quinta-feira, 6 de março de 2008

Bom resultado


Sem realizar uma exibição equilibrada o Sporting obteve, contudo, um resultado que lhe permite continuar a manter vivo um dos seus objectivos. Esperemos que a capacidade de concentração não falhe em Alvalade e que a equipa mantenha também um elevado espírito de sacrifício.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Reservas

Polga tem andado ultimamente com uns curiosos lapsos de linguagem. Hoje, à partida para o jogo com o Bolton, o atleta declarou que nestes jogos "os níveis de concentração são naturalmente mais elevados."
Eu não sou psicólogo, mas quer-me parecer que há aqui matéria para reflexão. Se "nestes jogos" os níveis de concentração são mais elevados, quererá dizer que há jogos em que os níveis de concentração são, digamos, menos elevados...
O curioso é que é, justamente, nesses "outros" que o Sporting tem vindo a claudicar. Depreende-se portanto que, sob o ponto de vista estratégico, alguém anda a transmitir uma mensagem errada aos jogadores. Eles esforçam-se em determinadas situações, mas noutras acharão que não vale a pena.
Esperemos que amanhã a concentração seja elevadíssima. Porque no Sporting o tem de ser sempre e porque Polga nos garantiu que em jogos desse tipo ainda se eleva mais...
De resto, alguém deveria explicar aos jogadores do Sporting que não há uns jogos que requerem mais concentração e outros que nem por isso... Todos os jogos que o Sporting disputa são vitais, numa perspectiva temporal mais chegada ou mais longínqua. Todos têm implicações na estratégia do Sporting e a estratégia do Sporting não passa por perder uns jogos e ganhar outros... Vitória, concentração e dedicação totais e permanentes são dogmas do ideário Sportinguista.
Nem todos os atletas terão as qualidades necessárias que lhes permitem colocar-se a si próprios num estado de espírito correcto para encarar a sua prestação num Clube com a dimensão do Sporting. Caberá portanto aos líderes ter esse papel de condução dos acontecimentos.
O Sporting há muito que vem funcionando manifestamente na reserva das suas capacidades anímicas e aqui poderá estar uma parte da explicação para a prestação da equipa este ano. Os líderes não sabem ou não querem motivar os jogadores. A menos que lhes falte motivação a eles ou andem, eles próprios, a trabalhar sob reserva...
Mas, a gente sabe como dar a volta à situação!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Indignação e revolta

Não possuo dados estatísticos comigo (talvez um leitor misericordioso me possa ajudar), mas estou certo que é preciso fazer um doloroso exercício de memória e remontar a tempos recuados, que todos votámos para esquecer, para ver o Sporting classificado em 5º lugar à 21ª jornada...
Esta é que é a realidade.
E foi com esta gestão que isto sucedeu. E foi com esta gestão incompetente, servil, sem palavra e sem glória, do presidente Filipe Soares Franco que voltámos subitamente aos tempos de antanho. Ao tempo dos olés humilhantes e ao tempo das classificações vergonhosas. Ao tempo que todos votámos, repito, para esquecer!
O campeonato não acabou, eu sei, mas a estatística mostra que o desfecho final deste penderá mais para o afundanço do que para a recuperação. A conversa de Paraty-patatá não explica o essencial: o Sporting já está neste momento numa posição abaixo da média! E vamos ver se fica por aqui...
Foi contra isto, foi contra a média, que se insurgiram os Sportinguistas que votaram no projecto Roquette. Foi contra isto que a imensa maioria de Sportinguistas apoiou as mudanças nele preconizadas. Foi por repúdio de uma gestão com mais ou menos bigodes que os Sportinguistas escolheram outra via, mas o certo é que, em matéria de resultados, não há diferença. Ou melhor, há: agravámos o calote!
Por muito menos do que aquilo que se está a passar hoje com o futebol do Sporting Clube de Portugal, vi, num passado muito recente, indignação e revolta. E vi, em consequência, também lencinhos brancos e insultos que se revelavam despropositados, injustos e aviltantes.
Vi e indignei-me, eu!
Afinal quando é que estávamos mal? Nessa altura ou... hoje?
Que se passa agora Sportinguistas? Meteram a indignação e a revolta no saco?

domingo, 2 de março de 2008

Expliquem lá...



... como é que à 21ª jornada estamos em 5º lugar!



NÃO HÁ CAMPEONATOS PARA SEGUNDO!!

