terça-feira, 12 de junho de 2007

Gladstone della Valentina

Pode ser que o homem não valha lá grande coisa; apesar de que alguma coisa tem de valer, se não o Dunga não o tinha convocado para a selecção (embora tenha ficado no banco). Pode também ser que tenha havido dinheiros por fora, como nunca chegamos a saber se os há ou não nestes negócios, sendo embora certo que um dos benefícios das SAD é o de as contas estarem mais sob controlo.
Mas um aspecto tem de ser ressaltado, por ser verdade: os jornais só deram a notícia depois de ela vir em letra de forma no site do Sporting.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Paulo Bento

Teci aqui nas páginas do KL, por diversas vezes, elogios a Paulo Bento. Tem óbvias qualidades que justificam esses elogios. O seu papel no Sporting ainda deveria um dia ser convenientemente dissecado. Estou certo que se/quando isso for feito ficaríamos todos a conhecer muitas coisas interessantes e teríamos, sem dúvida, algumas supresas. Cheira-me...
Mas, também critiquei Paulo Bento. Houve duas ou três intervenções dele de que não gostei. Todos temos momentos desses e como ele também tem margem de progressão há-de encontrar maneira de controlar o que diz.
Em todo o caso, considero o balanço claramente positivo.
Paulo Bento renovou com o Sporting. Fico satisfeito. Não renovou por vinte anos, prolongou apenas o seu contrato por mais um ano. Paulo Bento fica, mas como uma espécie de Ferguson a prazo ...
Vamos ver o que vai ser o Sporting 2007-2008 e como vai o Paulo Bento encaixar em tudo isto.
Para mim, tem uma tarefa absolutamente prioritária: manter o espírito da equipa num plano, pelo menos, igual ao que demonstrou na ponta final do campeonato. Não será fácil.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Angariar novos sócios

Numa importante entrevista a "A Bola" (4/6), Filipe Soares Franco refere os seguintes «cinco pontos vitais» no projecto desta direcção para o Sporting:
  • «O primeiro tinha a ver com a redução do passivo para cem milhões de euros, em várias fases. Já começámos e penso que vamos conseguir»;
  • «O segundo era angariar novos sócios, e este ano este projecto terá um grande pontapé de saída»;
  • «O terceiro tem a ver com a estabilização do futebol e penso que está, pelo menos para já, conseguida»;
  • «O quarto ponto previa a construção do pavilhão para as modalidades competirem» acrescentando que «só se pode partir para um projecto como a construção do pavilhão com bases financeiras sólidas, caso contrário é um erro»;
  • «O quinto ponto da nossa estratégia era dotar o clube de organização profissional. Estamos a fazer um estudo de simplificação e a cuto prazo haverão (calinada espero que do jornalista; nestas circunstâncias o verbo haver não tem plural) resultados».

Muito haverá a dizer sobre todos os pontos.
A primeira reflexão é que apenas houve avanços significativos no primeiro e no terceiro, concordando-se embora que eram dois dos mais prementes.
Digo "avanços significativos", mas, no que respeita ao primeiro ponto, não sei se é de lhes chamar avanços, já que eles vão num sentido que me mete muito medo, dado o poder de decisão estar nas mãos em quem está. Sobre este assunto tenho vindo a escrever e continuarei, porque me preocupa muito, mas não é o que agora quero tratar.
O ponto de que quero falar é o segundo.
Então porque é que, quanto à angariação de novos sócios, não se fez ainda quase nada. Não houve tempo? Não houve vontade? Houve preguiça? Ou houve incompetência? A excepção, por mim aqui elogiada, foi o jogo da Taça com a Académica em Alvalade, para o qual se promoveu uma mobilização dos núcleos e se conseguiu uma das melhores assistências da época. Elogiei a iniciativa, mas tive o cuidado de acrescentar: «Esperemos que isto não seja mero folclore; que possa, isso sim, ser um indício de que a nossa direcção começa a dar alguma atenção àquela que é a seiva sem a qual nem sequer haverá clube: os sócios e os adeptos». Qual quê; foi mesmo "mero folclore".
Volto agora a ter a esperança de que as palavras do presidente sejam cumpridas e que «este ano este projecto [de angariar novos sócios, venha a ter] um grande pontapé de saída».
E que não seja só o acto formal de angariar novos sócios, mas também dar-lhes contrapartidas à condição de associados, ou seja, direitos e vantagens de tal decorrentes. Destas eu destacaria a participação efectiva na vida do clube; que não haja mais golpadas do tipo das que levaram à aprovação da venda do património não desportivo, cuja decisão foi passada, à má fila, para o dócil Conselho Leonino.
Como eu dizia no escrito de Dezembro passado atrás referido, à cautela, vou esperar sentado.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A taça da Liga e o orelhas dos pneus recheados



