa ou da equipa adversária, do seu clube do coração ou da Selecção Nacional. Todos diferentes, mas todos iguais no tratamento.
No último jogo da Selecção a atitude de Nani e de alguns dos seus pares fazia adivinhar tragédia. Tiveram sorte. Vamos ver o que dará a atitude "contida" amanhã.
Nani deveria pensar antes de proferir estas palavras (esta malta ganha tanta massa e não arranja um assessor qualquer que lhes tempere o comentário?) Quando estava no Sporting jogou frequentemente a meio gás. Todos diziam que ele era bom, que era mesmo muito bom! Mas a gente muitas vezes não via. Episodicamente quando os deuses e os ventos estavam de feição lá se via uma exibição mais digna de nota. Quando alguém espreitava das bancadas certamente... O mais das vezes ficávamos com a promessa. Depois, claro, lá vinham as desculpas: as botas, a azia, é jovem, está transtornado da psique, eu sei lá...
No Manchester, está bom de ver, adivinha-se outra disposição: os patrões já pagam melhor, são muito mais simpáticos, tratam a gente já com outra deferência e a gente, que remédio, tem de jogar bem. O tempo é que é uma gaita!
No Sporting o Nani estava frequentemente atacado de melancolias que o impediam de dar o seu melhor. Agora que o clima inglês lhe limpou o espírito reclama, resoluto, o fim do assobio.
Esta coisa das exibições a meio gás dá que pensar. É frequente ver jogadores em campo com aquela atitude bovina típica (a pastar, portanto!) quando as circunstâncias e o talento deveriam justificar outra atitude. Jogadores que mais tarde vamos ver (graças ao trabalho meritório de serviço público da Sport TV) noutros campeonatos a correr furiosamente e a deixar, então sim, a pele em campo semanalmente.
Há dias o PC deixou aqui, num post aliás cheio de oportunidade, uma interrogação que eu gostaria de levar mais longe, se possível... Dizia ele que "nesta minha [dele... e minha, nossa portanto!] lógica da batata ninguém me tira da ideia que há questões extra jogo que determinam a convocação de jogadores para o banco, mesmo quando os efectivos não jogam!" Eu pergunto mesmo se não há também questões extra jogo que determinam a disponibilidade do jogador convocado se entregar mais ou menos ao cumprimento do seu dever contratual?
Será que o teste do assobio engana?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Acalmia na Academia


Aquilo a que temos estado a assistir nestes últimos dias no nosso Clube do coração é o resultado deste projecto bizarro de colocar o Sporting em defintivo na senda da pós-modernidade. O "fim da história do Clube", a destruição da "ideologia" Sportinguista, a entrega da vida do Clube às flutuações e sabores do "mercado". O processo não vem de há um mês, nem sequer de há um ano. Começou há muito mais tempo, há algumas décadas, entalado algures entre a utopia mercantilista e a ruptura de tesouraria.
Estranho terreno este onde se ensaia o fim da ideologia: o da paixão desportiva.
A "paixão do desporto", sentimento martelado incessantemente pela Sport TV junto dos seus espectadores, encontra na prática da gestão desportiva corrente obstáculos inultrapassáveis, geradores de contradições insanáveis.
E, de vez em quando, estala tudo.
No Sporting (e não só) o "fim de ideologia", já se sabe, dá nisto: quando um jogador não se esfarrapa todo em campo a malta assobia, quando o treinador erra tem uma "espera" e depois de dois ou três resultados negativos seguidos o "povo sportinguista" (composto por gente como o dono da viatura que se vê na imagem, os "melhores") agita-se. E por aí acima até chegar ao topo da hierarquia de rostos visíveis da crise. Quando acabarem os visíveis recorrer-se-á, como é norma, aos invisíveis. O dr. Miguel Ribeiro Telles veio habilmente comprar algum tempo ao reconhecer que a origem da crise reside, em primeira instância, na administração. Foi bonito, mas já veio tarde.
O que conduz à pergunta: não andará a dinastia pós-moderna que ocupou as cadeiras do poder do Clube equivocada? Precisa da malta mas está a dar-lhes tema para assobio, quer gerar receita mas não fornece ao "cliente" aquilo que o "cliente" quer! A situação é dificilmente explicável e ninguém a suporta muito tempo.
Pelo meu lado, acredito que a história não vai acabar por muito esforço que seja feito nesse sentido. Os episódios recentes fornecem amplas razões para a gente pensar que a bolha vai rebentar mais dia menos dia. Neste momento preciso espera-nos certamente um período de acalmia. Os compromissos das selecções vieram numa boa altura. O excelente dr. Eduardo Barroso cita um seu professor que dizia que a saúde é um estado transitório que não augura nada de bom... Perguntem-lhe se não é verdade. Ora, acalmia, sabem os senhores directores do SCP, é também um estado transitório que não augura nada de bom.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Olhar os erros e corrigir