Aqui vos deixo alguns pensamentos em manhã de domingo. Em manhã de domingo e em dia de derby!
Acho verdadeiramente patético este ponto a que chegámos na Liga portuguesa: há um vencedor absoluto, destacado e há muito antecipado e há depois uns outros (no grupo dos quais se inclui o Sporting) que lutam para uma presença directa ou indirecta na Liga dos Campeões.
Se o objectivo (maldita palavra!) não for alcançado, o terceiro lugar será ainda assim motivo de destaque nos relatórios semestrais apresentados à CMVM. Se nem a presença na Liga dos Campeões for alcançada há sempre uma consoladora presença "europeia" que deixará a CMVM minimamente tranquila...
Ora, nada disto é desportivamente saudável.
Nós, os Sportinguistas questionamos frequentemente a atitude dos jogadores em campo, detectando, por vezes, a falta de um total empenhamento, mas a verdade é esta: que motivação pode ter esta malta, jovens de sangue na guelra, alguns com óbvio talento, desejosos de dar rapidamente nas vistas numa profissão de curta duração, sem grande tempo a perder, que motivação podem eles ter quando estão integrados numa equipa que se vai desenrascando (é o termo!), numa campanha de objectivos difusos e integram um Clube, também ele, com horizontes difusos? Que outra motivação poderão ter estes jogadores que não seja a de cumprirem os mínimos na esperança que outro clube, com outras condições e com outras ambições os contrate?
Claro, que me dirão que estes jogadores jogam no Sporting e fazê-lo deveria ser motivação suficiente. Deveria, mas não é pelos vistos. No Sporting a ambição fica-se pelo papel. Na prática nada é feito para lhe dar corpo. O Sporting é um clube em suspenso e os jogadores sabem muito bem isso. Melhor talvez do que ninguém. Não deve ser fácil manter o nível adequado de adrenalina quando a palavra de ordem parece ser: vão-se aguentando. A ambição não vem de baixo para cima. Seria totalmente contra natura se assim acontecesse. Teríamos nesse caso um clube de jogadores e seriam eles a conduzir os acontecimentos.
Não, os jogadores não revelam ambição porque os seus responsáveis, os responsáveis pelo Clube, não revelam ambição.
Lutar para uma entrada directa na Liga dos Campeões é um objectivo rasca! Lutar para uma disputa das pré-eliminatórias da Liga dos Campeões é ainda mais rasca, é certo, mas na realidade não é tão diferente assim.
Se calhar nunca foi dito assim aos jogadores mas, para uma equipa como o Sporting, só há um objectivo: vencer! A questão de ser primeiro, segundo ou terceiro é consequência da luta pelo único objectivo válido. Só um pode ganhar é certo, mas tem de tentar. Ser segundo numa luta taco a taco pelo primeiro lugar (e daí colher benefícios) é perfeitamente legítimo. Ser segundo numa luta pelo segundo lugar é desprestigiante, desmotivador e totalmente contrário aos objectivos de um Clube como o Sporting Clube de Portugal.
Porém, dito isto e apesar da ambição não dar hoje para mais, aviso daqui os jogadores do Sporting: ai de vocês se não ganharem o jogo de hoje!! É que a equipa do Sporting não joga para a CMVM! A equipa do Sporting não joga para cumprir os ditames do mercado de valores!! A equipa do Sporting joga pelos Sportinguistas e nós só queremos uma coisa: a vitória!!
Se ninguém vos tinha dito isto ainda tomem agora nota. E se alguém vos transmitiu outra mensagem que não seja esta, não acreditem. Não há campeonatos para segundo e qualquer de nós, em última análise, quer apenas uma coisa: vitórias!
Hoje, como sempre, é para ganhar!!