Foram aprovados os regulamentos da taça da Liga com a única abstenção do clube da Luz, o qual, afinal, sempre vai entrar na prova. Escrevemos aqui que “só se fosse burro é que [o presidente do Benfica] não alinhava”. E ele é certo que é um chico-esperto, mas não tem nada de burro.
As justificações para as tergiversações andaram à volta de coisas tão concretas como "clarificar o que se passa no futebol português", “que o processo Apito Dourado não seja esquecido”, que, quanto ao Apito Dourado, “os regulamentos da Liga da FPF são muito claros”, que “só queríamos que nos provassem que estávamos enganados e provaram. Na realidade, estávamos enganados nalguma coisa, porque a Comissão Disciplinar da Liga está a actuar dentro daquela regra que nós pretendemos, que passa por clarificar tudo aquilo que se relaciona com o Apito Dourado”. Enfim, o costume, ou seja, palha.
Dizendo-se defensor da "transparência" e do "fim das desigualdades", Luís Filipe Vieira disse que algumas equipas deveriam ser impedidas de participar nos campeonatos profissionais. Instado a dizer quais, como de costume, fugiu com o rabo à seringa: “não me compete dizer”. Armado em virgem impoluta afirma que “não pode haver concorrência desleal e eu penso que hoje no futebol existe alguma concorrência desleal”. Como presidente dum clube que reconheceu publicamente os favores que lhe foram conferidos, recomendando em troca o voto dos adeptos num dos partidos que na altura disputavam o poder em eleições, é preciso ter lata para vir dizer isto!
Mas o que não podemos de todo deixar passar são as afirmações que este sonso, também ele apanhado nos arranjos de árbitros pelas escutas da PJ, fez a propósito de o Sporting também ter pedido celeridade na investigação do processo apito Dourado, na sua vertente estritamente desportiva: “Fiquei bastante feliz pelo facto de o presidente do Sporting ter tido essas afirmações. Só tenho pena é que tenha falado apenas no fim do campeonato, já depois de ter vencido a final da Taça de Portugal. Se eu estivesse calado provavelmente hoje seria campeão".
Eu diria que quando ele não está calado é que se arrisca a ser campeão: do ridículo, claro. Então, meu demagogo (esta é para aquele ignorante julgar que estou a chamar-lhe um impropério qualquer), quer dizer que, tadinho, não perdeste o campeonato e a taça dentro do campo, porque tens uma equipa medíocre e um treinador cinzentão? Que estás à rasca de massas, as acções vêm por aí abaixo e ninguém te compra os Betos e os Moretos? Esse é um discurso para fora ou para dentro; para os teus adeptos te darem mais uns tempos de confiança, apesar do negrume que aí vem?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Estereótipos

Mão amiga fez-me chegar este link para um video do Youtube com um sketch do Herman José sobre famílias disfuncionais do Sporting e de um outro clube, de cujo nome não me consigo lembrar neste momento. Não sei exactamente de que programa se trata, nem quando terá sido transmitido.
Neste sketch o humorista tenta recriar a figura do adepto típico do Sporting e do tal outro clube. O enredo, em si, é semelhante em ambos os casos: um pai de família chega a casa depois de um jogo do respectivo clube e a família aguarda-o para jantar. No caso do retrato do adepto do tal outro clube vemos um tipo boçal, vestido com um fato de treino, bronco, bêbado, violento, que bate na mulher e nos filhos e destrói a casa depois de uma derrota. A casa, por sua vez, está pintada de vermelho e os símbolos do clube são evidentes por todo o lado. No caso do adepto do Sporting, é gente "bem", que se trata por "você", o adepto está vestido com um pulôver verde, tem modos "finos", as roupas da mulher e dos filhos são da moda, não há símbolos evidentes do clube à vista. Em destaque apenas um discreta foto do Visconde de Alvalade. O ambiente "sportinguista" é fino, mas estranhamente mmm... escasso!
Estas coisas valem o que valem, evidentemente e estereótipos são isso mesmo, mas creio que há leituras que se podem fazer deste sketch que me interessam sob o ponto de vista do Sporting.
Ao "sportinguista" falta agressividade e sobram maneirismos no tratamento. É notória a ausência de símbolos do clube na casa e o mais destacado é o do Visconde. Tudo é superficial. As relações inter-familiares são distantes.
O outro adepto é, em tudo, o oposto deste.
Trata-se de uma caricatura, naturalmente, mas como todas as caricaturas terá traços correctos e encerrará uma visão que a sociedade tem destes dois clubes.
Quem se identificará com esta versão "benzóca" do Sporting? Faço um esforço de memória e tento rever os momentos em que o Sporting veio para a rua comemorar as últimas vitórias nos campeonatos, as grandes jornadas de confraternização sportinguista nas finais das Taça de Portugal, o ambiente à volta do estádio nos dias (raros) em que os jogos se realizam em horário decente. Tento lembrar-me do modo como os meus parceiros Sportinguistas se comportam em relação ao seu Clube, que símbolos ostentam, como se comportam. Nada disto corresponde ao retrato traçado por Heman José, no que respeita ao Sporting.
O Sporting que conheço é um clube nacional, popular, cujos membros se distinguem, na generalidade, por uma uma elevada postura moral e civil. Os Sportinguistas distinguem-se, de facto, mas porque são melhores que os outros. Conheço poucos Sportinguistas que não tenham um qualquer traço de elevação de carácter. Não conheço Sportinguistas, sejam agricultores, operários, empresários, estudantes, velhos, novos, homens, mulheres, que se reclamem do Sporting para parecer bem. Mas, conheço uma enorme quantidade que é do Sporting porque é gente de bem!
Lembrei-me ao ver este video das palavras do presidente do Sporting na última AG realizada no Pavilhão Atlântico. Dizia ele que para ser do Sporting é preciso ter disponibilidade financeira. Se calhar, foram esses sportinguistas, que aparentam ter essa disponibilidade económica para aguentar o sorvedouro que é ser adepto do Sporting, descaracterizados e armadões, que na realidade se interessam pelo Clube dia sim, dia não, e que deixaram chegar o SCP à triste situação de agremiação de segunda categoria, falida e devedora. Mas, adivinho que, esses, se devem ter rido com a piadinha do Herman e que se sentem identificados com o boneco...
Estas coisas, repito, valem o que valem, mas eu, por mim, sinto-me incomodado.