A minha atitude desde que escrevo aqui no KL tem-se pautado por não esmorecer nos momentos maus. Penso ser essa atitude de "puxar para cima" os ânimos a melhor maneira que tenho de contribuir para a superação das situações de crise.
É por estas razões que acho importante continuar a analisar os falhanços e tentar dar-lhes respostas adequadas. Tentarei neste post analisar, a esta luz, partes do artigo do Público antes referido.
Atentemos, para começar, na seguinte afirmação de Luís Freitas Lobo sobre Paulo Bento, aí citada:
«Em Braga, ao optar por jogar com três centrais, depois do intervalo, numa altura em que perdia por 1-0 e o adversário controlava a partida, desequilibrou ainda mais a equipa.»
A afirmação é factual e, por isso, correcta; PB objectivamente errou.
Agora, tentando pôr-me na pele do treinador, entrego-me a supor o que se terá passado: ao intervalo, PB "deu nas orelhas" aos jogadores e modificou a equipa na presunção de que o discurso seria suficiente para a mudança de atitude dos jogadores. Não foi. Mas isso, tendo sido um óbvio erro, volto a dizer, portanto algo de negativo, pode também ser olhado pelo seu lado positivo: foi um voto de confiança que PB deu aos seus atletas, ao qual estes não tiveram, contudo, a capacidade de corresponder.
Isto também foi observado por Joaquim Rita quando escreve que «a vulnerabilidade mental de alguns jogadores não permite que ponham tudo em campo, apesar de serem bastante 'picados' para o fazer antes de entrarem no relvado.»
Numa outra crítica a PB estou também de acordo com LFL: «a estrutura que mais serve o Sporting é o 4-2-3-1, onde se defende dos seus defeitos e consegue disfarçar os maus momentos, não se expondo tanto.» Mas o mesmo LFL reconhece que esta «solução já havia sido utilizada pelo técnico português no decorrer dos jogos frente à Naval, na nona jornada e contra a Roma.»
O defeito de PB é que, talvez por ser um treinador ainda jovem e sentir-se pouco experiente, teme arriscar em mudanças, teimando por isso no 4-4-2 com losango. Ora, se este sistema era o mais apropriado no início da época, por ser a continuidade em relação à época anterior e porque havia Derlei para jogar ao lado de Liedson, nesta altura não o é. PB devia tê-lo compreendido logo que ficou patente que nem Djaló, nem (sobretudo) Purovic tinham capacidade para acompanhar o Levezinho.
Por outro lado, as contratações de início de época foram feitas no sentido de capacitar a equipa para jogar em sistema de ataque mais aberto, já que tanto Izmailov como Vucjevic têm características de extremos.
Por último, LFL refere um aspecto para o qual venho reiteradamente chamando a atenção (esta época pelo menos desde os primeiros dias de Setembro, nomeadamente aqui): «ao perder Caneira, o Sporting perdeu o ponto de equilíbrio.»
Face à evidência de que não iria contar com Caneira, PB, inteligentemente, procurou compensar a menor valia que o sector defensivo agora tem com o reforço da capacidade defensiva da equipa... no ataque; isto através do complemento que Derlei dava a Liedson quanto ao jogo defensivo no meio-campo adversário. Os dois juntos constituíam uma primeira eficaz "barreira", quando a equipa perdia a posse de bola.
A grande "desgraça" do (já de si insuficiente) plantel do Sporting foi, esta época (quem diria?) a lesão de Derlei.