sábado, 1 de março de 2008

Os 3 macaquinhos chineses

Pedro Burmester (por quem tenho uma imensa admiração) foi entrevistado hoje na RTP1. Falou de futebol, sublinhou a enorme superioridade do seu Porto, em todos os domínios e dizia que o facto de o clube ter a vantagem que tem neste momento é mau porque lhe tira competitividade. No fundo, o que ele disse, sem o dizer, foi que a bater em mortos o Porto acaba por estar a hipotecar o seu futuro neste país... A verdade é dura, mas temos de a engolir.
O Porto, justificava ele, tem uma superioridade organizativa e desportiva tal (indesmentível, com mais ou menos apito, diria eu) que não sobra nada para a concorrência.
Instado a pronunciar-se sobre as causas de tal desiquilíbrio (que eu espero que neste ponto do meu post ninguém esteja a colocar em causa...), Pedro Burmester não hesita: é um problema de estrutura e vem de longe.
É simples.
Nós, os "oposicionistas" malandros, bloguistas desavergonhados, "mal-dizentes" contumazes, andamos a afirmar isto mesmo há uma data de tempo: o problema do Sporting é um problema de estrutura. É um problema simples dentro da complexidade da questão. Mas, o Pedro Brumester constatou o que qualquer pessoa de boa fé pode facilmente concluir, se não estiver naquela posição dos três macaquinhos chineses.
Ele disse, repito-o, tuto isto com uma enorme simplicidade e naturalidade. Porque o assunto, embora seja complexo, não tem várias interpretações possíveis.
Será que os Sportinguistas alguma vez aceitarão, de forma assim tão simples e tão natural, esta justificação para o continuado apagamento do nosso Clube, ou quererão teimar em viver neste clima de canto de sereia até ao naufrágio final?


PS- Já depois de publicado este post leio aqui no Futebol Finance um artigo sobre os resultados financeiros do FC Porto do primeiro trimestre. Leiam (de forma desapaixonada!) e comparem que vale a pena...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Venenos 36

Uma notícia do Público on-line dá conta que a Escócia vai receber os Mundiais de Futebol na Lama no próximo mês de Junho.
O nome original em inglês é Swamp Soccer, que deveríamos traduzir com mais rigor por "Futebol do Pântano".
Temos de admitir que o tema é aliciante...
Quando vi o título pensei que se tratava de qualquer coisa relacionada com o processo do Apito. Depois ocorreu-me que poderia ser uma competição na qual iriam participar várias equipas portuguesas. Pensei na qualidade de algumas exibições de certas equipas que tenho visto de vez em quando por aí...
Enganei-me, afinal a história é outra.
Diz-se que foi a Finlândia que iniciou este desporto em 1998, mas Portugal contesta vigorosamente esta suposta origem. "Em Portugal já há muito se pratica, embora o facto não seja reconhecido e as pessoas tentem maliciosamente levar isto para outro lado," afirmaram fontes por nós contactadas. Estas fontes reconhecem, por outro lado, que alguns clubes portugueses terão boicotado uma possível participação portuguesa, enquanto o nosso país não for distinguido como o grande, o único, o verdadeiro iniciador do Futebol do Pântano. "Portugal," acrescentam as nossas fontes, "é o único com verdadeiras condições para a prática deste desporto."
"Ninguém arrasta o futebol pela lama como Portugal," afirmou-nos um conhecido dirigente.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Cura de sono

Dizem os manuais médicos que as perturbações do sono são alterações da capacidade de dormir ou do próprio sono, e que são potenciais geradoras de efeitos prejudiciais à saúde como problemas do foro cardio-vascular, problemas de obesidade e até mesmo a morte súbita.
As perturbações do sono afectam cerca de 20% dos portugueses. Certamente não os portugueses que têm visto ultimamente o Sporting a jogar.
A observação de um jogo do Sporting arrisca-se a passar a vigorar nos tratados de farmacologia e a constituir um método universal de grande eficácia para a cura das perturbações do sono. Paulo Bento poderá mesmo vir a ganhar o Nobel da Medicina!
Vá lá rapaziada, a época está quase a acabar e o pesadelo vai passar.
Eu é que já estou com terrores nocturnos...