terça-feira, 5 de junho de 2007

A venda de Nani: um bom negócio


Para encetarmos a discussão sobre se a venda de Nani foi ou não um bom negócio debrucemo-nos em primeiro lugar sobre as regras do jogo, isto é, as leis do mercado. Os contratos entre os clubes e os jogadores são feitos com o estabelecimento de um salário, o montante duma cláusula de rescisão, e um período de validade. Em princípio o salário é tanto maior quanto o montante da cláusula de rescisão e esta existe na tentativa de blindar a venda do jogador em causa até esse montante. Uma promessa de não vender tem, pois, de ser entendida como uma não colocação do jogador no mercado, isto é, a não tomada de uma atitude pró-activa no sentido dessa venda. Num caso em que isto aconteça, a primeira consequência será a de que não haverá lugar ao pagamento de qualquer comissão na venda por parte do clube vendedor, pois não demonstra interesse na venda. Mas, como é óbvio, havendo quem cubra o montante da cláusula de rescisão, e havendo acordo do jogador, não há nada a fazer se não vender.
A venda de Nani constituiu o negócio mais vultoso de sempre envolvendo jogadores do Sporting. Foi vendido por muito mais dinheiro do que Cristiano Ronaldo. Sendo a cláusula de rescisão de 20 milhões, o jogador foi vendido por mais 5,5 milhões. Estes factos só por si, deveriam acabar com a discussão; mas como não acabaram, analisemos o resto.
Nas contas comparativas com a venda de Anderson pelo Porto, não restam dúvidas de que saímos a ganhar. Assim, e segundo o Record de 1/6, dos 30 milhões que o MU deu por Anderson, 6 foram para a Gestifute e, tendo o Porto investido 8,5 no jogador, o lucro bruto foi de 15,5 milhões; dos 25,5 milhões que o MU deu por Nani só 5% foram para o Real Massamá, sendo 24,225 milhões o lucro bruto do Sporting.
Aqui não estão considerados os custos de formação de Nani na Academia do Sporting, portanto passemos a analisá-los. O moço entrou para a Academia aos 15 anos, vindo do Real de Massamá. Portanto esteve lá em formação durante 2 anos. Os outros 2, até hoje, foram passados com a equipa principal, onde ele vencia um ordenado (cerca de 11 mil euros) que era dos mais baixos do plantel: recebia, por exemplo, menos cerca de 23 mil euros por mês que Farnerud e jogou dez vezes mais tempo no campeonato. O ordenado de Nani só era possível por ele vir da formação interna; é sabido que os jogadores vindos dos juniores ficam a ganhar um ordenado impossível de dar a qualquer futebolista que tenha vindo de outra equipa (como o exemplo de Farnerud confirma). Por estas contas, mesmo que a formação de Nani tivesse custado o balúrdio de 23 mil euros por mês nos dois anos que durou, esses teriam sido compensados pelo que o rapaz não ganhou nos dois anos em que esteve com o primeiro team. Nesta lógica nada haveria a deduzir. Mas as contas reais serão fáceis de fazer recorrendo aos prejuízos declarados da Academia (elementos a que agora não tenho acesso). Imaginando que a Academia deu um prejuízo de 5 milhões de euros (número propositadamente exagerado) durante as épocas em que Nani lá foi formado, mesmo dividindo este montante pelos 5 jogadores dessa fornada de formação que esta época fizeram parte da primeira equipa, a formação de Nani teria custado 1 milhão de euros. Logo o lucro teria sido de 23,225 milhões, muito mais que o que o Porto ganhou com Anderson e do que o Sporting ganhou com Cristiano.
Fazendo um parêntesis sobre a gestão da Academia, sempre devo dizer que esta tem receitas próprias e, como projecto de gestão, não faz sentido que apresente prejuízos; se apresenta, não devia apresentar, se a gestão fosse como devia. Além das receitas dos torneios de captação e dos estágios remunerados, a Academia devia receber uma espécie de “transferência” dos jogadores que se afirmam na equipa principal, ou uma percentagem das efectivas transferências destes para outros clubes; assim seria obrigatório que a Academia tivesse autonomia financeira, se auto-sustentasse e não fosse um encargo para o clube. Se, por exemplo e para facilitar, neste caso tivesse havido uma percentagem a título de formação a receber pela Academia igual à que recebeu o Massamá, estaríamos a falar de 1.775.000 euros e o lucro da venda de Nani teria sido de 22,5 milhões de euros.
Para terminar poderíamos ver quais seriam as alternativas a esta venda. A única possibilidade teria sido já estar assinado um novo contrato com o jogador. Segundo os jornais o Sporting queria subir a cláusula de rescisão para 30 milhões, com um significativo aumento de salário; pelo que veio a lume Nani quereria um salário perto do de Liedson. Na hipótese de este contrato já estar assinado, e caso o MU estivesse disposto a largar os 30 milhões, o Sporting encaixaria mais cerca de 4 milhões. Mas se o MU não cobrisse aquela verba arriscar-nos-iamos a ficar com o jogador mais uma época a ganhar um balúrdio. E com a cabecinha que ele tem, não sei se não seria um grande risco...
A oposição à direcção do Sporting não deve, quanto a mim, ser feita de forma silogística; tipo “a direcção é má”, “a direcção vende”, logo “a direcção vende mal”. A minha oposição não incide tanto sobre factos isolados, esta ou aquela atitude, esta ou aquela medida (embora também me atire a ela quando acho que tal aontece), mas sobre o modelo de gestão e o rumo que a instituição Sporting está a tomar. Como expressei num comentário «a minha oposição ao modo de gerir o Sporting prende-se com o rumo que FSF parece pretender para o clube: descapitalizar este em favor da SAD, transferindo para esta o património real (estádio, Academia) para tornar mais apetecíveis as acções a pôr no mercado; até aos 51% numa primeira fase, para depois convencer os sócios de que o controlo é possível com uns trinta e tal por cento, assim abrindo a porta a um qualquer camone cheio de papel ou a um russo que pretede fazer uma lavagem de dinheiro».
No caso da venda de Nani não me parece que possa haver dúvidas de que foi um excelente negócio para o Sporting. Como, aliás, é do interesse dos bancos credores, ao serviço dos quais, como sempre tenho dito, pode ser que a direcção do Sporting não esteja; mas lá que parece que está, parece.