Qual o valor do Leão?


Neste tempo de algum desânimo que os adeptos do Sporting sentirão em relação à nossa equipa, vale a pena pôr os pés na Terra e tentar analisar o valor desta. Tal análise deverá ser feita pondo de lado, o mais possível, a paixão e as convicções estabelecidas com base em preconceitos.
Eu também sou emotivo e também tenho paixão (sem isso, de facto, o que seria dos adeptos). Exprimo estes sentimentos no estádio: salto e abraço os amigos quando há golos, acompanho os cânticos, agito bandeiras e cartazes, tento, enfim, participar na festa.
No entanto, quando, aqui no KL, analiso racionalmente o que se passa com o Sporting, tento o mais possível despir-me da paixão, para deixar espaço exclusivo à razão. A polémica com quem arvora a postura contrária é, portanto, impossível. Se eu argumento no terreno da lógica e os meus interlocutores no da paixão, estaremos a ter uma conversa de surdos.
Traz o Público de hoje um artigo de Paulo Curado que, fazendo apelo a alguns dos analistas mais qualificados do nosso futebol (Luís Freitas Lobo, Joaquim Rita e João Querido Manha - este, na minha opinião o mais fraco, já que em muitas das suas análises não se consegue distanciar do seu patente benfiquismo), analisa, quanto a mim duma maneira geral bem, o que se passa com a equipa actual do Sporting. Vale a pena reflectir sobre esse artigo, motivo por que aqui o reproduzo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Tarde piaste

Pode o dr. Miguel Ribeiro Telles vir fazer as declarações que quiser agora, mas a verdade é que a (única) reacção até agora conhecida da administração peca por dois motivos. Os ingleses dizem a este propósito: "too little, too late!".
O caldo está definitivamente entornado e nada poderá inverter agora o curso dos acontecimentos. O valor das acções do Sporting não engana!

Dão-me licença?

Pode um lagarto, de uma espécie em vias de extinção, que já não é sócio do SCP, dizer o que lhe vai na alma?
Está tudo preocupado com pormenores e ninguém parece interessado em criticar as razões primeiras do mal-estar que todos sentimos e é reflectido no nosso blog.
Embora agora afastado dos meandros do Clube, o que me rouba capacidade para entender certas reacções da massa associativa e me impede de ajuizar conscientemente os actos da direcção ou as opções do treinador, o ter visto jogar o Sporting nas décadas de 40 e 50 e ter pertencido ao Conselho Geral nos anos 60, permite-me estabelecer comparações que gostaria de partilhar convosco, a conta-gotas, para não vos chatear muito!
Antes, porém, à guisa de preâmbulo, uma confissão. Não me chocou por aí além o resultado do desafio com o Braga. A equipa, não jogou melhor nem pior do que noutros desafios ultimamente disputados. Há uns dois anos que a equipa vem demonstrando uma confrangedora inépcia atacante. Creio que já aqui o referi. A culpa do "desastre" de ontem deve ser repartida pelo treinador e pelos jogadores. Um porque já devia ter reconhecido as insuficiências do sistema que adoptou, os outros porque deviam treinar, mesmo "fora de horas" e exaustivamente, (como o Peyroteu e o Eusébio treinavam...) o remate à baliza, de todos os ângulos e em todas as circunstâncias. Não fazem mais nada e deveriam justificar as fortunas que lhes são pagas.
Mas não exageremos. O resultado de um jogo de futebol, onde somos simples espectadores sem influência directa no seu desenrolar, nunca poderá constituir uma humilhação pessoal...
Vocês vão ver que daqui a 20 anos os resultados deixam de vos emocionar tanto e as bocas dos lampiões nem sequer deixarão mossa...