Rasteiro ou rasteira

Sempre tive e tenho consideração pelo Presidente João Rocha. Acho que podemos classificar os anos da sua gestão como sendo de um Sportinguismo com fogo de artifício. Isto porque, nessa altura, havia razões para festejo e porque tínhamos Sportinguismo com alegria! Os anos de Rocha deixaram uma marca indelével de vitória, de ecletismo, de equilíbrio e de tranquilidade face ao futuro.
Exactamente o contrário do que vemos hoje.
Por tudo isso, acho surpreendente que o mesmo João Rocha venha agora exortar o actual presidente a recandidatar-se. Na falta de alternativa, diz ele, Franco deve avançar.
Sei que a ideia que defendo não é consensual (Raul, aguarda-se a saraivada...), mas o melhor que podia acontecer ao Sporting era que Franco se afastasse. Renunciar a qualquer tentação de recandidatura era um acto higiénico. Para ele e para o Sporting. E, ao deixar desde já claro que não se recandidatará em nenhuma circunstância, Franco provaria, em definitivo, uma coisa que cada vez me deixa mais dúvidas: o seu Sportinguismo. A menos que Franco já nem se preocupe em demonstrar sequer que é Sportinguista...
O problema do Sporting não é o da falta de "alternativas". O problema do Sporting é o facto dos Sportinguistas (os Sportinguistas!) não saberem o que querem. A questão da alternativa não passa de, como se diz na gíria, "chutar para canto".
Não há "alternativa" que substitua uma atitude activa relativamente aos problemas do Sporting e não há "alternativa" que nos possa responder a esta pergunta: que Sporting queremos? Porque, em alternativa (!), há quem saiba e há quem explore isso com mestria, contra o Sporting e contra os Sportinguistas. A ausência de alternativas e o debate daí decorrente funcionará, na minha opinião (e estou aberto naturalmente a discutir essa questão) como forma de ajudar os Sportinguistas em geral a perceberem o que está hoje em jogo no Clube. As verdadeiras alternativas surgirão da discussão, não da espera.
Depois disso a escolha seria informada. Até lá continuamos a ter uma fantochada em vez de uma verdadeira democracia leonina.
Do alto do seu estatuto quase senatorial, João Rocha devia meter o dedo na ferida, ajudar a abrir caminhos e horizontes, não promover o discurso redutor. Neste sentido o voo afigura-se rasteiro.
A menos que... seja rasteira.
Ao empurrar e promover Soares Franco, tendo em conta o panorama paupérrimo que resulta da gestão "franquista" --limitada a uma redução inconsequente e sem glória de um passivo, que tem responsáveis que deviam ter sido por ele incriminados por o terem gerado...--, da banhada desportiva e o afundanço do Clube como referência nacional, Rocha poderá estar a preparar habilmente um rico funeral para o fogoso presidente do Sporting...
Receio que a balança penda mais para a primeira destas hipóteses, mas a ver vamos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Porque razão somos hoje tão poucos?

O simples facto de numa conferência de imprensa do Sporting, numa situação formal de apresentação de uma iniciativa do Sporting, o presidente do Sporting mencionar aquela agremiação de patos bravos --de cujo nome nunca me consigo lembrar, como sabem-- de forma reiterada e totalmente despropositada, devia ser razão suficiente para o Conselho Fiscal e Disciplinar lhe instaurar um inquérito disciplinar.
Querem saber qual a infracção? Por nos tentar fazer passar por parvos!
Quando estávamos todos à espera que S. Exa. viesse explicar a razão pela qual o Sporting, que já foi um dos maiores clubes europeus em número de associados, viu reduzir-se, assim tão drasticamente, esse número, eis que S. Exa. opta por fintar a questão e mencionar a b word para provocar a reacção pavloviana...
Mas, olhe que nós não nos distraímos e continuamos todos interessadíssimos em saber a resposta!
Tudo isto diz bem dos valores que norteiam esta gestão...

Venenos 35

Será que teremos que ir por esta via para que o Sporting seja, finalmente, o nosso Clube? Veja aqui como. Se calhar saía-nos mais barato...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Back to the future IV?

Carlos Carvalhal afirmava no final deste Setúbal-Sporting que foi um jogo de sofrimento, porque para jogar com o Sporting tem que se sofrer sempre. Ó Carlos Carvalhal como eu o compreendo! É o treinador do Vitória a sofrer e eu...
Tão novinhos e já não conseguem sequer dar cinco seguidas. Por falar em cinco seguidas, esperemos que este não tenha sido um jogo de contenção de forma a garantir o próximo objectivo...