sábado, 2 de junho de 2007

Mau negócio

Já aqui por diversas vezes exprimi a opinião sobre o valor das SAD. O futebol nacional é um poço de problemas e parte desses problemas tem as suas raízes nos problemas dos clubes. As SAD foram introduzidas como forma de ajudar a solucionar os problemas dos clubes, mas torna-se cada vez mais claro que, ao contrário do que seria de esperar, a solução virou problema. Embora haja certamente quem tenha tirado vantagens desta situação...
Um trabalho da Lusa, reproduzido hoje pelo Público, diz claramente: as SAD são um mau negócio em bolsa!
Os defensores do conceito das SAD devem refletir profundamente sobre esta conclusão.
Citando um administrador da FCP SAD, o referido artigo lembra que as SAD "não têm conseguido saber atrair investidores porque não tem conseguido equilibrar as despesas em função das receitas", daí "não gerarem lucros nem distribuirem dividendos." As SAD são um mau negócio e este há-de saber do que está a falar...
Claro que na génese de todas estas dificuldades está o carácter especial destas "empresas" que são os clubes de futebol, o seu "produto" e a clientela, real e potencial, que visam. Não é necessário ser gestor ou economista para perceber isto. A transposição mecânica de fórmulas utilizadas no universo empresarial para o universo dos clubes só pode conduzir a um rotundo fracasso.
Eu, aliás, gostava de ver certos gestores (que gravitam entre o universo empresarial e o universo desportivo) em acção nas suas empresas e comparar as suas decisões num e noutro caso... E gostaria de poder avaliar o grau de tolerância que, também num caso ou noutro, existe por parte dos accionistas para com as decisões de gestão tomadas segundo as regras do universo empresarial e do universo desportivo. Deve ser lindo...
Os clubes necessitam de boas regras de gestão, é certo, mas a sua aplicação não depende de qualquer enquadramento institucional especial. Nada impede os clubes, no quadro da sua organização tradicional, de as aplicar. A criação das SAD veio apenas criar mais um elemento de perturbação, numa atmosfera já de si profundamente perturbada. "Habituadas a viver acima das suas posses, as SAD vão acumulando prejuízos, que tentam disfarçar anualmente com a venda dos passes de um ou outro jogador, tornando-se ainda menos atractivas aos olhos dos investidores", nota o articulista. No caso do Sporting, recorde-se, a SAD multiplicou por quatro o défice que o Clube trazia da gestão Cintra... A receita proveniente da venda de Nani não passou (as palavras são do presidente da SAD...) de um "balão de oxigénio."
Na minha opinião, seria útil criar um estrutura totalmente profissionalizada ao nível supra-clubístico (uma Liga de verdade, organizada em moldes sérios...), mantendo os clubes as suas estruturas tradicionais. O que não podemos continuar a ter é administradores de massa falida travestidos de gestores, nem travestis de associações "empresariais", administradas por travestis de dirigentes desportivos, como é o caso da LPFP.
Eu voto não à Sporting SAD! E voto sim à implosão da actual Liga...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Salto Mortal II

Falei de salto mortal no post anterior e o senhor presidente deu-nos o prazer de o executar mesmo à nossa frente, conforme previsto.
A conferência de imprensa de hoje foi um perfeito desastre. Há ocasiões, senhor presidente, em que é mesmo mais prudente estar quieto...
Primeira falácia: "o Sporting não pôs nenhum dos seus talentos à venda." A declaração, feita em tom compungido e quase beato, parece o abstract de um artigo sobre os anjos, a virtude e o reino dos céus da Wikipedia... Na realidade, trata-se de uma afirmação completamente oca, embora seja mistificadora. Claro que o Sporting não coloca jogadores à venda. Eu, de facto, nunca vi nenhum anúncio nos jornais dizendo: "Vende-se Nani! Como novo!" Não é assim que estas coisas se fazem, nem é assim que estes assuntos são tratados no futebol. Toda a gente sabe disso. Mas, lá que o jogador foi vendido antes de terminado o seu contrato e antes de assinar um novo, lá isso foi... Não poderia sair nunca de moto próprio. O Sporting, ou alguém por ele, se mexeu...
Segunda falácia: "a partir do final da próxima época Nani passaria a valer metade." Pois será, de facto, um problema... Mas, eu pergunto: que tipo de acordo existe entre o Sporting e Nani, que género de contratos são concebidos por estes crâneos, para que um seu activo veja o respectivo estatuto passar de forma tão inglória do oitenta para o oito? Como se pode justificar que um atleta entre para um clube, sedimente a sua posição nesse clube, se valorize no plano desportivo, aumente o seu valor de mercado e veja o seu valor patrimonial seguir o caminho exactamente inverso? Sinceramente, há aqui qualquer coisa que não bate certo...
Terceira falácia: "Assumi esse compromisso [de não colocar os talentos à venda] e mantenho..." Tendo em conta o caso vertente, as cambalhotas da actual administração chefiada por FSF e imaginando que o que liga os actuais atletas ao Clube são laços semelhantes aos que foram estabelecidos com o Nani, eu, pelo meu lado, estou completamente descansado e até vou dormir melhor hoje!
Tudo isto não passa de mais um episódio triste, que espelha, ele também, à sua maneira, a necessidade de se pôr cobro a esta gestão incompetente e inglória.

O salto mortal

A conversa do presidente da SAD do Sporting relativamente à formação e à saída dos talentos criados na Academia é de ir às lágrimas! Não sei se alguma vez repararam bem no estilo.
Será falta de jeito, será descaramento, será aquela tendência irreprimível desta casta que foi caldeada na política para tornar tudo obscuro, será o estilo esperado de um business man encartado. Seja o que for o resultado é sempre o mesmo: conversa soporífera para ir escondendo o óbvio até onde é possível, uma nota solta aqui e ali para baralhar, e, finalmente, o salto mortal (a imagem até vem a propósito...) que vem coroar todo este processo que conduz, exactamente, ao contrário daquilo que foi sendo dito durante uma data de tempo. Vão ver se não vai ser assim. Digo "vão ver" porque a esta hora ainda nos falta assistir ao salto mortal, i.e., à justificação que o senhor presidente nos virá dar sobre a saída do Nani. Mas estamos todos mortos por o ver...
Neste caso das transferências dos jovens oriundos da Academia, sabendo-se que elas estão já claramente decididas, vamos ouvindo sucessivamente juras de amor e declarações peremptórias (daquelas que o adepto gosta de ouvir, enquanto é ainda materialmente e tecnicamente impossível concretizar essas transferências) sobre a permanência desses talentos, depois vamos assisitindo à conversa sobre as renovações dos contratos (assina, não assina, está quase!, é para a semana...), depois vem o momento do paleio sobre as clásulas de rescisão (se os clubes interessados pagarem, não podemos fazer nada...) e, finalmente, lá vem o anúncio da evidência: o atleta à volta do qual foram sendo tecidos todos estes falsos cenários foi vendido ao clube x ou y.
Admito a inevitabilidade e a necessidade de contenção no caso deste tipo de negócios, mas não admito que me tratem como atrasado mental e, sobretudo, que os interesses financeiros e desportivos do Sporting sejam postos em causa.
No caso do Nani a questão parece clara: o Sporting não sai beneficiado, mais uma vez, de todo este processo. Há muito que o jogador jogava quando lhe apetecia e há muito que se percebia que a sua energia estava canalizada para outras latitudes. Por outro lado, um valor de transferência como este teria sido, seguramente, atingido com menos esforço e menos danos desportivos para o Clube se os métodos usados fossem mais transparentes e os interesses do Sporting fossem melhor e mais habilmente preservados. Se tivéssemos, enfim, outro estilo de gestão no Sporting.
Os Sportinguistas não podem estar orgulhosos deste negócio. Querem saber porquê? Comparem com a outra compra do Manchester... Como dizia um grande pensador da economia portuguesa "É só fazer as contas!"
É mais um jovem talento formado na Academia que, na minha opinião, nos causa mais um significativo prejuízo e parte antes do tempo, de forma frustrante e ineficaz. Mais um. Desejo-lhe tudo do melhor.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Paulo Bento, uma lufada de ar fresco