Casa de espelhos

Recentemente, surgiu uma série de iniciativas com origem no universo Sportinguista que merecem toda a atenção e respeito. Destaco a União dos Blogues Leoninos, uma iniciativa do blogue O Sangue Leonino, que conta já com cerca de uma dúzia de adesões, o Leão de Verdade, movimento criado em torno do "Manifesto SCP Mais e Melhor Sporting" e, mais recentemente, a iniciativa “Pensar Sporting!” dinamizada pelo grupo Ofensiva 1906.
Confesso que tenho sentimentos contraditórios em relação a todas estas iniciativas. É justo sublinhar que, por um lado, o que tudo isto revela, em primeira análise, é um grande dinamismo, um grande fervor clubístico, uma grande vontade de particpação na causa Sportinguista e um assinalável espírito de inciativa. Espelham também um louvável desejo de acção e um cansaço com a retórica que é de saudar. Raramente se vê na sociedade portuguesa um empenhamento colectivo deste género. Por aí o Sporting está a dar 100-0, não só aos rivais, mas também às outras associações, desportivas ou não, e estruturas democráticas do país. Se o que se observa no Sporting fosse a regra, teríamos certamente um país mais solidário e uma intervenção dos cidadãos bem mais participativa. O que se passa no Sporting hoje deve, em particular, merecer uma atenção especial dos políticos. Os Sportinguistas não andam a dormir e querem demonstrar que não estão dispostos a deixar a resolução dos seus problemas em mãos alheias. Perante os apelos que recentemente até o mais alto dignitário do país fez aos portugueses, aqui está um exemplo (que devia ser exibido!) de um fortíssimo sentimento contra a resignação...
Mas, (e há sempre um mas...) todos estes movimentos me deixam também um pouco preocupado. No meio do fervor temos de ver que terrenos andamos a pisar. Podem estar armadilhados...
O Sporting é uma instituição centenária que foi fundada com base em determinados princípios que estão hoje consignados de forma clara nos seus Estatutos. O Sporting não é uma associação de jeitosos feita em laboratório, nem provém de nenhum ensaio clandestino feito em proveta. O Sporting é uma instituição, legal, com orgãos de poder eleitos, com regras de funcionamento aprovadas de forma democraticamente irrepreensível, com uma legitimidade histórica acrescida e com um peso considerável na sociedade portuguesa.
Volta não volta, uns quantos aventureiros tentam tomar conta do curso dos acontecimentos. Mas, os Sportinguistas têm sabido reagir. As eleições são isso: reacção! A dinastia Roquette e a actual direcção são isso: reacção!
O modus operandi do Sporting vai, mas os princípios do Clube ficam. Sucedeu isso com anteriores direcções e vai suceder isso com esta, com toda a certeza.
Ora, quaisquer iniciativas para mudar o curso dos acontecimentos no Sporting têm de ser tomadas à luz do sistema de funcionamento legal do Clube. Não é isso que está a suceder.
Não quero dizer com isto que não haja intervenção, bem antes pelo contrário. Quero dizer é que face a esta realidade que é a capacidade de intervenção dos Sportinguistas se constata que a fórmula organizativa do Clube não satisfaz e que os Estatutos já não refletem essa mesma realidade. Há pois que pugnar pela mudança dos Estatutos.
Já há muito tempo que propus a criação de um orgão regulado estatutariamente que permita uma maior intervenção dos Sportinguistas na vida do Clube. Uma espécie de Senado, de Assembleia, de Conselho, como lhe queiram chamar, com poder deliberativo, não este Conselho Leonino que é um travesti de democracia! É isso que, na minha opinião falta. Uma organismo que reflita a pluralidade dos Sportinguistas, mas que garanta a sua unidade num quadro de absoluta legitimidade das suas iniciativas. A realidade actual diz-me que esta ideia está correcta. Este é o programa para uma candidatura!
A impossibilidade de intervir gera descontentamentos e feridas insanáveis no seio do universo Sportinguista. O erro principal do "projecto Roquette" foi não ter incorporado a intervenção dos Sportinguistas nos seus planos, depois de ter metido o Sporting por novos caminhos, sobretudo, no plano da sua reorganização "comercial". Os resultados estão à vista.
Mas, estas inicitiavas, que agora vêem a luz do dia, por muito louváveis que sejam, sem desprimor para os seus proponentes e sem colocar em causa a bondade da sua criação, não podem gerar o contrário: intervenção dos Sportinguistas sem regras! Desta forma arriscamo-nos a ter um Sporting tipo casa de espelhos, em que para onde quer que nos viremos, vemos milhentas realidades refletidas nas paredes e não sabemos a origem dos objectos que refletem essas imagens...
Ao lançar todas esta iniciativas os seus autores têm de estar conscientes que estão provocar clivagens, que têm de ter uma qualquer resolução no seio do Clube. De outra forma arriscamo-nos também a ter um Sporting 1, um Sporting 2, ou 3 e por aí fora. O louvável poder de iniciativa demonstrado pelos Sportinguistas não pode servir para escaqueirar ainda mais a unidade necessária.
O objectivo é entendermo-nos todos, não destruir o UM que é o Sporting, nem substituir uma elite por outra! Para elites já dei...
Temos de enquadrar todas as inicitivas, de todos os legítimos grupos de sócios num quadro de regras sem mácula.
E há, finalmente, que distinguir também muito claramente uma outra coisa: eu não sou adepto do Sporting! Eu sou sócio do Sporting! Os adeptos que se organizem. A mim cabe-me participar na vida do Clube no quadro definido pelos seus Estatutos.
Fá-lo-ei sempre, se me deixarem, se quiserem contar com a minha opinião e se existirem mecanismos que o permitam fazer.
O pior é se eu continuo a pagar as quotas e não me deixam dar, ou não querem que eu dê a minha opinião porque há sempre uns iluminados que decidiram que sabem mais do que eu...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O alvo e a seta