Paulo Bento participou no programa Trio de Ataque desta noite, na RTPN. Confirmou aquilo que tenho sempre aqui vindo a defender: estamos perante um treinador que excede as expectativas que se possam ter criado à sua volta.
Abordou com pragmatismo o tópico da formação do plantel, não fugiu às questões sobre problemas disciplinares, falou com segurança dos aspectos técnicos.
Quanto à formação do plantel para a nova época, e em resposta à questão que lhe foi colocada sobre a continuidade de Romagnoli, remeteu para as dificuldades financeiras que o Sporting vive, para dizer que desejaria a continuidade do jogador, mas que a decisão depende não apenas dele, mas da capacidade do clube para pagar o seu passe. Aqui ficou assumida a compreensão que PB tem da situação que o clube vive e dos consequentes condicionamentos para a formação do plantel. PB serve o clube que lhe paga e, como diz A Causa Foi Modificada num seu post, “acima de tudo, não se queixa. Não se queixa e não arranja problemas a ninguém”.
Excepto a quem lhe arranja problemas a ele (disciplinares, entenda-se). Foi duro quando falou de Carlos Martins e taxativo quando disse que pode muito bem viver sem ele. É destas posições firmes que vive a disciplina no seio de grupos como os dos balneários do futebol.
Mas talvez tenha sido a vertente técnica aquela em que ele melhor se expressou aliás confirmando muito do que tenho aqui vindo a publicar sobre a equipa. Ficou-se a perceber como é difícil fazer uma equipa com um meio-campo em que os jogadores têm 20 anos de média de idades, sobretudo quando falharam rotundamente as contratações de jogadores mais maduros para os enquadrar (e aqui referiu-se, cuidadosa mas significativamente ao caso de Paredes, dizendo embora que conta com ele para a próxima época, assim insinuando que os problemas que ele teve foram circunstanciais; espero que sim, mas de pé atrás). E lá se teve de fazer o enquadramento com a prata da casa: Ricardo, Polga e Caneira, sobretudo, mas também Liedson. A emergência destes jogadores como referências da equipa (os 3 da defesa fizeram a sua melhor época de sempre no Sporting), alicerçando a maturação dos mais jovens, foi fundamental para o crescendo da equipa na parte final da época. Isso a par da melhoria de Tello (durante toda a época, também a sua melhor) e Romagnoli (este só na segunda volta e quando, como muito bem referiu PB, começou a participar com mais entrega no jogo defensivo da equipa) e do reaparecimento de Abel (o porquê da sua menor utilização no início da época foi das poucas coisas que ficou por explicar).
Farto das danças e andanças de treinadores no Sporting (nos outros clubes também, que isto é síndrome do futebol português), bem desejaria eu que este, finalmente, tivesse vindo para ficar por muitos anos. Mas ele, esperto e pragmático, vai dizendo que neste momento existe empatia entre ele, os jogadores e a massa associativa, mas que tem os pés bem assentes na terra e que essa empatia se pode desfazer de um momento para o outro, pelo que se recusa a traçar projectos a longo prazo quanto à sua continuidade à frente da equipa.
Face a treinadores tristes e hesitantes, que nada trouxeram de novo ao futebol português, sem dúvida que a chegada de Paulo Bento aos grandes é uma lufada de ar fresco.

Ninguém lhe Liga

O presidente da LPFP apresentou ontem um novo rol de intenções para a época 2007-2008. E disse que com elas o "futebol português está a dar passos no caminho da credibilização." Seguramente que o deputado Hermínio Loureiro diz isto porque estará convencido, ou alguém o convenceu, que a actividade da Liga risca e que esta credibilização se consegue antes de a Liga se tornar, ela própria, um organismo credível.
Mas, falta tudo para atingir esse estatuto. A começar pelo próprio presidente. Já aqui há tempos expressei no KL a ideia de que não é possível ter uma pessoa com o perfil do deputado Hermínio Loureiro à frente de um organismo como a LPFP e esperar que, por milagre, as portas da credibilização do futebol se abram! Antes de mais, teria sido, pois, necessário que tivéssemos uma escolha acima de qualquer suspeita para dirigir este orgão. As nossas suspeitas começam a justificar-se quando observamos que não se verificou o afastamento do seu seio dos figurões que roubaram toda a credibilidade ao futebol. E a desconfiança adensa-se definitivamente quando verificamos que não foram imediatamente aplicados os mecanismos regulamentares competentes relativamente aos diversos agentes desportivos envolvidos com a justiça.
Com um arranque destes, a intenção expressa pelo presidente da LPFP de devolver credibilidade ao futebol português só nos pode dar vontade de rir...
Bem pode o deputado Loureiro anunciar estas medidas piedosas como a compra de rádio-microfones para os árbitros, ou campanhas para atrair mulheres e jovens aos estádios. Enquanto as pessoas que deixaram o futebol chegar ao ponto a que chegou se mantiverem dentro deste universo, nunca o comum dos mortais vai acreditar que o futebol se pode transformar, nem se vai aproximar de um estádio.
Será ingénuo ou matreiro, mas, a verdade é que ninguém pode levar a sério o Loureiro.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

De novo em alerta



Os festejos acabaram. Estamos de novo atentos. Atentos aos discursos, às intervenções de ocasião e às entrevistas. Atentos mais do que nunca às promessas... Como disse há uns dias, não há nenhuma razão para abrandar a crítica, nem para deixar de estar extremamente atento porque nada de substancial mudou na orientação do Sporting.
Voltemos ao combate.

domingo, 27 de maio de 2007

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A renovação de Moutinho


É um jogador por quem tenho uma particular admiração. Para além das qualidades desportivas, que não deixam margem para dúvida, acima delas, estão ainda as suas óbvias qualidades humanas. Não creio que seja fácil encontrar alguém como Moutinho e não deve, por todas estas razões, ter sido fácil esta renovação.
Pressente-se, pois, em todo este processo uma vibração positiva que é justíssimo sublinhar.
Confesso que já me tinha preparado para o pior, mas por uma vez esta gerência conseguiu surpreender-me... Não é fácil!
Ora aí está, mais um grande símbolo do Sporting em potência, totalmente impoluto, que vale integralmente qualquer distinção que lhe foi ou lhe venha a ser feita.