O Sporting é, segundo rezam as crónicas, o clube que proporciona um maior retorno ao investimento feito pelos seus patrocinadores. O retorno é de tal forma apetecível que o total de patrocínios aumentou 30% em relação à época anterior.
O alvo da PT, do BES, da CGD, da TMN, da Sagres, da Coca-Cola e de todos os outros, não é, claro está, o Sporting. Nem qualquer destas empresas está a "dar" dinheiro ao Sporting. Está a investir - e pelos vistos está a investir bem. O alvo das empresas somos nós, os Sportinguistas.
Os únicos em toda esta complexa equação que dão qualquer coisa ao Sporting somos nós, os Sportinguistas, os alvos de todas estas empresas. Pagamos ao Sporting e vamos depois a correr pagar às empresas que investem no Sporting. Aparentemente, às empresas pouco importa o lugar que o Sporting ocupa no campeonato.
Quando se discute o Sporting e o seu futuro há que ter em atenção, sobretudo, estas singelas, mas significativas realidades.
Façam as contas e pensem como estão a investir o vosso dinheiro. Vejam lá também qual é o retorno que têm e se, nessa conformidade, é um bom investimento aquele que estão a fazer. Ah! e vejam, finalmente, quem gere e como gere todo este complexo esquema.
Atrevam-se a transformar o alvo em seta...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Penitência

Eu sei que ainda não estamos na Páscoa, mas já vou adiantando serviço...
Não pude ver o jogo de hoje (por motivos profissionais tive de ouvir bocados do relato, às escondidas, pelo rádio do telemóvel... vejam lá aonde chega a paranóia!), mas pelo "relatório" que me foi feito logo a seguir ao jogo e pelo pouco que fui podendo ouvir, o grande Sporting deu um baile de bola à rapaziada da edelweiss!
Fico imensamente feliz e penitencio-me por não vos poder dar mais vezes os parabéns desta forma efusiva!
A mim não custa nada penitenciar-me quando é preciso...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Derlei

O novo revés que o folhetim Derlei conheceu diz-nos afinal bem do que foi o "planeamento" desta época e do modo estranho como o futebol é encarado pela actual estrutura directiva da SAD. Bem pode Miguel Ribeiro Telles vir reclamar uma presença regular do Sporting na Liga dos Campeões. Para quê? Eles nem sabem planear a formação de uma equipa que resista a um ou dois abanões fortes e que mantenha um nível competitivo de acordo com os seus desígnios, quanto mais querer presenças constantes na LC.
Queixam-se que é azar... Azar foi o nosso por termos de os gramar!
Aliás, a propósito destes desejos expressos reiteradamente pelo administrador da SAD em diversas entrevistas (presença na liga dos campeões, vitórias na liga doméstica, etc), devo dizer que estes recados, vindos de quem vêm e nesta altura, me soam totalmente bizarros. Então ele não tem estado na SAD, ou também só passa por lá de vez em quando? Que crédito podemos nós dar a toda este paleio? Digam-me lá que condições foram ou estão a ser criadas para que estes desejos possam ser interpretados de uma forma diferente daquela que qualquer pessoa minimamente atenta lhes atribuirá: uma manobra totalmente demagógica, em momento de crise, para enganar o pagode?
Que diabo de "estratégia" é esta?!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Incentivar a equipa