A questão da juventude

Sempre que tenho falado na juventude, e consequente inexperiência, da equipa do Sporting como justificação para alguma inconsistência no seu comportamento, há quem me contradite com o argumento de que a equipa do Porto tem uma média de idades um pouco mais baixa do que a da nossa.
Convencido de que mesmo isso não era verdade (a média de idades dos jogadores do Sporting foi inferior à do Porto, no Sporting-Porto), fui fazer contas. E cheguei à conclusão de que a média de idades, contadas estas pelos dias de vida que cada um dos jogadores utilizados no campeonato tinha no dia do termo deste (20/5), ponderadas com os minutos de cada um em campo foi a seguinte:
Sporting: 25,7
Porto: 25,4
Por este critério parece que a equipa do Porto é um pouco mais jovem que a do Sporting. Mas também pelo critério das médias parece impossível uma pessoa afogar-se num lago com 2cm de altura da água, se não se acrescentar que é… em média.
Pois é, esta coisa das médias é muito traiçoeira!
Usando um outro critério de avaliação da juventude das equipas, vejamos quais os jogadores que têm idade de sub-21 (segundo o regulamento da UEFA, quem nasceu em 1/1/86 ou depois).
Por este critério temos:
No Sporting: Moutinho, Nani, Veloso, Djaló, Rony, Pereirinha e Rui Patrício. Destes os 4 primeiros são titulares e, todos juntos perfizeram 9.117 minutos jogados.
No Porto: Anderson e Vieirinha. Destes apenas Anderson é titular e juntos fizeram 1.047 minutos de jogo no campeonato.
Não sei se se nota muito, mas, por este critério bem objectivo, o Porto leva 9-1.
Espero que, depois disto, todos tenham percebido do que é que se fala quando se menciona a juventude da equipa do Sporting.

números colhidos em Maisfutebol

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Cuidado com os lampiões

Já que não conseguem ganhar dentro das quatro linhas, os passarocos passaram ao ataque na baixa política.
Quanto à futura Taça da Liga, o orelhas dos pneus recheados declarou que a sua equipa não vai a jogo. Toda a malta percebe que o que ele quer é mama, isto é, contrapartidas; e também marcar oposição à prova porque esta foi concebida pelo Sporting.
A Taça da Liga tem um bom desenho: a existência de fases de grupos beneficia as melhores equipas, possibilitando a existência de até 4 jogos entre os grandes na competição, o que, obviamente, é portador de audiências e receitas.
Mas, no fim de contas, claro que ele só se fosse burro é que não alinhava.
Mais problemática é a notícia que vale a pena ler de que “o Benfica quer que as Finanças autorizem o não pagamento de imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT), imposto de selo e emolumentos, no valor de cerca de dez milhões de euros”. À pala dos propalados seis milhões de eleitores, lá querem eles ir, mais uma vez, aos bolsos dos contribuintes (aos nossos bolsos).
A boa notícia da semana é a da entrada da SAD deles em bolsa: só no primeiro dia as acções caíram 11,6%. Estou como o outro: habituem-se!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Tudo normal


O que se passou esta época a nível da equipa de futebol do Sporting foi completamente normal.
Por razões orçamentais a equipa foi formada à volta de um núcleo de jovens jogadores ainda em fase de afirmação e crescimento como futebolistas.
O alto grau de responsabilidade da participação na Liga dos Campeões (LC), num dos grupos mais difíceis, a par da 1.ª Liga e da Taça de Portugal, foram areia de mais para a camioneta dos rapazes. Ainda por cima as contratações da época foram, como aqui no KL vem sendo glosado, feitas com os pés, e não se traduziram em mais-valias.
Com os nossos rapazes (treinador incluído; Paulo Bento tem 37 anos e foi a primeira vez que se viu nestes assados, como treinador) sem o necessário enquadramento por gente mais experiente, os sucessos parcelares do início de época foram conseguidos à custa do talento. O que, como é sabido, não chega.
Essa insuficiência ficou comprovada com a quebra de rendimento da equipa, que a abateu ao activo na UEFA e a fez descer na classificação do Campeonato.
Com a têmpera que tem de se lhe reconhecer, mesmo que não se lhe reconheça mais nada, PB não esmoreceu, foi mantendo a disciplina interna e a motivação do grupo de trabalho e fazendo algumas reformas na equipa.
Essencial nesta fase foi o abandono da rotatividade dos jogadores utilizados, a qual, como é normal, deixara de ser necessária por ter sido reduzida a média de jogos por semana. Faça-se um parêntesis para dizer que a rotatividade, sendo embora necessária, nem sempre, por inexperiência, foi correctamente implementada; e foi o campo em que mais se notou a falta que fariam jogadores válidos em lugar dos “cepos” das contratações do ano. Foi, pois, normal que não tivéssemos seguido em frente na UEFA.
Quando deixou de precisar de usar a rotatividade, PB concentrou-se na coesão defensiva, colocando finalmente as peças certas nos sítios certos: Abel estabilizou na direita e Caneira no centro da defesa, com Veloso no vértice inferior do losango e a surpresa (eu já pouco dava por ele) Romagnoli no vértice superior. A equipa acabou por terminar o campeonato sofrendo apenas meio golo por jogo, a melhor média de sempre do Sporting, menos 5 golos sofridos que Porto e Benfica (correspondentes a um quarto dos 20 golos encaixados por cada um deles).
A equipa foi estabilizando e encarou o jogo com o Porto com grande descontracção, fruto não só do processo descrito, como da diminuição da pressão pelo facto de ter deixado de jogar para ganhar o campeonato, aspecto para o qual diversos comentadores chamaram a atenção (entre os “nossos”, Carlos Leone), e que penso ser uma realidade insofismável. A confirmá-lo está a visível nervoseira que se apossou dos jogadores mais jovens (mesmo os menos dados a essas oscilações de humor, como Veloso e, pasme-se, João Moutinho) quando estávamos a ganhar em Coimbra e o Porto perdia com o Paços.
Mas há mais um factor a explicar o comportamento da equipa e a justificar o facto também ele normal, de, nos últimos 10 jogos, o Sporting ter obtido 9 vitórias e um empate (na Luz), acabando o campeonato a apenas um ponto do primeiro e dando luta até ao fim.
É que as coisas passaram-se um pouco à maneira do que acontecia com o nosso grande campeão Joaquim Agostinho. Este começava a Volta à França ainda sem a conveniente preparação e ia “aquecendo os motores” ao longo da competição; normalmente começava mal e ia em crescendo até ao fim. Também os nossos jovens (treinador e jogadores) tiveram um progressivo ganho de maturidade no decorrer do campeonato. O qual foi bem confirmado quando os putos abriram o livro e, esquecendo as cautelas sempre recomendadas (e bem) pelo treinador, ao cair do pano, aviaram mais duas batatas aos pastéis. Foram esses os golos mais valiosos, como nota Master no post anterior.
É sobretudo este último factor (tão normal como normal é que os jovens cresçam) que nos deve deixar optimistas para a próxima época, tanto quanto as coisas dependam deles. A este propósito, embora com aspectos que não sei se percebi, é realmente interessante este post de A causa foi modificada.