Eu compreendo a intenção do Raul ao titular o seu último post "A equipa está a melhorar". Por um lado, há coisas que só podem melhorar com o retorno dos lesionados e com a entrada do Grimi. Por outro lado, ao perceber que os adeptos dizem que "está a melhorar" a equipa recebe implicitamente o incentivo que, em qualquer caso, necessita e que nesta "altura do campeonato", como sói dizer-se, se afigura fulcral.
Compreendo, portanto, a intenção.
Mas (!) o lugar que a equipa ocupa neste momento não é apenas obra do "azar"...
A pobreza do jogo do Sporting é confrangedora. E não há nada pior do que esconder a cabecita debaixo da areia. O Sporting não dá três toques seguidos na bola sem a perder (contem! contem!!), joga com uma lentidão que desespera o mais pacífico dos espectadores, tem uma capacidade de concretização a raiar o inacreditável, tem uma precisão de passe que nos deixa à beira de um ataque de nervos e no confronto com o adversário perde a bola com uma frequência que devia deixar corados de vergonha os jogadores.
Não sei quem é que consegue ver, "nesta altura do campeonato" qualidades no Miguel Veloso, por exemplo. Não ganha um raio de uma bola, está frequentemente desposicionado (já tem tido várias consequências trágicas este ano), a sua condição física roça o patético! Era jogador para encostar e colocar em trabalho (forçado) extra...
Já nem quero falar nas questões de trabalho técnico de conjunto referidas, quer pelo Raul, quer num cometário que o Lionheart lhe fez. Que não são de facto só as grandes penalidades. Com efeito, nunca percebi como é que uma equipa como o SCP falha tantas grandes penalidades (e que dizer do Polga a marcar grandes penalidades!!??), concretiza tão pouco nos lances de bola parada e, ao invés, no capítulo defensivo, claudica de forma tão vergonhosa justamente nestas situações.
O jogo do Sporting é, frequentemente (demasiado frequentemente...) de uma pobreza e banalidade confrangedoras. Ao contrário do que se diz, eu acho que o Sporting tem tido imensa sorte esta época. Pelas qualidades que demonstra em campo só por sorte é que não estamos mais abaixo na tabela.
Precisam de incentivo? Joguem bem! Tenham vergonha, vocês representam o Sporting caraças!!!!!! Se há áreas que tão claramente precisam de trabalho, trabalhem!!! Nem que para isso tenham de fazer horas extra.
Eis o melhor incentivo que se lhes pode dar...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A equipa está a melhorar

Na última edição do Expresso, Luís Freitas Lobo escreve sobre aparição de Grimi na equipa do Sporting. Diz ele que com o argentino a equipa “consegue manter sempre a linha defensiva completa quando o ‘onze’ perde a bola, algo que não sucedia com Abel e Ronny ao mesmo tempo em campo”. Entusiasmado, diz mesmo que tal “é a prova de como um jogador dito normal pode, em circunstâncias específicas, tornar-se indispensável para uma equipa”.
Lendo-o, dá a ideia que ele já esqueceu a afirmação de que o Sporting estaria a chegar ao fim de um ciclo.
Partilho, de algum modo, esta opinião de LFL: a entrada de Grimi parece apresentar-se como um factor muito importante de coesão defensiva. E isso notou-se bastante no jogo contra o Estrela da Amadora: a ausência de Grimi retirou alguma da consistência que a equipa manifestou nas vezes em que ele jogou. Paulo Bento lá sabe da condição física do jogador (esta época poucos jogos fez e o terreno estava pesado) e resolveu poupá-lo contra o Estrela. Outra ausência que a equipa sentiu foi a dum companheiro em condições para Liedson, o que explica a escassez de golos a jogar contra 9 durante muito tempo.
Mas houve várias outras “boas notícias”:
- A confirmação das capacidades de Rui Patrício: à medida que ganha experiência, o guarda-redes transmite cada vez mais confiança à equipa. Está, com ele, a passar-se um caso semelhante ao que Casillas viveu no Real Madrid, onde entrou aos 19 anos como titular, em detrimento de… Cañizares.
- A entrada na equipa, com apontamentos excelentes de entrega ao jogo e vontade de jogar para a equipa, de Pedro Silva.
- A subida de forma, e consequente ganho de influência na primeira transição do jogo ofensivo da equipa, de Miguel Veloso. Tal já tinha acontecido no jogo europeu, mas sabe-se como nesses jogos os atletas por vezes se entregam dum modo diferente do que fazem na Liga, sobretudo num jogo de pouca visibilidade como foi este.
Estes factores são de molde a deixar os adeptos mais optimistas, esperando-se que Vucjevic recupere depressa e que Derlei possa em breve dar o seu contributo à equipa.
Também houve coisas más; destas só mencionarei o inacreditável que é a equipa continuar a não ser capaz de converter os penalties de que dispõe em golos. E lanço uma pergunta a Paulo Bento: então isto não se melhora com treino?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sporting 2 - Jogo jogado 0

A jogar contra nove o Sporting devia ter feito melhor. Ou então isto é o melhor Sporting possível... 
Os três pontos contam, é verdade, mas a jogar assim é de temer o pior. Não posso de forma alguma dar os parabéns a esta equipa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ainda o conceito de unidade única

Aqui há dois anos, mais coisa menos coisa, escrevi no KL um post a que chamei "Unidade Única". Os blogs têm estas coisas: por um lado, permitem a livre expressão do nosso pensamento, sem os constrangimentos que habitualmente nos condicionam nos meios de comunicação tradicionais, mas, por outro, têm um prazo de validade extremamente curto. Acresce o facto de as nossas vidas serem vividas hoje de forma muito rápida, no culto do efémero. Finalmente, parece que os arquivos são coisa que não funciona ainda muito bem neste formato "blogueiro" de troca de ideias. Por tudo isto há necessidade de, volta não volta, avivar as memórias.
Neste sentido, re-publico aqui o tal post de que falava, omitindo apenas aspectos conjunturais que não interessam.
Já agora, aconselho também os Sportinguistas interessados a dar uma vista de olhos sobre o que, a propósito de unidade, tenho escrito no KL. Podem ler sobre este tema "A Aventura do Sporting", "A Terceira Via", "Decidam-se!", "No rescaldo do Guimarães-Sporting", "As eleições" e, finalmente, um texto mais recente chamado "Organização, solidariedade e realismo". A ordem é mais ou menos a da sua publicação.
Uma nota final: grande parte destes textos é de 2006. Nessa altura eu terminava os posts com um link para a página do nosso Manifesto - Sporting uma História com Futuro.
Estive a relê-lo. Leiam-no, ou releiam-no, já agora também se tiverem pachorra.
Aqui está então de novo o referido post para vossa reflexão...



2006/02/03
Unidade única!
O problema do Sporting Clube de Portugal neste momento é o da unidade dos Sportinguistas.

De um lado temos a "unidade" da direcção (aparente, pelo menos) em torno de um projecto de aniquilação de tudo o que cheire a Sporting e represente os valores ancestrais do clube. Substitui-se a unidade por um vago conceito, a soar a cliché por todos os lados, de que "somos diferentes".
Mas, a verdade é que baseados nesta "diferença" não há diferença nenhuma entre nós e qualquer outro clube. Tudo se vende, se troca e se compra. Tudo! Jogadores (da casa e de fora dela), treinadores, funcionários fulcrais, portas, lugares, camisolas, bandeiras, jornal, em breve, se calhar, a bandeira, o emblema, quiça o nome... O conceito de Sporting esse já lá vai.
Não creio que estejamos tão longe assim (digo-o com toda a convicção e não é meu intento fazer aqui humor!) de ter um Sporting-BES, um Sporting-Milanesa, ou Sporting-Bom Petisco... E se calhar um Porto-BES também para baralhar ainda mais as contas. Como os bancos tiveram um lucro brutal este ano e precisam de "destrunfar" é bem possível que venham a jogar forte nesses tabuleiros...
Do outro lado, temos uma série de outras "unidades". Todas contra a "unidade" da direcção, mas igualmente difusas. Geradas em torno dos diálogos possíveis que as tertúlias sportinguistas vão podendo criar, sobretudo agora que os meios de comunicação das ideias deixaram de estar exclusivamente nas mãos de alguns. "Unidades" difíceis de juntar para criar a unidade pela dispersão dos sócios e pela escassez e nebulosidade da informação sobre a real situação so Sporting.
Enquanto a direcção e os seus capangas criaram uma "unidade" em torno de valores que nada têm a ver com os desígnios primeiros do clube e se afastaram totalmente do rumo SPORTING, os sócios e adeptos lá vão tentando preservar a herança...
Mas, unidade só há uma! Parece uma graçola, mas é verdade...
A incapacidade das sucessivas direcções do Sporting, desde que entrámos na "era Roquette" para gerarem unidade em torno dos valores Sportinguistas é uma coisa que me tem deixado sempre intrigado.