vídeo de O Leão da Estrela

domingo, 20 de maio de 2007

Os golos mais valiosos


Sabem quais foram os golos mais valiosos que o Sporting marcou esta época? Foram o terceiro e, sobretudo, o quarto golo obtidos hoje contra o Belenenses.
Ao longo do campeonato muitas foram as vezes em que a equipa foi criticada pela sua atitude, ou melhor, pela sua falta de atitude em campo. Pois hoje, depois de saber que o Porto já era campeão, o Sporting respondeu com mais dois golos e acabou com um concludente 4-0! Perante, recorde-se, a equipa considerada com justiça a sensação do campeonato.
É este tipo de atitude que queremos ver sempre no Sporting: nunca baixar os braços, mesmo que estejamos a ser vítimas do maior infortúnio. O Sporting nunca poderá estar derrotado antes do apito final, da última partida, da derradeira competição em que estiver envolvido. Nunca!
Essa é postura de campeão que a equipa demonstrou hoje ser afinal capaz de adoptar.
Por razões mais ou menos conhecidas, como é sabido, a postura da equipa ao longo da temporada oscilou e as contas acabaram por sair trocadas.
O Sporting não é, de facto, um clube tranquilo e aí encontraremos as razões para essas oscilações que se verificaram ao longo da época. Mas, como disse no meu post anterior, sem atitude de nada serve pretendermos ter ambições e poucos êxitos seremos capazes de alcançar.
O estilo de gestão actual, baseado em artilharia de pólvora seca, terá tido certamente efeitos na alma dos jogadores e equipa técnica e ter-lhes-á com certeza roubado a energia necessária para conservarem os seus níveis de dedicação ao Clube sempre no máximo. Mas os adeptos que encheram o estádio, que apoiaram vibrantemente a equipa e que teimaram em manter erguidos os seus cachecóis e bandeiras mesmo depois do jogo ter terminado querem o seu Sporting assim: com marca de vencedor. Precisamos, então, é de pólvora nova...
Não foi um final de época, simplesmente, digno este que tivemos hoje em Alvalade. Foi um sinal de campeão!

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Optimismo e confiança

Sabem os leitores habituais do KL o quanto critico a actual geração de dirigentes do Sporting, a efemeridade e a transitoriedade da sua gestão, o folclore pseudo dourado e o falso sportinguismo que emana, na minha opinião, de todos os seus actos. Conhecem todos também a opinião que tenho sobre a insustentabilidade das opções da direcção, as críticas que faço a esta cultura de subalternidade, à tragédia que constitui a falta de um projecto credível e à forma como os Sportinguistas são, na generalidade, tratados pelos responsáveis do Clube.
Mas, ouvimos os nossos jogadores e o técnico nestes últimos tempos, o sorriso tranquilo, a confiança e o optimismo que emanam das suas palavras e não é possível ficar indiferente a tudo isto. Já há muito que não se via um clima assim no Sporting, nem mesmo nos anos recentes em que fomos campeões.
Não me iludo sobre os problemas que afectam o Sporting e não vejo motivos para abrandar as minhas críticas, mas mesmo que acabemos por não ser campeões, não é possível deixar de assinalar esta atmosfera positiva que está hoje instalada. Sem ela de pouco ou nada servem as nossas ambições e poucos ou nenhuns êxitos poderemos alcançar.
Daqui queria, pois, enviar uma palavra de apreço e encorajamento aos jogadores e técnicos que envergam a nossa camisola e que por nós se batem. E queria dizer-lhes que também eu comungo desse entusiasmo.
No domingo lá estarei a gritar tudo isto em Alvalade.

terça-feira, 15 de maio de 2007

As declarações de Rochemback


Temos de aguardar as cenas dos próximos capítulos, claro, mas, a serem verdadeiras, as declarações de Rochemback só nos podem levar a concluir que o brasileiro perdeu uma boa ocasião para estar calado...